Não a chamem de globalização: é um nivelamento planetário , por Diego Fusaro

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Não a chamem de globalização: é um nivelamento planetário

Por Diego Fusaro

Tradução: Mario S. Mieli

Fonte: http://www.interessenazionale.net/blog/non-chiamatela-globalizzazione-livellamento-planetario#.WaAgO9UIQYM.twitter

A globalização é, em sua essência, a ideologia do mesmo, expressão de um capitalismo especulativo e auto-reflexivo que quer se ver refletido e reproduzido em todos os lugares e sempre apenas a si mesmo.

Em vista desta abordagem teleológica, ele visa a supressão das diferenças e, com elas, das alternativas, de maneira que triunfem sempre aquelas que, segundo Marcuse e Heidegger, poderíamos qualificar de a ”unidimensionalidade” e a “uniformização” (Einförmigkeit ).

O globalitarismo aspira a ser refletido em cada célula da realidade, aniquilando todas as maneiras de ser, de pensar, de falar e de trocar que não sejam aquelas modeladas conforme a axiomática ‘do ut des’ (ou quid pro quo) do livre comércio.

Por trás da aparente proliferação de rachaduras, das cores e dos plurais esconde-se o que, com Hegel, poderíamos provavelmente chamar de “monocromatismo absoluto” (einfarbige absolute Malerei) da sociedade de mercado; monocromatismo absoluto que é, então, a cifra da globalização como universalização da sociedade de mercado ao qual está associada a neutralização de todas as formas de produção, da existência e do pensamento que não coincidam com ele.

Como apontado por Marx, o dinheiro, “nivelador radical, dissolve todas as distinções” e impõe uma padronização do real e do imaginário que aspira a tornar-se planetária e abrangente.

É aí que reside a essência da globalização como colonialismo glamouroso e à altura dos tempos, inclui neutralizando e uniformiza nivelando.

Da globalização como um novo tipo de imperialismo, um dia se poderá dizer o que Marx no “Capital” afirmou em relação ao colonialismo em voga na época dele, “foi o ‘deus estrangeiro’ que se pôs em cima do altar ao lado dos antigos ídolos da Europa e que, um belo dia, com um súbito empurrão, derrubou-os a todos juntos, proclamando que produzir mais-valia era a última e a única finalidade da humanidade”.

Nesta perspectiva, a acumulação planetária entrelaça nivelamento e desigualdade. Uniformiza o planeta e, em conjunto, dá origem a um desenvolvimento cada vez mais desigual, porque mais e mais fortemente fundado sobre o contraste classista entre Servo e Senhor, anexado ao conflito unilateralmente determinado como massacre de classe do segundo em detrimento do primeiro.

 

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