{"id":5823,"date":"2018-05-08T15:32:37","date_gmt":"2018-05-08T15:32:37","guid":{"rendered":"http:\/\/imediata.org\/?p=5823"},"modified":"2018-05-08T15:32:37","modified_gmt":"2018-05-08T15:32:37","slug":"entrevista-de-raoul-vaneigem-sobre-seu-propos-de-table-dialogue-entre-la-vie-et-le-corps","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imediata.org\/?p=5823","title":{"rendered":"Entrevista de Raoul Vaneigem sobre seu \u201cPropos de table \u2013 Dialogue entre la vie et le corps\u201d"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/61Z-FIV096L.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/61Z-FIV096L.jpg\" alt=\"61Z+FIV096L\" width=\"800\" height=\"1467\" class=\"aligncenter size-full wp-image-5824\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/61Z-FIV096L.jpg 800w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/61Z-FIV096L-163x300.jpg 163w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/61Z-FIV096L-558x1024.jpg 558w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Entrevista de Raoul Vaneigem sobre seu \u201cPropos de table \u2013 Dialogue entre la vie et le corps\u201d <\/p>\n<p>A vida \u00e9 a arma absoluta contra o capitalismo.<\/p>\n<p>Fonte: publicado em \u201cL\u2019ONS\u201d de 3\/5\/2018<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/bibliobs.nouvelobs.com\/idees\/20180426.OBS5820\/ce-qui-est-utile-et-agreable-est-systematiquement-mis-a-mal.html\">https:\/\/bibliobs.nouvelobs.com\/idees\/20180426.OBS5820\/ce-qui-est-utile-et-agreable-est-systematiquement-mis-a-mal.html<br \/>\n<\/a><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Mario S. Mieli<\/strong><br \/>\n<strong><br \/>\nOBS. Voc\u00ea qualifica seu \u201cPropos de table\u201d de di\u00e1rio de bordo. Voc\u00ea encara a vida como uma travessia de alguma coisa, mas de qu\u00ea?<\/strong><\/p>\n<p>Raoul Vaneigem. Viver n\u00e3o \u00e9 sobreviver. A vida \u00e9 gratuidade por excel\u00eancia. Ela n\u00e3o paga nem se paga. Ela se recusa de ser confundida com a sobreviv\u00eancia, onde a necessidade de trabalhar nos leva de volta a uma exist\u00eancia de animal predado e animal de carga. Empreender uma batalha permanente por uma vida verdadeiramente humana \u00e9 a garantia mais segura para se p\u00f4r fim ao sinistro \u201cstruggle for life\u201d que nos foi imposto pela civiliza\u00e7\u00e3o mercantil. A vida cria e se cria. A liberdade de seus desejos \u00e9 incompat\u00edvel com as liberdades do com\u00e9rcio. A vida \u00e9 a arma absoluta contra o capitalismo.<\/p>\n<p><strong>OBS. Voc\u00ea nasceu em Lessines, como Ren\u00e9 Magritte. Haveria uma influ\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p>RV. Se existe um genius loci, isso me aproximaria de Scutenaire. Magritte passou pouco tempo em Lessines. Scutenaire viveu o clima de luta social e consci\u00eancia da classe trabalhadora que eu conheci na minha juventude.<br \/>\n<strong><br \/>\nOBS. Voc\u00ea garante de viver como um alquimista. O que \u00e9 um alquimista hoje?<\/strong><\/p>\n<p>RV. Eu expliquei isso em &#8220;Do Destino&#8221;. Cada um tenta transmutar o chumbo de uma exist\u00eancia pouco atraente em uma vida que, como a pedra filosofal, permitiria a liberdade de nossos desejos de romper a tirania do lucro e do poder. Dar prioridade a momentos de prazer e a inspira\u00e7\u00e3o criativa desses momentos me abre para uma vida cuja presen\u00e7a \u00e9 fortalecida e gradualmente remove o tempo linear, o tempo da usura, o tempo da sobreviv\u00eancia.<br \/>\n<strong><br \/>\nOBS. Fala-se muito de ru\u00edna, de debacle, de grande lavagem de roupa suja nas suas &#8220;Propostas&#8221;. Voc\u00ea seria um daqueles chamados &#8220;declinistas&#8221;?<\/strong><\/p>\n<p>RV. Eu n\u00e3o sei o que \u00e9 declinismo. Os r\u00f3tulos me deixaram indiferente. Por outro lado, o estados dos lugares \u00e9 autoevidente. Mostre-me hoje um \u00fanico lugar onde o olhar n\u00e3o \u00e9 atacado, onde o ar, a \u00e1gua, a terra n\u00e3o sofrem a f\u00faria devastadora da gan\u00e2ncia mercante! Tudo o que \u00e9 \u00fatil e agrad\u00e1vel \u00e9 sistematicamente minado. Antigamente, o estado, por mais vigarista, embolsava os impostos pelos quais detinha os cidad\u00e3os, mas se preocupava em designar uma parte deles ao bem p\u00fablico. O que aconteceu com os subs\u00eddios \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, cultura, moradia, transporte, agricultura de qualidade, meio ambiente, desempregados, sem-teto, refugiados fugindo da guerra e da mis\u00e9ria? Eles foram nivelados, reduzidos ao limite sob a press\u00e3o do poder absoluto do dinheiro. As mentalidades s\u00e3o t\u00e3o gangrenadas que todos continuam a pagar ao Estado os impostos que, longe de melhorar a sorte dos cidad\u00e3os, servem para salvar as malversa\u00e7\u00f5es  banc\u00e1rias.<\/p>\n<p><strong>OBS. &#8220;O self-made man \u00e9 o homem que se constr\u00f3i ao desconstruir sua vida&#8221;, voc\u00ea escreve. Voc\u00ea tamb\u00e9m fala sobre &#8220;o colapso da civiliza\u00e7\u00e3o agro-mercante&#8221;. O que voc\u00ea guarda do nosso tempo?<\/strong><\/p>\n<p>RV. Uma mudan\u00e7a de civiliza\u00e7\u00e3o, uma muta\u00e7\u00e3o. A paix\u00e3o por reinventar um mundo livre do totalitarismo econ\u00f4mico estimula a cria\u00e7\u00e3o de Terras Livres. Pude observar nos Zapatistas de Chiapas uma verdadeira democracia. O ZAD de Notre-Dame-des-Landes \u00e9 um exemplo de uma micro sociedade que experimenta o auto gerenciamento da vida quotidiana. Ao esmag\u00e1-lo, o estado aplica a pol\u00edtica de destrui\u00e7\u00e3o lucrativa que o capitalismo pratica globalmente contra a vida. Cabe a n\u00f3s aprender com isso!<\/p>\n<p><strong>OBS. Radicalidade, voc\u00ea costuma usar essa palavra. Que sentido voc\u00ea d\u00e1 a ela?<\/strong><\/p>\n<p>RV. Ser radical \u00e9 pegar seres e coisas na raiz, e a raiz da vida \u00e9 a pr\u00f3pria vida. Rabelais, Montaigne, La Bo\u00e9tie, Diderot, Marx, H\u00f6lderlin, Fourier concordaram com isso bem antes de mim.<br \/>\n<strong><br \/>\nOBS. Voc\u00ea \u00e9 o autor do &#8220;Tratado do saber viver\u2013 manual de uso para as gera\u00e7\u00f5es mais jovens&#8221;,  publicado em 1967, no qual voc\u00ea destacou &#8220;o surgimento do ser humano como sujeito, em um mundo de objetos, estabelecido pela civiliza\u00e7\u00e3o mercantil\u201d. Qual \u00e9 a sua vis\u00e3o de maio-68 meio s\u00e9culo depois?<\/strong><\/p>\n<p>RV. As comemora\u00e7\u00f5es s\u00e3o um cemit\u00e9rio. N\u00e3o me preocupo com aqueles que fazem do presente um eterno passado. O que o movimento de ocupa\u00e7\u00f5es trouxe \u00e0 luz, e que o obscurantismo espetacular ocultou, \u00e9 a recusa do trabalho, do sacrif\u00edcio, do patriarcado e do poder. \u00c9 a prioridade dada \u00e0 vida. Isso \u00e9 o que nasceu ent\u00e3o, e est\u00e1 apenas come\u00e7ando a se desenvolver.<\/p>\n<p><strong>OBS. Desde o &#8220;Tratado&#8221;, voc\u00ea \u00e9 consistente em suas convic\u00e7\u00f5es. Voc\u00ea sente que est\u00e1 sempre certo?<\/strong><\/p>\n<p>RV. Eu n\u00e3o me importo de estar certo ou errado. O exerc\u00edcio dif\u00edcil e emocionante de me reconstruir todos os dias \u00e9 suficiente para mim. \u00c9 com isso que, analogicamente, me sinto preocupado com uma abordagem alqu\u00edmica que propaga uma poesia feita por todos e por um.<\/p>\n<p><strong>OBS. O &#8220;estou feliz de n\u00e3o ser lido nem compreendido&#8221; nas suas &#8220;Propostas&#8221; \u00e9 a sua medalha?<\/strong><\/p>\n<p>RV. A cita\u00e7\u00e3o exata \u00e9 &#8220;Daqueles que, em sua desesperan\u00e7a \u00edntima, professam publicamente ou secretamente o culto da morte, eu me felicito de n\u00e3o ser lido nem compreendido.&#8221; Demais mortos-vivos nas ruas! Eu n\u00e3o sou nem estrela nem mestre, nem competitivo nem concorrencial. Eu n\u00e3o participo do espet\u00e1culo. Toda medalha merece ser cuspida.<\/p>\n<p><strong>OBS. &#8220;Eu n\u00e3o acredito em nada. Toda cren\u00e7a \u00e9 um t\u00famulo onde a consci\u00eancia apodrece.&#8221; N\u00e3o h\u00e1 deuses, ent\u00e3o, mas talvez mestres. Quem s\u00e3o eles?<\/strong><\/p>\n<p>RV. Eu fico com &#8220;nem deuses nem mestres&#8221;.<\/p>\n<p><strong>OBS. Como voc\u00ea explica o aumento do lugar da religi\u00e3o nas crises contempor\u00e2neas?<\/strong><\/p>\n<p>RV. Trata-se de regress\u00f5es epis\u00f3dicas, provocadas pelo impasse no qual a civiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 encurralada. Os meios de comunica\u00e7\u00e3o s\u00e3o mais propensos a falar sobre o islamismo sangrento do que as mulheres iranianas que penduram o v\u00e9u nas \u00e1rvores.<\/p>\n<p><strong>OBS. &#8220;Nossa hist\u00f3ria \u00e9 uma experi\u00eancia que deu mal.&#8221; A esp\u00e9cie humana, voc\u00ea ainda espera algo dela?<\/strong><\/p>\n<p>RV. Toda esperan\u00e7a acrescenta uma pedra ao muro das Lamenta\u00e7\u00f5es. A hist\u00f3ria \u00e9 uma longa s\u00e9rie de barbaridades. O projeto de humaniza\u00e7\u00e3o \u00e9 mais do que nunca irreprim\u00edvel. A vida \u00e9 por si s\u00f3 uma insurg\u00eancia em andamento.<\/p>\n<p><strong>OBS. &#8220;N\u00e3o se morre de amor, morre-se da aus\u00eancia dele.&#8221; Voc\u00ea poderia fazer disso o seu lema?<\/strong><\/p>\n<p>RV. A constata\u00e7\u00e3o \u00e9, infelizmente, banal: quem n\u00e3o teve a oportunidade de conhec\u00ea-la ao longo do tempo? Se eu escolhesse um lema, seria: &#8220;Deseje tudo, n\u00e3o espere nada&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Entrevistado por Laurent Lemire<br \/>\nPropos de table,<br \/>\nde Raoul Vaneigem,<br \/>\nLe Cherche Midi, 352 p., 18 euros.<\/p>\n<p>Raoul Vaneigem, bio sucinta<br \/>\nNascido em 1934, Raoul Vaneigem participou de 1961 at\u00e9 sua ren\u00fancia em 1970 \u00e0 Internacional Situacionista, ao lado de Guy Debord. Fil\u00f3sofo, medievalista, especialista em heresias, autor de cerca de trinta livros, publica este m\u00eas &#8220;Propos de table&#8221; pela Cherche Midi<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevista de Raoul Vaneigem sobre seu \u201cPropos de table \u2013 Dialogue entre la vie et le corps\u201d A vida \u00e9 a arma absoluta contra o capitalismo. 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