{"id":3185,"date":"2013-01-07T12:38:53","date_gmt":"2013-01-07T12:38:53","guid":{"rendered":"http:\/\/imediata.org\/?p=3185"},"modified":"2013-01-07T12:38:53","modified_gmt":"2013-01-07T12:38:53","slug":"mediocridade-por-giorgio-cattaneo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imediata.org\/?p=3185","title":{"rendered":">> Mediocridade,  por Giorgio Cattaneo"},"content":{"rendered":"<p><\/br><br \/>\n<strong>Mediocridade,  por Giorgio Cattaneo<\/strong><br \/>\n<\/br><br \/>\n<strong>Fonte:<\/strong> <a href=\"http:\/\/www.megachip.info\/tematiche\/democrazia-nella-comunicazione\/9585-mediocrita.html\">Megachip <\/a><br \/>\n<strong>Tradu\u00e7\u00e3o: Mario S. Mieli<\/strong><br \/>\n<\/br><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/Mediocridade.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/Mediocridade-300x187.jpg\" alt=\"\" title=\"Mediocridade\" width=\"300\" height=\"187\" class=\"alignright size-medium wp-image-3188\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/Mediocridade-300x187.jpg 300w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/Mediocridade.jpg 352w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/br><br \/>\n<strong>Voc\u00ea olha em volta e v\u00ea quase s\u00f3 mediocridade.<\/strong> Canalhice, falta de respeito, ignor\u00e2ncia. O amor pelo trabalho livre, bem feito: \u00e9 coisa em vias de extin\u00e7\u00e3o. O prazer do trabalho bem feito, assim o chamava Primo Levi. <strong>Tudo \u00e9 cansa\u00e7o mental: desviar-se dos trilhos, agregar almas afins. Canseira intermin\u00e1vel.<\/strong> Psicol\u00f3gica, mesmo antes que pol\u00edtica.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Medos, depend\u00eancias, pregui\u00e7a. <strong>Fomos idiotizados com sabedoria, com m\u00e9todo.<\/strong> Literatos, fil\u00f3sofos, poetas e te\u00f3logos tratam de termos como valores, dignidade. <strong>Um zoo de encarregados de trabalhos. Somos n\u00f3s o zoo.<\/strong><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>E, todavia: acho que a mediocridade \u00e9 infalivelmente ofensiva. H\u00e1 um desmazelo universal feito de imprecis\u00e3o, intempestividade, aproxima\u00e7\u00e3o. A banal, simples pontualidade foi banida. <strong>As palavras viajam rapid\u00edssimas, mas n\u00e3o cont\u00eam quase mais nada.<\/strong> H\u00e1 tamb\u00e9m os maus, inevit\u00e1veis, mas seriam pouca coisa se tivessem diante de si alguma coisa outra que esse zoo dos zombies. Cuja especialidade (salvo exce\u00e7\u00f5es, felizmente, n\u00e3o t\u00e3o escassas) \u00e9 <strong>uma mediocridade sepulcral, fruto \u2013 se diria \u2013 da aus\u00eancia de qualquer pensamento,<\/strong> para motivar (por acaso) qualquer forma de necess\u00e1ria autodisciplina.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Med\u00edocres produtores, med\u00edocres industriais, med\u00edocres consumidores. <strong>Med\u00edocres usu\u00e1rios de med\u00edocres narra\u00e7\u00f5es.<\/strong> Med\u00edocre passado e med\u00edocre presente \u2013 o futuro simplesmente n\u00e3o existe, mas se existisse seria ele tamb\u00e9m desoladoramente med\u00edocre. Da mediocridade, Mario Monti veste somente a m\u00e1scara.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Depois t\u00eam tamb\u00e9m os exaustos, os terminais, os desencorajados, os removidos. Os dissidentes conscientes. E s\u00e3o tantos. E est\u00e3o cansados. Porque tudo aquilo que veem, em sua volta, \u00e9 somente mediocridade. <strong>Um ass\u00e9dio apocal\u00edptico, nunca antes visto.<\/strong><br \/>\n<\/br><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/mediocridade_1_w.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/mediocridade_1_w-300x168.jpg\" alt=\"\" title=\"mediocridade_1_w\" width=\"300\" height=\"168\" class=\"alignright size-medium wp-image-3189\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/mediocridade_1_w-300x168.jpg 300w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/mediocridade_1_w.jpg 410w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>Hitler, Stalin, Churchill, Mussolini, Roosevelt. Foram tudo menos que med\u00edocres. <\/strong>N\u00e3o podia ser med\u00edocre Yurij Gagarin. Nem seu colega aviador Anatolij Grishenko, o piloto de helic\u00f3ptero que se imolou (volunt\u00e1rio) para tapar o reator de Chernobyl. Med\u00edocre \u00e9 o diretor da Tepco, que mentiu sem pudor aos japoneses assustados por Fukushima.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Med\u00edocre \u00e9 o c\u00e1lculo, med\u00edocre \u00e9 a mentira. Med\u00edocre \u00e9 quem presume saber, quem anseia em conhecer a opini\u00e3o alheia com o \u00fanico fim de manipul\u00e1-la. <strong>Nove em cada dez vezes, med\u00edocre \u00e9 quem bate \u00e0 porta, quem faz tocar o telefone. E se n\u00e3o \u00e9 med\u00edocre, est\u00e1 conformado \u00e0 mediocridade geral.<\/strong><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Med\u00edocre \u00e9 a mercadoria do supermercado, med\u00edocre (e explorado) o trabalho de quem a produziu. Venenos med\u00edocres, qu\u00edmica med\u00edocre, alimentos med\u00edocres, como a exist\u00eancia de quem deles se alimenta. <strong>A mediocridade \u00e9 perigosa, porque desativa os dispositivos de alarme e desabilita o c\u00e9rebro.<\/strong> Dispensa a intelig\u00eancia, a capacidade de escolher e de desejar.<br \/>\n<\/br><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/mediocridade-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/mediocridade-1-300x225.jpg\" alt=\"\" title=\"mediocridade-1\" width=\"300\" height=\"225\" class=\"alignright size-medium wp-image-3190\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/mediocridade-1-300x225.jpg 300w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/mediocridade-1.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>\u00c9 assustador o massacre da beleza realizado pela chamada arte contempor\u00e2nea, perfeita mimesis do descart\u00e1vel industrial. <strong>Pura celebra\u00e7\u00e3o do nada \u2013 e voluptuosa, tamb\u00e9m \u2013 de um descaramento de parada nazista, autorit\u00e1ria e canalha como a subcultura que a produziu.  <\/strong><br \/>\n<\/br><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/mediocridade-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/mediocridade-2.jpg\" alt=\"\" title=\"mediocridade-2\" width=\"300\" height=\"274\" class=\"alignright size-full wp-image-3191\" \/><\/a><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>A beleza permanece um perigo: a  percep\u00e7\u00e3o da mesma necessita de sil\u00eancio seletivo, contempla\u00e7\u00e3o, escuta.<\/strong> Estamos entupidos de impulsos eletr\u00f4nicos, como um ex\u00e9rcito em guerra: em teoria \u00e9 para veicular informa\u00e7\u00f5es; na pr\u00e1tica, o excesso de hiper-informa\u00e7\u00e3o obt\u00e9m o resultado inverso, tornando-nos insens\u00edveis e indiferentes. <strong>Vozes demais, nenhuma voz. O tempo \u00e9 recodificado, preenchido, inundado de n\u00e3o-informa\u00e7\u00f5es.<\/strong> E sem se chegar \u00e0 fraude, aquela da chamada informa\u00e7\u00e3o: que n\u00e3o s\u00f3 desinforma ativamente, mas d\u00e1 \u00e0s v\u00edtimas a ilus\u00f3ria sensa\u00e7\u00e3o de estarem eficazmente informadas.<br \/>\n<\/br><br \/>\n<strong>\u00c9 muito pouco, definir tudo isso como mediocridade? <\/strong>Sei apenas isso: se algu\u00e9m se relacionar com voc\u00ea de maneira n\u00e3o med\u00edocre \u2013 amigo ou inimigo que seja \u2013 ent\u00e3o obriga voc\u00ea a dar automaticamente o melhor de si, n\u00e3o o pior. M\u00fasica med\u00edocre, filmes med\u00edocres, livros med\u00edocres. Trata-se de um plano pr\u00e9-estabelecido ou de uma simples consequ\u00eancia? <strong>\u00c9 t\u00e3o confort\u00e1vel a mediocridade. \u00c9 uma esp\u00e9cie de anestesia, de droga psicotr\u00f3pica.<\/strong> A reconstru\u00e7\u00e3o de uma est\u00e9tica alternativa n\u00e3o est\u00e1 razoavelmente ao alcance de nenhuma coaliz\u00e3o baseada em for\u00e7as humanas independentes.<br \/>\n<\/br><br \/>\nComo disse o velho Dylan em uma entrevista: <strong>\u201cAdmitamos: venceu Walt Disney. Portanto, perdemos todos\u201d.<\/strong><br \/>\n<\/br><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/disneymediocritas1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2013\/01\/disneymediocritas1.jpg\" alt=\"\" title=\"disneymediocritas\" width=\"187\" height=\"150\" class=\"alignright size-full wp-image-3187\" \/><\/a>  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mediocridade, por Giorgio Cattaneo Fonte: Megachip Tradu\u00e7\u00e3o: Mario S. Mieli Voc\u00ea olha em volta e v\u00ea quase s\u00f3 mediocridade. Canalhice, falta de respeito, ignor\u00e2ncia. O amor pelo trabalho livre, bem feito: \u00e9 coisa em vias de extin\u00e7\u00e3o. O prazer do trabalho bem feito, assim o chamava Primo Levi. 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