{"id":5634,"date":"2017-08-27T02:31:10","date_gmt":"2017-08-27T02:31:10","guid":{"rendered":"http:\/\/imediata.org\/?p=5634"},"modified":"2017-08-27T02:35:48","modified_gmt":"2017-08-27T02:35:48","slug":"5634","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imediata.org\/?p=5634","title":{"rendered":"Como conseguimos sobreviver? por Massimo Fini"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/12.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/12-196x300.jpg\" alt=\"-12\" width=\"196\" height=\"300\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-5635\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/12-196x300.jpg 196w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/12-36x55.jpg 36w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/12.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 196px) 100vw, 196px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Como conseguimos sobreviver?<\/p>\n<p>Por: Massimo Fini<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Mario S. Mieli<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"gazzettino.it\">gazzettino.it<\/a><\/p>\n<p>&#8220;Quando \u00e9ramos crian\u00e7as and\u00e1vamos em carros que n\u00e3o tinham nem cintos de seguran\u00e7a nem air bags. Viajar na parte de tr\u00e1s de uma van aberta era um passeio especial. Nossos ber\u00e7os eram pintados com cores muito brilhantes, com tintas \u00e0 base de chumbo. N\u00e3o t\u00ednhamos fechos de seguran\u00e7a para crian\u00e7as em embalagens m\u00e9dicas, nos  banheiros, portas e tomadas. Quando and\u00e1vamos de bicicleta, n\u00e3o us\u00e1vamos capacete. Beb\u00edamos \u00e1gua da mangueira do jardim, em vez da garrafa de \u00e1gua mineral. Sa\u00edamos para brincar com a \u00fanica exig\u00eancia de voltar antes de anoitecer. N\u00e3o t\u00ednhamos celulares, de modo que ningu\u00e9m podia nos alcan\u00e7ar. Impens\u00e1vel.<\/p>\n<p>Nos cort\u00e1vamos, nos quebr\u00e1vamos um osso,  perd\u00edamos um dente e ningu\u00e9m processava ningu\u00e9m por causa desses incidentes. A culpa n\u00e3o era de ningu\u00e9m, s\u00f3 de n\u00f3s mesmos.  Compartilh\u00e1vamos uma bebida em quatro, bebendo da mesma garrafa e ningu\u00e9m morria por causa isso. N\u00e3o t\u00ednhamos Playstations, Nintendo 64, Xbox, jogos de v\u00eddeo, televis\u00e3o a cabo com 99 canais, videocassetes, som surround, telefones celulares pessoais, computadores, salas de bate-papo na Internet. T\u00ednhamos somente muitos, muitos amigos. Sa\u00edamos, and\u00e1vamos de bicicleta ou a p\u00e9 at\u00e9 a casa de um amigo,  toc\u00e1vamos a campainha s\u00f3 para ver se ele estava l\u00e1 e se podia sair. Sim! Para fora! No mundo cruel! Sem guardi\u00f5es! Costum\u00e1vamos brincar com bast\u00f5ezinhos e bolas de t\u00eanis, form\u00e1vamos equipes para jogar uma partida, nem todos eram escolhidos para jogar e os descartados n\u00e3o sofriam um trauma depois. Alguns estudantes n\u00e3o eram t\u00e3o brilhantes como outros e quando perdiam um ano, repetiam. Ningu\u00e9m ia ver um psic\u00f3logo, um psicopedagogo, ningu\u00e9m sofria de dislexia nem de problemas de aten\u00e7\u00e3o nem de hiperatividade, simplesmente algu\u00e9m daria um tapa e se repetiria de ano, porque os professores tinham sempre raz\u00e3o. T\u00ednhamos liberdade, fracassos, sucessos, responsabilidades, e aprendemos a administr\u00e1-los. Ent\u00e3o, a grande quest\u00e3o \u00e9 esta: como \u00e9 que fizemos para sobreviver, n\u00f3s, crian\u00e7as dos anos 50 e 60, para crescer e nos tornarmos adultos? &#8220;.<\/p>\n<p>Este &#8220;mantra&#8221; j\u00e1 circula h\u00e1 algumas semanas no WhatsApp. O autor, certamente, um homem de idade, \u00e9 desconhecido, como s\u00e3o quase sempre desconhecidos os autores de certas piadas rel\u00e2mpago que normalmente surgem em ambientes empregat\u00edcios de algu\u00e9m que, para n\u00e3o morrer de t\u00e9dio, d\u00e1 livre curso \u00e0 sua imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O objetivo sarcasticamente pol\u00eamico do Autor Desconhecido \u00e9 o ZeitGeist, o esp\u00edrito do tempo, alegando querer colocar tudo &#8220;sob seguran\u00e7a&#8221;, &#8220;conforme as normas&#8221;, aprovado por rigorosos protocolos. N\u00f3s j\u00e1 n\u00e3o somos capazes de aceitar o risco, o imprevis\u00edvel, o imponder\u00e1vel, o caso de que os gregos chamavam de Fado ou destino. Mas nessa pretens\u00e3o de controlar todos os aspectos da vida, acabamos por n\u00e3o viv\u00ea-la mais.<\/p>\n<p>Eu me identifico totalmente com o Autor Desconhecido que oferece uma s\u00e9rie de ideias que eu lamento n\u00e3o poder desenvolver aqui. Eu tamb\u00e9m sou &#8216;um menino dos anos 50, nossa \u201ceduca\u00e7\u00e3o sentimental\u201d aconteceu na rua e, apesar de alguns riscos e perigos, nos ensinou, entre outras coisas, uma coisa importante: o princ\u00edpio da responsabilidade (no &#8220;mantra&#8221; \u00e9 a refer\u00eancia ao menino que se quebra um osso numa briga entre gangues, ou ao repetente). Hoje, para as crian\u00e7as, ou pior, para os adultos que sejam, a culpa \u00e9 sempre dos outros, de uma inf\u00e2ncia dif\u00edcil, da escola, dos professores, das m\u00e1s companhias, do &#8220;Cosi fan tutti&#8221; (Assim fazem todos). Esse princ\u00edpio de responsabilidade que h\u00e1 tempo falhou na sociedade italiana, especialmente na classe pol\u00edtica, mas tamb\u00e9m entre as &#8220;pessoas muito normais&#8221; \u00e9 uma das raz\u00f5es principais, se n\u00e3o a principal, da nossa dificuldade de vida em conjunto.<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/111.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/111-200x300.jpg\" alt=\"-11\" width=\"200\" height=\"300\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-5636\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/111-200x300.jpg 200w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/111-36x55.jpg 36w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/111.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como conseguimos sobreviver? 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