{"id":3470,"date":"2013-03-29T03:58:09","date_gmt":"2013-03-29T03:58:09","guid":{"rendered":"http:\/\/imediata.org\/?p=3470"},"modified":"2013-03-29T03:58:09","modified_gmt":"2013-03-29T03:58:09","slug":"o-%e2%80%9cimperio-latino%e2%80%9d-contra-a-hegemonia-alema-por-giorgio-agamben","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imediata.org\/?p=3470","title":{"rendered":">> O \u201cImp\u00e9rio Latino\u201d contra a hegemonia alem\u00e3, por Giorgio Agamben"},"content":{"rendered":"<p><strong>O \u201cImp\u00e9rio Latino\u201d contra a hegemonia alem\u00e3<br \/>\n<\/br><br \/>\npor Giorgio Agamben<br \/>\nFonte: <a href=\"http:\/\/www.liberation.fr\/monde\/2013\/03\/24\/que-l-empire-latin-contre-attaque_890916\">Lib\u00e9ration<\/a><br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o: Mario S. Mieli<\/strong><br \/>\n<\/br><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/images-1.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/images-1.jpeg\" alt=\"\" title=\"images-1\" width=\"299\" height=\"168\" class=\"alignright size-full wp-image-3471\" \/><\/a><br \/>\n<\/br><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/images-2.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/images-2.jpeg\" alt=\"\" title=\"images-2\" width=\"300\" height=\"168\" class=\"alignright size-full wp-image-3472\" \/><\/a><br \/>\n<\/br><br \/>\nNo imediato p\u00f3s-guerra, o fil\u00f3sofo franc\u00eas Alexandre Koj\u00e8ve tinha sugerido a cria\u00e7\u00e3o de uma uni\u00e3o dos pa\u00edses mediterr\u00e2neos, acomunados pela cultura e pelos interesses. \u00c0 luz da problem\u00e1tica ascens\u00e3o da Alemanha como pot\u00eancia continental, essa  ideia poderia se tornar atual.<br \/>\n<\/br><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/kojve.gif\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/kojve.gif\" alt=\"\" title=\"kojve\" width=\"602\" height=\"410\" class=\"alignright size-full wp-image-3473\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/kojve.gif 602w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/kojve-300x204.gif 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 602px) 100vw, 602px\" \/><\/a><br \/>\nAlexandre Koj\u00e8ve<br \/>\n<\/br><br \/>\nEm 1947, um fil\u00f3sofo, que era tamb\u00e9m um alto funcion\u00e1rio do governo franc\u00eas, Alexandre Koj\u00e8ve, publicou um texto com o t\u00edtulo \u201cO Imp\u00e9rio Latino\u201d; \u00e9 conveniente refletirmos hoje sobre a atualidade do mesmo. Com singular previd\u00eancia, o autor afirmava que a Alemanha se teria tornado em poucos anos a principal pot\u00eancia econ\u00f4mica europeia, reduzindo a Fran\u00e7a \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de uma pot\u00eancia secund\u00e1ria ao interior da Europa continental. Koj\u00e8ve via com clareza o fim dos estados-na\u00e7\u00f5es que tinham marcado a hist\u00f3ria da Europa: como a idade moderna tinha significado o decl\u00ednio das forma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas feudais para a vantagem dos estados nacionais, assim, agora, os estados-na\u00e7\u00f5es precisavam dar lugar a forma\u00e7\u00f5es pol\u00edticas que superavam as fronteiras das na\u00e7\u00f5es e que ele designava com o nome de \u201cimp\u00e9rios\u201d.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Na base desses imp\u00e9rios n\u00e3o poderia estar, por\u00e9m, segundo Koj\u00e8ve, uma unidade abstrata, que prescindisse da rela\u00e7\u00e3o real de cultura, de l\u00edngua, de modos de vida e de religi\u00e3o: os imp\u00e9rios \u2013 como aqueles que ele via j\u00e1 formados diante de seus olhos, o imp\u00e9rio anglo-sax\u00f4nico (Estados Unidos e Inglaterra) e aquele sovi\u00e9tico, deviam ser \u201cunidades pol\u00edticas transnacionais, mas formadas por na\u00e7\u00f5es aparentadas\u201d. Por isso, ele propunha \u00e0 Fran\u00e7a de se colocar \u00e0 frente de um \u201cimp\u00e9rio latino\u201d, que teria unido economicamente e politicamente as tr\u00eas grandes na\u00e7\u00f5es latinas (junto com a Fran\u00e7a, a Espanha e a It\u00e1lia), em acordo com a Igreja Cat\u00f3lica, de onde teriam colhido a tradi\u00e7\u00e3o e, juntas, abrindo-se ao Mediterr\u00e2neo.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>A Alemanha protestante, argumentava ele, que em breve se tornaria, como de fato se tornou, a na\u00e7\u00e3o mais rica e potente da Europa, teria sido atra\u00edda inexoravelmente pela sua voca\u00e7\u00e3o extra-europeia em dire\u00e7\u00e3o das formas do imp\u00e9rio anglo-sax\u00f4nico. Mas a Fran\u00e7a e as na\u00e7\u00f5es latinas teriam ficado, nessa perspectiva, um corpo mais ou menos estranho, reduzido necessariamente ao papel perif\u00e9rico de um sat\u00e9lite.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Justamente hoje, que a Uni\u00e3o Europeia se formou ignorando as concretas rela\u00e7\u00f5es culturais, pode ser \u00fatil e urgente refletir sobre a proposta de Koj\u00e8ve. O que ele tinha previsto ocorreu pontualmente. Uma Europa que pretende existir sobre uma base exclusivamente econ\u00f4mica, deixando de lado as rela\u00e7\u00f5es reais de forma de vida, de cultura e de religi\u00e3o, mostra no presente toda a sua fragilidade, justamente e sobretudo no plano econ\u00f4mico.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Aqui, a pretensa unidade, pelo contr\u00e1rio, acentuou as diferen\u00e7as e todos podemos ver ao que ela se reduz: impor a uma maioria mais pobre os interesses de uma minoria mais rica, que coincidem com frequ\u00eancia com aqueles de uma s\u00f3 na\u00e7\u00e3o, que no \u00e2mbito de sua hist\u00f3ria recente nada indica podermos considerar exemplar. N\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o faz sentido pretender que um grego ou um italiano vivam como um alem\u00e3o; mas ainda que isso fosse poss\u00edvel, significaria a perda daquele patrim\u00f4nio cultural que \u00e9 feito, sobretudo, de formas de vida.  E uma pol\u00edtica que pretende ignorar as formas de vida n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o est\u00e1 destinada a durar, mas, como a Europa mostra eloquentemente, n\u00e3o consegue nem se constituir como tal.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Se n\u00e3o quisermos que a Europa se desagregue, como muitos sinais deixam prever, \u00e9 aconselh\u00e1vel pensar sobre como a constitui\u00e7\u00e3o europeia (que, do ponto de vista do direito p\u00fablico \u00e9 um acordo entre estados e que, como tal, n\u00e3o foi submetido ao voto popular e, onde esse voto ocorreu, como na Fran\u00e7a, foi clamorosamente rejeitado) poderia ser rearticulada, provando restabelecer uma realidade pol\u00edtica a algo similar \u00e0quilo que Koj\u00e8ve chamava o \u201cImp\u00e9rio Latino\u201d. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O \u201cImp\u00e9rio Latino\u201d contra a hegemonia alem\u00e3 por Giorgio Agamben Fonte: Lib\u00e9ration Tradu\u00e7\u00e3o: Mario S. Mieli No imediato p\u00f3s-guerra, o fil\u00f3sofo franc\u00eas Alexandre Koj\u00e8ve tinha sugerido a cria\u00e7\u00e3o de uma uni\u00e3o dos pa\u00edses mediterr\u00e2neos, acomunados pela cultura e pelos interesses. \u00c0 luz da problem\u00e1tica ascens\u00e3o da Alemanha como pot\u00eancia continental, essa ideia poderia se tornar [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[1998,1995,1996,95,1997],"class_list":["post-3470","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-lance-de-dados","tag-a-hegemonia-alema","tag-alexandre-kojeve","tag-giorgio-agamben","tag-mario-s-mieli","tag-o-imperio-latino"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3470","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3470"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3470\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3474,"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3470\/revisions\/3474"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3470"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3470"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3470"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}