{"id":3400,"date":"2013-02-26T22:23:03","date_gmt":"2013-02-26T22:23:03","guid":{"rendered":"http:\/\/imediata.org\/?p=3400"},"modified":"2013-02-26T22:24:35","modified_gmt":"2013-02-26T22:24:35","slug":"a-inquietante-banalidade-por-italo-romano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imediata.org\/?p=3400","title":{"rendered":">> A inquietante banalidade, por Italo Romano"},"content":{"rendered":"<p><\/br><br \/>\n<strong>A inquietante banalidade<\/strong><br \/>\n<\/br><br \/>\n<strong>Por: Italo Romano<\/strong><br \/>\n<strong>Fonte: <\/strong><a href=\"http:\/\/www.oltrelacoltre.com\/?p=9836\">Oltre la Coltre<\/a>  <strong>via:<\/strong> <a href=\"http:\/\/crepanelmuro.blogspot.it\/2013\/02\/linquietante-banalita.html#more\">CrepanelMuro<\/a><br \/>\n<strong>Tradu\u00e7\u00e3o: Mario S. Mieli<\/strong><br \/>\n<\/br><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/banalit_.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/banalit_.jpg\" alt=\"\" title=\"banalit_\" width=\"200\" height=\"183\" class=\"alignright size-full wp-image-3401\" \/><\/a><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Estamos circundados, envoltos e,   frequentemente, dominados por completo por ela. Estou falando da banalidade. Vivemos tempos de s\u00edntese e simplifica\u00e7\u00e3o, em que cada  conceito, mesmo o mais abstruso, \u00e9 banalizado. Tudo colapsa no abismo escuro da mediocridade, ou beira um insignificante achatamento. A convic\u00e7\u00e3o induzida \u00e9 a melhor arma de banaliza\u00e7\u00e3o de massas jamais criada. Elas, hoje, s\u00e3o transbordantes e se propagam \u00e0 velocidade da luz, gra\u00e7as aos grandes meios de difus\u00e3o de massa, verdadeiras f\u00e1bricas de convencidos. Com frequ\u00eancia, por\u00e9m, a convic\u00e7\u00e3o \u00e9 uma falsa cren\u00e7a, ditada por uma \u00f3bvia ignor\u00e2ncia, velada por um pseudo forte de arrog\u00e2ncia misturada com superficialidade. Isso leva a reassumir fatos, conceitos e ideias na \u00fanica forma poss\u00edvel que consinta esse modus vivendi, com a banalidade. A persuas\u00e3o subliminal criou essa erudita ignor\u00e2ncia que, infelizmente, consegue fazer expirar toda discuss\u00e3o nos usuais elementares arqu\u00e9tipos do banal.<br \/>\n<\/br><br \/>\nSaul Bellow em seu romance biogr\u00e1fico \u201cRavelstein\u201d escreveu que \u201ca banalidade \u00e9 o disfarce de uma poderos\u00edssima vontade que visa abolir a consci\u00eancia\u201d. Nada mais verdadeiro. Essa indiferen\u00e7a filos\u00f3fica \u00e9 premeditadamente apresentada \u00e0s mentes fracas, a maioria, que se auto-escravizam, caindo em uma condi\u00e7\u00e3o de servilismo. Um servilismo que se revela na mais abjeta forma, servo e orgulhoso de s\u00ea-lo, porque sendo a \u00fanica forma de vida conhecida, \u00e9 seguramente a melhor. O indiv\u00edduo se torna s\u00fadito porque n\u00e3o consegue mais distinguir a fic\u00e7\u00e3o da realidade.<br \/>\n<\/br><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/images2.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/images2.jpeg\" alt=\"\" title=\"images\" width=\"240\" height=\"131\" class=\"alignright size-full wp-image-3402\" \/><\/a><br \/>\n<\/br><br \/>\nQuem se encontra por tr\u00e1s desse projeto de banaliza\u00e7\u00e3o de massas deve ser um g\u00eanio.<br \/>\n<\/br><br \/>\nSempre segundo o escritor americano: \u201cO sistema exige a mediocridade, n\u00e3o a grandeza. O sistema est\u00e1 baseado no trabalho. O trabalho conectado \u00e0 arte \u00e9 banalidade\u201d.  Correto. Mas eu acrescentaria uma nova pe\u00e7a do quebra-cabe\u00e7as. O sistema evoluiu e agora se baseia no n\u00e3o-trabalho. No sentido que inteiras gera\u00e7\u00f5es crescem e vivem com a miragem e a utopia de um trabalho digno de ser chamado como tal. Esse viver de ilus\u00e3o criou uma nova ordem de escravos. Tomados pela fome, eles esmolam a entrada entre as fileiras dos devotos servos. A esperan\u00e7a \u00e9 uma cadeia invis\u00edvel que acorrenta pulsos e  tornozelos.<br \/>\n<\/br><br \/>\nAssim, at\u00e9 escrever, pintar, compor m\u00fasica ou qualquer outra forma de arte foi transmutada em trabalho. Nada mais banal. Por uma mente comprometida com essa condi\u00e7\u00e3o, certamente, n\u00e3o pode sair nada de genial. A arte precisa de paz, amor e serenidade. Ao passo que hoje \u00e9 esmagada por guerra, \u00f3dio e mera apar\u00eancia. Os dons e as mentes exc\u00eantricas s\u00e3o devastadas e mortas pelas pesquisas de mercado. A cultura \u00e9 aniquilada, estandardizada, tornada amorfa e prosaica. Ela tamb\u00e9m foi sacrificada no altar da banalidade. Hoje a instru\u00e7\u00e3o sist\u00eamica cria fantoches, pessoas sem ideias individuais ou esp\u00edrito cr\u00edtico. S\u00e3o chocadas, desde a mais tenra idade,   mentes condescendentes, desencantadas e comuns. Forjam-se inteiras gera\u00e7\u00f5es que nunca ter\u00e3o em si a semente da rebeli\u00e3o, pois foram envenenadas e tornadas inertes pela banalidade. E hoje, a liberdade vista com os olhos apagados da mediocridade, n\u00e3o \u00e9 outra coisa sen\u00e3o a liberdade de escolher entre a coca cola e a coca cola light ou entre direita e esquerda ou entre um time e outro. Quem d\u00e1  sinais de impaci\u00eancia, quem sai fora dos esquemas, quem se eleva ou tenta elevar-se acima dos estereotipados canais \u00e9 abatido, ridicularizado, etiquetado e isolado. Pelo sistema? N\u00e3o, por suas criaturas. Hoje, quem criou esse monstro n\u00e3o precisa mais intervir (exceto para pequenos retoques ou moderniza\u00e7\u00f5es). Trata-se de uma m\u00e1quina que anda sozinha, em moto perp\u00e9tuo, que se autorregula e autogera, eliminando os corpos estranhos.<br \/>\n<\/br><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/7746659018_6ef6728ab8.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/7746659018_6ef6728ab8.jpg\" alt=\"\" title=\"7746659018_6ef6728ab8\" width=\"300\" height=\"221\" class=\"alignright size-full wp-image-3403\" \/><\/a><br \/>\n<\/br><br \/>\nQuem procura se desembara\u00e7ar das areias movedi\u00e7as do med\u00edocre e silencioso viver \u00e9 ressugado e colapsa inexoravelmente numa condi\u00e7\u00e3o de associabilidade, que o torna facilmente distingu\u00edvel, logo identific\u00e1vel, por cada membro do sistema. No reino da banalidade, a grandeza n\u00e3o \u00e9 contemplada, mas hostilizada e degradada. A ditadura do capital n\u00e3o fez nada mais que amplificar e proliferar todo esse nada. O homem mercadoria \u00e9 o que de mais banal se pudesse pensar. Uma maravilha da cria\u00e7\u00e3o usada como mercadoria de troca. A competitividade formou um extremo e violento achatamento das condi\u00e7\u00f5es de vida, banalizando o planeta e todos os seres vivos, equiparando o majestoso da vida ao abismo da morte dos sentidos. Porque, se a medida de ju\u00edzo de um ser vivo \u00e9 um peda\u00e7o de papel ou um numerinho na tela de um computador, reduziram o tudo ao nada e o nada em tudo. Pode existir algo de mais banal?<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>Recomendamos tamb\u00e9m:<br \/>\n<\/br><br \/>\n>> Mediocridade, por Giorgio Cattaneo<\/strong><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/?p=3185\">http:\/\/imediata.org\/?p=3185<\/a><br \/>\n<\/br><br \/>\n<strong><br \/>\n>> Felizes e explorados, por Silvio Mieli<\/strong><br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.brasildefato.com.br\/node\/6771\">http:\/\/www.brasildefato.com.br\/node\/6771<\/a><br \/>\n<\/br><br \/>\n<strong>>> Uma humanidade sem deus e submersa pelo nada, por Gianni Tirelli<\/strong><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/?p=2308\">http:\/\/imediata.org\/?p=2308<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A inquietante banalidade Por: Italo Romano Fonte: Oltre la Coltre via: CrepanelMuro Tradu\u00e7\u00e3o: Mario S. Mieli Estamos circundados, envoltos e, frequentemente, dominados por completo por ela. Estou falando da banalidade. 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