>> Adeus ao gato Che, que no dia 22/12/2013 “passou para o outro lado do Caminho”

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“Até o mais pequenino entre os felinos é uma obra-prima.” Leonardo Da Vinci

“Cada animal sabe mais que você.”
Provérbio nativo-americano

“Até que se ame um animal, uma parte da própria alma permanece adormecida.”
Anatole France

A UM GATO

Os espelhos não são mais silenciosos,
nem mais furtiva a aurora aventureira:
eras, à luz da lua, essa pantera
que ao longe divisamos, temerosos.
Por obra indecifrável de um decreto
divino, te buscamos baldamente;
mais remoto que o Ganges ou o poente,
a solidão é tua, e o mais secreto.
Teu lombo condescende à vagarosa
carícia de uma mão. Tens admitido,
desde essa eternidade que é já olvido,
o amor de minha mão tão receosa.
Em outro tempo estás: és dom, suponho,
de um âmbito cerrado como um sonho.
Jorge Luis Borges

E foi assim que o gatinho chegou àquela casa.
Mais parecia um tigrezinho cor de mel.

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Fazendo dos livros nas prateleiras e dos livros empilhados em todos os cantos sua paisagem de montes, colinas, montanhas e cordilheiras.

Seu olhar agudo e sagaz, ágil e perspicaz
ajudou a definir a escolha de seu próprio nome: Che.

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Depois de pouco tempo, Che ganhou uma companheira.
Uma gata toda branca, também arguta e astuta, mas sempre cauta; também arteira e engenhosa, mas sempre desconfiada, pois em sua curta vida já tinha sofrido maus tratos, já tinha sabido o que era abuso. Daí seu nome: Cabíria.

Che e Cabíria se amaram à primeira vista, e juntos, viveram muito felizes.

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Ficaram ainda mais contentes depois que o Francisco nasceu. Um pouco como se fosse outro gatinho, também. Um pouco como se fosse um filhote deles, também. E passaram a ser seus companheiros inseparáveis. Seus anjos-da-guarda. Seus guardiões sempre presentes e atentos. Nas brincadeiras. Nos passatempos. Em todas as circunstâncias da vida.

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Depois de um breve tempo, chegou para compartilhar o lar um pequeno fox-terrier paulistinha, cheio de força e vigor, o Zapata.
Che e Cabiria não só aceitaram o cãozinho, como o adotaram, sendo um pouco seus pais, ensinando-lhe os truques do viver e do sobreviver. Tanto que o pequeno canino, além das características de sua espécie, às vezes parecia também quase um felino. Nos pulos mirabolantes, no modo de perscrutar o ambiente, nas reações súbitas e imprevistas.

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E assim, com esses companheiros de reinos diferentes, Che, Cabiria e Zapata, transcorreu sua infância o Francisco, agora quase um jovem rapaz.

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Como cada ano de vida felino corresponde a muitos anos de vida humana, primeiro foi a gata branca Cabiria que se despediu desta sua estadia. E agora, dia 22 de dezembro, foi o pequeno tigre-gato Che, “que passou para o outro lado do Caminho”, como dizia Santo Agostinho.

Nas palavras do dono da casa, o Sílvio, “o Che foi um grande gato, digno do nome que recebeu. Faz mais de um ano que lhe deram menos de seis meses de vida e ele viveu um ano, arrastando um tumor ósseo violento com a dignidade de sempre.
Como disse CLARICE LISPECTOR, “Um animal jamais substitui uma coisa por outra, jamais sublima como nós somos forçados a fazer. E move-se, essa coisa viva! Move-se independente, por força mesmo dessa coisa sem nome que é a Vida!!!”

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Cada ser que amamos e com o qual com-vivemos
Um dia era só energia, frequência, vibração

Essa energia, frequência e vibração
chega à vida tomando uma forma, uma aparência, um aspecto
como nós mesmos,
como tudo o que existe
neste plano que tocamos e enxergamos.
E que está em constante trans-formação.
Mas esquecemos de separar essa forma que conhecemos
com a energia misteriosa que a configurou.

Com o tempo, essa forma que conhecemos,
depois de alcançar sua plenitude,
se desgasta, se consome e deteriora
pois já não reflete mais
a verdadeira natureza integral da energia
que a configurou.
E a forma vai se esmaecendo, vai se despedindo
Um pouco exausta, um pouco extenuada,
Por não poder mais conter a energia toda que a gerou…
E aquela energia, frequência, vibração,
que acaba se desprendendo de sua com-figuração fatigada
Voltando a ser simplesmente só a energia, frequência, vibração
que era um dia.

Na superfície e na profundidade,
que não é mais que a viagem entre duas superfícies,
o mistério é realmente muito simples
pois a essência da vida é a própria vida
que se verte e diverte em todas as formas que sua liberdade procura manifestar.
E é justamente por isso que é vida.
O que chamamos de morte é só a própria energia da vida
que se despoja de seu invólucro ilusório
e que, livre e irrestrita,
retorna velozmente à sua matriz, ao seu vórtice,
à sua eterna espiral dançante
que, com sua frequência e vibração,
passará a configurar outras formas.

Aquele ser, aquela forma de vida que amamos e com a qual com-vivemos
Não era mais que um flash, um instantâneo manifesto
da energia, frequência, vibração
que todos os dias sempre é.

Mario S. Mieli

www.dsa.unipr

 

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