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por Mario S. Mieli

30 de julho de 2009

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Nem dá pra contar o que sinto cada vez que vejo a Angeline Jolie abraçada se roçando com os mais ínferos dos lumpen desse mundo em atitude de Nossa Senhora Mãezona dos Pobres e Fudidos e Curadora das Iniquidades desse mundo. Pena que nos álbuns de fotos digitais não incluam “takes” do avião particular da poderosa chegando nos benins e nos congais, nem o tempo que a deusatriz leva pra se maquiar em total despojamento melodramático, com tanto amor desinfetado pra dar e tanta publicidade esterilizante pra capitalizar. Também, com gastos militares mundiais superiores a 1 tri e 400 bi… em 2008, haja arraia miúda pra ser adotada no futuro imediato desse planetinha. Dizem que os mais cobiçados troféus serão as crianças aleijadas, mutiladas, e “portadoras” de deficiências visuais, olfativas, auditivas, motoras… tanto órfãs todas são, com tantos dirigíveis sem piloto e mulas sem cabeça soltando bombas de fragmentação, fósforo branco, urânio empobrecido e tudo que é desgraça que nem São João Batista conseguiria descrever em sua versão atualizada do eterno Livro da Revelação de todos os dias.
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Tô começando a achar que botar a pobreza mais angustiante, desoladora e devastadora no colo e praticar a abnegação e o sacrifício de alguns segundos de adoção dos “menos favorecidos”, além de adoçar o óleo de rícino letal do império deve trazer muuuuuuuitíssima sorte aos devotos da imagem capitalizada. Como coçar o cucurucho de corcunda… Pois todos esses velhacos e velhacas globais (não chamo de vacas, pois vaca pra mim é sagrado e não chamo de putas, pois puta pra mim é sério e engraçado) não conseguem segurar o impulso imperial-vampirista de se atirarem de cabeça em pleno seio da porca miséria do cu do mundo, parodiando de revolução social pela bondade o que não é mais que troca e troco por relações públicas baratas. Haja Gandhi!

E o que será que vai pintar com aquela outra macaca velha desbocada e atrevida, na exceção que fez, entre um rebolado e outro, de patrocinar os mais ínfimos “dejetos e martizirados sociais” e que acabou adotando, tão produtivamente carente que é, coitadinha, um lindinho Jesus Luz brasileiro para a sua Madona-the-Material-Old-Girl tão agonizante. Vai ver que foi agraciada pelas forças ocultas pelos estudos que faz da Cabala… Vamos cabalear, pra ver se dá sorte na extração dos números… Só que, é claro, precisa-se da ajuda inspiradora do Conselho de Segurança Cabalístico da ONU (EUA, Grã-Bretanha, Rússia, China e França – os países do conselho de anciões do acabaqui e aKabalá – representam 80% das vendas de armas no mundo…).
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E aquela outra candidata a santinha, a Beata Bündchen do Reality Show da Vida, a grande imolada do pró-pagando-traço-o-que-der-e-vier e dos passa-ralos e das passarelas e agora gravidazinha de barriguinha-pra-barrigão? Aposto que ninguém viu o álbum de fotos da divina modelo tão demais super-natural e despojadérrima fazendo comprichas no Santa Monica Boulevard, faz poucos dias (no site do La Repubblica). Que coisinha mais fofa, essa nossa musa. Anda meio afastada de NY. Vai ver que resolveu fazer um make over na townhousezinha que comprou no Village. Mas será que ninguém vai cobrar dela que adote um esquadrão de pixotes do Cantagalo, da Babilônia, do Santa Marta… da Cidade de Deus pra povoar seus vários reinados espalhados pelo planeta e provar que ela “care”? Gostaria de saber fazer contas para poder atribuir a essa moça a porcentagem do aquecimento global de que ela é responsável, baseada só na milhagem aérea que acumula e no desperdício consumista irracional que promove… Mas ei, Greenpeace pra todos!
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E por aí vai… mas pensando bem, que idéia é essa de acabar com a fome, a inanição, a miséria crônica? Será que compensa resolver esses probleminhas só pra tirar a oportunidade e o prazer de gente tão benfeitora e dedicada à filantropia como a Jolie, a Ciccone, o Bono, o Gates…? Que maldade. Justo eles, que trabalham tanto e representam tanto capital acumulado só para depois terem a glória de desbandeirar sua compaixão filantrópica. Compaixão igual só a do estado, que impõe doação de sangue a 95% de sua população, para reinjetá-lo em trilhões de glóbulos verdes (ou melhor, esverdeados, agora com a desvalorização) nas veias de poucas dezenas de corporações falidas mas incessantemente parasitas, monopolistas e golpistas. Estado? Mas que estado? Só se for o de sítio corporativo… E se antigamente se faziam golpes de estado, hoje isso é coisa a ser aplicada só a terceiros-mundos haitianos ou hondurenhos ou que o valha. No mundo “upgraded”, o que há são múltiplos estados de golpe, ou golpes “multitasking”, tanto para aderir ao modismo linguístico afetado e desenfreado – golpes financeiros, farmacêuticos, mercadológicos, etc. e tal. Tudo reivindicando progresso e desenvolvimento, tudo pela glória de missões e bandeiras.
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E, por falar em bandeiras… Obaobama e Myshell nem sequer tiveram a delicadeza de me convidar pra casinha singela e pequenina que alugaram por uma semana em Martha’s Vineyard, (um dos últimos bastiões wasp até agora…) pela bagatela de 50 mil dólares. Ora, ele não era um ativista social nos guetos de Chicago? Não falei que abraçar pobres dá sorte?
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Quanto a não me terem convidado, pior pra eles. Vai ser um pobre a menos que poderão abraçar, além de que não vão ter direito de usufruir dos benefícios borbulhantes de minha estimulante companhia.

Siiiu!!!

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