{"id":89,"date":"2009-12-16T13:35:05","date_gmt":"2009-12-16T13:35:05","guid":{"rendered":"http:\/\/imediata.org\/?p=89"},"modified":"2009-12-16T13:45:52","modified_gmt":"2009-12-16T13:45:52","slug":"a-ciencia-segundo-a-ctnbio-por-verena-glass","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imediata.org\/?p=89","title":{"rendered":">>A ci\u00eancia segundo a CTNBio, por Verena Glass"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/imagens\/logos\/logobiodiv.jpg\" alt=\"null\" \/><\/p>\n<p><strong>Fonte:<\/strong> Revista Sem Terra (edi\u00e7\u00e3o 54 \u2013 nov\/dez 2009) \u2013publica\u00e7\u00e3o bimestral do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)<\/p>\n<p>\u00d3rg\u00e3o respons\u00e1vel pela libera\u00e7\u00e3o em s\u00e9rie de transg\u00eanicos no Brasil n\u00e3o esconde rela\u00e7\u00f5es com multinacionais de biotecnologia e posi\u00e7\u00e3o n\u00e3o-cient\u00edfica pr\u00f3-OGMs<\/p>\n<p>Verena Glass (*)<\/p>\n<p>Entre o final de 2009 e o in\u00edcio de 2010, \u00e9 poss\u00edvel que o Brasil conquiste mais um (triste) t\u00edtulo em termos de inova\u00e7\u00e3o: ser\u00e1 o primeiro pa\u00eds do mundo a liberar o plantio comercial de uma variedade de arroz transg\u00eanico \u2014 o LL62 da Bayer S\/A. Caso venha a ser aprovado pela Comiss\u00e3o T\u00e9cnica Nacional de Biosseguran\u00e7a (CTNBio), o arroz da Bayer ser\u00e1 o 19\u00ba Organismo Geneticamente Modificado (OGM) a ser cultivado comercialmente no pa\u00eds \u2014 entre 2005 e final de 2009, a CTNBio dar\u00e1 carta branca ao plantio comercial de duas variedades de soja, dez variedades de milho e seis variedades de algod\u00e3o \u2014, e manter\u00e1 inalterado o fluxo das aprova\u00e7\u00f5es consecutivas de todos os OGMs apresentados \u00e0 Comiss\u00e3o pelas multinacionais de biotecnologia.<\/p>\n<p>A j\u00e1 manifesta inten\u00e7\u00e3o da CTNBio de permitir o cultivo de arroz transg\u00eanico n\u00e3o mereceria especial destaque neste cen\u00e1rio, n\u00e3o fosse uma peculiaridade: uma oposi\u00e7\u00e3o generalizada \u00e0 libera\u00e7\u00e3o reuniu no mesmo palanque, pela primeira vez, ambientalistas, pesquisadores pr\u00f3-transg\u00eanicos e grandes produtores. Ou seja, al\u00e9m dos j\u00e1 tradicionais cr\u00edticos aos OGMs, como Organiza\u00e7\u00f5es N\u00e3o-Governamentais (ONGs) ambientalistas e dos direitos dos consumidores, se uniram contra a aprova\u00e7\u00e3o entidades como Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa, principal ag\u00eancia p\u00fablica de pesquisa e apoio \u00e0 transgenia no pa\u00eds), Farsul (Federa\u00e7\u00e3o da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul), Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) e Federa\u00e7\u00e3o das Associa\u00e7\u00f5es dos Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz).<\/p>\n<p>Para a Embrapa e os rizicultores ga\u00fachos, a maior amea\u00e7a do arroz da Bayer, cuja transgenia consiste na toler\u00e2ncia ao herbicida glufosinato de am\u00f4nio, \u00e9 a transfer\u00eancia da muta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica ao arroz vermelho, considerado a principal planta invasora da cultura do arroz irrigado. Com a contamina\u00e7\u00e3o, a variedade, que j\u00e1 causa preju\u00edzos \u00e0 produtividade e \u00e0 qualidade do arroz em \u00e1reas altamente infestadas, se tornar\u00e1 resistente ao controle qu\u00edmico. Ou seja, de acordo com a Embrapa, o arroz transg\u00eanico, se liberado, ser\u00e1 uma amea\u00e7a \u00e0 seguran\u00e7a alimentar do Brasil, podendo levar ainda a uma contamina\u00e7\u00e3o generalizada das variedades de arroz silvestre no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Ora, se pesquisadores (baseados em avalia\u00e7\u00f5es cient\u00edficas), produtores (preocupados com quest\u00f5es econ\u00f4micas), e consumidores (atentos ao que comem \u2014 a ONG Greenpeace recolheu mais de 20 mil assinaturas para uma peti\u00e7\u00e3o contra a libera\u00e7\u00e3o) se op\u00f5em ao plantio de arroz geneticamente modificado, a pergunta que se coloca \u00e9: a que interesses a CTNBio pretende atender com a sua aprova\u00e7\u00e3o? (pequena observa\u00e7\u00e3o: seria leviano afirmar que o desempenho das vendas de grandes multinacionais de biotecnologia tenha rela\u00e7\u00e3o com as libera\u00e7\u00f5es de OGMs no Brasil \u2014 na sua maioria, variedades resistentes a produtos destas empresas. Mas fato \u00e9 que, segundo a revista Exame, a Monsanto, que teve nove cultivos transg\u00eanicos aprovados, arrecadou em vendas US$ 783,9 milh\u00f5es em 2006, US$ 899,2 milh\u00f5es em 2007 e US$ 954,8 milh\u00f5es em 2008).<br \/>\nA servi\u00e7o de quem?<\/p>\n<p>De acordo com a Lei de Biosseguran\u00e7a, a CTNBio, criada em 2005, tem como fun\u00e7\u00e3o \u201cprestar apoio t\u00e9cnico consultivo e assessoramento ao governo federal na formula\u00e7\u00e3o, atualiza\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica Nacional de Biosseguran\u00e7a relativa aos OGMs, bem como no estabelecimento de normas t\u00e9cnicas de seguran\u00e7a e pareceres t\u00e9cnicos referentes \u00e0 prote\u00e7\u00e3o da sa\u00fade humana, dos organismos vivos e do meio ambiente, para atividades que envolvam a constru\u00e7\u00e3o, experimenta\u00e7\u00e3o, cultivo, manipula\u00e7\u00e3o, transporte, comercializa\u00e7\u00e3o, consumo, armazenamento, libera\u00e7\u00e3o e descarte de OGM e derivado\u201d.<\/p>\n<p>Para a aprova\u00e7\u00e3o comercial de transg\u00eanicos, s\u00e3o necess\u00e1rios 14 votos favor\u00e1veis (a Comiss\u00e3o tem 27 membros, e uma sess\u00e3o deve ter um quorum m\u00ednimo de 14 conselheiros). Respons\u00e1veis pela an\u00e1lise t\u00e9cnica e cient\u00edfica de pedidos de libera\u00e7\u00e3o de OGMs, os conselheiros da CTNBio t\u00eam de apresentar, obrigatoriamente, t\u00edtulo de doutor em suas respectivas \u00e1reas, sendo que a grande maioria \u00e9 ligada a universidades, como a USP, UFPE, UFRJ, UFMG, Unicamp, UNB, UFV, UFRGS, UFES, PUC-RS, UFAL, Unifesp e UEL. J\u00e1 a Embrapa \u201ccontribui\u201d, no momento, com cinco membros.<\/p>\n<p>De acordo com as entidades da sociedade civil que t\u00eam acompanhado o trabalho da CTNBio, como as ONGs Assessoria e Servi\u00e7os a Projetos em Agricultura Alternativa (AS-PTA), Terra de Direitos e Greenpeace, muitas das an\u00e1lises t\u00e9cnicas nos processos de libera\u00e7\u00e3o de OGMs careceram de rigor cient\u00edfico e de ado\u00e7\u00e3o do Princ\u00edpio da Precau\u00e7\u00e3o, previsto no Protocolo de Cartagena sobre Biosseguran\u00e7a, al\u00e9m de pesquisas em solo brasileiro que comprovem a seguran\u00e7a do plantio comercial das variedades aprovadas. Por outro lado, afirmam as ONGs, uma caracter\u00edstica marcante da maioria dos conselheiros da Comiss\u00e3o tem sido um posicionamento abertamente favor\u00e1vel \u00e0s tecnologias transg\u00eanicas. Em 2003, oito dos atuais membros da CTNBio (Alexandre Lima Nepomuceno, Edilson Paiva, Flavio Finardi Filho, Francisco Jos\u00e9 Lima Arag\u00e3o, Kenny Bonfim, Luiz Antonio Barreto de Castro, Maria Lucia Carneiro Vieira, e Paulo Augusto Vianna Barroso) subscreveram a \u201cCarta Aberta dos Cientistas Brasileiros\u201d, em que afirmam que \u201co Brasil n\u00e3o pode abrir m\u00e3o da tecnologia de organismos transg\u00eanicos\u201d, uma vez que \u201c\u00e9 imprescind\u00edvel para a sustentabilidade e competitividade do agroneg\u00f3cio brasileiro e agricultura familiar\u201d e \u201c acarretar\u00e1 em benef\u00edcios sociais e econ\u00f4micos para o pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>Entre os atuais conselheiros, v\u00e1rios tamb\u00e9m t\u00eam ou tiveram, pessoalmente, alguma rela\u00e7\u00e3o com as empresas de biotecnologia (ou com entidades financiadas pelas multinacionais, como o Conselho de Informa\u00e7\u00f5es sobre Biotecnologia\/CIB e a Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Biosseguran\u00e7a\/Anbio, entidades de lobby pr\u00f3-transg\u00eanicos que t\u00eam entre seus associados Basf, Bayer, Cargill Agr\u00edcola, Dow Agrosciences, DuPont do Brasil, Monsanto do Brasil, Pioneer Sementes Ltda, e Syngenta Seeds, entre outros).<\/p>\n<p><strong>Contamina\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>No tocante \u00e0 observ\u00e2ncia de crit\u00e9rios cient\u00edficos adequados nos processos de libera\u00e7\u00e3o de OGMS ou no estabelecimento de normas de seguran\u00e7a para prevenir a contamina\u00e7\u00e3o de lavouras n\u00e3o transg\u00eanica por variedades geneticamente modificadas, a CTNBio tem sido repetidamente questionada por diversas institui\u00e7\u00f5es.<br \/>\nEm 2007, as libera\u00e7\u00f5es dos milhos transg\u00eanicos Liberty Link, da Bayer, e MON 810, da Monsanto (proibido na Fran\u00e7a, \u00c1ustria, Gr\u00e9cia, Luxemburgo, Hungria, It\u00e1lia, Pol\u00f4nia e Alemanha), foram questionadas pela Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama), que apontaram erros nos pareceres t\u00e9cnicos que fundamentaram as aprova\u00e7\u00f5es. Para a Anvisa, entre as irregularidades no processo da Bayer constam a insufici\u00eancia ou inexist\u00eancia de estudos toxicol\u00f3gicos ou de alergenicidade para comprovar a seguran\u00e7a do milho transg\u00eanico para o consumo humano. J\u00e1 segundo o Ibama, a CTNBio ignorou a inexist\u00eancia de estudo pr\u00e9vio de impacto ambiental realizado nas condi\u00e7\u00f5es edafoclim\u00e1ticas do pa\u00eds e a aus\u00eancia de avalia\u00e7\u00e3o de risco, caso a caso, entre outros problemas. De acordo com o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, tamb\u00e9m n\u00e3o constaram do processo \u201cestudos ou literatura que comprovem a aus\u00eancia de danos ambientais, raz\u00e3o pela qual a decis\u00e3o t\u00e9cnica n\u00e3o poderia ter sido emitida\u201d. Os recursos contra as libera\u00e7\u00f5es foram apresentados ao Conselho Nacional de Biosseguran\u00e7a (CNBS), que optou por ignorar as irregularidades.<\/p>\n<p>Pouco tempo ap\u00f3s estas den\u00fancias, uma a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica de entidades da sociedade civil levou a Justi\u00e7a a exigir da CTNBio a cria\u00e7\u00e3o de regras de coexist\u00eancia por meio de uma resolu\u00e7\u00e3o normativa que, em teoria, protegeria as lavouras n\u00e3o transg\u00eanicas de milho da contamina\u00e7\u00e3o dos OGMs. Ou seja, foram estabelecidas dist\u00e2ncias m\u00ednimas de isolamento entre cultivos transg\u00eanicos e n\u00e3o transg\u00eanicos que, para garantir total seguran\u00e7a contra a contamina\u00e7\u00e3o, seriam \u201cigual ou superior a 100 metros ou, alternativamente, 20 metros, desde que acrescida de bordadura com, no m\u00ednimo, 10 fileiras de plantas de milho convencional de porte e ciclo vegetativo similar ao milho geneticamente modificado\u201d.<\/p>\n<p>V\u00e1rios casos de contamina\u00e7\u00e3o de lavouras n\u00e3o transg\u00eanicas por OGMs foram denunciados ao longo dos \u00faltimos tr\u00eas anos por ONGs e pela imprensa, mas em meados de 2009, a conclus\u00e3o de um monitoramento do fluxo g\u00eanico do milho transg\u00eanico no Paran\u00e1, realizado pelo Departamento de Fiscaliza\u00e7\u00e3o e Defesa Agropecu\u00e1ria do Estado para verificar a efic\u00e1cia da Resolu\u00e7\u00e3o Normativa da CTNBio, comprovou oficialmente que as normas de seguran\u00e7a s\u00e3o ineficazes, uma vez que foi detectada contamina\u00e7\u00e3o em todas as \u00e1reas monitoradas. \u201cOs resultados preliminares indicam que, mantida a atual norma, \u00e9 imposs\u00edvel assegurar a coexist\u00eancia segura entre os cultivos transg\u00eanicos, tradicionais e org\u00e2nicos, j\u00e1 que, at\u00e9 o presente momento, todas as \u00e1reas monitoradas apontaram para poliniza\u00e7\u00e3o por p\u00f3lem transg\u00eanico \u00e0 dist\u00e2ncia muito superior \u00e0 regulamentada\u201d, afirma documento da Secretaria de Agricultura do Estado.<\/p>\n<p>Diante destes dados, no final de outubro v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil propuseram uma a\u00e7\u00e3o civil p\u00fablica que pede a suspens\u00e3o das libera\u00e7\u00f5es comerciais de milho transg\u00eanico at\u00e9 que seja editada uma norma coerente com o princ\u00edpio da precau\u00e7\u00e3o. O processo tramita na Vara Federal Ambiental de Curitiba e aguarda decis\u00e3o do juiz.<\/p>\n<p><strong>Repetindo erros<\/strong><\/p>\n<p>Sobre o tema, o representante do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia e Tecnologia, Luiz Ant\u00f4nio Barreto de Castro, utilizando-se de uma l\u00f3gica pouco ortodoxa, acabou reconhecendo a ocorr\u00eancia de contamina\u00e7\u00e3o, mas ponderou que \u201cas regras [de seguran\u00e7a da CTNBio] foram estabelecidas levando em conta que nem sempre a contamina\u00e7\u00e3o resulta em preju\u00edzo para os agricultores que cultivam variedades ditas crioulas\u201d; ou seja, \u201cmesmo que tal [a contamina\u00e7\u00e3o] ocorra, ser\u00e1 vantajosos para a agricultura familiar\u201d.<\/p>\n<p>Contrariando a tese de Castro, preju\u00edzos em fun\u00e7\u00e3o da contamina\u00e7\u00e3o de lavouras por OGMs s\u00e3o recorrentes tanto no Brasil quanto em outros pa\u00edses do mundo. Em 2004, por exemplo, a empresa Eco Brazil Organics Ltda, no Paran\u00e1, cuja lavoura de soja org\u00e2nica foi contaminada, paralisou suas atividades e teve um preju\u00edzo de US$ 3 milh\u00f5es. Em 2006, lavouras experimentais do arroz transg\u00eanico da Bayer nos EUA contaminaram plantios comerciais e causaram preju\u00edzos de cerca de US$ 1 bilh\u00e3o em todo o mundo, de acordo com estudo divulgado pelo Greenpeace Internacional.<\/p>\n<p>Por fim, a benevol\u00eancia da CTNBio com a transgenia j\u00e1 apresenta seus efeitos colaterais. A despeito do argumento inicial das empresas de biotecnologia de que os OGMs diminuiriam o uso de agrot\u00f3xicos, a Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Defesa Vegetal (Andef) aponta um aumento significativo do consumo de herbicida na soja, por exemplo. De acordo com o \u00f3rg\u00e3o, foram aplicadas 129,6 mil toneladas em 2004, volume que subiu para 192 mil toneladas em 2008 (aumento de 67,5%. Aqui, \u00e9 importante lembrar que em 2009 o Brasil se tornou o maior consumidor mundial de agrot\u00f3xicos, com cerca de 673.890 toneladas\/ano). Um levantamento do Sistema Nacional de Informa\u00e7\u00f5es T\u00f3xico-Farmacol\u00f3gicas (Sinitox), da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz, aponta que, apesar da alt\u00edssima subnotifica\u00e7\u00e3o, entre agosto de 2007 e julho de 2008 7,47% dos casos de intoxica\u00e7\u00e3o com agrot\u00f3xicos registrados se referem ao glifosato \u2014 no per\u00edodo, foram registrados mais de 6,3 mil casos de intoxica\u00e7\u00e3o e, em 2007, notificadas 162 mortes causadas por agrot\u00f3xicos em geral.<\/p>\n<p><strong>(*) Verena Glass<br \/>\nJornalista e pesquisadora da ONG Rep\u00f3rter Brasil.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Liga\u00e7\u00f5es perigosas: com quem se relacionam os conselheiros da CTNBio<\/strong><\/p>\n<p>Um r\u00e1pido cruzamento de informa\u00e7\u00f5es (obtidas na Internet) sobre as principais proponentes de novas variedades transg\u00eanicas \u2014\u2014 as multinacionais Monsanto, Bayer, Syngenta, Dow AgroSciences, Basf e outras do setor \u2014\u2014  com conselheiros e institui\u00e7\u00f5es que t\u00eam representantes na CTNBio, resultou em dados preocupantes, possivelmente passiveis de caracteriza\u00e7\u00e3o de conflito de interesses<br \/>\nna CTNBio. <\/p>\n<p>Quanto \u00e0s institui\u00e7\u00f5es, tomamos como exemplo Embrapa e USP, que juntas t\u00eam ao menos 14 conselheiros na Comiss\u00e3o:<\/p>\n<p><strong>Embrapa<\/strong><br \/>\n\u2022 A empresa mant\u00e9m uma parceria com a Monsanto desde 1997 (com vig\u00eancia at\u00e9 2012) para o desenvolvimento de tecnologias para soja transg\u00eanica. No in\u00edcio de novembro de 2009, a Monsanto repassou mais R$ 8,3 milh\u00f5es para a Embrapa a t\u00edtulo de pagamento de royalties, para desenvolvimento de oito projetos de biotecnologia.<\/p>\n<p>\u2022 A Syngenta, que em 2008 \u201capresentou interesse em desenvolver com a Embrapa cultivares melhoradas de milho para mercados espec\u00edficos e tecnologias inovadoras relativas ao cultivo de cana de a\u00e7\u00facar\u201d, co-patrocinou o desenvolvimento da variedade de arroz BRS Talento, da Embrapa Arroz e Feij\u00e3o, e co-desenvolveu, com a Embrapa Milho e Sorgo, a avalia\u00e7\u00e3o da efici\u00eancia de fungicidas no controle da cercosporiose (cercospora zeae-maydis) na cultura do milho.<br \/>\n\u2022 Em 2007, a Embrapa fechou um acordo de coopera\u00e7\u00e3o com a Basf para desenvolvimento de uma nova variedade de soja transg\u00eanica a partir do gene AHAS (\u00e1cido hidroxiac\u00e9tico sintase, que confere toler\u00e2ncia aos herbicidas do grupo qu\u00edmico das imidazolinonas). <\/p>\n<p><strong>USP<\/strong><br \/>\n\u2022 Em 2008, a Monsanto fechou um acordo com a Funda\u00e7\u00e3o de Apoio \u00e0 USP para oferecer bolsas de pesquisa cient\u00edfica a alunos do 1\u00ba e do 2\u00ba anos do Ensino M\u00e9dio da rede estadual, no valor de R$ 150 e com dura\u00e7\u00e3o de um ano. O acordo foi duramente criticado pela Associa\u00e7\u00e3o de Docentes da USP.<br \/>\n\u2022 Em 2008, a Syngenta lan\u00e7ou um bioativador que pode contribuir para o crescimento da produtividade da cana, o Actara, desenvolvido em parceria com a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq\/USP), entre outros.<br \/>\n\u2022 A Bayer patrocinou a moderniza\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio da Faculdade de Medicina da USP, tombado pelo Condephaat.<br \/>\n\u2022 A Ag\u00eancia USP de Inova\u00e7\u00e3o \u00e9 parceira do Programa Bayer Jovens Embaixadores Ambientais, do Grupo Bayer e do Programa das Na\u00e7\u00f5es Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).<br \/>\n\u2022 A USP, por meio da Faculdade de Ci\u00eancias Farmac\u00eauticas, \u00e9 parceira do Pr\u00eamio Bayer Jovem Farmac\u00eautico.<br \/>\n\u2022 A Basf e a USP, por interm\u00e9dio do seu Instituto de Qu\u00edmica, s\u00e3o parceiras do Projeto Rea\u00e7\u00e3o &#8211; educando para vida.<br \/>\n\u2022 A Basf patrocinou a restaura\u00e7\u00e3o de fachada de pr\u00e9dios Esalq\/USP em mar\u00e7o de 2002.<br \/>\n\u2022 A USP participou das pesquisas de desenvolvimento do Standak\u00ae Top, fungicida da Basf.<\/p>\n<p><strong>Quanto aos conselheiros, resultou que: <\/strong><\/p>\n<p><strong>Maria Lucia Zaidan Dagl<\/strong>i, especialista na \u00e1rea animal (USP)<br \/>\nRecebeu o premio I PIC &#8211; Pr\u00eamio Impacto Cient\u00edfico da FMVZ &#8211; USP, 2005-2006, patrocinado por Bayer Sa\u00fade Animal e Novartis Sa\u00fade Animal Ltda, entre outros.<\/p>\n<p><strong>Giancarlo Pasqual<\/strong>i, especialista na \u00e1rea de meio ambiente (UFRGS)<br \/>\nRepresenta a URGS na Rede Genolyptus, constitu\u00edda por universidades e empresas como Aracruz Celulose S.A., Klabin, Veracel Celulose S.A., Votorantim Celulose e Papel S.A., entre outros (a CTNBio j\u00e1 liberou 12 experimentos de campo com variedades transg\u00eanicas de eucalipto). Foi consultor t\u00e9cnico do Guia do Eucalipto, do CIB (que tem entre seus s\u00f3cios a Monsanto, Du Pont, Cargill, Pionner Sementes Ltda, e Bayer Seeds Ltda), sobre eucalipto geneticamente modificado.<\/p>\n<p><strong>Luiz Ant\u00f4nio Barreto de Castro<\/strong>, representante do MiCT<br \/>\nFoi um dos coordenadores da equipe que celebrou o Contrato de Coopera\u00e7\u00e3o T\u00e9cnica para desenvolvimento de cultivares de soja tolerante ao herbicida Roundup, em 1997, cujas institui\u00e7\u00f5es promotoras\/financiadoras foram Embrapa e Monsanto. Em 2002, foi reeleito membro do conselho cient\u00edfico da Anbio, que tem entre seus s\u00f3cios a Monsanto, Du Pont, Cargill, Pionner Sementes Ltda, e Bayer Seeds Ltda.<\/p>\n<p><strong>Francisco Jos\u00e9 Lima Arag\u00e3o<\/strong>, especialista na \u00e1rea vegetal (Embrapa)<br \/>\nLidera os projetos \u201cExpress\u00e3o de genes envolvidos com a resposta ao estresse h\u00eddrico em plantas transg\u00eanicas de feijoeiro\u201d e \u201cDesenvolvimento de estrat\u00e9gia baseada em RNAi para gera\u00e7\u00e3o de mamoeiro resistente a m\u00faltiplas viroses\u201d, que est\u00e3o no \u00e2mbito da parceria Embrapa-Monsanto. Entre 1998 e 2000, integrou a pesquisa \u201cObten\u00e7\u00e3o de feijoeiro resistente a glufosinato de am\u00f4nio\u201d, co-financiada pela Bayer do Brasil. Entre 1996 e 2002, coordenou a pesquisa \u201cObten\u00e7\u00e3o de soja resistente a herbicidas da classe das imidazolinonas\u201d, co-financiada pela Basf.<\/p>\n<p><strong>Alu\u00edzio Bor\u00e9m<\/strong>, especialista na \u00e1rea vegetal (UFV)<br \/>\n\u00c9 membro (diretor de comunica\u00e7\u00e3o) da ONG Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Tecnologia, Meio Ambiente e Agroneg\u00f3cios (Pr\u00f3-Terra), que recebeu US$ 161,790 mil da Funda\u00e7\u00e3o Monsanto em 2005.<br \/>\nRecebeu apoio pra escrever o livro &#8220;Biotecnologia e Meio Ambiente&#8221; da International Life Sciences Institute (ILSI), que tem em seu quadro de associados ADM &#8211; Archer Daniel Midland Co., BASF S\/A, Bayer CropScience Ltda., Bunge Alimentos S\/A, Cargill Agr\u00edcola S\/A, Dow AgroSciences Industrial Ltda., Monsanto, Novartis e Syngenta, entre outros.<br \/>\n\u00c9 co-autor do livro \u201cSavanas, desafios e estrat\u00e9gias para o equil\u00edbrio entre sociedade, agroneg\u00f3cio e recursos naturais\u201d, co-patrocinado pela Syngenta.<\/p>\n<p><strong>Maria Lucia Carneiro Vieira<\/strong>, especialista na \u00e1rea vegetal (USP)<br \/>\nMembro do Conselho de Informa\u00e7\u00f5es sobre Biotecnologia (CIB, que tem entre seus s\u00f3cios a Monsanto, Du Pont, Cargill, Pionner Sementes Ltda, e Bayer Seeds Ltda) de 2003 a 2005.<\/p>\n<p><strong>Paulo Augusto Vianna Barroso<\/strong>, especialista na \u00e1rea vegetal (Embrapa)<br \/>\nPesquisador do projeto da Embrapa Recursos Gen\u00e9ticos de desenvolvimento de duas variedades de algod\u00e3o transg\u00eanico, que negociou as sementes com a Syngenta. Tamb\u00e9m integra pesquisa que prop\u00f5e \u201ca transfer\u00eancia dos transgene da empresa Monsanto para os gen\u00f3tipos de algodoeiro elite da Embrapa e a adequa\u00e7\u00e3o do sistema de produ\u00e7\u00e3o aos novos cultivares RR\u201d.<\/p>\n<p><strong>Jo\u00e3o Lucio de Azeved<\/strong>o, especialista na \u00e1rea vegetal (USP)<br \/>\nO pesquisador \u00e9 respons\u00e1vel-docente pelo projeto de pesquisa sobre Microrganismos Endof\u00edticos: Gen\u00e9tica e Biologia Molecular, financiado pela empresa Monsanto. Prestou consultoria t\u00e9cnica \u00e0 Monsanto em 1999. <\/p>\n<p><strong>Alexandre Lima Nepomuceno<\/strong>, especialista em biotecnologia (UEL)<br \/>\n\u00c9 co-autor do livro \u201cSavanas, desafios e estrat\u00e9gias para o equil\u00edbrio entre sociedade, agroneg\u00f3cio e recursos naturais\u201d, co-patrocinado pela Syngenta. \u00c9 membro do Conselho de Informa\u00e7\u00f5es sobre Biotecnologia (CIB, que tem entre seus s\u00f3cios a Monsanto, Du Pont, Cargill, Pionner Sementes Ltda, e Bayer Seeds Ltda).<\/p>\n<p><strong>Flavio Finardi Filho<\/strong>, especialista em biotecnologia (USP)<br \/>\nEm 2005, recebeu homenagem \u00e0 qualidade, excel\u00eancia cient\u00edfica e originalidade da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Biosseguran\u00e7a\/ANBio, entidade que tem entre seus s\u00f3cios a Monsanto, Bayer e Syngenta. Fez o parecer t\u00e9cnico sobre seguran\u00e7a alimentar do Evento de Transforma\u00e7\u00e3o LLRice62 em 2002, com financiamento da Aventis Seeds Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte: Revista Sem Terra (edi\u00e7\u00e3o 54 \u2013 nov\/dez 2009) \u2013publica\u00e7\u00e3o bimestral do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) \u00d3rg\u00e3o respons\u00e1vel pela libera\u00e7\u00e3o em s\u00e9rie de transg\u00eanicos no Brasil n\u00e3o esconde rela\u00e7\u00f5es com multinacionais de biotecnologia e posi\u00e7\u00e3o n\u00e3o-cient\u00edfica pr\u00f3-OGMs Verena Glass (*) Entre o final de 2009 e o in\u00edcio de 2010, \u00e9 poss\u00edvel [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":39,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-89","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-biodiversidade-imediata"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/89","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/39"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=89"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/89\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=89"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=89"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=89"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}