>>Lembrete para Obama e McCain: ninguém ganha uma guerra, por Howard Zinn

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Fonte: peacereporter.net 29 de julho de 2008

Tradução: Agência Imediata

Barack Obama e John McCain continuam discutindo sobre a guerra. McCain diz que é preciso manter as tropas no Iraque até quando “venceremos” e defende o envio de mais tropas para o Afeganistão. Obama afirma que é necessário retirar algumas tropas (não todas) do Iraque e enviá-las para combater e “vencer” no Afeganistão.

Para alguém como eu, que combateu na Segunda Guerra Mundial e que desde então tem protestado contra a guerra, é necessário perguntar: será que nossos líderes políticos ficaram doidos? Será que eles não aprenderam nada com a nossa história recente? Será que não aprenderam que ninguém “ganha” numa guerra, mas que centenas de milhares de seres humanos morrem, a maioria civis, a maioria crianças?

Por acaso “ganhamos” tendo ido para a guerra da Coréia? O resultado foi um beco sem saída, deixando as coisas como estavam anteriormente, com uma ditadura na Coréia do Sul e uma ditadura na Coréia do Norte. Todavia, mais de 2 milhões de pessoas– a maioria delas civis – morreram, os EUA atiraram napalm em crianças e 50.000 soldados dos EUA perderam a vida.

Por acaso “ganhamos” no Vietnã? Fomos forçados a nos retirarmos de lá. Mas só depois de termos matado 2 milhões de vietnamitas, a maioria civis, e de termos deixando mais uma vez crianças queimadas, sem braços ou sem pernas, e com 58.000 soldados estadunidenses mortos.

Por acaso ganhamos a primeira guerra do Golfo? Na verdade, não. Sim, expulsamos Saddam Hussein do Kuaite, com poucas baixas estadunidenses, porém morreram cerca de 100.000 iraquianos. E as conseqüências foram fatais para os Estados Unidos: Saddam permaneceu no poder, o que permitiu aos Estados Unidos aumentar as sanções econômicas. Isso provocou a morte de centenas de milhares de iraquianos, segundo funcionários da ONU, preparando o terreno para ainda outra guerra.

No Afeganistão, os Estados Unidos declararam “vitória” sobre os talibãs. Agora os talibãs estão de volta e os ataques aumentam. As recentes mortes de militares dos EUA no Afeganistão ultrapassam as baixas no Iraque. O que faz Obama pensar que o envio de mais tropas para o Afeganistão vai produzir a “vitória”? E se o fizesse, no sentido puramente militar, quanto isso duraria e que custo teria em termos de vidas humanas para ambos os lados?

O ressurgir dos combates no Afeganistão é um bom momento para se refletir sobre o início da intervenção dos EUA naquele país. Deveríamos ter mais cautela quando afirmamos que o Iraque é uma guerra errada e o Afeganistão é uma guerra justificada.

Se recuarmos para o 11 de setembro de 2001, os seqüestradores lançam aviões contra o World Trade Center e o Pentágono, matando cerca de 3.000 pessoas. Um ato terrorista, indesculpável sob qualquer código moral. A nação se enflama. O presidente Bush ordena a invasão e o bombardeio do Afeganistão e a população dos EUA é forçada a aprová-la, após uma onda de raiva e medo. Bush anuncia a “guerra contra o terror”.

Com exceção dos terroristas, somos todos contra o terror. De modo que uma guerra contra o terror soava bem. Mas havia um problema que a maioria da população dos EUA não levou em consideração na fúria do momento: o presidente Bush, apesar de sua confiante bravata, não tinha qualquer idéia sobre como travar uma guerra contra o terror.

Sim, a Al Qaeda – um grupo de fanáticos relativamente pequeno porém sem escrúpulos – aparentemente responsável pelos ataques. E, sim, havia evidências de que Osama bin Laden e outros estavam baseados no Afeganistão. Mas os EUA não sabiam exatamente onde, de forma que invadiram e bombardearam o país inteiro. Isso fez muita gente se sentir justificada. “Tínhamos que fazer alguma coisa”, muita gente dizia.

Sim, tínhamos que fazer algo. Mas não tão imprudente e irrefletidamente. Será que aprovaríamos o bombardeio de todo um bairro, só porque sabemos que lá se refugia um criminoso de alto risco? Em pouco tempo, a cifra dos civis mortos no Afeganistão superava 3.000, o que representa mais que todos os mortos durante o ataque do 11 de setembro. Centenas de afegãos foram expulsos de suas casas, tornando-se refugiados errantes.

Dois meses depois da invasão do Afeganistão, uma história do Boston Globe descrevia um menino de 10 anos numa cama de hospital: “perdeu os olhos e as mãos devido a uma bomba que atingiu sua casa no domingo, depois do jantar”. O médico que tratou dele disse: “os Estados Unidos devem achar que ele é o Osama. Senão, porque fariam isso?”

Deveríamos perguntar aos nossos candidatos à presidência: a nossa guerra no Afeganistão está acabando com o terrorismo ou ajudando a fomentá-lo? E… não é a própria guerra terrorismo?

Howard Zinn é o autor do clássico “A People’s History of the United States”(História do Povo dos EUA) e do recente A Power Governments Cannot Suppress (Um Poder que os Governos Não Podem Suprimir)

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In English:

No one wins in a war

A memo to Obama and McCain from historian Howard Zinn

Barack Obama and John McCain continue to argue about war. McCain says to keep the troops in Iraq until we “win” and supports sending more troops to Afghanistan. Obama says to withdraw some (not all) troops from Iraq and send them to fight and “win” in Afghanistan.

For someone like myself, who fought in World War II, and since then has protested against war, I must ask: Have our political leaders gone mad? Have they learned nothing from recent history? Have they not learned that no one “wins” in a war, but that hundreds of thousands of humans die, most of them civilians, many of them children?

Did we “win” by going to war in Korea? The result was a stalemate, leaving things as they were before with a dictatorship in South Korea and a dictatorship in North Korea. Still, more than 2 million people – mostly civilians – died, the United States dropped napalm on children, and 50,000 American soldiers lost their lives.

Did we “win” in Vietnam? We were forced to withdraw, but only after 2 million Vietnamese died, again mostly civilians, again leaving children burned or armless or legless, and 58,000 American soldiers dead.

Did we win in the first Gulf War? Not really. Yes, we pushed Saddam Hussein out of Kuwait, with only a few hundred US casualties, but perhaps 100,000 Iraqis died. And the consequences were deadly for the United States: Saddam was still in power, which led the United States to enforce economic sanctions. That move led to the deaths of hundreds of thousands of Iraqis, according to UN officials, and set the stage for another war.

In Afghanistan, the United States declared “victory” over the Taliban. Now the Taliban is back, and attacks are increasing. The recent US military death count in Afghanistan exceeds that in Iraq. What makes Obama think that sending more troops to Afghanistan will produce “victory”? And if it did, in an immediate military sense, how long would that last, and at what cost to human life on both sides?

The resurgence of fighting in Afghanistan is a good moment to reflect on the beginning of US involvement there. There should be sobering thoughts to those who say that attacking Iraq was wrong, but attacking Afghanistan was right.

Go back to Sept. 11, 2001. Hijackers direct jets into the World Trade Center and the Pentagon, killing close to 3,000 A terrorist act, inexcusable by any moral code. The nation is aroused. President Bush orders the invasion and bombing of Afghanistan, and the American public is swept into approval by a wave of fear and anger. Bush announces a “war on terror.”

Except for terrorists, we are all against terror. So a war on terror sounded right. But there was a problem, which most Americans did not consider in the heat of the moment: President Bush, despite his confident bravado, had no idea how to make war against terror.

Yes, Al Qaeda – a relatively small but ruthless group of fanatics – was apparently responsible for the attacks. And, yes, there was evidence that Osama bin Laden and others were based in Afghanistan. But the United States did not know exactly where they were, so it invaded and bombed the whole country. That made many people feel righteous. “We had to do something,” you heard people say.

Yes, we had to do something. But not thoughtlessly, not recklessly. Would we approve of a police chief, knowing there was a vicious criminal somewhere in a neighborhood, ordering that the entire neighborhood be bombed? There was soon a civilian death toll in Afghanistan of more than 3,000 – exceeding the number of deaths in the Sept. 11 attacks. Hundreds of Afghans were driven from their homes and turned into wandering refugees.

Two months after the invasion of Afghanistan, a Boston Globe story described a 10-year-old in a hospital bed: “He lost his eyes and hands to the bomb that hit his house after Sunday dinner.” The doctor attending him said: “The United States must be thinking he is Osama. If he is not Osama, then why would they do this?”

We should be asking the presidential candidates: Is our war in Afghanistan ending terrorism, or provoking it? And is not war itself terrorism?

Howard Zinn is author of “A People’s History of the United States.”

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In Italian:

Memorandum per Obama e McCain: nessuno vince in guerra

di Howard Zinn * – da peacereporter.net

Barack Obama e John McCain continuano a discutere sulla guerra. McCain dice che bisogna tenere le truppe in Iraq fino a quando non avremo vinto, e mandare altre truppe in Afghanistan. Obama dice che bisogna ritirare in parte, non tutte, le truppe e mandarle a combattere in Afganistan.

Howard ZinnPer quelli, come me, che hanno combattuto nella II Guerra mondiale, e da allora hanno lottato contro la guerra, è necessario chiedersi: i nostri leader politici sono impazziti? Non hanno imparato niente dalla storia? Non hanno capito che nessuno esce vincitore da una guerra, ma che centinaia di esseri umani muoiono, soprattutto civili e bambini?

Abbiamo forse vinto la guerra in Corea? In realtà ci siamo trovati di fronte ad una situazione di stallo, e abbiamo lasciato tutto come era prima, con una dittatura nel Sud Corea e una nel Nord Corea. Per giunta più di 2 milioni di persone – moltissimi civili – sono morte, gli Stati Uniti hanno scaricato napalm sui bambini e 50.000 soldati americani hanno perso la vita.

Possiamo dire di aver vinto in Vietnam? Siamo stati costretti a ritirarci, dopo che sono morti 2 milioni di vietnamiti, ancora una volta soprattutto civili, ci siamo lasciati dietro bambini ustionati o senza arti, e 58.000 soldati americani morti.

Abbiamo vinto la prima Guerra del Golfo? Non direi proprio. Si è vero abbiamo cacciato Saddam Hussein fuori dal Kuwait, le vittime americane sono state soltanto poche centinaia, ma sono morti forse 100.000 iracheni. Per giunta le conseguenze sono state disastrose per gli Stati Uniti: Saddam era sempre al potere, e l’America è stata costretta ad imporre sanzioni economiche. Questo ha provocato la morte di centinaia di migliaia di iracheni, secondo l’ONU, e preparato il terreno per un’altra guerra.

Barack ObamaIn Afghanistan, gli Stati Uniti hanno dichiarato “vittoria” sui Talebani. Adesso i Talebani sono tornati e gli attacchi sono aumentati. Il numero dei soldati americani morti in Afghanistan è maggiore rispetto alle vittime americane in Iraq. Che cosa fa pensare Obama che aumentare il numero delle truppe in Afghanistan porterà alla vittoria? E se anche così fosse, da un punto di vista militare, quanto durerebbe, e a quale prezzo di vite umane da entrambe le parti?

Il fatto che gli attacchi in Afganistan si siano intensificati dovrebbe far riflettere su com’è iniziata questa guerra. Dovrebbero essere più cauti coloro che affermano che era sbagliato attaccare l’Iraq ma giusto attaccare l’Afghanistan.

Torniamo indietro, all’11 settembre. I dirottatori fanno schiantare gli aerei sul World Trade Center e sul Pentagono, uccidendo 3.000 persone. Un atto terroristico imperdonabile da qualunque codice morale. La nazione si è infiammata. Il presidente Bush dichiara guerra all’Afghanistan, con l’approvazione del pubblico americano trascinato da un’ondata di paura e rabbia. Bush dichiara “guerra al terrorismo”.

A parte i terroristi, tutti siamo contro il terrorismo. Per cui una guerra al terrorismo poteva sembrare giusta. Ma è proprio questo il problema, che non è stato considerato dalla maggior parte degli americani nella foga del momento: il presidente Bush, nonostante la sua arrogante sicurezza, non aveva la più pallida idea di come fare una guerra al terrorismo.

George W. Bush e John McCainSì, Al Qaeda – un gruppo di fanatici relativamente piccolo ma spietato – era responsabile degli attacchi. E sì, c’erano le prove che Osama bin Laden e altri fossero in Afghanistan. Ma gli Stati Uniti non sapevano esattamente dove, cosi hanno invaso e bombardato tutto il paese. La gente ha pensato che fosse giusto, “Dovevamo fare qualcosa” si diceva in giro.

Sì, dovevamo fare qualcosa. Ma qualcosa di sensato, non un atto temerario ed incosciente. Approveremmo un capo della polizia che per colpire un pericoloso criminale, sapendo che si nasconde in un certo quartiere ordina che tutto il quartiere sia bombardato? Ben presto il numero delle vittime ha superato i 3.000, quindi ha superato il numero delle vittime dell’11 settembre. Centinaia di afghani sono stati costretti a fuggire dalle loro case e sono diventati profughi erranti.

Due mesi dopo l’invasione dell’Afghanistan, un articolo sul Boston Globe descriveva un bambino di 10 anni sul letto d’ospedale: “Ha perso gli occhi e le mani a causa di una bomba che ha colpito la sua casa durante il pranzo della domenica”. Il dottore che lo curava ha detto: “Gli americani avranno pensato che fosse Osama altrimenti perché ridurlo così?”

Dovremmo chiedere ai candidati alla presidenza: la nostra guerra in Afghanistan sta vincendo il terrorismo o lo sta provocando? E la guerra stessa non è forse terrorismo?
*Howard Zinn è autore di “A People’s History of the United States”

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In Spanish:

Recordatorio a Obama y McCain
Nadie gana una guerra

Howard Zinn

Barack Obama y John McCain siguen discutiendo sobre guerra. McCain dice que hay que mantener las tropas en Iraq hasta que “ganemos” y apoya el envío de más tropas a Afganistán. Obama propone retirar algunas (no todas) tropas de Iraq y enviarlas para luchar y “ganar” en Afganistán.

Para alguien como yo, que combatió en la Segunda Guerra Mundial y que desde entonces ha protestado contra la guerra, es necesario preguntarse: ¿se han vuelto locos nuestros líderes políticos? ¿No han aprendido nada de nuestra historia reciente? ¿No han aprendido que nadie “gana” en una guerra; antes bien, que mueren centenares de miles de seres humanos, la mayoría civiles, muchos de ellos niños?

¿”Ganamos” yendo a la guerra en Corea? El resultado fue tablas, dejando las cosas como estaban, con una dictadura en Corea del Sur y otra en Corea del Norte. Murieron más de dos millones de personas ? la mayoría civiles ? , los Estados Unidos arrojaron napalm sobre niños y 50.000 soldados americanos perdieron la vida.

¿”Ganamos” en Vietnam? Fuimos obligados a retirarnos, pero sólo después de haber matado a dos millones de vietnamitas, de nuevo la mayoría civiles, dejando nuevamente a niños quemados, mancos o cojos y con 58.000 soldados estadounidenses muertos.

¿Ganamos la primera guerra del Golfo? No, ciertamente. Sí, expulsamos a Saddam Hussein de Kuwait, con escasas bajas estadounidenses, pero murieron unos 100.000 iraquíes. Y las consecuencias fueron nefastas para los Estados Unidos: Saddam permaneció en el poder, lo que permitió a los Estados Unidos aumentar las sanciones económicas. Cosa que implicó la muerte de centenares de miles de iraquíes, según funcionarios de la ONU, y puso las bases para otra guerra.

En Afganistán los Estados Unidos declararon la “victoria” sobre los talibanes. Ahora los talibanes han vuelto y los ataques van en aumento. Las recientes muertes de militares estadounidenses sobrepasan las de Iraq. ¿Qué hace pensar a Obama que el enviar más tropas a Afganistán vaya a producir la “victoria”? Y si lo hiciera, en un sentido puramente militar, ¿cuánto duraría y cuál sería el coste en vidas humanas en ambos bandos?

El resurgir de los combates en Afganistán es un buen momento para reflexionar sobre el inicio de la intervención de los EE.UU allí. Debería haber sobradas razones para quienes dicen que atacar a Iraq fue erróneo, pero que atacar a Afganistán fue correcto.

Reculemos al 11 de septiembre de 2001. Aviones yihadistas contra el World Trade Center y el Pentágono matan a cerca de 3.000 personas. Un acto terrorista, inexcusable por código moral alguno. La nación está excitada. El presidente Bush ordena la invasión y bombardeo de Afganistán y la población americana es arrastrada a aprobarla mediante una ola de miedo y cólera. Bush anuncia una “guerra contra el terror”.

Excepto los terroristas, todos estamos en contra del terror. Así que una guerra contra el terror sonaba bien. Pero Bush tenía un problema, que la mayoría de americanos, en caliente, no consideró: a pesar de su confiada bravuconada, no tenía ni idea de cómo hacer la guerra contra el terror.

Sí, Al Qaeda ? un grupo de fanáticos relativamente pequeño pero implacable ? era aparentemente responsable de los ataques. Y, sí, había datos sobre que Osama bin Laden y otros operaban desde Afganistán. Pero los Estados Unidos no sabían exactamente dónde, así que invadieron y bombardearon el país entero. Eso hizo sentirse bien a mucha gente. “Teníamos que hacer algo”, se oía decir.

Sí, teníamos que hacer algo. Pero no irreflexiva ni desaprensivamente. ¿Aprobaríamos que un jefe de policía ordenara el bombardeo de todo un barrio donde hay un criminal atroz? Pronto la cifra de civiles muertos en Afganistán superaba los 3.000, lo que supone más que las muertes en los ataques del 11-S. Centenares de afganos fueron expulsados de sus casas y se convirtieron en refugiados errantes.

Dos meses después de la invasión de Afganistán, una historia del Boston Globe describía un niño de 10 años en la cama de un hospital: “perdió los ojos y las manos por la bomba que explotó en su casa un domingo después de cenar”. El médico que le atendía dijo: “los Estados Unidos deben de estar pensando que es Osama. Si no lo es, ¿por qué hacen esto?”

Deberíamos preguntar a los candidatos a la presidencia: ¿nuestra guerra en Afganistán está acabando con el terrorismo o lo está provocando? Y ¿no es la propia guerra terrorismo?

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Howard Zinn es coautor, junto con Anthony Arnove, de Voices of a People’s History of the United States [Voces de en la historia del pueblo estadounidense]. Su libro más reciente es A Power Governments Cannot Suppress [ Un poder que los gobiernos no pueden suprimir].

Traducción para www.sinpermiso.info :Daniel Escribano

 

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