{"id":65,"date":"2009-01-07T20:30:48","date_gmt":"2009-01-07T20:30:48","guid":{"rendered":"http:\/\/imediata.org\/?p=65"},"modified":"2009-05-15T13:53:51","modified_gmt":"2009-05-15T13:53:51","slug":"palestina-terra-santa-e-ocupada-breve-narrativa-de-uma-viagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imediata.org\/?p=65","title":{"rendered":">>Palestina, terra santa e ocupada: breve narrativa de uma viagem, por Maria Velasquez"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/imagens\/logos\/logogaza1.jpg\" alt=\"null\" \/><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/imagens\/logos\/logolance.jpg\" alt=\"null\" \/><\/p>\n<p><strong>Por Irm\u00e3 Maria Fabiola Velasquez, OP <\/strong><\/p>\n<p><strong>&#8220;Eu amo Palestina como uma m\u00e3e amorosa para uma crian\u00e7a com defici\u00eancia: Sei que tem problemas, mas ainda a amo profundamente&#8221;(Samah Jabr)<\/strong><\/p>\n<p>Esta viagem foi sobretudo a escuta de voc\u00eas e hist\u00f3ria de crist\u00e3os palestinos de Bel\u00e9m, cidade na qual as Irm\u00e3s Dominicanas Internacionais (DSI)  faz cinco anos iniciaram um projeto de solidariedade com uma fam\u00edlia crist\u00e3, que soube envolver outras na produ\u00e7\u00e3o e na exporta\u00e7\u00e3o de ros\u00e1rios e de produtos de madeira de oliveira. Este projeto nasceu da escuta do grito do povo palestino por parte de um frade e uma irm\u00e3 dominicana em 2003: Margaret Ormond e Jo\u00e3o Xerri, depois de uma viagem \u00e0 Palestina. O grito \u00e9 dos crist\u00e3os em particular \u2013 minorias entre as maiorias \u2013, mas tamb\u00e9m das fam\u00edlias palestinas em geral: havia pouco trabalho em 2003 e hoje em 2008 tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1, ao menos quando realizamos essa visita. Muitos crist\u00e3os est\u00e3o deixando a Palestina. O muro e a segunda Intifada (iniciada em 2000) destru\u00edram a fraca economia da Palestina e em particular de Bel\u00e9m, onde os turistas est\u00e3o apenas de passagem. Isso levou muitos pequenos neg\u00f3cios de artesanato a fechar ou a concentra-se somente na exporta\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s de canais como os nossos, a C\u00e1ritas ou outras entidades religiosas.<\/p>\n<p>Ao regresso dessa viagem decidimos continuar escutando e acolhendo esse grito: os palestinos n\u00e3o pedem esmolas mas justi\u00e7a; e que lhes seja permitido viver com dignidade e trabalhar para ganhar a vida. Sentimos que contribuir com esta \u201cliberta\u00e7\u00e3o\u201d responde ao compromisso que DSI assumiu para contribuir com a realiza\u00e7\u00e3o dos Oito Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio.<\/p>\n<p>Os palestinos vivem numa terra ocupada ilegalmente pelo governo israelense dos assentamentos e as reservas (checkpoints) e todos pagam por um pequeno grupo que elege libertar a Palestina com atos de terrorismo indiscriminado. Os israelenses, ao menos uma parte deles, sonham com o Grande Israel livre dos palestinos, outros desejariam unicamente viver com seguran\u00e7a e pensam que construir muros pode ajud\u00e1-los. A situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o se pode simplificar, entretanto, uma coisa \u00e9 certa: n\u00e3o pode haver paz no Oriente M\u00e9dio se aos dois povos n\u00e3o \u00e9 garantido um tratamento sim\u00e9trico e parit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Samah Jabr (1) sustenta: \u201cCreio firmemente que quem deseja esta situa\u00e7\u00e3o de opress\u00e3o e de guerra \u00e9 uma minoria, mas uma minoria muito violenta e agressiva. A maioria das pessoas tem boas inten\u00e7\u00f5es, eu tenho f\u00e9 na bondade do ser humano, mas s\u00e3o muitos os que est\u00e3o desinformados\u201d. E al\u00e9m do mais: \u201cEste \u00e9 o meu passaporte e meu atestado de resid\u00eancia: os palestinos que vivem em Jerusal\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o cidad\u00e3os, s\u00e3o apenas residentes. Um residente pode ser \u2018deportado\u2019 a qualquer momento, inclusive sem nenhuma raz\u00e3o legal. Vivi e estudei em Paris durante tr\u00eas anos e l\u00e1 tinha uma testado de resid\u00eancia que me garantia mais direitos dos que eu tenho aqui, a terra onde nasci, onde meus pais e av\u00f3s nasceram e viveram. Neste documento de resid\u00eancia est\u00e1 escrito que sou uma jordana que vive em Jerusal\u00e9m, obviamente o governo jordano n\u00e3o me reconhece como tal. De fato n\u00e3o posso ir. Quando estava em Paris tinha que pedir visto para regressar a minha terra; uma de minhas colegas francesas veio comigo em certa ocasi\u00e3o e ela n\u00e3o teve que pedir visto. Em meu passaporte est\u00e1 escrito \u2018cidadania indefinida\u2019. Contudo estou orgulhosa de minha identidade\u201d<\/p>\n<p>Quando encontramos Jack Curran (vicepresidente) da Universidade de Bel\u00e9m, comoveram-nos muitas coisas da vida dos estudantes palestinos, mas uma frase em especial nos tocou o cora\u00e7\u00e3o para devolver-lhes esperan\u00e7a, essa esperan\u00e7a que sent\u00edamos deixava espa\u00e7o \u00e0 impot\u00eancia. Diz-nos: \u201cMas o muro um dia cair\u00e1\u201d. \u00c9 uma esperan\u00e7a ou uma utopia? Talvez ambas. Logos nos mostra um livro com todas as imagens do muro de seguran\u00e7a que Israel est\u00e1 construindo em redor da Cisjord\u00e2nia (West Bank),  em especial se trata da parte que interessa a Bel\u00e9m: est\u00e3o reproduzidas sobretudo fotos de pessoas com gestos e express\u00f5es de zombaria, uma destas \u00e9 a sua. Pode parecer um paradoxo que diante de um muro que est\u00e1 sendo constru\u00eddo sobre a terra as pessoas encontrem espa\u00e7o para fazer brincadeiras? Entretanto, o muro est\u00e1 cheio de escritos, de grafite e de caricaturas, talvez seja uma forma para n\u00e3o dramatizar.<\/p>\n<p>Sabemos que a Palestina hoje \u00e9 um de tantos lugares de  fratura e sofrimento onde a Ordem est\u00e1 presente (visitamos a comunidade de Irm\u00e3s iraquianas que est\u00e3o em Bel\u00e9m, s\u00e3o unicamente duas!), a escola b\u00edblica dos Frades e a comunidade das Irm\u00e3s Dominicanas da Apresenta\u00e7\u00e3o em Jerusal\u00e9m: mas o isolamento que o muro est\u00e1 criando \u00e9 realmente contra todo sentido de humanidade (e de legalidade!), por isso renovamos o convite a conhecer melhor a realidade cotidiana dos dois povos em luta e de sustentar a economia das 100 fam\u00edlias de Bel\u00e9m envolvidas no projeto adquirindo o seu trabalho. N\u00e3o somente ros\u00e1rios e produtos de madeira de oliveira, mas tamb\u00e9m pequenas bolsas e marcadores de p\u00e1ginas realizados \u00e0 m\u00e3o por um grupo de pessoas com defici\u00eancia. Para ver e saber mais podem consultar o site do DSI: <a href=\"http:\/\/www.dsiop.org\">www.dsiop.org<\/a>.<\/p>\n<p>Como muitos dos que visitam a Palestina afirmam, para entender \u00e9 necess\u00e1rio estar-se l\u00e1 e respirar o ar. Fala com as pessoas, \u201ctocar\u201d com as m\u00e3os e o cora\u00e7\u00e3o o muro. O convite que os crist\u00e3os de Bel\u00e9m nos fazem \u00e9 o de dizer \u00e0s pessoas para n\u00e3o irem com as grandes organiza\u00e7\u00f5es de peregrina\u00e7\u00e3o, mas com quem os pode fazer conviver entre as pessoas, entre israelenses e palestinos, para escutar, entender e compartilhar. A Terra Santa n\u00e3o \u00e9 unicamente um lugar santo para visitar como turistas; \u00e9 um lugar onde Jesus morre cada vez que se opta pela viol\u00eancia em lugar do di\u00e1logo; cada vez que se escolhe fazer-se explorar ao inv\u00e9s de gritar a pr\u00f3pria raiva; cada vez que um oper\u00e1rio constr\u00f3i outro peda\u00e7o de muro e outros colonos ocupam a terra que n\u00e3o \u00e9 deles; cada vez que violam os direitos humanos dos palestinos com humilha\u00e7\u00f5es desumanas nas reservas. Diz-nos George As\u2019adeh (2) que a paz \u00e9 a melhor solu\u00e7\u00e3o para os dois povos, na guerra s\u00e3o perdedores inclusive os que militarmente vencem. A ocupa\u00e7\u00e3o desumaniza inclusive aqueles que a ocupam.<\/p>\n<p>Que coisa podemos fazer diante desse conflito? N\u00f3s os convidamos a buscar suas pr\u00f3prias respostas; n\u00f3s pensamos que conhecer melhor a realidade \u00e9 um dever de cada dominicano ou dominicana contribuir para a sobreviv\u00eancia de quem sofre \u00e9 um ato de justi\u00e7a evang\u00e9lica. N\u00e3o nos\/lhes resta sen\u00e3o ir e escutar e viver&#8230; Boa viagem&#8230;<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<\/p>\n<p>(1)  Samah Jabr \u00e9 uma das 13 psiquiatras da Palestina (para uma popula\u00e7\u00e3o de 3,5 milh\u00f5es de pessoas). \u00c9 mu\u00e7ulmana, mora em Jerusal\u00e9m e trabalha na reparti\u00e7\u00e3o psiqui\u00e1trica dos hospitais de Bel\u00e9m e Ramallah. Entrevistamos-la durante un encontro em Jerusal\u00e9m. <\/p>\n<p>(2)   George Sa\u2019adeh \u00e9 palestino crist\u00e3o nascido em Bel\u00e9m, trabalha no gabinete do s\u00edndico de Bel\u00e9m e diretor de uma escola, faz parte dos Parents Circle, grupos de pais e m\u00e3es de fam\u00edlia israelenses e palestinos cujos filhos fpram assassinados pela parte advers\u00e1ria. George faz cinco anos perdeu sua filha por un erro de uma for\u00e7a militar especial israelense  antiterrorismo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Irm\u00e3 Maria Fabiola Velasquez, OP &#8220;Eu amo Palestina como uma m\u00e3e amorosa para uma crian\u00e7a com defici\u00eancia: Sei que tem problemas, mas ainda a amo profundamente&#8221;(Samah Jabr) Esta viagem foi sobretudo a escuta de voc\u00eas e hist\u00f3ria de crist\u00e3os palestinos de Bel\u00e9m, cidade na qual as Irm\u00e3s Dominicanas Internacionais (DSI) faz cinco anos iniciaram [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[77,9,1],"tags":[],"class_list":["post-65","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-asalto-e-genocidio-ao-gueto-de-gaza","category-lance-de-dados","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/65","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=65"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/65\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=65"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=65"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=65"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}