{"id":5755,"date":"2017-12-01T18:05:44","date_gmt":"2017-12-01T18:05:44","guid":{"rendered":"http:\/\/imediata.org\/?p=5755"},"modified":"2017-12-01T18:05:44","modified_gmt":"2017-12-01T18:05:44","slug":"se-a-arte-nao-serve-para-elevar-o-eu-coletivo-entao-ela-e-inutil-gandhi-por-maurizio-colantuoni","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imediata.org\/?p=5755","title":{"rendered":"&#8220;Se a arte n\u00e3o serve para elevar o Eu coletivo, ent\u00e3o ela \u00e9 in\u00fatil.&#8221;\u2013Gandhi, Por: Maurizio Colantuoni"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/5qS4RzDLlsDH2bc5BjCwDwxV6QYfiFeG0RWlxIpZKVf2G5fNYviVknUR0azhMJgoN75xGwTRu-eC8kCY9-yD61Ddi7-yYZnpCl-3aK4KQxWgQhAs0-d-e1-ft.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/5qS4RzDLlsDH2bc5BjCwDwxV6QYfiFeG0RWlxIpZKVf2G5fNYviVknUR0azhMJgoN75xGwTRu-eC8kCY9-yD61Ddi7-yYZnpCl-3aK4KQxWgQhAs0-d-e1-ft-300x225.jpg\" alt=\"5qS4RzDLlsDH2bc5BjCwDwxV6QYfiFeG0RWlxIpZKVf2G5fNYviVknUR0azhMJgoN75xGwTRu-eC8kCY9-yD61Ddi7-yYZnpCl-3aK4KQxWgQhA=s0-d-e1-ft\" width=\"300\" height=\"225\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-5756\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/5qS4RzDLlsDH2bc5BjCwDwxV6QYfiFeG0RWlxIpZKVf2G5fNYviVknUR0azhMJgoN75xGwTRu-eC8kCY9-yD61Ddi7-yYZnpCl-3aK4KQxWgQhAs0-d-e1-ft-300x225.jpg 300w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/5qS4RzDLlsDH2bc5BjCwDwxV6QYfiFeG0RWlxIpZKVf2G5fNYviVknUR0azhMJgoN75xGwTRu-eC8kCY9-yD61Ddi7-yYZnpCl-3aK4KQxWgQhAs0-d-e1-ft-73x55.jpg 73w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/5qS4RzDLlsDH2bc5BjCwDwxV6QYfiFeG0RWlxIpZKVf2G5fNYviVknUR0azhMJgoN75xGwTRu-eC8kCY9-yD61Ddi7-yYZnpCl-3aK4KQxWgQhAs0-d-e1-ft-60x45.jpg 60w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/5qS4RzDLlsDH2bc5BjCwDwxV6QYfiFeG0RWlxIpZKVf2G5fNYviVknUR0azhMJgoN75xGwTRu-eC8kCY9-yD61Ddi7-yYZnpCl-3aK4KQxWgQhAs0-d-e1-ft.jpg 780w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/3CpikRUu50T8zuLo3eUNJqv7p0rje0hvJcLFpvYv880t0uWlJTksFJGUbWT0wNcAFW84nWSLFnfNYYMmVFWpAp-x3D_hHoMvUBkEe1JjPeFodQs0-d-e1-ft.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/3CpikRUu50T8zuLo3eUNJqv7p0rje0hvJcLFpvYv880t0uWlJTksFJGUbWT0wNcAFW84nWSLFnfNYYMmVFWpAp-x3D_hHoMvUBkEe1JjPeFodQs0-d-e1-ft-300x225.jpg\" alt=\"3CpikRUu50T8zuLo3eUNJqv7p0rje0hvJcLFpvYv880t0uWlJTksFJGUbWT0wNcAFW84nWSLFnfNYYMmVFWpAp-x3D_hHoMvUBkEe1JjPeFodQ=s0-d-e1-ft\" width=\"300\" height=\"225\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-5757\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/3CpikRUu50T8zuLo3eUNJqv7p0rje0hvJcLFpvYv880t0uWlJTksFJGUbWT0wNcAFW84nWSLFnfNYYMmVFWpAp-x3D_hHoMvUBkEe1JjPeFodQs0-d-e1-ft-300x225.jpg 300w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/3CpikRUu50T8zuLo3eUNJqv7p0rje0hvJcLFpvYv880t0uWlJTksFJGUbWT0wNcAFW84nWSLFnfNYYMmVFWpAp-x3D_hHoMvUBkEe1JjPeFodQs0-d-e1-ft-73x55.jpg 73w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/3CpikRUu50T8zuLo3eUNJqv7p0rje0hvJcLFpvYv880t0uWlJTksFJGUbWT0wNcAFW84nWSLFnfNYYMmVFWpAp-x3D_hHoMvUBkEe1JjPeFodQs0-d-e1-ft-60x45.jpg 60w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/3CpikRUu50T8zuLo3eUNJqv7p0rje0hvJcLFpvYv880t0uWlJTksFJGUbWT0wNcAFW84nWSLFnfNYYMmVFWpAp-x3D_hHoMvUBkEe1JjPeFodQs0-d-e1-ft.jpg 780w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>escultura sem t\u00edtulo de Maurizio Colantuoni<\/p>\n<p><strong>&#8220;Se a arte n\u00e3o serve para elevar o Eu coletivo, ent\u00e3o ela \u00e9 in\u00fatil.&#8221;\u2014Gandhi <\/p>\n<p>por Maurizio Colantuoni<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Mario S. Mieli<\/p>\n<p>A partir da metade do s\u00e9culo passado, o poder que controla os meios de comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o permitiu que isso aconteesse. Vejamos a hist\u00f3ria da arte dos \u00faltimos 50 anos. Nos anos 60, foram impostas no mercado da arte contempor\u00e2nea, a arte conceitual e a pop art.<\/p>\n<p>A arte conceitual se baseia no conceito de que a obra de arte n\u00e3o precisa do contexto da galeria de arte para ser tomada como arte. Isso \u00e9 exatamente o oposto da cita\u00e7\u00e3o de Gandhi. \u00c9 o triunfo do pensamento relativo, trazendo a semi\u00f3tica como grande novidade. Mas esse conceito (sinal, significado e significante) tinha sido expresso 4000 anos atr\u00e1s, nos textos v\u00e9dicos, e se dirigia \u00e0 \u00fanica coisa que pode representar: a super consci\u00eancia. Ou seja, o pensamento absoluto. Ao contr\u00e1rio, a pop art \u00e9 a aquisi\u00e7\u00e3o do quotidiano destitu\u00edda de qualquer cr\u00edtica (a lata de feij\u00e3o ou o retrato da atriz-celebridade representados sobre tela). Se todas as formas de arte foram influenciadas por um determinado tipo de droga, a pop art pode ser representada pela hero\u00edna, uma droga que faz parecer qualquer coisa aceit\u00e1vel e, portanto, se torna aliena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um tipo de arte perfeita para controlar as massas. N\u00e3o por acaso existem documentos da CIA nos quais se impunha a presen\u00e7a dos artistas pop na Bienal de Veneza de 1968. Tudo isso, nos anos recentes, fez com que uma das obras de arte mais caras fosse uma ovelha dilacerada em formalde\u00eddo. O colecionador que tem essa obra em casa, seguramente satisfez seu senso de posse fetichista e de satisfa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, mas seu filho, que cresce ao lado da obra, como ver\u00e1 o mundo se, desde pequeno, considera uma ovelha dilacerada como uma grande obra de arte? <\/p>\n<p>Queremos, entretanto, salvar a boa f\u00e9 dos artistas. \u00c9 o sistema que escolhe o que dar \u00e0s pessoas, e as pessoas s\u00e3o aquilo que lhe deram. Egon Schiele dizia que a arte n\u00e3o pode ser moderna. A arte \u00e9 primordialmente eterna. Em uma entrevista de 15 anos atr\u00e1s, David Bowie afirmava que a arte se estava enclausurando em si mesma. \u00c9 exatamente o que ocorreu.<\/p>\n<p>H\u00e1 d\u00e9cadas essas tipologias triunfantes est\u00e3o sendo levadas adiante por um sistema auto-referencial formado por donos de galerias, cr\u00edticos, colecionadores, jornalistas. Analisemos brevemente esses pap\u00e9is. O papel dos donos de galeria, segundo minha experi\u00eancia, \u00e9 o de fazer levitar o mais poss\u00edvel os pre\u00e7os das obras, reduzindo-as a produtos financeiros. Ao passo que seu papel deve ser de grande responsabilidade: oferecer ao p\u00fablico obras que elevem o Eu coletivo.<\/p>\n<p>Os cr\u00edticos leem as obras nos limites do \u00faltimo per\u00edodo da hist\u00f3ria da arte. Tudo o que n\u00e3o couber nesse limite asfixiado e de cont\u00ednua busca de novidade \u00e9, para eles, incompreens\u00edvel. N\u00e3o t\u00eam outros m\u00e9todos ou tipos de conhecimento para descrever uma obra. Os colecionadores, que s\u00e3o os financiadores desse mecanismo, procuram exclusivamente o investimento seguro. A maior parte das obras que compram s\u00e3o trancafiadas nos cofres de bancos, como lingotes de ouro.<\/p>\n<p>Se esses personagens n\u00e3o cumprirem esses papeis ser\u00e3o expulsos do sistema ou, no melhor dos casos, relegados a papeis de categoria C. O fim de tudo isso \u00e9 preencher o horizonte mental das pessoas com um tipo de arte alienante. Por que as obras de arte devem custar tanto? Por que as obras de arte n\u00e3o devem estar em um maior n\u00famero de casas, em vez de ficarem trancadas nos cofres dos bancos? Por que nas casas das pessoas comuns se encontram pouco mais que reprodu\u00e7\u00f5es de calend\u00e1rios ou est\u00fapidos bibel\u00f4s? Por que as pessoas devem ser v\u00edtimas de poucas obras de arte p\u00fablicas colocadas ali por um sistema degenerado? A resposta \u00e9 que, privando-as de obras de arte elevadas, as pessoas acabam vivendo em um estado de baixo n\u00edvel de consci\u00eancia.<\/p>\n<p>No passado, quando as minhas esculturas se tornaram cheques na parede, eram vendidas pelos melhores galeristas por cifras, na minha opini\u00e3o, astron\u00f4micas. Eram compradas sobretudo por \u201claranjas\u201d, corruptos, rica\u00e7os enfastiados ou emergentes, ou at\u00e9 pelo pol\u00edtico que tinha feito sumir o dinheiro destinado \u00e0 ajuda dos refugiados da Som\u00e1lia. Essas eram as pessoas que compravam minhas esculturas. Tudo isso provocou em mim um nauseante curto circuito. Continuei meu trabalho de modo solit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Em uma \u00e9poca como a nossa, em que cada coisa pode ser reproduzida, uma escultura ou um quadro pode ser produzido em mais exemplares, e ser assim adquirido por um grande n\u00famero de pessoas por um pre\u00e7o razo\u00e1vel. Quando Joseph Beuys ainda estava vivo, comprei um seu m\u00faltiplo ilimitado na banca dos verdes, na feira de Basileia, por uma cifra compat\u00edvel com as minhas magras finan\u00e7as juvenis.<\/p>\n<p>As obras devem ser reproduzidas em mais c\u00f3pias e vendidas por pre\u00e7os razo\u00e1veis. \u00c9 essa uma das duas chaves para tornar a arte \u00fatil para as pessoas. A outra diz respeito ao papel dos artistas,  que sintetizo em uma afirma\u00e7\u00e3o do sempre l\u00facido Alejandro Jodorowsky. <\/p>\n<p>\u201c&#8230; Duvidava at\u00e9 da arte&#8230; Para que serve? Se serve somente para divertir pessoas que t\u00eam medo de despertar, n\u00e3o me interessa. Se \u00e9 um meio para ter sucesso do ponto de vista econ\u00f4mico, n\u00e3o me interessa. Se \u00e9 uma atividade de que o meu ego lan\u00e7a m\u00e3o para se ensoberbar, n\u00e3o me interessa. Se preciso ser o buf\u00e3o daqueles que det\u00eam o poder, envenenando o planeta e fazer padecer de fome milh\u00f5es de pessoas, n\u00e3o me interessa. Qual \u00e9, ent\u00e3o, a finalidade da arte? Depois de uma crise a tal ponto profunda que cheguei a pensar em suic\u00eddio, cheguei \u00e0 conclus\u00e3o de que a finalidade da arte era curar.  Se a arte n\u00e3o cura, n\u00e3o \u00e9 arte\u201d. <\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>escultura sem t\u00edtulo de Maurizio Colantuoni &#8220;Se a arte n\u00e3o serve para elevar o Eu coletivo, ent\u00e3o ela \u00e9 in\u00fatil.&#8221;\u2014Gandhi por Maurizio Colantuoni Tradu\u00e7\u00e3o: Mario S. Mieli A partir da metade do s\u00e9culo passado, o poder que controla os meios de comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o permitiu que isso aconteesse. 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