{"id":5826,"date":"2018-05-10T10:27:44","date_gmt":"2018-05-10T10:27:44","guid":{"rendered":"http:\/\/imediata.org\/?p=5826"},"modified":"2018-05-10T10:35:25","modified_gmt":"2018-05-10T10:35:25","slug":"dar-voz-aos-oprimidos-e-possivel-reflexoes-fora-do-coro-fulvio-grimaldi-entrevistado-por-hamza-biondo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imediata.org\/?p=5826","title":{"rendered":"Dar voz aos oprimidos \u00e9 poss\u00edvel. Reflex\u00f5es fora do coro, Fulvio Grimaldi entrevistado por Hamza Biondo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Bambino-ucciso-intifada.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Bambino-ucciso-intifada-300x267.jpg\" alt=\"Bambino-ucciso-intifada\" width=\"300\" height=\"267\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-5827\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Bambino-ucciso-intifada-300x267.jpg 300w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Bambino-ucciso-intifada-61x55.jpg 61w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/Bambino-ucciso-intifada.jpg 715w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<strong><br \/>\nDar voz aos oprimidos \u00e9 poss\u00edvel. Reflex\u00f5es fora do coro, Fulvio Grimaldi<\/p>\n<p>entrevistado por Hamza Biondo<\/p>\n<p>DESINFORMA\u00c7\u00c3O, ESTADOS ELIMINADOS, EMIGRA\u00c7\u00d5ES E INSTRUMENTALIZA\u00c7\u00d5ES: um representante do Isl\u00e3 xiita entrevista Fulvio Grimaldi<\/p>\n<p>Via: <a href=\"https:\/\/cambiailmondo.org\/2018\/04\/28\/dare-voce-agli-oppressi-e-possibile-riflessioni-fuori-dal-coro-con-fulvio-grimaldi\/\">https:\/\/cambiailmondo.org\/2018\/04\/28\/dare-voce-agli-oppressi-e-possibile-riflessioni-fuori-dal-coro-con-fulvio-grimaldi\/<\/a><\/p>\n<p>Entrevista publicada em: <a href=\"http:\/\/islamshia.org\/dare-voce-agli-oppressi-e-possibile-riflessioni-fuori-dal-coro-con-fulvio-grimaldi-di-hamza-biondo\/\">http:\/\/islamshia.org\/dare-voce-agli-oppressi-e-possibile-riflessioni-fuori-dal-coro-con-fulvio-grimaldi-di-hamza-biondo\/<\/a><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Mario S. Mieli<\/p>\n<p>Contar a realidade \u00e9 o trabalho dele, e faz isso desde os vinte anos; come\u00e7ou a escrever num caderno com uma caneta, agora usa m\u00e1quina de filmar e computador, mas a paix\u00e3o \u00e9 a mesma. Fulvio Grimaldi viajou o mundo, esteve presente nos lugares e momentos cruciais para documentar crises e contar hist\u00f3rias de homens, injusti\u00e7as, esperan\u00e7as. A profiss\u00e3o de rep\u00f3rter ele a aprendeu no campo, longe dos hot\u00e9is confort\u00e1veis para jornalistas enquistados e sem depender muito das confort\u00e1veis escamotagens oferecidas pela t\u00e9cnica. Uma profiss\u00e3o maldita, em vias de extin\u00e7\u00e3o, Grimaldi defendeu a necessidade moral de &#8220;ir ao local&#8221;.<\/p>\n<p>Um h\u00e1bito compartilhado com escritores famosos que, nas vestes de rep\u00f3rter, tinham o h\u00e1bito de frequentar os campos de batalha, descrevendo-os, e depois retornando a seus romances. Os pa\u00edses que Grimaldi visitou s\u00e3o muitos, \u00e9 uma lista que lembra os atlas do passado, quando na escola se estudava geografia e os mapas destacavam os estados com cores brilhantes. Correspondente na Irlanda do Norte em 1972, testemunha em Derry no dia do Bloody Sunday (Domingo Sangrento), na Palestina durante a Guerra dos Seis Dias, em seguida, ao longo dos anos podemos encontr\u00e1-lo no I\u00eamen, Eritreia, Iugosl\u00e1via, Iraque. Entre tudo isso, tanta  \u00c1frica e Am\u00e9rica Central. Se ele tivesse tido a possibilidade, ter\u00edamos visto ele em Little Big Horn, para colher a vers\u00e3o dos nativos americanos e&#8230; tamb\u00e9m a de Custer. Ele colaborou com muitos meios de comunica\u00e7\u00e3o televisivos e impressos, incluindo BBC, Rai, Nouvel Observeateur, ABC, Panorama, Paese Sera e Liberazione. Rela\u00e7\u00f5es de trabalho e  compromisso pol\u00edtico que muitas vezes estiveram interligados e, por vezes, em conflito, porque documentar a realidade tem um pre\u00e7o e algumas reda\u00e7\u00f5es sofriam do que ele chama de &#8220;a trai\u00e7\u00e3o dos cl\u00e9rigos&#8221;. Al\u00e9rgico aos entrismos e su\u00e9teres de cachemira da esquerda caviar, Grimaldi tamb\u00e9m esteve presente em outras artes e of\u00edcios. Ele documenta crimes ambientais, escreve livros, teve experi\u00eancias teatrais e uma pequena apari\u00e7\u00e3o em um filme que o escritor considera cult: &#8220;Investiga\u00e7\u00e3o de um cidad\u00e3o acima de qualquer suspeita&#8221; de Elio Petri. Caso voc\u00ea ainda n\u00e3o tenha entendido, ter\u00edamos gostado de ter conversado com ele sobre muitas coisas. Por agora, ficamos satisfeitos de fazer algumas perguntas.<\/p>\n<p>Alexis de Tocqueville costumava dizer: &#8220;A democracia \u00e9 o poder de um povo informado&#8221;. Qual \u00e9 a realidade italiana?<\/p>\n<p>FG. O povo italiano vive, como um peixinho vermelho, numa bolha pol\u00edtico-cultural de nada, contida num vaso aqu\u00e1rio de mentiras. Ocasionalmente, respeito a quest\u00f5es menores, compat\u00edveis com os arranjos de poder (sempre determinados por for\u00e7as externas), permite-se que eles conhe\u00e7am verdades in\u00f3cuas, algumas falhas da oligarquia dominante, alguns erros. Assim que se entra na realidade geopol\u00edtica, que \u00e9 o que conta, o vaso se torna um espelho deformador.<\/p>\n<p>Estamos testemunhando uma revolu\u00e7\u00e3o da linguagem, se antes a narra\u00e7\u00e3o de v\u00eddeo tinha primazia sobre o texto escrito, este \u00e9 o momento da comunica\u00e7\u00e3o digital que encurta dist\u00e2ncias e sintaxe. Mas uma confer\u00eancia de imprensa pode ser substitu\u00edda por um tweet? O mundo pode ser contado com um hashtag?<\/p>\n<p>FG. A elite usa novas tecnologias, n\u00e3o apenas para condicionar, monitorar, controlar e manipular. \u00c9 necess\u00e1rio destruir a linguagem, suas articula\u00e7\u00f5es, sua complexidade. Ela \u00e9 contaminada por express\u00f5es estrangeiras, principalmente inglesas, a maioria mal entendida porque elas se separam do contexto sint\u00e1tico, mas acima de tudo com a redu\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o \u00e0 simplifica\u00e7\u00e3o mais b\u00e1sica. Precisamente o tweet, o sms, o chat. Mais simples e elementar a linguagem, mais simples e elementar e, portanto, inerme e manipul\u00e1vel \u00e9 o pensamento.<\/p>\n<p>A falsifica\u00e7\u00e3o da Hist\u00f3ria \u00e9 constru\u00edda gradualmente, utilizando-se tamb\u00e9m desinforma\u00e7\u00e3o e censura. Setenta anos depois da &#8220;Nakba&#8221;, uma palavra que indica o in\u00edcio do genoc\u00eddio dos palestinos, o consenso agora ignora as responsabilidades hist\u00f3ricas e confunde perpetradores com v\u00edtimas &#8230;.<\/p>\n<p>FG. A opini\u00e3o p\u00fablica, felizmente n\u00e3o toda, \u00e9 narcotizada pela mensagem publicit\u00e1ria, tanto pol\u00edtica quanto hist\u00f3rica. O poder sabe disso e pratica o martelar do pensamento \u00fanico, da vers\u00e3o \u00fanica, h\u00e1 alguns mil\u00eanios. A opini\u00e3o p\u00fablica \u00e9 a v\u00edtima do colapso de um pensamento e de uma comunica\u00e7\u00e3o alternativos, antag\u00f4nicos. A unifica\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es, ap\u00f3s a experi\u00eancia do Vietn\u00e3, onde a pluralidade de not\u00edcias e vers\u00f5es contribuiu para determinar a fal\u00eancia colonialista da Fran\u00e7a e dos EUA, o desaparecimento do editor puro e a concentra\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o nas m\u00e3os dos detentores de interesses e de poder econ\u00f4mico, militar e cultural, determinou esta situa\u00e7\u00e3o. Que agora \u00e9 aperfei\u00e7oada com a ca\u00e7a \u00e0s chamadas fake news, que em ess\u00eancia n\u00e3o s\u00e3o nada al\u00e9m de informa\u00e7\u00f5es indesejadas pelo establishment. Especificamente a respeito da Nakba, a trag\u00e9dia e o genoc\u00eddio dos palestinos nas m\u00e3os dos usurpadores e de seus padrinhos, foi efetivamente obscurecida por duas grandes opera\u00e7\u00f5es publicit\u00e1rias: a perene re-proposi\u00e7\u00e3o do Holocausto, apresentado anti-historicamente como crime \u00fanico e m\u00e1ximo, a amea\u00e7a de antissemitismo que \u00e9 frequentemente associado ao terrorismo.<\/p>\n<p>Com bombardeios contra povos indefesos, eles devastaram a S\u00edria, a L\u00edbia e o Iraque. Com as ocupa\u00e7\u00f5es militares, arruinaram  sociedades e modelos de conviv\u00eancia antiqu\u00edssimos, destru\u00edram mundos que n\u00e3o ressurgir\u00e3o novamente. Quem ser\u00e1 a pr\u00f3xima v\u00edtima? Quais s\u00e3o as responsabilidades do sistema pol\u00edtico europeu?<\/p>\n<p>FG. Da ininterrupta demoniza\u00e7\u00e3o propagand\u00edstica de \u00e1rabes, do islamismo, do Ir\u00e3 e da R\u00fassia, n\u00e3o parece dif\u00edcil deduzir quais s\u00e3o os objetivos a que se prop\u00f5e de lan\u00e7ar o belicismo imperialista. Haver\u00e1 outros, um pouco de cada vez, na \u00c1frica e na Am\u00e9rica Latina. \u00c9 a marcha da globaliza\u00e7\u00e3o, a estrat\u00e9gia para uma domina\u00e7\u00e3o totalit\u00e1ria \u00fanica do mundo pelo capital financeiro-militarista ocidental. A Uni\u00e3o Europeia nasceu para desempenhar um papel auxiliar neste projeto. \u00c9 submetida a uma cont\u00ednua chantagem econ\u00f4mica, militar, propagand\u00edstica, para evitar que se aparte dessa conspira\u00e7\u00e3o ocidental e perceba que  seus interesses e a capacidade de seus povos para escolher de forma independente o seu pr\u00f3prio caminho coloque o continente em outro contexto geopol\u00edtico.<\/p>\n<p> Vamos tentar analisar o fen\u00f4meno da emigra\u00e7\u00e3o fora do politicamente correto e da explora\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>FG. Desse fen\u00f4meno hist\u00f3rico, eu me dediquei com esfor\u00e7o especial, dada a enorme carga de mistifica\u00e7\u00e3o, no sinal hip\u00f3crita de fazer o bem e da solidariedade, que n\u00e3o deve esconder os verdadeiros objetivos. Basta pensar que um milh\u00e3o de jovens s\u00edrios foram retirados da defesa e do desenvolvimento de seu pa\u00eds para fornecer m\u00e3o-de-obra barata para as exporta\u00e7\u00f5es alem\u00e3s, um pa\u00eds c\u00famplice da destrui\u00e7\u00e3o da S\u00edria. Basta pensar nos 60 mil agricultores que viviam na Eti\u00f3pia, ao longo do rio Omo, que lhes garantia o cultivo, produ\u00e7\u00e3o e subsist\u00eancia, e que por causa uma mega diga italiana foram privados de seu rio e, portanto, de seu futuro. Para onde acreditamos que eles emigraram? Aqueles que advogam obsessivamente a acolhida incondicional de imigrantes, falando de que  fogem das ditaduras, da fome, dos desastres clim\u00e1ticos, mas deixando de mencionar os respons\u00e1veis. Mas, acima de tudo, procuram que n\u00e3o possamos entender que as migra\u00e7\u00f5es s\u00e3o um fen\u00f4meno manobrado pelos mesmos poderes que destru\u00edram tantos pa\u00edses. O primeiro passo da cadeia da migra\u00e7\u00e3o, para a qual existem ONGs financiadas pelas mesmas for\u00e7as do globalismo, \u00e9 a ru\u00edna dos pa\u00edses de emigra\u00e7\u00e3o com os instrumentos de guerra e saques nas m\u00e3os das multinacionais. Ru\u00edna que for\u00e7a as pessoas a deixarem a pr\u00f3pria comunidade, as ra\u00edzes, a cultura, o pr\u00f3prio futuro. Quase sempre para encontrar um destino pior do que aquele deixado para tr\u00e1s. Nos pa\u00edses de origem existem tamb\u00e9m estruturas da chamada solidariedade, ONGs, associa\u00e7\u00f5es, organiza\u00e7\u00f5es ligadas ao colonialismo, que oferecem aos jovens falsas oportunidades de trabalho e bem-estar na Europa. Ent\u00e3o eles se encontram novamente no mar, a caminho da Sic\u00edlia. Ao imperialismo-colonialismo, servem pa\u00edses para serem saqueados e, portanto, esvaziados das gera\u00e7\u00f5es mais jovens e assim a civiliza\u00e7\u00e3o e a identidade s\u00e3o dispersas. Serve tamb\u00e9m uma for\u00e7a de trabalho com as menores exig\u00eancias poss\u00edveis para reduzir o custo do trabalho nos pa\u00edses avan\u00e7ados e causar desestabiliza\u00e7\u00e3o. Acredito que integra\u00e7\u00e3o e assimila\u00e7\u00e3o s\u00e3o conceitos colonialistas que implicam pressupostos de superioridade racial e cultural.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m dizia a respeito da vida que &#8220;ou voc\u00ea a vive ou a escreve&#8221;. Voc\u00ea tem sido um profissional da informa\u00e7\u00e3o h\u00e1 anos, viaja e escreve muito, parece contradizer esta afirma\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>FG. O que eu posso dizer? Desde que pensei em fazer este trabalho, por volta dos dez anos, pensei nisso como o conte\u00fado e o sentido da minha vida confrontados com os conte\u00fados e significados oferecidos pela realidade. Logo vislumbrei o poder de fogo dos mistificadores da comunica\u00e7\u00e3o. E logo, a partir da Guerra dos Seis Dias na Palestina, para onde fui enviado, eu entendi quem estava manobrando e para qu\u00ea esses mistificadores serviam. Mas tamb\u00e9m experimentei a possibilidade de impedir a roda de girar. A semente da verdade, que \u00e9 o que os povos oprimidos, perseguidos, sofredores e resistentes nos oferecem, \u00e9 muitas vezes esmagada e dispersa, mas quando caem em solo f\u00e9rtil explodem em um florescer que muda a paisagem. O jornalista deve tentar agir como p\u00f3len, sol e chuva.<\/p>\n<p>Para mais mat\u00e9rias de Fulvio Grimaldi, visitar seu \u201ccontroblog\u201d MONDOCANE:<br \/>\n<a href=\" http:\/\/fulviogrimaldi.blogspot.com.br\/\"><br \/>\nhttp:\/\/fulviogrimaldi.blogspot.com.br\/<\/a><\/p>\n<p><\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/fulvio-grimaldi.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/fulvio-grimaldi.jpg\" alt=\"fulvio-grimaldi\" width=\"300\" height=\"180\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5828\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/fulvio-grimaldi.jpg 300w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/fulvio-grimaldi-91x55.jpg 91w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dar voz aos oprimidos \u00e9 poss\u00edvel. 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