{"id":4405,"date":"2013-12-15T19:19:18","date_gmt":"2013-12-15T19:19:18","guid":{"rendered":"http:\/\/imediata.org\/?p=4405"},"modified":"2013-12-15T21:46:19","modified_gmt":"2013-12-15T21:46:19","slug":"o-grito-de-dario-fo-genova-1122013","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imediata.org\/?p=4405","title":{"rendered":">> O GRITO DE DARIO FO, Genova, 1\/12\/2013"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/mqdefault6.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/mqdefault6.jpg\" alt=\"mqdefault\" width=\"320\" height=\"180\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4407\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/mqdefault6.jpg 320w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/mqdefault6-300x168.jpg 300w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/mqdefault6-97x55.jpg 97w\" sizes=\"auto, (max-width: 320px) 100vw, 320px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O Grito de Dario Fo, G\u00eanova, 1\/12\/2013<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"\/\/www.youtube.com\/embed\/_lTwlfn1qHI\" frameborder=\"0\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Transcri\u00e7\u00e3o traduzida do discurso: Mario S. Mieli<\/p>\n<p>Estou muito feliz de estar aqui&#8230;<\/p>\n<p>Eu gostaria de desenvolver frente a voc\u00eas, nesta noite, por extenso, um discurso sobre a cultura e o seu valor numa sociedade civil, coisa a que j\u00e1 no come\u00e7o, acenou o Beppe [Grillo]. Espero conseguir, apesar desse vento todo&#8230;<\/p>\n<p>Os grandes especialistas mundiais em economia, desde o come\u00e7o da crise internacional que estamos vivendo, denunciaram com grande vigor que a enorme cat\u00e1strofe que nos derrubou de joelhos \u00e9 resultado de uma verdadeira fraude combinada atrav\u00e9s da utiliza\u00e7\u00e3o dos chamados derivados e dos t\u00edtulos podres. Como demonstra\u00e7\u00e3o dessa chacina vimos, alguns anos atr\u00e1s, da Am\u00e9rica, um programa no qual se mostravam milhares de empregados com suas pap\u00e9is enfiados em arquivos de papel\u00e3o, que estavam sendo despedidos dos institutos de cr\u00e9dito que tinham falido. <\/p>\n<p>A onda mal\u00e9fica, depois, nos alcan\u00e7ou, apresentada em outros termos, mas com as mesmas pr\u00e1ticas fraudulentas. Todos os nossos governantes, que se sucederam nos \u00faltimos anos, nos falaram com o cora\u00e7\u00e3o \u201cdespeda\u00e7ado pela dor e pelos sacrif\u00edcios\u201d que todos, repito: TODOS os italianos deveriam, \u201cequanimemente\u201d, como dizia o Professor Monti, ricos e pobres, abastados ou vestidos com trapos, teriam que suportar, para podermos nos salvar do abismo no qual estava caindo toda a na\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E foi a\u00ed que aconteceu a maior, repito: a MAIOR  fraude financeira, a mais implac\u00e1vel, que podia ter acontecido. Quem \u00e9 que pagou e continua pagando essa d\u00edvida, tirando do pr\u00f3prio bolso at\u00e9 o \u00faltimo dinheiro? S\u00f3 os oper\u00e1rios, os pequenos poupadores, os empregados, as mulheres, os jovens, os aposentados. Roubar os deserdados para salvar quem? Quem? A na\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>N\u00c3O!!! OS BANCOS. E AS MULTINACIONAIS. OS ESPECULADORES, OS ESPERTINHOS FICARAM ILESOS. <\/p>\n<p>E at\u00e9 tiraram vantagem, multiplicando seu capital escondido aqui e ali, em todos os para\u00edsos fiscais. Agora est\u00e1 claro. O PARA\u00cdSO \u00c9 S\u00d3 PARA OS PODEROSOS E OS RUFI\u00d5ES. Daqui uns dias isso vai ser dito at\u00e9 pelo nosso bem amado Papa Francisco. E n\u00f3s, maravilhados com toda essa falta de vergonha do poder econ\u00f4mico, fazemos o qu\u00ea?<\/p>\n<p>Ficamos com a boca escancarada, emitindo, de vez em quando algum gemido cl\u00e1ssico dos fodidos desde sempre?<\/p>\n<p>N\u00c3O! POR DEUS!!!<\/p>\n<p>Sem contar que as coisas nem sempre foram assim. Houve um tempo em que frente \u00e0s opress\u00f5es e as roubalheiras, reag\u00edamos, e como! Come\u00e7ando pela \u00e9poca, antiga, na qual foram fundados os munic\u00edpios [\u201ccomune\u201d em italiano], h\u00e1 cerca de mil anos atr\u00e1s. Naquela \u00e9poca, ser um pol\u00edtico n\u00e3o era profiss\u00e3o para os astuciosos. MAS UM DIREITO E UM DEVER PARA CADA UM. Os respons\u00e1veis das rep\u00fablicas livres, na It\u00e1lia, davam muita import\u00e2ncia ao conhecimento e, portanto, \u00e0s bibliotecas, \u00e0s universidades e \u00e0s academias. <\/p>\n<p>As subven\u00e7\u00f5es para sustentar a cultura eram outorgadas em abund\u00e2ncia, at\u00e9 mesmo mais tarde, na \u00e9poca das senhorias, com os pr\u00edncipes, os duques. A vital necessidade da arte e do saber tinha entrado t\u00e3o profundamente no esp\u00edrito de cada um, que ningu\u00e9m podia fazer a menos. Assim que hoje, a It\u00e1lia, gra\u00e7as \u00e0quele antigo amor pela beleza e pelo saber, preserva um enorme patrim\u00f4nio cultural. Desfrutamos de uma enorme quantidade de obras-primas, monumentos, bibliotecas que, por\u00e9m, temos dificuldades em manter ativas e podermos gerenci\u00e1-las. Pelo contr\u00e1rio, os abandonamos, deixamos ir tudo pro espa\u00e7o. Cada dia cai alguma coisa. Mas como \u00e9 que os nossos dirigentes, exceto ultimamente, o nosso caim\u00e3o preferido, nunca caem? S\u00e3o despejados, sim, mas com b\u00f4nus de maraj\u00e1s.<\/p>\n<p>Vou com frequ\u00eancia ao exterior para montar espet\u00e1culos e pe\u00e7as e encontro muitos jovens italianos obrigados a emigrar para universidades de outros pa\u00edses para poderem aumentar os pr\u00f3prios conhecimentos. Esses jovens precisam aguentar grandes sacrif\u00edcios, aprender uma nova l\u00edngua, aceitar trabalhos pesados e mal remunerados, como a limpeza noturna de escrit\u00f3rios, ou aceitarem trabalhos como gar\u00e7ons e carregadores. Tudo para conseguir pagar os pr\u00f3prios estudos. Al\u00e9m de tudo, uma vez terminado o percurso de sua forma\u00e7\u00e3o, encontram facilmente trabalho em empresas estrangeiras, de forma que n\u00e3o lhes conv\u00e9m voltar para a It\u00e1lia. <\/p>\n<p>Assim, como se n\u00e3o bastasse, perdemos um n\u00famero incr\u00edvel de talentos, que teriam significado um bem inestim\u00e1vel para o nosso pa\u00eds e para a nossa economia. Mas como \u00e9 que chegamos a esse n\u00edvel? <\/p>\n<p>\u00c9 simples. Os respons\u00e1veis culturais dos v\u00e1rios governos que se sucederam no comando da It\u00e1lia, acharam cada vez menos importante  investir em cultura e em arte. De fato, quando um governo nomeia um ministro da cultura, quem escolhem? Sempre pessoas incapazes. <\/p>\n<p>E, sobretudo, pessoas in\u00fateis, que ningu\u00e9m sabe onde coloc\u00e1-las. Onde colocamos esse imbecil do Calvo? Na cultura, naturalmente, assim nos livramos dele.<\/p>\n<p>Um de nossos ministros da Economia, um certo Tremonti, que com prosopopeia declarou: com a cultura n\u00e3o se come. UMA IMBECILIDADE, PARA DIZER POUCO, GAL\u00c1CTICA. <\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio, justamente nessas \u00faltimas semanas o governo franc\u00eas, repito: o governo franc\u00eas declarou que o \u00e2mbito em que a economia se encontra em maior vantagem, naquela na\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 mais a ind\u00fastria automobil\u00edstica, j\u00e1 que ela foi suplantada de muito pela gest\u00e3o dos bens culturais. Isso acontece quando uma na\u00e7\u00e3o \u00e9 consciente do extraordin\u00e1rio potencial que se encontra no saber.<\/p>\n<p>E n\u00f3s? Como podemos ser t\u00e3o desinformados e ineptos? De onde vem esse colapso? Nesses \u00faltimos anos assistimos a, e participamos de um n\u00famero enorme de elei\u00e7\u00f5es regionais, municipais, provinciais. E em nenhuma dessas campanhas tivemos a chance de encontrar um s\u00f3 pol\u00edtico profissional que tratasse com seriedade a quest\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o, do saber e da escola. NUNCA!<\/p>\n<p>Como dizem hoje todos os oradores que tratam de pol\u00edtica, FALA-SE EXCLUSIVAMENTE PARA A BARRIGA DOS ELEITORES. A BARRIGA, N\u00c3O AO C\u00c9REBRO. O pensamento \u00e9 um opcional que conta pouco. Al\u00e9m de tudo, indo ao exterior, percebemos que a nossa reputa\u00e7\u00e3o em todos os pa\u00edses da Europa e da Am\u00e9rica, diminui substancialmente. Quando sabem que somos italianos, contam piadas ir\u00f4nicas sobre a nossa situa\u00e7\u00e3o financeira e, sobretudo, pol\u00edtica, sobre a nossa credibilidade moral, ridicularizam nossos governantes e falta pouco para que sejamos tratados de charlat\u00e3es sem dignidade nem coragem civil. E n\u00f3s, diante desse desprezo, n\u00e3o sabemos como lidar com isso. MAS O QUE ACONTECEU? O QUE ACONTECEU?<\/p>\n<p>\u00c9 claro. Enterramos a nossa mem\u00f3ria. E com ela, o tempo da dignidade, do orgulho. Os estrangeiros, antigamente, se poupavam de nos desprezar, j\u00e1 que vinham aqui para neg\u00f3cios e para visitar nossas cidades, elogiadas por todos pela arquitetura, pelo estilo inimit\u00e1vel, pelos jardins, pelo estado das \u00e1guas, com os canais, pelos rios naveg\u00e1veis por quil\u00f4metros e quil\u00f4metros. Grupos imensos de estudantes vinham estudar em nossas universidades de enorme prest\u00edgio, para aprender ci\u00eancias, filosofia e arte. \u00c9ramos mestres em cada disciplina, como dizia Jacques Magnier(?) \u2013 lembrem-se disso \u2013 ele nos dedicou um texto titulado La Le\u00e7on des Italiens \u2013 esses italianos geniais \u00e9ramos n\u00f3s. <\/p>\n<p>A chamada Mec\u00e2nica tinha chegado, em nossos estaleiros, a n\u00edveis extraordin\u00e1rios. Constru\u00edamos empregando maquin\u00e1rios concebidos por n\u00f3s mesmos, tanto na ind\u00fastria da constru\u00e7\u00e3o como na naval. C\u00e9lebres eram nossos navegadores, ou melhor, nossos capit\u00e3es de naves, descobridores de terras que at\u00e9 hoje carregam seus nomes. Os arsenais de Veneza e de G\u00eanova, eram capazes de construir uma inteira frota de navios em poucos meses, usando a t\u00e9cnica de assemblagem da embarca\u00e7\u00e3o diretamente no local onde se cortava a madeira, ou seja, nas montanhas, onde se montavam as naves e de onde as desciam at\u00e9 o mar atrav\u00e9s de rios e canais. Infelizmente, \u00e9ramos tamb\u00e9m os melhores fabricantes de armas de guerra, canh\u00f5es e espingardas. Mas nosso n\u00edvel mais alto era a arte de construir eclusas, para regular o escorrer das \u00e1guas, instrumentos musicais, dos \u00f3rg\u00e3os de 20 tubos \u00e0s guitarras de 5 cordas. Recentemente, na China, foi encontrado um ala\u00fade constru\u00eddo na It\u00e1lia, no s\u00e9c. XIV. E igualmente, \u00e9ramos capazes de usar maravilhosamente aqueles instrumentos, eram compostas melodias l\u00edricas para serem cantadas, eram encenadas \u00f3peras bufas, tr\u00e1gicas, com numerosos int\u00e9rpretes, seja cantores que m\u00fasicos. Os estrangeiros tamb\u00e9m, que se inspiravam nas nossas \u00f3peras, costumavam cantar no nosso idioma, em italiano. Mas tamb\u00e9m os teatros eram constru\u00eddos pelos nossos arquitetos. Espa\u00e7os onde a ac\u00fastica era perfeita podendo conter pontos e contrapontos executados por coros de 50 pessoas em conjunto. Viajando-se por pa\u00edses como a R\u00fassia, a Irlanda, a Su\u00e9cia, a Finl\u00e2ndia, n\u00e3o paramos de descobrir teatros e pal\u00e1cios constru\u00eddos por mestres italianos, tanto que a Rainha Elizabeth da Inglaterra, a primeira, nos tempos de Shakespeare gritou, chateada: Chega com esses italianos! Parece que inventaram tudo eles. <\/p>\n<p>Na verdade, est\u00e1vamos mesmo exagerando, invent\u00e1vamos poesias de amor, s\u00e1tiras, \u00e9ramos pintores. S\u00f3 na cidade de Floren\u00e7a, o n\u00famero de artistas nos ateli\u00eas era t\u00e3o grande como o de toda a Fran\u00e7a. Dizem que os mercadores das Flandres, que vinham \u00e0 It\u00e1lia para vender seus tecidos, preferiam voltar n\u00e3o com dinheiro, mas com \u00f3leos sobre tela, enrolados em tubos. As moedas de ouro eram mais pesadas que as telas, e sobretudo, aqueles rolos segurados sob as axilas n\u00e3o chamavam a aten\u00e7\u00e3o dos ladr\u00f5es, que n\u00e3o tinham ideia do que fosse a arte. Exatamente como hoje, os nossos administradores. <\/p>\n<p>Mas como \u00e9 poss\u00edvel? Como \u00e9 poss\u00edvel? Remontar para essa \u00e9poca, a nossa idade de ouro e da dignidade? Como foi que aconteceu que tenha se desmoronado subitamente? Quem nos empurrou nesse abismo? Talvez a m\u00e1 sorte? Ou os melhores entre n\u00f3s se foram para outros continentes? Ou houve uma metamorfose gen\u00e9tica do nosso DNA? Assim, de mestres que \u00e9ramos fomos transformados em charlat\u00e3es, ou talvez tenha sido O IGN\u00d3BIL CINISMO COM QUE ACEITAMOS, ou melhor, ACEITARAM NOSSOS GOVERNANTES de conviver com A PIOR CRIMINALIDADE ORGANIZADA DE TODO O PLANETA?  A M\u00e1fia, a Camorra, a N\u2019dranghetta, assistindo muitas vezes, indiferentes, ao sacrif\u00edcio dos magistrados e representantes das for\u00e7as da ordem que ca\u00edam sob as ordens daqueles criminosos, enquanto tentavam denunci\u00e1-los. <\/p>\n<p>E A CHANTAGEM ORGANIZADA POR CERTOS APARATOS INDUSTRIAIS? Que com o escopo de obter lucros, deslocam para outros pa\u00edses, como se fossem pe\u00f5es da t\u00f4mbola da morte, as empresas que nasceram aqui gra\u00e7as aos financiamentos estatais, ou seja, dos nossos contribuintes. Ou ser\u00e3o talvez aquelas outras ind\u00fastrias, como  a ILVA de Taranto, QUE LUCRAM COM O DESESPERO DOS OPER\u00c1RIOS, os quais precisam ESCOLHER ENTRE MORRER DE FOME POR CAUSA DAS DEMISS\u00d5ES OU MORRER ENVENENADOS COM A POLUI\u00c7\u00c3O DAS DESCARGAS INDUSTRIAIS. E me pergunto: mas n\u00e3o h\u00e1 leis para impedir isso? N\u00e3o h\u00e1 tribunais que possam MANDAR PARA A PRIS\u00c3O OS PATR\u00d5ES DESSA M\u00c1QUINA DE MASSACRE?<\/p>\n<p>Sim, que existem. Mas, ao mesmo tempo, h\u00e1 tamb\u00e9m os pol\u00edticos. Que aceitam dinheiro em baixo do pano para convencer os trabalhadores a VOLTAR PARA A GAIOLA FINAL DA CHACINA.<\/p>\n<p>Eis a\u00ed, finalmente encontramos o FULCRO do problema. Os pol\u00edticos e a pol\u00edtica. Como podem ser eleitos como representantes do povo aqueles que est\u00e3o sendo investigados por fraude fiscal, fraude, coniv\u00eancia com o crime organizado, e nos matarmos para salvar um criminoso, um ofensor, onde leis como aquela contra o conflito de interesses est\u00e3o bloqueadas h\u00e1 20 anos. E fiquem sossegados, mesmo com o governo atual, nada vai acontecer. <\/p>\n<p>Enquanto isso LEIS VERGONHOSAS permanecem intoc\u00e1veis, pelas quais os SONEGADORES subtraem bilh\u00f5es de euros de impostos, sem incorrer em qualquer tipo de san\u00e7\u00e3o. E da\u00ed ficamos surpreendidos descobrindo que o maior partido da It\u00e1lia, alcan\u00e7ando mais de 40% do consenso \u00e9 aquele onde os eleitores se recusam de votar. <\/p>\n<p>E nesse ponto gostaria de concluir. Lembrando de uma velha piadinha que a Franca [Franca Rame, esposa falecida do Dario] repetia sempre. E por falar da Franca, como gostaria que ela estivesse aqui nos escutando essa noite.<\/p>\n<p>FRANCA!!!!<\/p>\n<p>Eis a historinha que a Franca contava: numa farsa antiga, Arlequim estava na Lua, e de l\u00e1 de cima olhava para a Terra, e apontando a It\u00e1lia, disse: Mas como podemos salvar aquela massa de inconscientes que est\u00e3o se destruindo sozinhos? E Brighella [outro personagem da  Commedia dell\u2019Arte] lhe respondeu: A \u00fanica coisa seria DERRUBANDEAR a todos&#8230; O que quer dizer DERRUBANDEAR? <\/p>\n<p>\u00c9 preciso decidir-se a DERRUBAR TODO O BARRACO!<\/p>\n<p>E que fique bem claro. N\u00e3o basta tentar consertar colocando um remendo aqui, um parafuso ali, uma m\u00e3o de cola e reencontrar confian\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>N\u00c3O!!!!! NESSE PONTO, A CONFIA\u00c7A EST\u00c1 MORTA!!! JUNTO COM A ESPERAN\u00c7A E O OTIMISMO. Voc\u00eas a massacraram. \u00c9 PRECISO<br \/>\nPUXAR A CORTINA!!! E ATR\u00c1S, MUDAR DE CEN\u00c1RIO. COMPLETAMENTE. <\/p>\n<p>Para limpar um sal\u00e3o onde ratos e baratas se assenhoraram, n\u00e3o basta chamar um bando de gatos para acabar com eles. Aquele tipo de RATOS, \u201chonrosos\u201d, s\u00e3o capazes de corromper at\u00e9 os GATOS. <\/p>\n<p>A \u00fanica solu\u00e7\u00e3o \u00e9 JOGAR NO LIXO aqueles que tomaram posse de todo o edif\u00edcio, e depois pulveriz\u00e1-los com extintores de inc\u00eandio. Aqueles que n\u00e3o conseguimos limpar devem ser jogados todos no lixo. SEM PIEDADE. <\/p>\n<p>LEMBRANDO SEMPRE DE QUE N\u00d3S SOMOS DEMOCR\u00c1TICOS, MAS N\u00c3O MODERADOS, POR DEUS!!!<br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/mussolini-rothschild.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/mussolini-rothschild.jpg\" alt=\"mussolini-rothschild\" width=\"645\" height=\"419\" class=\"aligncenter size-full wp-image-4408\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/mussolini-rothschild.jpg 645w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/mussolini-rothschild-300x194.jpg 300w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/mussolini-rothschild-84x55.jpg 84w\" sizes=\"auto, (max-width: 645px) 100vw, 645px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Grito de Dario Fo, G\u00eanova, 1\/12\/2013 Transcri\u00e7\u00e3o traduzida do discurso: Mario S. 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