{"id":5477,"date":"2017-07-06T17:56:53","date_gmt":"2017-07-06T17:56:53","guid":{"rendered":"http:\/\/imediata.org\/?p=5477"},"modified":"2017-07-06T17:56:53","modified_gmt":"2017-07-06T17:56:53","slug":"o-real-dasnas-imagens-a-cultura-visual-na-era-das-imagens-na-rede-por-gioacchino-toni-apresentando-o-livro-de-elio-ugenti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imediata.org\/?p=5477","title":{"rendered":"O real das\/nas imagens. A cultura visual na era das imagens na rede, por Gioacchino Toni, apresentando o livro de Elio Ugenti"},"content":{"rendered":"<p><strong><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/cinema-ugenti-immagini-rete_cover.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/cinema-ugenti-immagini-rete_cover-200x300.jpg\" alt=\"cinema-ugenti-immagini-rete_cover\" width=\"200\" height=\"300\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-5478\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/cinema-ugenti-immagini-rete_cover-200x300.jpg 200w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/cinema-ugenti-immagini-rete_cover-36x55.jpg 36w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/cinema-ugenti-immagini-rete_cover.jpg 280w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O real das\/nas imagens. A cultura visual na era das imagens na rede<\/p>\n<p>por Gioacchino Toni, apresentando o livro de Elio Ugenti em Carmilla on line 30\/06\/2017<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/www.carmillaonline.com\/2017\/06\/30\/reale-dellenelle-immagini-la-cultura-visuale-nellepoca-delle-immagini-nella-rete\">https:\/\/www.carmillaonline.com\/2017\/06\/30\/reale-dellenelle-immagini-la-cultura-visuale-nellepoca-delle-immagini-nella-rete<\/a><\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o: Mario S. Mieli<\/p>\n<p>Elio Ugenti, Immagini nella rete. Ecosistemi mediali e cultura visuale (Imagens na rede. Ecossistemas midi\u00e1ticos e cultura visual), Mimesis, Milano-Udine, 2016, 198 pp., \u20ac 18,00<\/p>\n<p>O ensaio \u2018Imagens na rede\u2019 de Elio Ugenti aprofunda a experi\u00eancia visual contempor\u00e2nea \u00e0 luz das intera\u00e7\u00f5es entre os diversos dispositivos tecnol\u00f3gicos que, al\u00e9m de envolver uma percep\u00e7\u00e3o onipresente das imagens na vida quotidiana, imp\u00f5e uma transforma\u00e7\u00e3o dessas imagens em termos  qualitativos, de onde derivam novas formas de intera\u00e7\u00e3o, uso (e reutiliza\u00e7\u00e3o) das mesmas. O ambiente da m\u00eddia contempor\u00e2nea tende a redefinir significativamente a fun\u00e7\u00e3o das imagens, impondo novas modalidades de exist\u00eancia de acordo com suas recontextualiza\u00e7\u00f5es mut\u00e1veis. <\/p>\n<p>Segundo o autor, dado o contexto contempor\u00e2neo, torna-se necess\u00e1rio considerar os novos meios visuais a partir dos processos de media\u00e7\u00e3o que ocorrem atrav\u00e9s deles. &#8220;Processos que ganham vida no cruzamento entre as possibilidades t\u00e9cnicas oferecidas pelos dispositivos e uma s\u00e9rie de fatores contextuais que afetam uma ampla gama de din\u00e2micas sociais e culturais que orbitam em torno das pr\u00e1ticas de que as imagens s\u00e3o objeto&#8221; (p. 8) . A cultura visual contempor\u00e2nea deve, portanto, ser investigada numa l\u00f3gica relacional em constante transforma\u00e7\u00e3o, que determina seu funcionamento. A an\u00e1lise sugerida por Ugenti pretende &#8220;compreender a atualiza\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de pr\u00e1ticas quotidianas que contribuem para uma transforma\u00e7\u00e3o radical dos modos de rela\u00e7\u00e3o entre as pessoas e as imagens, tornando-se parte integrante da cultura visual de nosso tempo e tamb\u00e9m favorecendo um confronto ativo e cont\u00ednuo com um patrim\u00f4nio iconogr\u00e1fico que provem de diferentes contextos de m\u00eddia anteriormente separados: cinema, televis\u00e3o, galerias de arte, jornais, revistas, etc.&#8221;(p. 9).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Young-Woman-Taking-Selfie-130862.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Young-Woman-Taking-Selfie-130862-225x300.jpg\" alt=\"Young-Woman-Taking-Selfie--130862\" width=\"225\" height=\"300\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-5479\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Young-Woman-Taking-Selfie-130862-225x300.jpg 225w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Young-Woman-Taking-Selfie-130862-768x1024.jpg 768w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Young-Woman-Taking-Selfie-130862-41x55.jpg 41w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Young-Woman-Taking-Selfie-130862.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><\/a><\/p>\n<p>No primeiro cap\u00edtulo o autor analisa criticamente os diferentes modelos de estudo que analisam a rela\u00e7\u00e3o entre o contexto sociocultural e a frui\u00e7\u00e3o\/ circula\u00e7\u00e3o das imagens. No segundo cap\u00edtulo, o autor investiga os mecanismos que regulam o movimento das imagens em rede, tentando delinear um modelo te\u00f3rico din\u00e2mico e relacional capaz de levar em conta a &#8220;coexist\u00eancia, dentro de um mesmo ambiente midi\u00e1tico, de in\u00fameras imagens e in\u00fameros indiv\u00edduos que entram em rela\u00e7\u00e3o entre si&#8221;(p. 11). No terceiro cap\u00edtulo Ugenti discute as altera\u00e7\u00f5es que ocorreram na transi\u00e7\u00e3o da era anal\u00f3gica para a digital quanto aos usos e fun\u00e7\u00f5es de fotografias de amadores e, em seguida, a interconex\u00e3o entre os dispositivos de produ\u00e7\u00e3o de imagens os dispositivos de circula\u00e7\u00e3o das mesmas. Nesta \u00faltima parte, em particular, o pesquisador analisa o aumento das possibilidades de visibilidade das imagens pessoais e a reconfigura\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea da rela\u00e7\u00e3o entre  valor cultural e valor expositivo. &#8220;A imagem ser\u00e1 aqui levada em considera\u00e7\u00e3o menos como um objeto visual puro e mais como um fen\u00f4meno social e cultural complexo, uma verdadeira imagem-ato, nas palavras de Philippe Dubois, cujas din\u00e2micas de a\u00e7\u00e3o se tornam compreens\u00edveis s\u00f3 se consideradas como parte integrante de um sistema de rela\u00e7\u00f5es interindividuais e de processos auto representativos consubstanciados \u00e0s l\u00f3gicas do ambiente midi\u00e1tico dentro do qual tomam forma&#8221;(p. 12).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/The-Last-Selfie-130875.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/The-Last-Selfie-130875-240x300.jpg\" alt=\"The-Last-Selfie--130875\" width=\"240\" height=\"300\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-5480\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/The-Last-Selfie-130875-240x300.jpg 240w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/The-Last-Selfie-130875-44x55.jpg 44w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/The-Last-Selfie-130875.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/a><\/p>\n<p>As velhas formas de frui\u00e7\u00e3o linear e consequencial parecem ter sofrido um dr\u00e1stico redimensionamento em favor de uma cultura contempor\u00e2nea em que prevalecem formas fragmentadas e n\u00e3o-lineares. &#8220;Paradoxalmente, poderia ser argumentado que o arquivo digital seja o \u00fanico meio poss\u00edvel na era p\u00f3s-m\u00eddia ou, pelo menos, quanto a algumas caracter\u00edsticas que o distinguem (fragmenta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o linearidade,  interatividade, heterogeneidade dos conte\u00fados) mais adequado para satisfazer as l\u00f3gicas que est\u00e3o na base de um aumento de volume da especificidade midi\u00e1tica, a favor de pr\u00e1ticas \u2013 espont\u00e2neas ou conceituais, vernaculares ou art\u00edsticas \u2013 que atravessam os limiares entre os diferentes meios e reconfiguram o estado dos objetos atrav\u00e9s da sua reutiliza\u00e7\u00e3o &#8220;(p. 10) .<\/p>\n<p>Segundo Ugenti, na era contempor\u00e2nea as an\u00e1lises dos elementos formais e dos significados espec\u00edficos de uma imagem, embora necess\u00e1rios, n\u00e3o s\u00e3o mais suficientes para explicar sua efic\u00e1cia; &#8220;Hoje torna-se ainda mais necess\u00e1rio avaliar o papel central da dimens\u00e3o pragm\u00e1tica da fotografia, o qual \u00e9 determinado pela inextric\u00e1vel rela\u00e7\u00e3o que liga a imagem \u00e0s a\u00e7\u00f5es que determinam a sua exist\u00eancia&#8221; (p. 132). A imagem deve ser pensada como um conjunto de um ato de produ\u00e7\u00e3o e um de recep\u00e7\u00e3o\/difus\u00e3o. &#8220;No novo universo da m\u00eddia, esses momentos generativos da imagem fotogr\u00e1fica tendem a se fundir e misturar, a tal ponto que muitas vezes a realiza\u00e7\u00e3o de uma fotografia \u00e9 pensada \u00fanica e exclusivamente em fun\u00e7\u00e3o de sua difus\u00e3o imediata por meio do mesmo dispositivo tecnol\u00f3gico&#8221; (p . 133).<\/p>\n<p>O selfie representa um caso emblem\u00e1tico disso; nele entram em jogo tanto as caracter\u00edsticas da imagem em si quanto as pr\u00e1ticas de uso imediato da imagem realizada; &#8220;na era das redes sociais a imagem deixa de ser uma pura presen\u00e7a ic\u00f4nica para se tornar um fato sociocultural, atrav\u00e9s do qual a identidade do sujeito \u00e9 colocada diretamente em jogo \u00ac\u2013 atrav\u00e9s da produ\u00e7\u00e3o e compartilhamento de imagens pessoais por um usu\u00e1rio \u2013 ou indiretamente [&#8230;] atrav\u00e9s da apropria\u00e7\u00e3o e recontextualiza\u00e7\u00e3o de conte\u00fados pr\u00e9-existentes (fotografias, imagens de filme, an\u00fancios publicit\u00e1rios, fragmentos de televis\u00e3o, videoclips de m\u00fasica) com respeito aos quais voc\u00ea deseja enfatizar uma proximidade, ou por meio dos quais se pretende delinear e expor a pr\u00f3pria identidade sociocultural &#8220;(p. 134).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/pau-de-selfie-piloto.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/pau-de-selfie-piloto-300x300.jpg\" alt=\"pau+de+selfie+piloto\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-5481\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/pau-de-selfie-piloto-300x300.jpg 300w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/pau-de-selfie-piloto-54x55.jpg 54w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/pau-de-selfie-piloto.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Historicamente, a pr\u00e1tica fotogr\u00e1fica amadora estava vinculada a ocasi\u00f5es espec\u00edficas e seu uso estava geralmente ligado a uma fun\u00e7\u00e3o familiar destinada a registrar momentos que se desejava lembrar.<\/p>\n<p>Se no passado, portanto, a posse e a exposi\u00e7\u00e3o (em escala reduzida) eram vividas como uma passagem fundamental do processo de &#8220;integra\u00e7\u00e3o&#8221; ao interior do grupo social ao qual se pertencia, hoje a absten\u00e7\u00e3o de expor (em larga escala) as pr\u00f3prias imagens pessoais \u00e9 vivida, \u00e0s vezes, como parte de um processo de n\u00e3o integra\u00e7\u00e3o. Em ambos os casos, \u00e9 evidente que a atitude do sujeito em rela\u00e7\u00e3o ao uso de suas imagens \u00e9 de alguma forma influenciado por uma s\u00e9rie de v\u00ednculos e conven\u00e7\u00f5es que dizem respeito \u00e0 esfera interindividual, que \u00e9 afetada por uma s\u00e9rie de conven\u00e7\u00f5es e restri\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 pr\u00f3pria cultura de origem (p. 145).<\/p>\n<p>Enquanto no passado a imagem pessoal tomada em ocasi\u00f5es especiais tendia a ter um valor \u00edntimo e ritual, portanto, destinada a ser exposta com modera\u00e7\u00e3o, hoje a imagem amadora pessoal deve ser relacionada dentro do novo ecossistema midi\u00e1tico, ao interior do qual circulam e proliferam tais imagens e \u00e0s din\u00e2micas socioculturais e experienciais que em tal sistema tomam forma. A exposi\u00e7\u00e3o de fotos pessoais em redes sociais, t\u00edpica do mundo contempor\u00e2neo, pode ser vista como uma restitui\u00e7\u00e3o da imagem privada ao uso p\u00fablico, atrav\u00e9s de diferentes formas ritual\u00edsticas, ligadas \u00e0s novas pr\u00e1ticas e novas din\u00e2micas de socializa\u00e7\u00e3o em rede. Segundo o autor, n\u00e3o \u00e9 raro que o ambiente das redes sociais tenda a ser percebido pelo usu\u00e1rio n\u00e3o como um espa\u00e7o p\u00fablico, mas como uma extens\u00e3o de um espa\u00e7o ainda percebido como privado.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/selfie-fail.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/selfie-fail-300x199.jpg\" alt=\"selfie-fail\" width=\"300\" height=\"199\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-5482\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/selfie-fail-300x199.jpg 300w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/selfie-fail-82x55.jpg 82w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/selfie-fail.jpg 800w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A capacidade de se poder definir a pr\u00f3pria privacidade no Facebook, optando-se por mostrar as imagens compartilhadas somente ao seu c\u00edrculo de amigos, d\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o de se agir dentro de um espa\u00e7o que \u2013 embora surpreendentemente amplo \u2013 permanece limitado e control\u00e1vel. Em outros casos, no entanto, a invas\u00e3o de um espa\u00e7o que pode ser definido como p\u00fablico \u00e9 mais evidente. Este \u00e9 o caso de compartilhamento de imagens no Twitter e \u2013 acima de tudo \u2013 no Instagram, onde o uso de hashtags parece ser o sintoma de uma escolha consciente (ou pelo menos volunt\u00e1ria) de perda total de controle de uma imagem compartilhada, muito al\u00e9m de seu c\u00edrculo de seguidores.<br \/>\nA fun\u00e7\u00e3o mn\u00e9sica e a ritualidade dom\u00e9stica tradicionalmente relacionados \u00e0 imagem privada s\u00e3o assim dominadas por uma s\u00e9rie de processos de autorrealiza\u00e7\u00e3o (principalmente no primeiro caso) e de autopromo\u00e7\u00e3o (principalmente no segundo) que p\u00f5em em jogo mais uma vez a propens\u00e3o \u00e0 revela\u00e7\u00e3o [&#8230; ]<br \/>\nO aumento desproporcional do valor expositivo da imagem implica, inevitavelmente, uma &#8220;redefini\u00e7\u00e3o de sua fun\u00e7\u00e3o com base em um impulso de autoafirma\u00e7\u00e3o ou autopromo\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria identidade, em rela\u00e7\u00e3o ao investimento afetivo a que \u2013 previsivelmente \u2013 uma boa parte da &#8220;comunidade&#8221; optar\u00e1 por tornar objeto essa imagem, e do qual derivar\u00e3o uma s\u00e9rie de feedbacks que aumentar\u00e3o o prazer do usu\u00e1rio que tenha optado pelo seu compartilhamento  (pp152- 154).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/selfie-stick-747387.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/selfie-stick-747387-300x180.jpg\" alt=\"selfie-stick-747387\" width=\"300\" height=\"180\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-5483\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/selfie-stick-747387-300x180.jpg 300w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/selfie-stick-747387-1024x615.jpg 1024w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/selfie-stick-747387-91x55.jpg 91w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/selfie-stick-747387.jpg 1082w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Na era contempor\u00e2nea a fotografia pessoal parece quebrar cada vez mais  o v\u00ednculo com a mem\u00f3ria \u00edntima do indiv\u00edduo preferindo, em vez disso, avan\u00e7ar para formas puras de auto representa\u00e7\u00e3o ou atestado de experi\u00eancia em a\u00e7\u00e3o. A referencialidade temporal da imagem parece deslizar bruscamente da contempla\u00e7\u00e3o de um passado condensado na foto \u00e0 observa\u00e7\u00e3o de um presente imediatamente compartilhado com um grande n\u00famero de pessoas&#8221;(p. 154). A imagem pessoal parece, assim,  diminuir a sua fun\u00e7\u00e3o mn\u00e9sica a favor de uma fun\u00e7\u00e3o muito mais comunicativa e experiencial.<\/p>\n<p>Elio Ugenti clarifica o alcance da mudan\u00e7a atrav\u00e9s de um exemplo comparativo entre uma imagem de fam\u00edlia do come\u00e7o dos anos sessenta sobre a celebra\u00e7\u00e3o do primeiro ano de anivers\u00e1rio de uma crian\u00e7a e uma fotografia contempor\u00e2nea publicada no Facebook, que incorpora a mesma cena de fam\u00edlia. No primeiro caso, a foto foi tirada, presumivelmente, para ser inserida em um \u00e1lbum de lembran\u00e7as para poder ser revisto numa data posterior, no segundo caso, a fotografia foi imediatamente compartilhada em redes sociais com a inten\u00e7\u00e3o de comunicar um evento em andamento revelando assim seu aproveitamento imediato. Isto n\u00e3o significa negar a oportunidade de rever a imagem e recordando a mem\u00f3ria em uma data posterior; o que acontece \u00e9 que ao lado dessa possibilidade \u00e9 adicionada, tornando-se uma prioridade, a fun\u00e7\u00e3o comunicativa. Na foto do Facebook tamb\u00e9m est\u00e3o presentes elementos de feedback paratextuais como a soma dos &#8220;like&#8221; e os coment\u00e1rios adicionados enfatizando que o uso predominante desta imagem \u00e9 mais comunicativo do que mn\u00e9sico.<\/p>\n<p>Hoje a fotografia privada, opina o autor, em compara\u00e7\u00e3o com \u00e0quela do passado, \u00e9 caracterizada pelo alto n\u00edvel de exposi\u00e7\u00e3o (pelo menos em potencial), pela diminui\u00e7\u00e3o do tempo que decorre entre realiza\u00e7\u00e3o e frui\u00e7\u00e3o da fotografia, pelo deslizamento da preserva\u00e7\u00e3o da lembran\u00e7a de uma oportunidade extra ordin\u00e1ria para a confirma\u00e7\u00e3o de uma experi\u00eancia muitas vezes bastante comum ou ordin\u00e1ria. Como mencionado, essas mudan\u00e7as n\u00e3o envolvem o cancelamento da fun\u00e7\u00e3o de preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria da fotografia e para se comprovar isso podem ser tomadas como exemplo as imagens cruas da tortura de prisioneiros iraquianos na pris\u00e3o de Abu Ghraib por militares norte-americanos. Estas fotografias que nascem como imagens privadas (confirma\u00e7\u00e3o experiencial), uma vez que escaparam do controle dos autores e foram mostradas nas m\u00eddias, adquirem uma fun\u00e7\u00e3o de den\u00fancia e preserva\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria de um evento brutal, mesmo depois um longo tempo; o uso e o grau de exposi\u00e7\u00e3o mudaram ao longo do tempo as rela\u00e7\u00f5es internas das fotografias.<\/p>\n<p>O que se aplica \u00e0s fotografias da pris\u00e3o de Abu Ghraib vale tamb\u00e9m no \u00e2mbito da vida quotidiana, sem necessariamente referir-se a imagens de interesse coletivo; al\u00e9m do objetivo imediato que leva a compartilhar uma fotografia pessoal, isso mant\u00e9m intacta ao longo do tempo a capacidade de preservar e restaurar a mem\u00f3ria do que contribui para a constru\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria privada. A fotografia permanece, mesmo na era digital, um dos principais \u201cmediated memories objects\u201d\u2013objetos de mem\u00f3rias mediadas.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/torturas_en_la_carcel_abu_ghraib___irak_.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/torturas_en_la_carcel_abu_ghraib___irak_-300x238.jpg\" alt=\"torturas_en_la_carcel_abu_ghraib___irak_\" width=\"300\" height=\"238\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-5484\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/torturas_en_la_carcel_abu_ghraib___irak_-300x238.jpg 300w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/torturas_en_la_carcel_abu_ghraib___irak_-69x55.jpg 69w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/torturas_en_la_carcel_abu_ghraib___irak_.jpg 410w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Se nas fotos privadas anal\u00f3gicas a forma\u00e7\u00e3o da identidade pessoal parecia ser um elemento secund\u00e1rio em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fun\u00e7\u00e3o mn\u00e9sica, hoje essa rela\u00e7\u00e3o tende a se reconfigurar \u00e0 luz de alguns deslizamentos respeito aos usos e fun\u00e7\u00f5es deste tipo de imagens. A estudiosa holandesa Jos\u00e9 Van Dijck (Digital Photography: Communication, Identity, Memory, 2008) ao identificar as principais mudan\u00e7as sofridas pela fotografia privada na era digital, assinala, entre outros &#8220;a transi\u00e7\u00e3o de um uso principalmente familiar da fotografia para um mais marcadamente uso individual &#8220;(p. 165).<\/p>\n<p>A circula\u00e7\u00e3o em redes sociais de fotografias pessoais, muitas vezes parece resultar de uma necessidade auto representativa, quando n\u00e3o pela constru\u00e7\u00e3o de uma identidade individual na rede, atrav\u00e9s de uma disponibilidade de revela\u00e7\u00e3o. O que as torna diferentes das antigas fotografias amadoras da era anal\u00f3gica pode ser relacionado ao &#8220;ambiente midi\u00e1tico dentro do qual essas imagens agem,  al\u00e9m das diferentes entidades de conven\u00e7\u00f5es sociais (e tamb\u00e9m &#8220;est\u00e9ticas&#8221;) \u00e0s quais se referem&#8221; (p. 167). Fazendo refer\u00eancia \u00e0 pr\u00e1tica amadora dos retratos fotogr\u00e1ficos do selfie, \u00e9 claro como isso, ao inv\u00e9s de basear-se numa s\u00e9rie de conven\u00e7\u00f5es externas que historicamente ditaram as regras de uma boa auto representa\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica (ainda que amadora), seja ela mesma a ditar as coordenadas para a cria\u00e7\u00e3o de novos modelos auto representacionais, por exemplo, legitimando a viola\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de regras formais concernentes tamb\u00e9m (e n\u00e3o somente) a realiza\u00e7\u00e3o de um retrato fotogr\u00e1fico. Dois de todos eles: a curta dist\u00e2ncia entre o sujeito e o dispositivo de disparo, e a visibilidade do bra\u00e7o estendido ao interior da imagem.<br \/>\nSeria, contudo, simplista limitar-se a constatar a moda que est\u00e1 virando esta pr\u00e1tica amadora, sem captar algumas repercuss\u00f5es interessantes no plano sociocultural e midi\u00e1tico. Se no passado, na verdade, foram as pr\u00e1ticas amadoras a absorver os modelos representacionais que nasciam no \u00e2mbito art\u00edstico [&#8230;] ou que eram assimiladas atrav\u00e9s de reportagens e de fotos de moda espalhadas pelos tabloides, hoje \u2013 por causa do elevad\u00edssimo valor de exposi\u00e7\u00e3o das imagens amadoras \u2013 parece ocorrer tamb\u00e9m o percurso inverso(p. 168).<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/selfies-gunduz-2-L-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/selfies-gunduz-2-L-1-300x298.jpg\" alt=\"selfies gunduz 2-L (1)\" width=\"300\" height=\"298\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-5485\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/selfies-gunduz-2-L-1-300x298.jpg 300w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/selfies-gunduz-2-L-1-55x55.jpg 55w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/selfies-gunduz-2-L-1.jpg 603w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>De fato, n\u00e3o faltam exemplos de celebridades que fazem uso de selfies &#8220;querendo reafirmar a centralidade da pr\u00e1tica em si, mais do que a imagem fotogr\u00e1fica que dela deriva&#8221; (p. 169). Se no passado o indiv\u00edduo comum tendia a imitar celebridades, agora o inverso tamb\u00e9m acontece: as celebridades do mundo dos esportes, do entretenimento ou da pol\u00edtica, ao fazerem selfies, pretendem brincar de ser &#8220;como comuns mortais&#8221;. O caso mais famoso \u00e9 representado por autorretratos feitos por Bradley Cooper durante a cerim\u00f4nia de premia\u00e7\u00e3o na noite do \u00d3scar em 2014, e que se tornou a imagem mais comum da hist\u00f3ria da rede social.<\/p>\n<p>Esse exemplo se torna ainda mais interessante quando se pensa no fato de que o uso de uma pr\u00e1tica t\u00e3o simples, nascida no mundo amador, tornou-se um potent\u00edssimo meio de promo\u00e7\u00e3o para um dos eventos mais importantes do mundo e, contemporaneamente, como se sabe, por um gigante mundial do setor da tecnologia, como a Samsung, que se mostrou a verdadeira idealizadora desta campanha publicit\u00e1ria mamute toda ela baseada na familiaridade de um simples gesto.<br \/>\nA escolha de uma forma ideal de compartilhamento do pr\u00f3prio eu na rede atrav\u00e9s da imagem fotogr\u00e1fica levou ao longo do tempo ao surgimento n\u00e3o s\u00f3 de uma est\u00e9tica auto representacional espec\u00edfica, como tamb\u00e9m de uma ret\u00f3rica que est\u00e1 subjacente \u00e0 necessidade de comunicar atrav\u00e9s de uma forma bem precisa, socialmente compartilhada e imediatamente reconhec\u00edvel (pp. 169-170).<\/p>\n<p>O exemplo do selfie como uma nova pr\u00e1tica auto representativa, serve para que Ugenti destaque como, com o objetivo de compreender os fen\u00f4menos constituintes da cultura visual atual, seja necess\u00e1rio evitar-se de cair na armadilha do &#8220;determinismo tecnol\u00f3gico&#8221; e de que \u00e9 essencial avaliar os fatores contextuais. Para um estudo v\u00e1lido do universo visual contempor\u00e2neo \u00e9 preciso saber investigar, em sua interse\u00e7\u00e3o e sua constante mudan\u00e7a, tanto os aspectos tecnol\u00f3gicos quanto as mudan\u00e7as sociais, culturais e midi\u00e1ticas.<\/p>\n<p><\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/selfiecompoliciais.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/selfiecompoliciais-300x198.jpg\" alt=\"selfiecompoliciais\" width=\"300\" height=\"198\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-5486\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/selfiecompoliciais-300x198.jpg 300w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/selfiecompoliciais-83x55.jpg 83w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/selfiecompoliciais.jpg 320w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O real das\/nas imagens. A cultura visual na era das imagens na rede por Gioacchino Toni, apresentando o livro de Elio Ugenti em Carmilla on line 30\/06\/2017 Fonte: https:\/\/www.carmillaonline.com\/2017\/06\/30\/reale-dellenelle-immagini-la-cultura-visuale-nellepoca-delle-immagini-nella-rete Tradu\u00e7\u00e3o: Mario S. Mieli Elio Ugenti, Immagini nella rete. Ecosistemi mediali e cultura visuale (Imagens na rede. 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