Consumismo, ninguém é si mesmo – é a padronização de massas, por Diego Fusaro

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Consumismo, ninguém é si mesmo – é a padronização de massas

por Diego Fusaro

Tradução: Mario S. Mieli

Fonte: http://www.ilfattoquotidiano.it/2017/08/08/consumismo-nessuno-e-se-stesso-e-lomologazione-di-massa/3781366/

Estranho momento o nosso. Além disso, é o tempo em que o elogio, sempre reiterado, do indivíduo permeia sem solução de continuidade na anulação do indivíduo, através de sua integração ao mundo totalmente administrado pela tecnologia e pelo consumo. Temos, assim, o triunfo de uma realidade irreal e inautêntica na qual – com as gramáticas do Ser e Tempo de Heidegger (§ 27) – “cada um é os outros e ninguém é si mesmo”. A nossa é, de fato, a primeira sociedade de consenso de massas e da padronização de massas: cada um pensa como se pensa, vive como se vive, deseja como se deseja e, não menos importante, discorda como se discorda.

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Com a gramática dos Minima Moralia (§ 97) de Adorno, a potencialização desmedida do indivíduo nas mãos do discurso capitalista determina, por isso mesmo, a morte da subjetividade. A imposição forçada de padrões de comportamento e estilos de vida fruto da moda e da publicidade, não só permite que seja sempre relançado o movimento da valorização do valor, mas também de controlar os indivíduos de modo capilar, deixando-os viver na ilusão de serem livres e autodeterminados. Quando, na realidade ¬– como bem sabemos – são controlados, supervisionados e dirigidos milimetricamente pelas estratégias panópticas de consumo.

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O trabalho da vigilância se torna infinitamente mais fácil se realizado em corpos e mentes domesticados que não sejam livres para seguir o caminho da dissidência raciocinada. Este aspecto revela, mais uma vez, como a astúcia de produção utiliza hoje os seres humanos, tendo em vista o seu insensato objetivo, a autovalorização ilimitada, iludindo-os de serem livres justamente quando estão vivendo em sua própria carne a forma mais totalitária de poder de toda a história humana.

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O exemplo mais significativo desta dinâmica heterogênea é oferecido pelo fenômeno da moda. A moda, fazendo valer o que Simmel já conotava como uma verdadeira “tirania”, promete a cada um a remodelagem de um si mesmo único e irrepetível e contemporaneamente, para todos, em série, o mesmo modelo a seguir e com o qual se conformar, em uma real e verdadeira identificação por trás da diversificação aparente. A moda é a maneira pela qual, em um nível estético, o fundamentalismo econômico atual da civilização de consumo impõe de forma sinistra e flexível a adaptação e a padronização segundo arquétipos pré-ordenados.

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