{"id":37,"date":"2008-10-12T18:51:05","date_gmt":"2008-10-12T18:51:05","guid":{"rendered":"http:\/\/imediata.org\/?p=37"},"modified":"2008-10-12T22:17:32","modified_gmt":"2008-10-12T22:17:32","slug":"desequilibrios-estruturais-do-capitalismo-atual-por-emir-sader","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imediata.org\/?p=37","title":{"rendered":">>Desequil\u00edbrios estruturais do capitalismo atual, por Emir Sader"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/imagens\/logos\/logolance.jpg\" alt=\"null\" \/><br \/>\n<img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/imagens\/logodossiewallstreet.jpg\" alt=\"null\" \/><\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.cartamaior.com.br\/templates\/postMostrar.cfm?blog_id=1&#038;post_id=206\">Blog do Emir, 11\/09\/2008<br \/>\n<\/a><\/p>\n<p>A atual crise econ\u00f4mico-financeira internacional se insere no marco de um ciclo longo recessivo, do qual o capitalismo n\u00e3o logrou sair desde seu in\u00edcio, em meados da d\u00e9cada de setenta do s\u00e9culo passado. Sem essa inser\u00e7\u00e3o, fica dif\u00edcil a apreens\u00e3o do car\u00e1ter dessa crise, das conseq\u00fc\u00eancias que pode produzir e do cen\u00e1rio que deve surgir depois dela.<\/p>\n<p><strong>Os ciclos e as crises<\/strong><\/p>\n<p>O capitalismo vive, pela pr\u00f3pria natureza do seu processo de reprodu\u00e7\u00e3o, articulado por ciclos, curtos e longos. Estes coordenam os ciclos curtos, numa perspectiva expansiva, se a curva das subidas e descidas das oscila\u00e7\u00f5es curtas apontam para cima, recessiva, se para baixo, conforme a teoria do economista russo Kondratieff, retomada te\u00f3rica e historicamente por Ernst Mandel.<\/p>\n<p>No segundo p\u00f3s-guerra, o capitalismo viveu sua \u201cidade de ouro\u201d, segundo Eric Hobsbawn, em que coincidiram virtuosamente a maior expans\u00e3o concomitante das grandes economias capitalistas \u2013 Estados Unidos, Alemanha, Jap\u00e3o -, do chamado \u201ccampo socialista\u201d, dirigido pela Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica, e por economias perif\u00e9ricas, como o M\u00e9xico, a Argentina, o Brasil, com seus processos de industrializa\u00e7\u00e3o dependente. A economia capitalista n\u00e3o deixou de apresentar seus ciclos curtos de crise, mas cada novo ciclo retomada a expans\u00e3o e empurrava a economia para patamares cada vez mais altos.<\/p>\n<p>Foi um ciclo longo expansivo comandado por grandes corpora\u00e7\u00f5es internacionais de car\u00e1ter industrial e comercial, apoiada por um sistema financeiro em expans\u00e3o e por grandes transforma\u00e7\u00f5es na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. Um modelo hegem\u00f4nico regulador \u2013 ou keynesiano ou de bem-estar, conforme se queira cham\u00e1-lo \u2013 incentivava os investimentos produtivos, tendia a fortalecer a demanda interna de consumo, promovia o fortalecimento dos Estados nacionais e a prote\u00e7\u00e3o de suas economias.<\/p>\n<p>As crises, como \u00e9 t\u00edpico no capitalismo, expressavam processos de super-produ\u00e7\u00e3o ou de sub-consumo \u2013 conforme se queira cham\u00e1-las -, refletindo o desequil\u00edbrio estrutural desse sistema entre sua \u2013 reconhecida j\u00e1 por Marx no Manifesto Comunista \u2013 enorme capacidade de expans\u00e3o das for\u00e7as produtivas, mas que se chocam constantemente com sua incapacidade de distribuir renda na mesma medida daquela expans\u00e3o. <\/p>\n<p>Na sua fase final, o ciclo longo expansivo do segundo p\u00f3s-guerra viu esse excedente, resultado acumulado da defasagem entre produ\u00e7\u00e3o e consumo se transformar em capital financeiro \u2013 os chamados euro-d\u00f3lares, que foi aproveitado por pa\u00edses como o Brasil, para reciclar seu modelo econ\u00f4mico, diversificando sua depend\u00eancia externa e favorecendo a retomada da expans\u00e3o econ\u00f4mica interna, ainda antes do final do ciclo longo expansivo. Este fator \u2013 o golpe militar ainda no ciclo expansivo \u2013 diferenciou o cen\u00e1rio econ\u00f4mico brasileiro do dos outros pa\u00edses da regi\u00e3o, em que as ditaduras coincidiram com recess\u00e3o, por j\u00e1 se darem no ciclo longo recessivo do capitalismo internacional.<\/p>\n<p>Que caracter\u00edsticas teve o final desse ciclo e o inicio do novo, de car\u00e1ter recessivo? Tendo triunfado o diagn\u00f3stico de que a estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica se devia ao excesso de regulamenta\u00e7\u00f5es, o novo modelo se centrou na desregulamenta\u00e7\u00e3o, de que as privatiza\u00e7\u00f5es, as aberturas para o mercado externo, as pol\u00edticas de \u201cflexibiliza\u00e7\u00e3o laboral\u201d, de ajuste fiscal, foram express\u00f5es.<\/p>\n<p>Duas conseq\u00fc\u00eancias mais importantes dever ser recordadas aqui, para entendermos o car\u00e1ter da crise atual e seus efeitos para os pa\u00edses latino-americanos. A primeira, o gigantesco processo de transfer\u00eancia de capitais do setor produtivo para o especulativo que a desregulamenta\u00e7\u00e3o promoveu em escala nacional e internacional. Livre de travas, o capital migrou maci\u00e7amente para o setor financeiro e, em particular, para o setor especulativo, onde obt\u00eam muito mais lucros, com muito maior liquidez e com menos ou nenhuma tributa\u00e7\u00e3o para circular. <\/p>\n<p>Configurou-se assim, no modelo neoliberal, a hegemonia do capital financeiro, sob a forma do capital especulativo, fazendo com que mais de 90% dos movimentos econ\u00f4micos se d\u00eaem n\u00e3o na esfera da produ\u00e7\u00e3o ou do com\u00e9rcio de bens, mas na compra e venda de pap\u00e9is, nas Bolsas de Valores ou de pap\u00e9is das d\u00edvidas p\u00fablicas dos governos.<\/p>\n<p>Promoveu-se a financeiriza\u00e7\u00e3o das economias, o que significa, em primeiro lugar, a financeiriza\u00e7\u00e3o dos Estados, cujo primeiro e maior compromisso passa a ser o pagamento das d\u00edvidas, isto \u00e9, a reserva de recursos mediante o chamado \u201csuper\u00e1vit prim\u00e1rio\u201d e a transfer\u00eancia maci\u00e7a e sistem\u00e1tica de recursos do setor produtivo para o capital financeiro. Grandes grupos econ\u00f4micos t\u00eam \u00e0 sua cabe\u00e7a, um banco uma institui\u00e7\u00e3o financeira, costumam ganhar mais nos investimentos financeiros que naqueles que deram origem \u00e0s empresas que os comp\u00f5em. Grande quantidade de pequenas e m\u00e9dias empresas entraram em processos de endividamento, dos quais n\u00e3o conseguem sair. Outras, assim como consumidores, n\u00e3o se atrevem a buscar empr\u00e9stimos, pelo medo ao endividamento, com as altas taxas de juros. <\/p>\n<p>O capital financeiro passou a ser o sangue que corre pelas economias dos pa\u00edses, definindo o metabolismo que as preside. Um capital que tem na volatilidade, na sua extrema liquidez, um elemento essencial, inerente, aquele que permite deslocar-se rapidamente para onde pode ter maiores vantagens e, ao mesmo tempo, lhe atribui um grande poder de press\u00e3o, diante da fragilidade das economias que dependem estruturalmente dele.<\/p>\n<p><strong>As crises na fase neoliberal<\/strong><\/p>\n<p>Dessas caracter\u00edsticas decorre o car\u00e1ter centralmente financeiro das crises no per\u00edodo neoliberal, como ficou evidenciado nas crises mexicana, asi\u00e1tica, russa, brasileira e argentina, entre outras. O setor financeiro canaliza para si os excedentes de capital, produto da defasagem estrutural entre produ\u00e7\u00e3o e consumo, agudizada na fase atual do capitalismo, em que a eleva\u00e7\u00e3o da produtividade e a criatividade tecnol\u00f3gica seguiram se aprofundando, ao mesmo tempo que se deram processos de concentra\u00e7\u00e3o de renda entre as classes sociais, entre pa\u00edses e regi\u00f5es do mundo. <\/p>\n<p>O poder devastador dessas crises e o potencial de cont\u00e1gio se revelaram da mesma dimens\u00e3o do tamanho da abertura das economias ao mercado internacional e ao peso que o capital financeiro passou a desempenhar em escala nacional e mundial. O M\u00e9xico seguiu sofrendo os impactos da crise de 1994 por muitos anos. O mesmo ocorreu com pa\u00edses do sudeste asi\u00e1tico. No Brasil, a crise de 1999 significou a passagem a anos de recess\u00e3o, que s\u00f3 recentemente foram superados. Na Argentina a crise teve conseq\u00fc\u00eancias devastadoras do ponto de vista econ\u00f4mico, financeiro, pol\u00edtico e social.<\/p>\n<p>S\u00e3o crises que se desatam a partir do elo mais fr\u00e1gil, mais sens\u00edvel, do processo de reprodu\u00e7\u00e3o \u2013 o setor financeiro -, mas que rapidamente se propagam pelo restante da economia, pelo papel central que esse setor passou a ter e pelos aspectos psicol\u00f3gicos em que se assenta. N\u00e3o por acaso o segundo livro de Francis Fukuyama se chamou \u201cConfian\u00e7a\u201d, para denotar como as expectativas, positivas ou negativas, assumem for\u00e7a material no jogo especulativo.<\/p>\n<p>A Am\u00e9rica Latina foi assim v\u00edtima privilegiada dessas crises, que n\u00e3o por acaso atingiram justamente suas tr\u00eas economias mais fortes, que haviam sido exibidas como modelares \u2013 a mexicana, a brasileira e a argentina. Nos tr\u00eas casos a crise assumiu a forma de ataque especulativo, de crise financeira, que se alastra para o conjunto da economia. Os capitais especulativos se valem do peso desestabilizador que tem na economia, para fazer valer essa posi\u00e7\u00e3o, pressionando com uma sa\u00edda brusca e maci\u00e7a de capitais, a\u00e7\u00f5es governamentais ou simplesmente o jogo do mercado, lucrando enormemente com essas opera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>As crises anteriores tinham como cen\u00e1rios pa\u00edses da periferia, com efeitos que intensificaram a tend\u00eancia ao enfraquecimento dos paises globalizados e a intensifica\u00e7\u00e3o da concentra\u00e7\u00e3o de renda e de poder dos pa\u00edses globalizadores. Mesmo a crise na R\u00fassia poderia ser caracdterizada como a de uma economia tornada perif\u00e9rica, especialmente em meados da d\u00e9cada de 1990. A exce\u00e7\u00e3o foi a ataque do megaespeculador Georges Soros \u00e0 libra esterlina inglesa, mas acabou sendo um caso pontual, que n\u00e3o altera a regra general de ocorr\u00eancia das crises nas periferias.<\/p>\n<p>No seu conjunto, como crises neoliberais, provocaram demandas de rem\u00e9dios neoliberais: mais abertura das economias \u2013 como passou fortemente nos pa\u00edses do sudeste asi\u00e1tico -, maior empr\u00e9stimos do FMI e as correspondentes Cartas de inten\u00e7\u00e3o, com aumento dos ajustes fiscais. A economia mexicana recebeu um empr\u00e9stimo gigante dos Estados Unidos no momento da crise de 1994, inclusive porque se dava no pr\u00f3prio momento em que se assinava o Tratado de Livre Com\u00e9rcio da Am\u00e9rica do Norte (Nafta) e do surgimento da rebeli\u00e3o dos zapatistas em Chiapas. Como compromisso, o M\u00e9xico usou esses recursos para pagar os empr\u00e9stimos dos bancos norte-americanos e seguiu aprofundando o modelo neoliberal.<\/p>\n<p>O governo brasileiro de FHC, frente \u00e0 crise de 1999, elevou a taxa de juros a 49% e assinou a terceira Carta de inten\u00e7\u00f5es com o FMI, cujas conseq\u00fc\u00eancias estenderam a recess\u00e3o por v\u00e1rios anos. Na Argentina, a crise de explos\u00e3o do modelo de paridade do peso com o d\u00f3lar, produziu a maior regress\u00e3o econ\u00f4mica e social que o pa\u00eds conheceu em toda a sua hist\u00f3ria. O governo de Fernando de la Rua tentou manter o modelo herdado de Carlos Menem e com isso caiu com po\u00e7os meses do seu mandato presidencial.<\/p>\n<p><strong>A crise atual e suas conseq\u00fc\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p>A crise anterior da economia norte-americano se deu em 2000, quando se desvanecia a ilus\u00e3o de que a \u201cnova economia\u201d permitiria que o capitalismo n\u00e3o sofresse mais suas crises c\u00edclicas, seja porque a inform\u00e1tica permitira prev\u00ea-las e permitir que foram evitadas, seja porque novas demandas, como as de computadores, gerariam, da mesma forma que no caso dos autom\u00f3veis, o lan\u00e7amento anual de novos modelos, que estenderiam cada vez mais a demanda. Naquele momento, o papel do mercado norte-americano no mundo seguia sendo determinante no mundo, transferindo os efeitos da sua recess\u00e3o para o resto da economia mundial.<\/p>\n<p>Desta vez a crise norte-americana se d\u00e1 em um cen\u00e1rio internacional modificado. A continua expans\u00e3o de pa\u00edses emergentes \u2013 entre eles sobretudo a China e a \u00cdndia, mas tamb\u00e9m pa\u00edses latino-americanos, que mant\u00eam ritmos constantes de crescimento, entre os quais particularmente o Brasil e a Argentina \u2013 amortece a diminui\u00e7\u00e3o da demanda dos EUA e, pela primeira vez, a recess\u00e3o da economia norte-americana n\u00e3o tem efeitos diretos e devastadores sobre a economia mundial.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, como essa crise se v\u00ea agravada com o aumento dos pre\u00e7os dos produtos agr\u00edcolas e a continuada crise do petr\u00f3leo, constituindo-se, na verdade em um triple crise, seus efeitos s\u00e3o mais profundos e extensos do que apenas uma crise c\u00edclica da economia norte-americana. S\u00e3o afetadas ent\u00e3o n\u00e3o apenas as exporta\u00e7\u00f5es para os Estados Unidos, mas tamb\u00e9m os importadores de energia e de produtos agr\u00edcolas, lista que, em uma ou outra propor\u00e7\u00e3o, afeta a todos os pa\u00edses do mundo.<\/p>\n<p>No entanto, como todo fen\u00f4meno de um sistema marcado pela extrema desigualdade de riqueza e de poder entre regi\u00f5es e pa\u00edses e dentro de cada pa\u00eds, os efeitos das crises n\u00e3o s\u00e3o igualmente repartidos entre todos. H\u00e1 ganhadores e perdedores, algozes e v\u00edtimas.<\/p>\n<p>Como a crise est\u00e1 em pleno desenvolvimento, seus alcances n\u00e3o podem ainda ser julgados em toda sua plenitude e se d\u00e3o pugnas para ver quem consegue extrair vantagens, quem trata de perder menos, ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel saber com precis\u00e3o os danos em toda sua extens\u00e3o e quem arcar\u00e1 com eles. \u00c9 certo que o mundo sair\u00e1 modificado desta crise at\u00e9 mesmo porque toca em tr\u00eas pontos nodais das rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e de poder atuais: dinheiro, energia e comida. No entanto, as estruturas de poder, de produ\u00e7\u00e3o e de distribui\u00e7\u00e3o de riqueza reinantes, garantem resultados absolutamente diferenciados para distintas regi\u00f5es e pa\u00edses como efeito das crises.<\/p>\n<p>Na combina\u00e7\u00e3o entre aumento dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo, dos produtos agr\u00edcolas e diminui\u00e7\u00e3o da demanda dos EUA e da Europa, os pa\u00edses mais pobres, que somam a grande maioria da \u00c1frica, da \u00c1sia e da Am\u00e9rica Latina, perder\u00e3o claramente, com fortes press\u00f5es recessivas, d\u00e9ficit na balan\u00e7a comercial e aumento do endividamento. Os pa\u00edses exportadores de petr\u00f3leo e de produtos agr\u00edcolas com altas mais significativas, ter\u00e3o suas situa\u00e7\u00f5es minoradas, mas as press\u00f5es inflacion\u00e1rias n\u00e3o poupam a nenhum pa\u00eds e, com elas, as pol\u00edticas recessivas voltam a ganhar peso.<\/p>\n<p>Para a Am\u00e9rica Latina, os efeitos s\u00e3o mais pesados e diretos para os pa\u00edses que seguem dependendo mais fortemente do com\u00e9rcio com os Estados Unidos, o M\u00e9xico, a Am\u00e9rica Central e o Caribe, em primeiro lugar. Em segundo lugar, os pa\u00edses com pautas exportadoras menos valorizadas ou aqueles que tiveram seu ciclo de expans\u00e3o econ\u00f4mica excessivamente voltada para as exporta\u00e7\u00f5es, em particular as economias mais abertas, entre elas as que t\u00eam tratados de livre com\u00e9rcio com os Estados Unidos, como o Chile, o Peru, al\u00e9m dos j\u00e1 mencionados M\u00e9xico, Costa Rica e outros pa\u00edses centro-americanos e caribenhos. Relativamente menos afetados devem ser os pa\u00edses com pautas exportadoras mais diversificadas \u2013 seja nos produtos, seja nos mercados -, como o Brasil, em parte a Argentina, e os que participam dos processos de integra\u00e7\u00e3o regional \u2013 seja o Mercosul, seja a Alba. Para estes, as crises s\u00e3o uma oportunidade especial para acelerar e intensificar os processos de integra\u00e7\u00e3o, de com\u00e9rcio, assim como nos planos financeiro e energ\u00e9tico.<\/p>\n<p>Seja pela combina\u00e7\u00e3o das crises, seja porque afeta profundamente os Estados Unidos, no momento em que, pela primeira vez, seu peso na economia mundial decresce, o mundo e a Am\u00e9rica Latina em particular, ter\u00e3o fisionomias distintas, seja acelerando transforma\u00e7\u00f5es j\u00e1 em andamento, seja dando inicio a novas din\u00e2micas, passadas as crises \u2013 cujas dura\u00e7\u00f5es e profundidades, ainda n\u00e3o podem ser medidas com toda precis\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte: Blog do Emir, 11\/09\/2008 A atual crise econ\u00f4mico-financeira internacional se insere no marco de um ciclo longo recessivo, do qual o capitalismo n\u00e3o logrou sair desde seu in\u00edcio, em meados da d\u00e9cada de setenta do s\u00e9culo passado. 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