{"id":3358,"date":"2013-02-17T02:44:44","date_gmt":"2013-02-17T02:44:44","guid":{"rendered":"http:\/\/imediata.org\/?p=3358"},"modified":"2013-02-17T12:52:39","modified_gmt":"2013-02-17T12:52:39","slug":"em-nome-de-giordano-bruno-o-direito-a-dignidade-por-maria-mantello","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imediata.org\/?p=3358","title":{"rendered":">> EM NOME DE GIORDANO BRUNO, O DIREITO \u00c0 DIGNIDADE, por Maria Mantello"},"content":{"rendered":"<p><\/br><br \/>\n<strong>EM NOME DE GIORDANO BRUNO, O DIREITO \u00c0 DIGNIDADE<br \/>\n<\/br><br \/>\nPor: Maria Mantello<br \/>\nFonte: <a href=\"http:\/\/temi.repubblica.it\/micromega-online\/nel-nome-di-giordano-bruno-il-diritto-alla-dignita\/\">MicroMega<\/a><br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o: Mario S. Mieli<\/strong><br \/>\n<\/br><br \/>\nEste ano tamb\u00e9m, em Roma, no dia 17 de fevereiro, em Campo dei Fiori, a partir das 17 horas, a Associazione Nazionale del Libero Pensiero \u201cGiordano Bruno\u201d (Associa\u00e7\u00e3o Nacional do Livre Pensamento &#8220;Giordano Bruno&#8221;), lembrar\u00e1 o pensamento e a atualidade de Giordano Bruno no 413\u00b0 anivers\u00e1rio do seu mart\u00edrio (<a href=\"http:\/\/www.periodicoliberopensiero.it\/eventi\/Locandina17febbraio2013.pdf\">aqui o programa do evento<\/a>).<br \/>\n<\/br><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/bruno-giordano.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/bruno-giordano.jpg\" alt=\"\" title=\"bruno-giordano\" width=\"150\" height=\"120\" class=\"alignright size-full wp-image-3359\" \/><\/a><br \/>\n<\/br><br \/>\nEm <strong>17 de fevereiro de 1600, ap\u00f3s longos anos de c\u00e1rcere e terr\u00edveis viola\u00e7\u00f5es contra a sua dignidade, Giordano Bruno foi queimado vivo porque \u201cher\u00e9tico, pertinaz, impenitente\u201d<\/strong>&#8230; conforme proclamava a condena\u00e7\u00e3o do tribunal da Santa Inquisi\u00e7\u00e3o Romana, presidido pessoalmente pelo papa. No mesmo dia do seu mart\u00edrio, <strong>seus livros tamb\u00e9m foram lan\u00e7ados \u00e0s chamas<\/strong>, no adro da bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro.<br \/>\n<\/br><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/41-21-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/41-21-1.jpg\" alt=\"\" title=\"41-21-1\" width=\"400\" height=\"300\" class=\"alignright size-full wp-image-3360\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/41-21-1.jpg 400w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/41-21-1-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><br \/>\n<\/br><br \/>\n<strong>O fil\u00f3sofo foi queimado e os mandantes esperavam aniquilar tamb\u00e9m o seu pensamento. N\u00e3o por acaso foi conduzido \u00e0 fogueira com a l\u00edngua pregada \u00e0 morda\u00e7a. \u00daltima viol\u00eancia, \u00faltima profana\u00e7\u00e3o contra o bem que ele considerava o m\u00e1ximo: a dignidade de ter a palavra!<\/strong><br \/>\n<\/br><br \/>\n<strong>A sua revolucion\u00e1ria filosofia dava medo, ainda hoje d\u00e1 medo, porque \u00e9 dinamite.<br \/>\n&#8211; Ao princ\u00edpio divino, substitui a natureza: mat\u00e9ria m\u00e3e que n\u00e3o depende de ningu\u00e9m al\u00e9m de si mesma. Sendo, portanto, perfeita, divina, em sua infinita capacidade de produzir formas.<br \/>\n&#8211; Ao conhecimento pr\u00e9-estabelecido no m\u00f3dulo da alma criada, substitui a fisicalidade da mente-corpo-fun\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica. Em resumo, como mais tarde diria Crick, o descobridor juntamente com Watson da cadeia do DNA: \u201ccomo a b\u00edlis \u00e9 uma secre\u00e7\u00e3o do f\u00edgado, a alma \u00e9 uma secre\u00e7\u00e3o da mente\u201d.<br \/>\n&#8211; Contra o confessionalismo do preceito, reivindica a liberdade da \u00e9tica em sua autonomia e autodetermina\u00e7\u00e3o para todos os seres humanos. Porque cada indiv\u00edduo \u00e9 propriet\u00e1rio da pr\u00f3pria vida. Respons\u00e1vel do projeto de vida que deseja para si. De todo jeito e sempre.<br \/>\n&#8211; A uma est\u00e9tica da maneira que engolfa o conte\u00fado no pedantismo da regra, op\u00f5e o \u201cpintor-fil\u00f3sofo\u201d, que expropria da sombra as coisas e as define e redefine na vertigem das possibilidades combinat\u00f3rias de significado e significante.<br \/>\n&#8211; \u00c0 pol\u00edtica do poder de alguns poucos, op\u00f5e a da cidadania no direito de todos terem direitos.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>O pensamento de Giordano Bruno \u00e9 o elogio da d\u00favida e do antidogmatismo. Um pensamento que revoluciona cada coisa e por isso meteu medo e mete medo ainda hoje a muita gente, pela sua atualidade extraordin\u00e1ria, constringindo a encarar as pr\u00f3prias mesquinharias e limita\u00e7\u00f5es mentais.<br \/>\nPorque n\u00e3o admite zonas cinzas. Porque \u00e9 um ato de acusa\u00e7\u00e3o contra o oportunismo, a covardia, a resigna\u00e7\u00e3o que produzem, escreve Bruno, o \u201cservilismo que \u00e9 corrup\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0 liberdade e dignidade humanas\u201d.<br \/>\nA sua filosofia d\u00e1 medo porque \u00e9 uma condena\u00e7\u00e3o final a quem desejaria a humanidade eternamente menor: \u201crebanho\u201d, \u201casno\u201d, \u201cpintinho\u201d, \u201cpotro\u201d. Em um estado de perene infantilismo em busca de pais, patr\u00f5es, deuses todo-poderosos\u201d.<br \/>\nUma humanidade de joelhos \u00e0 espera de um milagre e das intercess\u00f5es dos ungidos do senhor, que \u201cestabelecem o meu e o teu\u201d e que nas simon\u00edacas alian\u00e7as chafurdam.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Bruno p\u00f5e a nu os mecanismos psicol\u00f3gicos e consoladores, que reduzem os seres humanos a asnos obedientes que se fazem \u201cguiar \u2013 escreve \u2013 com a lanterna da f\u00e9, cativando (n.d.t.: emprisionando) o intelecto daquele que os cavalgam e, segundo sua vontade, os dirigem e guiam\u201d.<br \/>\n\u201cFilho do Ves\u00favio e da colina de Cicala, fil\u00f3sofo e poeta italiano, \u00fanico esp\u00edrito verdadeiramente livre\u201d, assim o define Cyrano de Bergerac em seu \u201cO outro mundo, ou seja os Estados e os imp\u00e9rios da Lua e do Sol\u201d (1657-1662), mas nem ele, tamb\u00e9m fil\u00f3sofo libertino, ousa pronunciar o nome de Giordano Bruno.<br \/>\nBruno n\u00e3o foi sentido como irm\u00e3o nem pelo grande Galilei, que pela sua teoria da relatividade prim\u00e1ria se inspira plenamente em \u201cA Ceia das Cinzas\u201d de Bruno, mas n\u00e3o o cita.<br \/>\nContaminado pela revolucion\u00e1ria filosofia de Bruno foi Shakespeare. O universo de Giordano Bruno, com um c\u00e9u infinito e a mat\u00e9ria criadora \u00e9, de fato, mais que um simples sonho de amor em seu \u201cAnt\u00f4nio e Cle\u00f3patra\u201d. E ainda em uma outra sua opereta, \u201cPenas de amor perdidas\u201d, a concep\u00e7\u00e3o da autonomia do Estado com rela\u00e7\u00e3o ao confessionalismo \u00e9 clara retomada do \u201cA Expuls\u00e3o da Besta Triunfante\u201d de Giordano Bruno. Mas nem Shakespeare, que certamente conheceu Bruno na corte de Elizabeth, o cita.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Giordano Bruno \u00e9 um intelectual desconfort\u00e1vel porque condena a mentira e a hipocrisia, sobretudo quando ocorrem no reverenciado \u2018mundo da cultura\u2019, transformado pelos servis pedantes em academia de pensamento \u00fanico. Bruno polemiza continuamente e publicamente com eles, ridicularizando-os em seus di\u00e1logos: \u201cmais n\u00e3o sabem e est\u00e3o embebidos de falsas informa\u00e7\u00f5es e mais acham que sabem\u201d, e fazem passar seus princ\u00edpios por \u201cconhecidos, aprovados sem demonstra\u00e7\u00e3o\u201d.<br \/>\nGiordano Bruno \u00e9 desconfort\u00e1vel porque \u00e0s baronias facciosas dos intelectuais de regime lhes esfrega na cara sua responsabilidade pela decad\u00eancia pol\u00edtica e moral que ele, peregrino \u201cem fuga da voraz loba romana\u201d, toca com a m\u00e3o, em uma Europa dilacerada pelas guerras de religi\u00e3o: \u201cA sabedoria e a justi\u00e7a come\u00e7aram a abandonar a terra no momento em que os doutos, organizados em fac\u00e7\u00f5es, come\u00e7aram a usar o seu saber para fins de lucro. A consequ\u00eancia disso foi que&#8230; os Estados, os reinos e os imp\u00e9rios acabaram desconcertados, arruinados, bandidos junto com s\u00e1bios&#8230; e com os povos\u201d.<br \/>\nGiordano Bruno podia ter vivido tranquilamente sua carreira de docente, mas o tomismo (n.d.t.: \u201cO tomismo \u00e9 a doutrina ou filosofia escol\u00e1stica de S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino (1225-1274), adotada oficialmente pela Igreja Cat\u00f3lica, e que se caracteriza sobretudo pela tentativa de conciliar o aristotelismo com o cristianismo\u201d &#8211; Wikipedia) o oprimia. Toda a ideologia crist\u00e3 o oprimia e ele denunciou o aparato fide\u00edsta da mesma (n.d.t: doutrina segundo a qual as verdades supremas n\u00e3o podem ser conhecidas pela raz\u00e3o, mas s\u00f3 atrav\u00e9s da f\u00e9) que esmaga a raz\u00e3o e a autodetermina\u00e7\u00e3o. <\/br><\/p>\n<p>Bruno quer um mundo de indiv\u00edduos pensantes e livres. Por isso acolhe com entusiasmo o copernicianismo. V\u00ea nisso o trampolim para o pulo pela emancipa\u00e7\u00e3o humana. Sa\u00eddos da jaula do geocentrismo, onde \u201clhe tinham sido cortadas as asas\u201d, os seres humanos podem finalmente contemplar o voo e \u201cliberar-se das quimeras\u201d de um c\u00e9u superior e uma terra inferior.<br \/>\nE Bruno exorta cada indiv\u00edduo a usar as asas da raz\u00e3o: a experimentar as infinitas possibilidades de pensar, conhecer, agir. A tornar-se, \u201cpodendo formar outras naturezas, outros cursos, outras ordens com a intelig\u00eancia\u201d, \u201ccooperadores da operante natureza\u201d. Penetrando as leis f\u00edsicas. E assim passa-se a ser magos. Deuses em si mesmos.<br \/>\n<\/br><br \/>\nA magia de Bruno \u00e9 o conhecimento. \u00c9 o desenvolvimento da capacidade de investiga\u00e7\u00e3o e pesquisa para analisar as rela\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas dos elementos naturais, os profundos nexos causais entre todas as coisas: \u201cmagia \u00e9 a contempla\u00e7\u00e3o da natureza e perscruta\u00e7\u00e3o dos seus segredos\u201d. Gra\u00e7as \u00e0 ci\u00eancia f\u00edsica e qu\u00edmica: \u201cAprovo aquilo que se faz fisicamente e procede por apotec\u00e1rias (farmac\u00eauticas) receitas&#8230; Aceito aquilo que se faz quimicamente\u201d; \u201c\u00d3timo e verdadeiro \u00e9 aquilo que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00edsico que n\u00e3o seja tamb\u00e9m qu\u00edmico e matem\u00e1tico\u201d. Esta \u00e9 a magia para Giordano Bruno, ao contr\u00e1rio daquela dos charlat\u00e3es (reduzida \u00e0 rid\u00edcula caricatura no \u201cMerceeiro\u201d). Uma \u201cmagia de desesperados\u201d \u2013 assim a chama \u2013 \u201cde quem invoca supostas intelig\u00eancias ocultas com ritos preces f\u00f3rmulas\u201d.<br \/>\nA magia \u00e9, ent\u00e3o, a arte do conhecimento, magia de conhecimento, \u201cpot\u00eancia cogitativa\u201d que sabe tecer inter-rela\u00e7\u00f5es representativas. \u00c9 mem\u00f3ria raciocinada, que desenvolve pensamento problem\u00e1tico e conscientemente julga penetrando caminhos inexplorados, porque \u2013 escreve Bruno \u2013 \u201cseleciona\u201d, \u201caplica\u201d, \u201cforma\u201d, \u201cordena\u201d. Um processo que \u00e9 alimento para a mente, como ainda hoje se diz: \u201ca pesquisa raciocinada dos dados particulares, \u00e9 o que mais parece com o alimento, a coloca\u00e7\u00e3o de ambos nos sentidos externos e internos, \u00e9 uma forma de digest\u00e3o\u201d para \u201cprogredir nas opera\u00e7\u00f5es da intelig\u00eancia\u201d, para \u201cver com os olhos da intelig\u00eancia\u201d. Este \u00e9 um incessante processo de decomposi\u00e7\u00e3o e recomposi\u00e7\u00e3o de \u201c\u00e1tomos corp\u00f3reos-mentais\u201d. Um processo que estimula novas sinapses, como se diria hoje, para conquistar para o pensamento anal\u00edtico cr\u00edtico cada vez maiores \u00e1reas cerebrais.<br \/>\nMas para que isso aconte\u00e7a, \u00e9 preciso superar \u201co h\u00e1bito de acreditar, impedimento m\u00e1ximo ao conhecimento\u201d. \u00c9 preciso varrer \u201ca besta triunfante\u201d da passividade, da homologa\u00e7\u00e3o, da resigna\u00e7\u00e3o ao pensamento de uma s\u00f3 dimens\u00e3o.<br \/>\nEis ent\u00e3o que a liberdade de pensamento se torna para Bruno pr\u00e9-requisito e m\u00e9todo. Procedimento de cont\u00ednua transmigra\u00e7\u00e3o conceitual. Ciclos cognitivos, que se reabrem em uma esp\u00e9cie de pitag\u00f3ricas transmigra\u00e7\u00f5es ao devir de diversificadas aquisi\u00e7\u00f5es&#8230; Para entender&#8230; e resgatar-se de cada sujei\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<\/br> <\/p>\n<p>Bruno sacrificou sua vida para que a humanidade sa\u00edsse da resigna\u00e7\u00e3o de minoria para construir uma sociedade mais justa e livre.<br \/>\nDenunciou a arrog\u00e2ncia e a injusti\u00e7a de um mundo onde a liberdade \u00e9 o reino da insol\u00eancia de quem nega emancipa\u00e7\u00e3o e autodetermina\u00e7\u00e3o aos outros.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 liberdade sem solidariedade das liberdades. N\u00e3o h\u00e1 liberdade sem justi\u00e7a. Sem o respeito da dignidade individual de sermos propriet\u00e1rios da pr\u00f3pria exist\u00eancia.<br \/>\nIsso afirma Giordano Bruno. Porque dignidade \u00e9 o direito de se ter direito de gerir o pr\u00f3prio projeto existencial individual.<br \/>\nE isso implica p\u00fablico reconhecimento, que significa tamb\u00e9m compromisso privado e p\u00fablico para fazer com que cada um se emancipe da sujei\u00e7\u00e3o mental, econ\u00f4mica, pol\u00edtica, social.<br \/>\nE o objetivo da filosofia de Bruno \u00e9 justamente construir uma sociedade de seres livres e iguais em termos de dignidade, onde finalmente, como diria mais tarde a fil\u00f3sofa contempor\u00e2nea Hannah Arendt, \u201cningu\u00e9m seja exclu\u00eddo do direito de ter direitos\u201d.<br \/>\nPor isso Bruno exorta cada um de n\u00f3s a \u201cinvestir todas as faculdades e as for\u00e7as que obtivemos da natureza para operar bem e fazer frutificar as intelig\u00eancias que temos\u201d.<br \/>\n<\/br><br \/>\nAssim, sua Reforma era, em s\u00edntese:<br \/>\n&#8211; fornecer instru\u00e7\u00e3o a todos, de modo que cada um possa se emancipar;<br \/>\n&#8211; remover os obst\u00e1culos das desvantagens individuais, sociais e econ\u00f4micos;<br \/>\n&#8211; abolir os privil\u00e9gios;<br \/>\n&#8211; depor os tiranos;<br \/>\n&#8211; escolher governantes honestos&#8230;<br \/>\nOra, governantes honestos! E n\u00e3o seria ainda hoje uma quest\u00e3o com a qual temos que nos preocupar? Bruno, de sua parte, tinha denunciado como a orgia do poder gerasse corrup\u00e7\u00e3o generalizada: \u201caquele que j\u00e1 era liberal, torna-se avaro, aquele que era suave, torna-se insolente, de humilde agora o v\u00eas soberbo, de doador do que \u00e9 seu, vira ladr\u00e3o e usurpador dos outros, de bom vira hip\u00f3crita, de sincero, maligno&#8230; Pronto para todos os tipos de ignor\u00e2ncia e vilania&#8230; que pior imposs\u00edvel\u201d.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Bruno denunciava as rendas parasit\u00e1rias, os privil\u00e9gios e a explora\u00e7\u00e3o dos que \u201cdissipam, dilaceram e devoram\u201d; e exortava ao empenho c\u00edvico para impedir que a eles \u201cn\u00e3o lhes fosse l\u00edcito ocupar com o roubo e a violenta usurpa\u00e7\u00e3o aquilo que tem utilidade comum\u201d&#8230;<br \/>\nOra, os bens comuns, que hoje temos que defender. E que se chamam instru\u00e7\u00e3o em escolas p\u00fablicas, direito ao trabalho, direito \u00e0 \u00e1gua p\u00fablica, direito de n\u00e3o morrer contra a nossa vontade numa cama cheio de tubos, direito a iguais oportunidades, direito de n\u00e3o sermos enjaulados em estere\u00f3tipos sexistas que torturam&#8230; Bens comuns, porque a salvaguarda dignidade individual \u00e9 o bem comum.<br \/>\nDepende de n\u00f3s, porque \u201c\u00e9 a vontade humana que senta na popa\u201d, repetia Giordano Bruno, ciente de que liberdade e justi\u00e7a n\u00e3o s\u00e3o uma doa\u00e7\u00e3o, mas uma conquista civil que requer empenho, vigil\u00e2ncia, verdade, luta se preciso.<br \/>\n<\/br><br \/>\nE depende de n\u00f3s! Em um extraordin\u00e1rio trecho de \u201cA Expuls\u00e3o da Besta Triunfante\u201d, Bruno usa a met\u00e1fora da sorte cega de uma maneira bastante original para ressaltar que no in\u00edcio todos s\u00e3o iguais. N\u00e3o h\u00e1 diferen\u00e7a na hora do nascimento. A desigualdade \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o totalmente humana.<br \/>\n\u201cEu que jogo todos na mesma urna da muta\u00e7\u00e3o e do moto, sou igual a todos,  [\u2026] e n\u00e3o contemplo nenhum particular mais que outro [\u2026]. De voc\u00eas, de voc\u00eas, digo, prov\u00e9m toda desigualdade, toda iniquidade\u201d. E se essas desigualdades existem, a culpa \u00e9 dos governos e governantes que voc\u00eas escolhem para voc\u00eas mesmos: \u201cquando acontece que um almofadinha ou um vil\u00e3o chega a ser pr\u00edncipe ou rico, n\u00e3o \u00e9 por culpa minha, mas por inequidade de voc\u00eas que, por escassez de luz e esplendor pr\u00f3prio, n\u00e3o o desvilanizaram ou \u2018desalmofadinharam\u2019 antes. Ou no presente [\u2026]. N\u00e3o \u00e9 um erro o tornar-se pr\u00edncipe, mas ser feito pr\u00edncipe um vil\u00e3o\u201d.<br \/>\nA justi\u00e7a \u00e9 um direito e um dever: \u201cduas s\u00e3o as m\u00e3os pelas quais \u00e9 pot\u00eancia ligar cada lei, \u2013 escrevia Giordano Bruno \u2013 uma \u00e9 aquela da justi\u00e7a, a outra \u00e9 a da possibilidade; (&#8230;) como, embora muitas coisas sejam poss\u00edveis que s\u00e3o justas, nada por\u00e9m \u00e9 justo que n\u00e3o seja poss\u00edvel\u201d.<br \/>\n\u00c9 uma quest\u00e3o de dignidade!<\/strong><br \/>\n<\/br><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/giordano-bruno.gif\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/giordano-bruno.gif\" alt=\"\" title=\"giordano-bruno\" width=\"510\" height=\"686\" class=\"alignright size-full wp-image-3361\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/giordano-bruno.gif 510w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/02\/giordano-bruno-223x300.gif 223w\" sizes=\"auto, (max-width: 510px) 100vw, 510px\" \/><\/a><br \/>\n<\/br><br \/>\n<strong>Outros flashes sobre Giordano Bruno na imediata:<\/strong><br \/>\n<\/br><br \/>\n<strong>>> Cinco minutos para homenagear Giordano Bruno, e assim, homenagearmo-nos a todos<\/strong><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/?p=1962\">http:\/\/imediata.org\/?p=1962<\/a><br \/>\n<\/br><br \/>\n<strong>>> \u00c0s m\u00e3es de todos \u2013 a m\u00e3e anarquia, a m\u00e3e liberdade, a m\u00e3e coragem<\/strong><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/?p=1514\">http:\/\/imediata.org\/?p=1514<\/a><br \/>\n<\/br><br \/>\n<strong>>> Cinco Minutos para um Tour da Realidade Vis\u00edvel<\/strong><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/?p=1668\">http:\/\/imediata.org\/?p=1668<\/a><br \/>\n<\/br><br \/>\n<strong>>> \u201cO tempo e a ma\u00e7\u00e3\u201d, v\u00eddeo-apresenta\u00e7\u00e3o por Giuliana Conforto<\/strong><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/?p=2007\">http:\/\/imediata.org\/?p=2007<\/a><\/p>\n<p><\/br><br \/>\n<strong>>> EUROP\u2019EUS EUROP\u2019ECOS, por Artur d\u2019Amaru<\/strong><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/?p=381\">http:\/\/imediata.org\/?p=381<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>EM NOME DE GIORDANO BRUNO, O DIREITO \u00c0 DIGNIDADE Por: Maria Mantello Fonte: MicroMega Tradu\u00e7\u00e3o: Mario S. Mieli Este ano tamb\u00e9m, em Roma, no dia 17 de fevereiro, em Campo dei Fiori, a partir das 17 horas, a Associazione Nazionale del Libero Pensiero \u201cGiordano Bruno\u201d (Associa\u00e7\u00e3o Nacional do Livre Pensamento &#8220;Giordano Bruno&#8221;), lembrar\u00e1 o pensamento [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,9],"tags":[1944,403,1945,95],"class_list":["post-3358","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-al-manakh","category-lance-de-dados","tag-em-nome-de-giordano-bruno-o-direito-a-dignidade","tag-giordano-bruno","tag-maria-mantello","tag-mario-s-mieli"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3358","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3358"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3358\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3364,"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3358\/revisions\/3364"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3358"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3358"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3358"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}