{"id":4194,"date":"2013-11-01T23:48:52","date_gmt":"2013-11-01T23:48:52","guid":{"rendered":"http:\/\/imediata.org\/?p=4194"},"modified":"2013-11-01T23:48:52","modified_gmt":"2013-11-01T23:48:52","slug":"como-o-crescimento-economico-virou-anti-vida-por-vandana-shiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imediata.org\/?p=4194","title":{"rendered":">> Como o crescimento econ\u00f4mico virou anti-vida, por Vandana Shiva"},"content":{"rendered":"<p><strong><br \/>\nComo o crescimento econ\u00f4mico virou anti-vida<\/p>\n<p>Por: Vandana Shiva<br \/>\nFonte: <a href=\"http:\/\/www.theguardian.com\/commentisfree\/2013\/nov\/01\/how-economic-growth-has-become-anti-life\">The Guardian<\/a><br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o: Mario S. Mieli<\/strong><br \/>\n<\/br><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/enjoy.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/enjoy.jpg\" alt=\"Global Culture GHY\" width=\"460\" height=\"276\" class=\"alignright size-full wp-image-4196\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/enjoy.jpg 460w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/enjoy-300x180.jpg 300w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/11\/enjoy-91x55.jpg 91w\" sizes=\"auto, (max-width: 460px) 100vw, 460px\" \/><\/a><\/p>\n<p><\/br><\/p>\n<p><strong>A obsess\u00e3o com o crescimento eclipsou nossa preocupa\u00e7\u00e3o com sustentabilidade, justi\u00e7a e dignidade humana. Mas as pessoas n\u00e3o s\u00e3o descart\u00e1veis \u2013 o valor da vida encontra-se fora do desenvolvimento econ\u00f4mico.<\/strong><\/p>\n<p>O crescimento ilimitado \u00e9 a fantasia dos economistas, neg\u00f3cios e pol\u00edticos. Ele \u00e9 visto como uma medida do progresso. Em consequ\u00eancia disso, o produto nacional bruto (PNB), que deveria medir a riqueza das na\u00e7\u00f5es, emerge tanto como o n\u00famero quanto como o conceito mais poderosos em nossa era. Entretanto, o crescimento econ\u00f4mico esconde a pobreza que cria, atrav\u00e9s da destrui\u00e7\u00e3o da natureza, a qual, por sua vez, leva a comunidades destitu\u00eddas da capacidade de suprirem a si mesmas. <\/p>\n<p>O conceito de crescimento foi colocado como uma medida da capacidade de mobilizar recursos durante a Segunda Guerra Mundial. O PNB se baseia em criar limites artificiais e fict\u00edcios, pressupondo que se voc\u00ea produz o que consome, voc\u00ea n\u00e3o produz. De fato, o \u201ccrescimento\u201d mede a convers\u00e3o da natureza em dinheiro l\u00edquido, e os bens comuns em commodities.  <\/p>\n<p>Dessa forma, os impressionantes ciclos da natureza de renova\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e dos nutrientes s\u00e3o definidos como n\u00e3o-produ\u00e7\u00e3o. Os camponeses do mundo, que fornecem 72% dos alimentos, n\u00e3o produzem; as mulheres que praticam a agricultura ou que fazem a maior parte do trabalho dom\u00e9stico tamb\u00e9m n\u00e3o se enquadram neste paradigma do crescimento. Uma floresta viva n\u00e3o contribui ao crescimento, mas quando as \u00e1rvores s\u00e3o cortadas e vendidas como madeira, da\u00ed temos crescimento. Sociedades e comunidades sadias n\u00e3o contribuem ao crescimento, mas doen\u00e7as criam crescimento por meio de, por exemplo, venda de rem\u00e9dios patenteados.  <\/p>\n<p>A \u00e1gua dispon\u00edvel como bem comum, compartilhada livremente e protegida por todos abastece a todos. Todavia, ela n\u00e3o cria crescimento. Mas quando a Coca-Cola abre uma f\u00e1brica, explora a \u00e1gua e enche garrafas pl\u00e1sticas de \u00e1gua, a economia cresce. Mas esse crescimento est\u00e1 baseado na cria\u00e7\u00e3o de pobreza \u2013 seja para a natureza que para as comunidades locais. A \u00e1gua extra\u00edda al\u00e9m da capacidade da natureza de renovar e reabastecer gera uma fome de \u00e1gua. As mulheres s\u00e3o for\u00e7adas a andar dist\u00e2ncias mais longas em busca de \u00e1gua pot\u00e1vel. No vilarejo de Plachimada, em Kerala, quando a marcha por \u00e1gua chegou a 10 km, as mulheres tribais locais, as Mamylamma disseram: Agora chega. N\u00e3o podemos andar mais que isso; a f\u00e1brica da Coca-Cola precisa fechar. O movimento que as mulheres come\u00e7aram eventualmente levou ao fechamento da f\u00e1brica.<\/p>\n<p>Da mesma forma, a evolu\u00e7\u00e3o nos agraciou com as sementes. Os cultivadores t\u00eam selecionado, procriado e diversificado as sementes \u2013 essa \u00e9 a base da produ\u00e7\u00e3o de alimentos. Uma semente que se renova e se multiplica produz sementes para a pr\u00f3xima esta\u00e7\u00e3o, assim como alimentos. Entretanto, as sementes criadas e preservadas pelos cultivadores n\u00e3o s\u00e3o consideradas como fator que  contribui ao crescimento. Elas criam e renovam a vida, mas n\u00e3o d\u00e3o lucros. O crescimento come\u00e7a quando as sementes s\u00e3o modificadas, patenteadas e geneticamente trancadas, levando os cultivadores a ter que comprar cada vez mais, a cada esta\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>A natureza se empobrece, a biodiversidade se erode e um recurso que \u00e9 livre e aberto \u00e9 transformado numa commodity patenteada. Comprar sementes a cada ano \u00e9 uma receita para o endividamento dos cultivadores pobres da \u00cdndia. E desde que os monop\u00f3lios sobre as sementes foram estabelecidos, a d\u00edvida dos cultivadores tem crescido. Mais de 270.000 cultivadores que ca\u00edram na armadilha da d\u00edvida na \u00cdndia cometeram suic\u00eddio desde 1995. <\/p>\n<p>A pobreza se alastra ainda mais quando os sistemas p\u00fablicos s\u00e3o privatizados. A privatiza\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, da eletricidade, da sa\u00fade e da educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o gera crescimento atrav\u00e9s de lucros. Mas tamb\u00e9m gera pobreza ao for\u00e7ar as pessoas a gastarem grandes quantidades de dinheiro para aquilo que estava dispon\u00edvel a custos economicamente acess\u00edveis, quando era um bem comum. Quando todos os aspectos da vida s\u00e3o comercializados e commoditificados, torna-se mais caro viver, e a popula\u00e7\u00e3o fica mais pobre. <\/p>\n<p>Tanto a ecologia quanto a economia emergiram do mesmo voc\u00e1bulo \u2013 \u201coikos\u201d, a palavra grega que significa \u201ccasa\u201d. Enquanto a economia estava focada na casa, ela reconhecia e respeitava sua base nos recursos naturais e os limites da renova\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica. Ela se concentrava em providenciar as necessidades humanas b\u00e1sicas dentro desses limites. A economia baseada na casa era tamb\u00e9m centrada na mulher. Hoje, a economia est\u00e1 seja separada do seja oposta aos processos ecol\u00f3gicos e \u00e0s necessidades b\u00e1sicas. Embora a destrui\u00e7\u00e3o da natureza tenha sido justificada em termos da cria\u00e7\u00e3o de crescimento, a pobreza e desapropria\u00e7\u00e3o t\u00eam aumentado. Al\u00e9m de n\u00e3o-sustent\u00e1vel, \u00e9 tamb\u00e9m economicamente injusta.     <\/p>\n<p>O modelo dominante de desenvolvimento econ\u00f4mico efetivamente se tornou anti-vida. Quando se medem as economias apenas em termos do fluxo de dinheiro, os ricos ficam mais ricos e os pobres mais pobres. E os ricos podem ser ricos em termos monet\u00e1rios \u2013 mas eles tamb\u00e9m ficam mais pobres no contexto mais amplo do que significa um ser humano. <\/p>\n<p>Enquanto isso, as demandas do modelo corrente da economia est\u00e3o levando a guerras por recursos, guerras por petr\u00f3leo, guerras pela \u00e1gua, guerras por alimentos. H\u00e1 tr\u00eas n\u00edveis de viol\u00eancia envolvidos no desenvolvimento n\u00e3o-sustent\u00e1vel. O primeiro \u00e9 a viol\u00eancia contra a terra, expressa como crise ecol\u00f3gica. O segundo \u00e9 a viol\u00eancia contra as pessoas, expresso como pobreza, desapropria\u00e7\u00e3o e deslocamento. O terceiro \u00e9 a viol\u00eancia da guerra e do conflito, como a poderosa obten\u00e7\u00e3o de recursos que se encontram em outras comunidades e outros pa\u00edses, devido aos  apetites ilimitados. <\/p>\n<p><strong>O aumento do fluxo monet\u00e1rio por meio do PNB se dissociou do valor real, mas aqueles que acumulam recursos financeiros podem reivindicar participa\u00e7\u00e3o nos recursos reais das pessoas \u2013 sua terra e \u00e1gua, suas florestas e sementes. Essa avidez os leva \u00e0 preda\u00e7\u00e3o da \u00faltima gota d\u2019\u00e1gua e ao \u00faltimo cent\u00edmetro de terra do planeta. Isso n\u00e3o \u00e9 um fim da pobreza. \u00c9 o fim dos direitos e da justi\u00e7a humanos.<\/strong> <\/p>\n<p>Joseph Stiglitz e Amartya Sen, economistas agraciados com o pr\u00eamio Nobel, admitiram que o PNB <a href=\"http:\/\/www.nytimes.com\/2009\/09\/23\/business\/economy\/23gdp.html?ref=business&#038;_r=2&#038;\">n\u00e3o captura a condi\u00e7\u00e3o humana<\/a> e insistiram na cria\u00e7\u00e3o de instrumentos diferentes para medir o bem estar das na\u00e7\u00f5es. \u00c9 por isso que pa\u00edses como o But\u00e3o adotaram <a href=\"http:\/\/www.theguardian.com\/world\/2012\/dec\/01\/bhutan-wealth-happiness-counts\">o \u00edndice de Felicidade Nacional Bruta<\/a>, em vez do produto nacional bruto, para calcular o progresso. <strong>Precisamos criar outras medidas que n\u00e3o o PNB, e economias outras que n\u00e3o o supermercado global, para rejuvenescer a riqueza real. Precisamos lembrar de que a moeda corrente da vida \u00e9,  na realidade, a pr\u00f3pria vida. <\/strong> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como o crescimento econ\u00f4mico virou anti-vida Por: Vandana Shiva Fonte: The Guardian Tradu\u00e7\u00e3o: Mario S. Mieli A obsess\u00e3o com o crescimento eclipsou nossa preocupa\u00e7\u00e3o com sustentabilidade, justi\u00e7a e dignidade humana. Mas as pessoas n\u00e3o s\u00e3o descart\u00e1veis \u2013 o valor da vida encontra-se fora do desenvolvimento econ\u00f4mico. 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