>> Cinco minutos para duas crianças que sabem das coisas, na Arte e na Vida



Cinco minutos para duas crianças que sabem das coisas, na Arte e na Vida

Na Arte:
Trecho do filme “A King in New York” (Um Rei em Nova York), de 1957, dirigido e estrelado por Charles Chaplin (em seu último papel como ator principal), e seu filho Michael Chaplin, no papel do aluno. O filme só pode ser exibido nos EUA depois de 1967…



1957 – A Kid Explains Why Government is Deceptive and Evil



Transcrição traduzida: Mario S. Mieli

– Aqui, Sua Majestade, um infante fenômeno. Uma incrível criança de dez anos. Ele é um historiador e tanto e também editor da revista de nossa escola.

– Muito interessante…

– Este, Sua Majestade, é o Ruppert, nosso jovem editor.
– Como vai, Ruppert? Sente-se! O que você está lendo?
– Karl Marx.
– Você tem certeza de que não é comunista?
– Preciso ser comunista para ler Karl Marx?
– É uma resposta válida…
– Se você não é comunista, então o que você é?
– Nada.
– Nada?
– Desgosto de todas as formas de governo.
– Mas alguém tem que governar.
– Não gosto da palavra “governar”.
– Bem, se não gostamos da palavra “governar”, vamos então chamar isso de “liderança”.
– Liderança no governo é poder político. E poder político é uma forma oficial de antagonizar o povo.
– Que revista você disse que ele edita?
– Um comentário sobre atualidades.
(risadas dos outros alunos)
– Mas meu caro jovem, a política é necessária.
– A política são regras impostas sobre as pessoas.
– Mas neste país, as regras não são impostas. Elas são a vontade de todos os cidadãos livres.
– Vá dar uma volta para ver o quanto elas são livres.
– Você não me deixou acabar…
– Eles botam cada pessoa numa camisa de força, e sem passaporte, ninguém mexe nem o dedo mindinho.
– Se você me deixa terminar…
– Num mundo livre… eles violam os direitos naturais de todo cidadão. Eles se tornaram as armas dos políticos déspotas. E se você não pensar como eles, eles lhe tiram o passaporte. E sair de um país é como fugir da cadeia. E entrar num país é como passar pela cabeça de uma agulha. Eu estou livre para viajar?
– Claro que você é livre para viajar.
– Só se for com um passaporte!
– Você vai me deixar falar?
– Só se for com um passaporte! Os animais precisam de passaporte?
– Você acabou?
– É incongruente estarmos em plena era atômica da velocidade e ficarmos proibidos de entrar ou sair por causa de passaportes.
– Se você calar a boca e deixar os outros falarem…
– E a Liberdade de expressão? Será que ela existe?
– Não, só você parece tê-la.
– E a livre iniciativa?
– Estávamos falando de passaportes.
– Hoje é tudo monopólio.
– Muito bem, agora…
– Posso entrar no setor automobilístico e competir?
– Se puder falar uma palavra…
– Nem pensar. Posso entrar no negócio de mercearias e competir com as cadeias de lojas?
– Vai calar a boca?
– Nem por sonho.
– O monopólio é a ameaça contra a livre iniciativa. Se penso há 60 anos atrás…
– Onde estava você 60 anos atrás?
(outras crianças: Ele era um clarão nos olhos do bisavó dele!)
– Muito bem. Acabou? Agora deixe-me dizer algo. O quanto você está errado. Em primeiro lugar…
(risadas das crianças)
– Em primeiro lugar… Agora esqueci o que eu queria dizer.
– E a bomba atômica? É um crime que enquanto o mundo pede energia atômica, você quer fazer bombas atômicas.
– Eu? Eu sou contra bombas atômicas.
– Você quer aniquilar a civilização, destruir toda a vida no planeta. Você ainda acha que vive no século XIX.
– Eu perdi meu trono porque não quero bombas atômicas.
– Você e sua corja acham que bombas atômicas podem resolver seus problemas.
– Ouça, ratinho…
– Hoje o ser humano tem demasiado poder. O Império Romano caiu com o assassinato de César – por quê?
Por causa de demasiado poder. O Feudalismo… acabou com a Revolução Francesa – por quê? Por causa de demasiado poder. E hoje todo o mundo vai estourar. Por quê?
– Por causa de demasiado poder.
– O monopólio do poder é uma ameaça à liberdade. Ele degrada e vitimiza cada indivíduo. E onde está o indivíduo?
– Eu não sei.
– Perdido no terror porque é forçado a odiar, em vez de amar. Se quisermos que a civilização sobreviva, devemos combater o poder, até que a dignidade e a paz dos seres humanos sejam restabelecidas!
– O que isso quer dizer?
(risadas das crianças)
– Meu chapéu!!!



Na Vida: menino de 12 anos analisando a situação sócio-político-econômica no Egito, seu país
Egypt : The Next President



Transcrição traduzida: Mario S Mieli


– Meu nome é Ali Ahmed. E estou no 1º grau preparatório (equivalente a 12 anos). Estou aqui para impedir que o Egito se torne uma mercadoria possuída por uma só pessoa. E para protestar que a constituição seja confiscada por um único partido. Não nos livramos do regime militar para substitui-lo por uma teocracia fascista.
– Teocracia fascista? Eu nem sei o que isso quer dizer…
– Teocracia fascista é quando se manipula a religião e se impõem regulamentações extremistas em nome de uma religião, embora a religião não o exija.
– Quem te ensinou tudo isso?
– Eu sei.
– Como assim, você sabe?
– Eu ouço as pessoas e uso a minha própria cabeça. E leio jornais, vejo a TV e faço buscas na internet.
– Então você vê que o país não está indo bem e que precisa mudar?
– Você diz politicamente ou socialmente? Os objetivos sociais da revolução ainda precisam ser alcançados. A capacitação econômica, a liberdade e a justiça social. Ainda não há empregos. E a polícia ainda prende as pessoas aleatoriamente. Quanto à justiça social, como é que um âncora de TV pode ganhar 30 milhões de libras egípcias, enquanto há pessoas que precisam catar comida do lixo?
Politicamente falando, onde está a constituição que deveria nos representar?
Por exemplo, as mulheres são a metade da sociedade. Então como é que há apenas 7 mulheres na Assembleia Constituinte, sendo que 6 dentre elas são islamistas?
– Então você acha que eles vão manipular a constituição?
– O que é construído sobre o falso também é falso. Mesmo que a constituição seja boa, mas a Assembleia que a redigiu é má. Assim, acabaremos com algo ruim. Não me traga 80 artigos bons 20 ruins, que vão arruinar o país. E daí dizer que é uma constituição.
– Você leu o projeto de constituição?
– Sim.
– Onde? Na internet?
– Sim.
– Por exemplo, dizem que as mulheres têm igualdade com os homens em todos os assuntos. Exceto nas questões que contradizem a lei islâmica. Mas daí, a lei islâmica permite que os homens disciplinem suas esposas. Isso não pode funcionar na sociedade.
– Por quê não? Qual o problema?
– O problema é que isso é ultrajante. Não posso bater em minha mulher até quase matá-la e daí dizer que isso é “disciplina”.
Isso não é disciplina. É abuso e insanidade. Tudo isso (esse processo político) é nulo. Porque, em primeiro lugar, o Parlamento é nulo. Popularmente e constitucionalmente nulo. Alguns partidos basearam suas campanhas misturando religião e política. As mesquitas estavam mobilizando os eleitores. Distribuíram açúcar e azeite de cozinha para os eleitores. E muitos outros pensam assim…

 

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