{"id":4851,"date":"2014-01-23T01:05:49","date_gmt":"2014-01-23T01:05:49","guid":{"rendered":"http:\/\/imediata.org\/?p=4851"},"modified":"2014-01-23T01:52:53","modified_gmt":"2014-01-23T01:52:53","slug":"amores-insolitos-56-amar-a-memoria-carta-ao-meu-querido-netinho-por-umberto-eco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imediata.org\/?p=4851","title":{"rendered":">> Amores Ins\u00f3litos 56: amar a mem\u00f3ria &#8211; Carta ao meu querido netinho, por Umberto Eco"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/folon1.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/folon1.jpeg\" alt=\"folon1\" width=\"191\" height=\"264\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4853\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/folon1.jpeg 191w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/folon1-39x55.jpeg 39w\" sizes=\"auto, (max-width: 191px) 100vw, 191px\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Carta ao meu querido netinho<\/p>\n<p>Por: Umberto Eco<br \/>\nFonte: <a href=\"http:\/\/espresso.repubblica.it\/visioni\/2014\/01\/03\/news\/umberto-eco-caro-nipote-studia-a-memoria-1.147715 \">L\u2019espresso de 03\/01\/2014<\/a><br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o: Mario S. Mieli<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/Hetty-Verolme-Bruno-Schulz-la-giornata-della-memoria-raccontata-ai-ragazzi_h_partb.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/Hetty-Verolme-Bruno-Schulz-la-giornata-della-memoria-raccontata-ai-ragazzi_h_partb.jpg\" alt=\"Hetty-Verolme-Bruno-Schulz-la-giornata-della-memoria-raccontata-ai-ragazzi_h_partb\" width=\"638\" height=\"382\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4854\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/Hetty-Verolme-Bruno-Schulz-la-giornata-della-memoria-raccontata-ai-ragazzi_h_partb.jpg 638w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/Hetty-Verolme-Bruno-Schulz-la-giornata-della-memoria-raccontata-ai-ragazzi_h_partb-300x179.jpg 300w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/Hetty-Verolme-Bruno-Schulz-la-giornata-della-memoria-raccontata-ai-ragazzi_h_partb-91x55.jpg 91w\" sizes=\"auto, (max-width: 638px) 100vw, 638px\" \/><\/a><\/p>\n<p>N\u00e3o gostaria de que esta carta natal\u00edcia soasse demais \u00e0 la De Amicis1 e que  exibisse conselhos sobre o amor pelos nossos similares, pela p\u00e1tria, pelo mundo e coisas desse tipo. Voc\u00ea n\u00e3o os ouviria e, na hora de coloc\u00e1-los em pr\u00e1tica (voc\u00ea adulto e eu trespassado), o sistema de valores ter\u00e1 mudando tanto que, provavelmente, as minhas recomenda\u00e7\u00f5es resultariam datadas.   <\/p>\n<p>Assim, gostaria de me deter em uma \u00fanica recomenda\u00e7\u00e3o, que voc\u00ea poder\u00e1 por em pr\u00e1tica at\u00e9 agorinha mesmo, enquanto navega com o seu iPad; nem comentarei o erro de desaconselhar  voc\u00ea de us\u00e1-lo, n\u00e3o tanto porque eu poderia parecer um av\u00f4 lel\u00e9 da cuca, como porque eu tamb\u00e9m fa\u00e7o isso. Quando muito posso aconselhar, caso voc\u00ea caia numa das centenas de sites porn\u00f4 que mostram a rela\u00e7\u00e3o entre dois seres humanos, ou entre um ser humano e um animal, de mil maneiras, para que procure n\u00e3o acreditar que o sexo seja aquilo, entre outras coisas, bastante mon\u00f3tono, porque se trata de uma encena\u00e7\u00e3o para for\u00e7\u00e1-lo a n\u00e3o sair de casa e olhar para as garotas de verdade. Parto do princ\u00edpio que voc\u00ea seja heterossexual, se n\u00e3o for assim, adapte minhas recomenda\u00e7\u00f5es ao seu caso espec\u00edfico: mas olhe as garotas, na escola ou onde voc\u00ea vai brincar, porque s\u00e3o bem melhor as verdadeiras do que aquelas da televis\u00e3o, e um dia lhe trar\u00e3o maiores satisfa\u00e7\u00f5es do que aquelas online. Acredite em quem tem mais experi\u00eancia que voc\u00ea (que se tivesse assistido s\u00f3 ao sexo no computador, seu pai n\u00e3o teria nascido nunca, e voc\u00ea, quem sabe onde voc\u00ea estaria, ali\u00e1s, voc\u00ea n\u00e3o estaria). <\/p>\n<p>Todavia n\u00e3o \u00e9 disso que eu queria falar, mas de uma doen\u00e7a que atingiu a sua gera\u00e7\u00e3o e at\u00e9 a gera\u00e7\u00e3o dos rapazes mais velhos que voc\u00ea, que talvez j\u00e1 frequentem a universidade: a perda da mem\u00f3ria.<br \/>\n\u00c9 verdade que se lhe ocorrer o desejo de saber quem tenha sido Carlos Magno ou onde se encontre Kuala Lumpur, \u00e9 suficiente pressionar uma tecla para que a Internet lhe revele rapidinho o que estiver procurando. Fa\u00e7a isso quando for o caso, mas depois de ter feito isso, procure lembrar o que lhe foi dito para n\u00e3o ser obrigado a procurar uma segunda vez, caso tenha uma necessidade urgente de saber, talvez devido a uma pesquisa escolar. O risco \u00e9 que, como voc\u00ea pensa que o seu computador poder\u00e1 lhe revelar o dado a qualquer instante, voc\u00ea acabe perdendo o gosto de manter a informa\u00e7\u00e3o na cabe\u00e7a. Seria um pouco como se, tendo aprendido que para ir da Rua Tal \u00e0 Rua Tal de Tal, h\u00e1 o \u00f4nibus ou o metr\u00f4 que lhe permitem se deslocar sem canseira (o que \u00e9 muito c\u00f4modo, e n\u00e3o hesite em faz\u00ea-lo,  caso tenha pressa), voc\u00ea pense que, desse modo, n\u00e3o precisa mais andar. Mas se voc\u00ea n\u00e3o andar o suficiente, voc\u00ea se torna, depois, \u201cdiferentemente habilitado\u201d, como se diz hoje em dia, para indicar quem \u00e9 for\u00e7ado a se deslocar em cadeira de rodas. Tudo bem, sei que voc\u00ea faz esportes e que, portanto, sabe mexer o corpo, mas voltemos ao c\u00e9rebro. <\/p>\n<p>A mem\u00f3ria \u00e9 um m\u00fasculo igual \u00e0quele das pernas, se voc\u00ea n\u00e3o o exercitar ele murcha e voc\u00ea se torna (do ponto de vista mental) diferentemente h\u00e1bil, ou seja, (falemos claro), um idiota. Al\u00e9m disso, como para todos existe o risco de, ao envelhecer, contrair o Alzheimer, um dos modos de se evitar esse desagrad\u00e1vel incidente \u00e9 o de exercitar sempre a mem\u00f3ria. <\/p>\n<p>Eis aqui a minha dieta. A cada manh\u00e3, aprenda um qualquer verso, ou uma breve poesia&#8230; [&#8230;]. Ou talvez aposte com os amigos para ver quem consegue se lembrar melhor. Se n\u00e3o gostar de poesia, fa\u00e7a-o com as forma\u00e7\u00f5es dos times de futebol, mas cuidado! n\u00e3o \u00e9 preciso saber apenas quem s\u00e3o os jogadores do Roma de hoje, mas tamb\u00e9m aqueles de outros times e, talvez, os do passado tamb\u00e9m (eu, por exemplo, me lembro da forma\u00e7\u00e3o do time do Torino quando o avi\u00e3o no qual os jogadores viajavam se estatelou em Superga com todos os jogadores a bordo: Bacigalupo, Ballarin, Maroso, etcetera). Fa\u00e7a competi\u00e7\u00f5es de mem\u00f3ria, talvez sobre livros que leu (quem estava a bordo do Hispaniola em busca da ilha do tesouro? Lord Trelawney, o capit\u00e3o Smollet, o doutor Livesey, Long John Silver, Jim\u2026) Veja se os seus amigos se lembrar\u00e3o de quem eram os dom\u00e9sticos dos tr\u00eas mosqueteiros e de D\u2019Artagnan (Grimaud, Bazin, Mousqueton e Planchet)\u2026 E se n\u00e3o quiser ler \u201cOs tr\u00eas mosqueteiros\u201d (e nesse caso voc\u00ea nem imagina o que ter\u00e1 perdido), exercite-se, sei l\u00e1, com uma das hist\u00f3rias que leu. <\/p>\n<p>Parece um jogo (e \u00e9 um jogo), mas voc\u00ea ver\u00e1 como sua cabe\u00e7a se povoar\u00e1 de personagens, de hist\u00f3rias, de lembran\u00e7as de todos os tipos. Voc\u00ea se ter\u00e1 perguntado por que os computadores se chamavam, em certa \u00e9poca, de c\u00e9rebros eletr\u00f4nicos: \u00e9 porque foram concebidos com base no modelo do seu (do nosso) c\u00e9rebro, mas o nosso c\u00e9rebro tem mais conex\u00f5es do que um computador, \u00e9 uma esp\u00e9cie de computador que voc\u00ea carrega dentro de si, e que cresce e se fortalece com o exerc\u00edcio, ao passo que o computador que voc\u00ea tem sobre a mesa, quanto mais voc\u00ea o utiliza, tanto mais ele perde velocidade, e depois de poucos anos voc\u00ea precisar\u00e1 troc\u00e1-lo. Em vez disso, hoje o seu c\u00e9rebro pode durar at\u00e9 noventa anos e aos noventa anos (se voc\u00ea o tiver exercitado) lembrar\u00e1 de mais coisas do que voc\u00ea se lembra agora. E gr\u00e1tis.  <\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m a mem\u00f3ria hist\u00f3rica, aquela que n\u00e3o diz respeito aos fatos da sua vida ou \u00e0s coisas que voc\u00ea leu, mas \u00e0quilo que aconteceu antes de voc\u00ea ter nascido.  <\/p>\n<p>Hoje, quando voc\u00ea vai ao cinema, precisa entrar num hor\u00e1rio determinado, quando o filme come\u00e7a, e assim que come\u00e7a, algu\u00e9m lhe pega a m\u00e3o \u2013 \u00e9 um modo de dizer \u2013 e lhe conta o que est\u00e1 acontecendo. Na minha \u00e9poca, podia-se entrar no cinema em qualquer momento, mesmo que o filme j\u00e1 estivesse pela metade, chegava-se enquanto estavam acontecendo algumas coisas e procurava-se entender o que tinha acontecido antes (depois, quando o filme recome\u00e7ava na sess\u00e3o seguinte, pod\u00edamos ver se t\u00ednhamos entendido tudo \u2013 e se tiv\u00e9ssemos gostado do filme, pod\u00edamos ficar e rever tamb\u00e9m a parte que j\u00e1 t\u00ednhamos visto). \u00c9 isso a\u00ed, a vida \u00e9 como um filme da minha \u00e9poca. N\u00f3s entramos na vida quando muitas coisas j\u00e1 aconteceram, h\u00e1 centenas de milhares de anos, e \u00e9 importante aprender o que aconteceu antes de termos nascido; serve para entender melhor porque hoje acontecem muitas coisas novas. <\/p>\n<p>Hoje a escola (al\u00e9m de suas leituras pessoais) deveria ensinar a memorizar aquilo que aconteceu antes de voc\u00ea ter nascido, mas podemos ver que ela n\u00e3o cumpre direito esse papel, porque v\u00e1rias pesquisas nos revelam que os rapazes de hoje, mesmo aqueles que j\u00e1 frequentam a Universidade, se nasceram, por acaso, em 1990, n\u00e3o sabem (e talvez n\u00e3o queiram saber) o que aconteceu em 1980 (e n\u00e3o vamos nem falar do que aconteceu h\u00e1 cinquenta anos). As estat\u00edsticas nos dizem que se perguntarmos aos alunos quem foi Aldo Moro, respondem que era o chefe das Brigadas Vermelhas \u2013 ao passo que ele foi assassinado pelas Brigadas Vermelhas.  <\/p>\n<p>N\u00e3o falamos das Brigadas Vermelhas, elas permanecem algo misterioso para muitos, embora tenham sido o presente h\u00e1 pouco mais de trinta anos. Eu nasci em 1932, dez anos depois da chegada do fascismo ao poder, mas sabia at\u00e9 quem era o primeiro ministro nos tempos da Marcha sobre Roma (o que \u00e9 isso, mesmo?). Talvez a escola fascista tinha me explicado isso com o objetivo de me mostrar como era est\u00fapido e malvado aquele ministro (o \u201cimbelle Facta\u201d) que os fascistas tinham substitu\u00eddo. Tudo bem, mas pelo menos eu fiquei sabendo disso. E depois, escola \u00e0 parte, um rapaz de hoje n\u00e3o sabe quem eram as atrizes do cinema de vinte anos atr\u00e1s, ao passo que eu sabia quem era Francesca Bertini, que atuava nos filmes do cinema mudo vinte anos antes do meu nascimento. Talvez porque eu folheasse velhas revistas juntadas no por\u00e3o de nossa casa, mas por isso mesmo, quero convid\u00e1-lo a que folheie velhas revistas porque \u00e9 uma maneira de aprender o que acontecia antes de voc\u00ea ter nascido.   <\/p>\n<p>Mas por que \u00e9 assim t\u00e3o importante saber o que aconteceu antes? Porque, muitas vezes, o que aconteceu antes ajuda a explicar certas coisas que acontecem hoje e, de todo jeito, como para as forma\u00e7\u00f5es dos jogadores de futebol, \u00e9 um modo de enriquecer a nossa mem\u00f3ria. <\/p>\n<p>Veja bem que isso n\u00e3o precisa ser feito s\u00f3 atrav\u00e9s de livros e revistas, mas tamb\u00e9m pela Internet. Que deve ser usada n\u00e3o s\u00f3 para bate-papo com os seus amigos, mas tamb\u00e9m para papear (\u00e9 s\u00f3 um modo de dizer) com a hist\u00f3ria do mundo. Quem eram os hititas? E os \u201ccamisards\u201d? E como se chamavam as tr\u00eas caravelas de Colombo? Quando desapareceram os dinossauros? A arca de No\u00e9 podia ter um tim\u00e3o? Como se chamava o antepassado do boi? Existiam mais tigres h\u00e1 cem anos do que hoje em dia?  O que era o Imp\u00e9rio do Mali? E quem falava, por sua vez, do Imp\u00e9rio do Mal? Quem foi o segundo papa da hist\u00f3ria? Quando apareceu o Mickey Mouse?  <\/p>\n<p>Poderia continuar ao infinito, e seriam todas belas aventuras de pesquisa. E tudo para ser lembrado. Vir\u00e1 o dia em que voc\u00ea ficar\u00e1 velho e se sentir\u00e1 como se tivesse vivido mil vidas, porque ser\u00e1 como se voc\u00ea tivesse estado presente na batalha de Waterloo, tivesse assistido ao assassinato de J\u00falio C\u00e9sar e estivesse a pouca dist\u00e2ncia do lugar em que Berthold der Schwartzer (Bertoldo, o Negro), misturando subst\u00e2ncias em um pil\u00e3o para achar a maneira de fabricar o ouro, descobriu por acaso a p\u00f3lvora, que o fez explodir no ar (e bem feito para ele). Outros amigos seus que, ao contr\u00e1rio, n\u00e3o ter\u00e3o cultivado a mem\u00f3ria, ter\u00e3o vivido apenas uma vida, a deles, que dever\u00e1 ter sido bastante melanc\u00f3lica e pobre de grandes emo\u00e7\u00f5es.  <\/p>\n<p>Cultive a mem\u00f3ria, portanto, e a partir de amanh\u00e3, procure decorar, nem que seja \u201cBatatinha quando nasce\u201d&#8230;2<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/12043288.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/12043288.jpg\" alt=\"12043288\" width=\"454\" height=\"500\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4855\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/12043288.jpg 454w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/12043288-272x300.jpg 272w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/12043288-49x55.jpg 49w\" sizes=\"auto, (max-width: 454px) 100vw, 454px\" \/><\/a><br \/>\n.<br \/>\nNotas do tradutor:<br \/>\n1. Umbero Eco se refere aqui ao escritor Edmondo de Amicis e seu famoso romance \u201cCuore\u201d (Cora\u00e7\u00e3o), publicado pela primeira vez em 1886 e leitura obrigat\u00f3ria de todas as crian\u00e7as italianas desde ent\u00e3o. O livro visava ensinar as virtudes civis aos jovens de uma It\u00e1lia rec\u00e9m unificada: o amor pela p\u00e1tria, o respeito pelas autoridades e pelos pais, o esp\u00edrito de sacrif\u00edcio, o hero\u00edsmo, a caridade, a piedade, a obedi\u00eancia, etc..<br \/>\n2. No texto original, Eco se refere \u00e0 \u201cLa Vispa Teresa\u201d, famosa poesia italiana do s\u00e9culo XIX para crian\u00e7as, tamb\u00e9m conhecida como \u201cA borboletinha\u201d. <\/p>\n<p><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carta ao meu querido netinho Por: Umberto Eco Fonte: L\u2019espresso de 03\/01\/2014 Tradu\u00e7\u00e3o: Mario S. Mieli N\u00e3o gostaria de que esta carta natal\u00edcia soasse demais \u00e0 la De Amicis1 e que exibisse conselhos sobre o amor pelos nossos similares, pela p\u00e1tria, pelo mundo e coisas desse tipo. 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