{"id":2971,"date":"2012-11-06T14:32:17","date_gmt":"2012-11-06T14:32:17","guid":{"rendered":"http:\/\/imediata.org\/?p=2971"},"modified":"2012-11-06T14:33:22","modified_gmt":"2012-11-06T14:33:22","slug":"latifundios-midiaticos-%e2%80%93-%e2%80%9creforma-agraria-no-ar%e2%80%9d-eduardo-sales-de-lima-entrevista-silvio-mieli","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imediata.org\/?p=2971","title":{"rendered":">> Latif\u00fandios midi\u00e1ticos \u2013 \u201cReforma agr\u00e1ria no ar\u201d, Eduardo Sales de Lima entrevista Silvio Mieli"},"content":{"rendered":"<p><\/br><br \/>\n<strong>Latif\u00fandios midi\u00e1ticos \u2013 \u201cReforma agr\u00e1ria no ar\u201d, Eduardo Sales de Lima entrevista Silvio Mieli<\/strong><br \/>\n<\/br><br \/>\nFonte: <a href=\"http:\/\/www.brasildefato.com.br\/node\/10978\">Brasil de Fato de 23\/10\/2012<\/a> <\/p>\n<p><\/br><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/DONOS-DA-MIDIA.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/DONOS-DA-MIDIA.jpg\" alt=\"\" title=\"DONOS DA MIDIA\" width=\"400\" height=\"235\" class=\"alignright size-full wp-image-2972\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/DONOS-DA-MIDIA.jpg 400w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/DONOS-DA-MIDIA-300x176.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><br \/>\n<\/br> <\/p>\n<p>Para Silvio Mieli, jornalista e professor da faculdade de Comunica\u00e7\u00e3o e Filosofia da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica (PUC-SP), a concentra\u00e7\u00e3o de poder nos meios de comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 um espelho da concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria. \u201cOs primeiros grilaram terras p\u00fablicas ou compraram terras de grileiros. Os \u00faltimos se apossaram do espectro eletromagn\u00e9tico por favorecimentos pol\u00edticos e pelo poder econ\u00f4mico, ou ambos os casos.\u201d<br \/>\n<\/br> <\/p>\n<p>A opini\u00e3o do jornalista soma-se \u00e0s recentes manifesta\u00e7\u00f5es pela democratiza\u00e7\u00e3o na comunica\u00e7\u00e3o no Brasil, como a que ocorreu no dia 15 de outubro, em frente ao hotel Renassaince, onde estava ocorrendo um encontro da SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa). Na ocasi\u00e3o, representantes do Coletivo Intervozes e do F\u00f3rum Nacional pela Democratiza\u00e7\u00e3o da Comunica\u00e7\u00e3o (FNDC), entre outras organiza\u00e7\u00f5es, levantaram cartazes denunciando abusos praticados por emissoras de r\u00e1dio e televis\u00e3o, jornais e revistas.<br \/>\n<\/br> <\/p>\n<p>Ali\u00e1s, uma das conclus\u00f5es do recente estudo do pesquisador Tiago Cubas, do N\u00facleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Reforma Agr\u00e1ria (Nera\/Unesp), \u201cS\u00e3o Paulo Agr\u00e1rio: representa\u00e7\u00f5es da disputa territorial entre camponeses e ruralistas de 1988 a 2009\u201d, vai justamente nessa dire\u00e7\u00e3o. A de que a m\u00eddia corporativa totaliza a vis\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es capitalistas no campo; da\u00ed estereotipa e n\u00e3o aceita sujeitos e modos de produ\u00e7\u00e3o alternativos.<br \/>\n<\/br> <\/p>\n<p>Na entrevista a seguir, Silvio Mieli analisa a atual conjuntura de luta pela democratiza\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o no Brasil.<br \/>\n<\/br> <\/p>\n<p><strong>Brasil de Fato &#8211; H\u00e1 tempos existe a viol\u00eancia f\u00edsica cometida pelo poder p\u00fablico ou privado sobre os sem-terras, por meio de policiais e seguran\u00e7as. A cobertura m\u00eddia tradicional aborda tais ocorr\u00eancias de forma tendenciosa. Por que a viol\u00eancia contra o pobre \u00e9 t\u00e3o naturalizada e at\u00e9 ignorada pela m\u00eddia corporativa at\u00e9 hoje?<\/strong><br \/>\n<\/br> <\/p>\n<p><strong>Silvio Mieli<\/strong> &#8211; Em primeiro lugar \u00e9 preciso lembrar que a m\u00eddia \u00e9 ultraconservadora. O conservador acha natural que 1 bilh\u00e3o de pessoas passem fome no mundo. Tamb\u00e9m passa a ser natural \u2014 e t\u00edpico dos conservadores \u2014 que se use de viol\u00eancia contra aqueles que querem sair dessa situa\u00e7\u00e3o. Como diz o fil\u00f3sofo Giorgio Agamben, a m\u00eddia gosta de pessoas indignadas, por\u00e9m passivas. Os grandes jornais n\u00e3o ter\u00e3o nenhum prurido em mostrar crian\u00e7as famintas num lix\u00e3o qualquer da vida, mas reprovar\u00e3o veementemente qualquer a\u00e7\u00e3o direta para corrigir essa injusti\u00e7a. Ora, o mesmo modelo de concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria se espelhou para os meios de comunica\u00e7\u00e3o no Brasil. Os primeiros grilaram terras p\u00fablicas ou compraram terras de grileiros. Os \u00faltimos se apossaram do espectro eletromagn\u00e9tico por favorecimentos pol\u00edticos e pelo poder econ\u00f4mico, ou ambos os casos. \u00c9 por essas e outras que o sistema \u00e9 capaz de tudo quando se trata de discutir a propriedade da terra ou de um meio de comunica\u00e7\u00e3o. N\u00e3o por acaso o slogan da democratiza\u00e7\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o nos anos 1980 era: Reforma Agr\u00e1ria no Ar. Na terra como na m\u00eddia estamos lidando com os mesmos problemas: a quest\u00e3o da propriedade, o seu uso social e quais modelos de desenvolvimento devem ser colocados em pr\u00e1tica.<br \/>\n<\/br> <\/p>\n<p><strong>Em termos pr\u00e1ticos, que tipo de rela\u00e7\u00e3o existe entre os jornais locais (e os nacionais) e o agroneg\u00f3cio para tratar os camponeses pobres sempre de forma criminosa?<\/strong><br \/>\n<\/br> <\/p>\n<p>Todas as fam\u00edlias que monopolizam os meios de comunica\u00e7\u00e3o no Brasil s\u00e3o (direta ou indiretamente) grandes propriet\u00e1rios de terra. A fam\u00edlia Saad (grupo Bandeirantes), que recentemente tamb\u00e9m entrou no ramo da m\u00eddia impressa, \u00e9 de grandes pecuaristas, Oct\u00e1vio Frias (pai) era um dos maiores granjeiros do pa\u00eds.Portanto, al\u00e9m do servilismo ao poder, existem interesses diretos no setor. Muitos pol\u00edticos, mesmo os que se acham muito poderosos, viraram office-boys das grandes corpora\u00e7\u00f5es. Quanto aos grandes ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o, transformaram-se em promoters de eventos dessas grandes empresas.<br \/>\n<\/br> <\/p>\n<p><strong>Ap\u00f3s a chamada \u201credemocratiza\u00e7\u00e3o\u201d (p\u00f3s-ditadura), qual tem sido o peso das m\u00eddias (locais e nacionais) no processo de naturaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia aos pobres e sem-terras e no entrave \u00e0 reforma agr\u00e1ria?<\/strong><br \/>\n<\/br> <\/p>\n<p>Costumo dizer que a m\u00eddia n\u00e3o \u00e9 o 4o. poder, mas o 5o elemento. Temos a \u00e1gua, terra, fogo, ar e\u2026 os meios de comunica\u00e7\u00e3o. Vivemos imersos neles. Da\u00ed a import\u00e2ncia da qualidade do que se produz nesse meio. Mas no nosso caso brasileiro, ser\u00e1 que podemos falar realmente de \u201credemocratizac\u00e3o\u201d se, dentre tantos problemas herdados da ditadura, o acesso aos meios \u00e9 t\u00e3o limitado ? Eis uma outra dimens\u00e3o da vida nacional que vive num estado de exce\u00e7\u00e3o permanente. A ditadura configurou um modelo comunicacional que, mesmo findo o regime militar, continua de p\u00e9. \u00c9 s\u00f3 pesquisar o papel da m\u00eddia corporativa nos \u00faltimos grandes embates relativos \u00e0s quest\u00f5es ambientais e agr\u00e1rias para verificar como se comportam (Raposa Serra do Sol, MP 458, C\u00f3digo Florestal, Belo Monte\u2026).<br \/>\n<\/br> <\/p>\n<p><strong>O que um governo progressista ou a pr\u00f3pria sociedade maios esclarecida poderiam fazer para pressionar esses ve\u00edculos por uma comunica\u00e7\u00e3o mais equilibrada?<\/strong><br \/>\n<\/br> <\/p>\n<p>Vejamos o exemplo da pentecostaliza\u00e7\u00e3o da m\u00eddia no Brasil. Considero a invas\u00e3o dos meios de comunica\u00e7\u00e3o por corpora\u00e7\u00f5es que se autodenominam igrejas um dos maiores problemas contempor\u00e2neos na comunica\u00e7\u00e3o de massa no Brasil. J\u00e1 conviv\u00edamos com uma s\u00e9rie de outros problemas, agora temos mais essa. O que o Estado fez? Ampliou o espa\u00e7o e o poder desses grupos, inclusive atrav\u00e9s de alian\u00e7as pol\u00edtico-partid\u00e1rias. Entregou redes de televis\u00e3o para grupos que n\u00e3o representam nenhuma for\u00e7a cultural local, agridem as tradi\u00e7\u00f5es religiosas de matrizes africanas e fazem proselitismo do capitalismo como religi\u00e3o.\u00c9 claro que \u00e9 preciso lutar pelo controle social da m\u00eddia, mas acho que o caminho n\u00e3o \u00e9 o de reformar o que est\u00e1 a\u00ed, nem de cortar as propagandas estatais. A mesma t\u00e1tica do MST deve ser usada na luta pela democratiza\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o: a ocupa\u00e7\u00e3o do espectro improdutivo (seja no \u00e2mbito social, cultural ou pedag\u00f3gico, que inclusive tem respaldo constitucional). N\u00e3o me refiro a ocupar os est\u00fadios da Globo, mas, para al\u00e9m do espa\u00e7o que o movimento social vem conquistando na internet, lutar por canais de comunica\u00e7\u00e3o para os movimentos. Por que n\u00e3o uma MSTV, uma TV do MST? Chegou a hora de os movimentos sociais falarem ao povo diretamente, sem intermedi\u00e1rios e n\u00e3o s\u00f3 pela internet, mas tamb\u00e9m atrav\u00e9s das ondas eletromagn\u00e9ticas, ou do que restou delas.<br \/>\n<\/br><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/calado.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/calado.jpg\" alt=\"\" title=\"calado\" width=\"400\" height=\"267\" class=\"alignright size-full wp-image-2973\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/calado.jpg 400w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/11\/calado-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Latif\u00fandios midi\u00e1ticos \u2013 \u201cReforma agr\u00e1ria no ar\u201d, Eduardo Sales de Lima entrevista Silvio Mieli Fonte: Brasil de Fato de 23\/10\/2012 Para Silvio Mieli, jornalista e professor da faculdade de Comunica\u00e7\u00e3o e Filosofia da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica (PUC-SP), a concentra\u00e7\u00e3o de poder nos meios de comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 um espelho da concentra\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria. \u201cOs primeiros grilaram terras [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[81,9,82],"tags":[1709,1706,1707,1708,410],"class_list":["post-2971","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-imediartivismo","category-lance-de-dados","category-midia_corporativa","tag-concentracao-da-midia","tag-eduardo-sales-de-lima","tag-latifundios-midiaticos","tag-reforma-agraria-no-ar","tag-silvio-mieli"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2971","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2971"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2971\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2976,"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2971\/revisions\/2976"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2971"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2971"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2971"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}