{"id":2870,"date":"2012-10-19T15:25:18","date_gmt":"2012-10-19T15:25:18","guid":{"rendered":"http:\/\/imediata.org\/?p=2870"},"modified":"2012-10-19T15:25:18","modified_gmt":"2012-10-19T15:25:18","slug":"manifesto-em-defesa-da-civilizacao-abaixo-assinado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imediata.org\/?p=2870","title":{"rendered":">> MANIFESTO EM DEFESA DA CIVILIZA\u00c7\u00c3O (abaixo-assinado)"},"content":{"rendered":"<p><\/br><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/2dc9a0ee60.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/2dc9a0ee60.jpeg\" alt=\"\" title=\"2dc9a0ee60\" width=\"455\" height=\"217\" class=\"alignright size-full wp-image-2871\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/2dc9a0ee60.jpeg 455w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/10\/2dc9a0ee60-300x143.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 455px) 100vw, 455px\" \/><\/a><br \/>\n<\/br><br \/>\nEconomistas da Unicamp lan\u00e7am Manifesto em Defesa da Civiliza\u00e7\u00e3o<br \/>\n<\/br><br \/>\nDiante do quadro de regress\u00e3o social que atinge os pa\u00edses ditos desenvolvidos, um grupo de economistas formados pela Unicamp decidiu elaborar um &#8220;Manifesto em Defesa da Civiliza\u00e7\u00e3o&#8221;. &#8220;Estamos, hoje, vivendo uma crise que nega os princ\u00edpios fundamentais que regem a vida civilizada e democr\u00e1tica? Quanto tempo mais a humanidade suportar\u00e1 tamanha regress\u00e3o?&#8221; &#8211; pergunta o manifesto. As respostas para tais quest\u00f5es, acrescenta, n\u00e3o ser\u00e3o encontradas nos meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa, &#8220;ocupados hoje por aparatos comprometidos com a for\u00e7a dos mais fortes e controlado pela hegemonia das banalidades&#8221;. (fonte: reda\u00e7\u00e3o do <a href=\"http:\/\/www.cartamaior.com.br\/templates\/materiaMostrar.cfm?materia_id=21110\">cartamaior<\/a>)<br \/>\n<\/br><br \/>\n<strong>S\u00e3o Paulo &#8211; Diante do quadro de regress\u00e3o social que atinge os pa\u00edses ditos desenvolvidos, com supress\u00e3o progressiva de direitos, um grupo de economistas formados pela Unicamp decidiu elaborar um &#8220;Manifesto em Defesa da Civiliza\u00e7\u00e3o&#8221;. Assinaturas come\u00e7aram a ser colhidas tamb\u00e9mpelo site Peti\u00e7\u00e3o P\u00fablica e a iniciativa se espalhou. O documento pergunta:<\/strong><br \/>\n<\/br><br \/>\n<strong>Estamos n\u00f3s, hoje, vivendo uma crise que nega os princ\u00edpios fundamentais que regem a vida civilizada e democr\u00e1tica? E se isso for verdade: quanto tempo mais a humanidade suportar\u00e1 tamanha regress\u00e3o? <\/strong><br \/>\n<\/br><br \/>\n<strong>Abaixo-assinado MANIFESTO EM DEFESA DA CIVILIZA\u00c7\u00c3O<\/strong><br \/>\n<\/br><br \/>\n<strong>Para assinar, aqui: <\/strong><a href=\"http:\/\/www.peticaopublica.com.br\/?pi=P2012N30206\">http:\/\/www.peticaopublica.com.br\/?pi=P2012N30206<\/a><\/p>\n<p><strong>Para: Todos<\/strong><\/p>\n<p>Vivemos hoje um per\u00edodo de profunda regress\u00e3o social nos pa\u00edses ditos desenvolvidos. A crise atual apenas explicita a regress\u00e3o e a torna mais dram\u00e1tica. Os exemplos multiplicam-se. Em Madri uma jovem de 33 anos, outrora funcion\u00e1ria dos Correios, vasculha o lixo colocado do lado de fora de um supermercado. Tamb\u00e9m em Girona, na Espanha, diante do mesmo problema a Prefeitura mandou colocar cadeados nas latas de lixo. O objetivoalegado \u00e9 preservar a sa\u00fade das pessoas. Em Atenas, na movimentada Pra\u00e7aSyntagma situada em frente ao Parlamento, Dimitris Christoulas, qu\u00edmico aposentado de 77 anos, atira contra a pr\u00f3pria cabe\u00e7a numa manh\u00e3 de quarta-feira. Na nota de suic\u00eddio ele afirma ser essa a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o digna poss\u00edvel frente a um Governo que aniquilou todas as chances de uma sobreviv\u00eancia civilizada. Depois de anos de prec\u00e1rios trabalhos tempor\u00e1rios o italiano Angelo di Carlo, de 54 anos, ateou fogo a si pr\u00f3prio dentro de um carro estacionado em frente \u00e0 sede de um \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico de Bologna.<br \/>\n<\/br><br \/>\nEm toda zona do euro cresce a pr\u00e1tica medieval de anonimamente abandonar beb\u00eas dentro de caixas nas portas de hospitais e igrejas. A Inglaterra de Lord Beveridge, um dos inspiradores do Welfare State, vem cortando recorrentemente alguns servi\u00e7os especializados para idosos e doentes terminais. Cortes substantivos no valor das aposentadorias e pens\u00f5es constituem uma realidade cada vez mais presente para muitos integrantes da chamada comunidade europeia. Por toda a Europa, museus, teatros, bibliotecas e universidades p\u00fablicas sofrem cortes sistem\u00e1ticos em seus or\u00e7amentos. Em muitas empresas e \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos \u00e9 cada vez mais comum a pr\u00e1tica de trabalhar sem receber. Ainda oficialmente empregado \u00e9 poss\u00edvel, ao menos, manter a esperan\u00e7a de um dia ter seus vencimentos efetivamente pagos. Em pior situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 o desempregado. Grande parte deles s\u00e3o jovens altamente qualificados. A massa crescente de exclu\u00eddos n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno apenas europeu. O mesmo acontece nos EUA. Ali, mais do que em outros pa\u00edses, a taxa de desemprego tomada isoladamente n\u00e3o sintetiza mais a real situa\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho. A grande maioria daqueles que hoje est\u00e3o empregados ocupam postos de trabalhos prec\u00e1rios e em tempo parcial concentrados no setor de servi\u00e7os. Grande parte dos postos mais qualificados e de melhor remunera\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o foi destru\u00edda pela concorr\u00eancia chinesa. Nesse cen\u00e1rio, a classe m\u00e9dia vai sendo espremida, a mobilidade social \u00e9 para baixo e o mercado de trabalho vai ficando cada vez mais polarizado no pa\u00eds das oportunidades. No extremo superior, pouqu\u00edssimos executivos bem remunerados que t\u00eam sua renda diretamente atrelada ao mercado financeiro. No extremo inferior, uma massa de servi\u00e7ais pessoais mal pagos sem nenhuma seguran\u00e7a, que vivem uma realidade n\u00e3o muito diferente dos mais de 100 milh\u00f5es que recebem algum tipo de assist\u00eancia direta do Estado. O Welfare State, ao inv\u00e9s de se espalhar pelo planeta, encampando as tradicionais hordas de exclu\u00eddos, encolhe, aumentando a quantidade de deserdados.<br \/>\n<\/br><br \/>\nMuitos dir\u00e3o que essa situa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 revertida com a suposta volta do crescimento econ\u00f4mico e a retomada do investimento na ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o nestes pa\u00edses. N\u00e3o \u00e9 verdade. \u00c9 preciso aceitar rapidamente o seguinte fato: no capitalismo, o inexor\u00e1vel progresso tecnol\u00f3gico torna o trabalho redundante. O exponencial aumento da produtividade e da produ\u00e7\u00e3o industrial \u00e9 acompanhado pela constante redu\u00e7\u00e3o da necessidade de trabalhadores diretos.<br \/>\n<\/br><br \/>\nUma vez exclu\u00eddos, reincorporam-se \u2013 aqueles que o conseguem \u2013 como servi\u00e7ais baratos dentro de um circuito de renda comandado pelos detentores da maior parcela da riqueza dispon\u00edvel. Por isso mesmo, a crescente desigualdade de renda \u00e9 funcional para explicar a din\u00e2mica desse mercado de trabalho polarizado. Diante desse quadro, uma pergunta torna-se inevit\u00e1vel: estamos n\u00f3s, hoje, vivendo uma crise que nega os princ\u00edpios fundamentais que regem a vida civilizada e democr\u00e1tica? E se isso for verdade: quanto tempo mais a humanidade suportar\u00e1 tamanha regress\u00e3o? A ang\u00fastia torna-se ainda maior quando constatamos que as possibilidades de conforto material para a grande maioria da popula\u00e7\u00e3o deste planeta s\u00e3o reais. \u00c9 preciso agradecer ao capitalismo, e ao seu desatinado desenvolvimento, pela exuber\u00e2ncia de riqueza gerada. Ele proporcionou ao homem o dom\u00ednio da natureza e uma espantosa capacidade de produzir em larga escala os bens essenciais para as satisfa\u00e7\u00f5es das necessidades humanas imediatas. Diante dessa riqueza, \u00e9 dif\u00edcil encontrar raz\u00f5es para explicar a escassez de comida, de transporte, de sa\u00fade, de moradia, de seguran\u00e7a contra a velhice, etc. Numa express\u00e3o, escassez de bem estar! Um bem estar que marcou os conhecidos \u201canos dourados\u201d do capitalismo. A dolorosa experi\u00eancia de duas grandes guerras e da depress\u00e3o p\u00f3s 1929, nos ensinou que dever\u00edamos limitar e controlar as livres for\u00e7as do mercado. Os grilh\u00f5es colocados pela sociedade na economia explicam quase 30 anos de pleno emprego, aumento de sal\u00e1rios e lucros e, principalmente, a consolida\u00e7\u00e3o e a expans\u00e3o do chamado Estado de Bem Estar Social. Os direitos garantidos pelo Estado n\u00e3o deveriam ser apenas individuais, mas tamb\u00e9m coletivos.<br \/>\nVale dizer: sociais. Dessa maneira, ao mesmo tempo em que o direito \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 previd\u00eancia, \u00e0 habita\u00e7\u00e3o, \u00e0 assist\u00eancia, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e ao trabalho eram universalizados, milhares de empregos p\u00fablicos de m\u00e9dicos, enfermeiras, professores e tantos outros eram criados.<br \/>\n<\/br><br \/>\nO Welfare State n\u00e3o pode ser interpretado como uma mera reforma do capitalismo, mas sim como uma grande transforma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, social e pol\u00edtica. Ele \u00e9, nesse sentido, revolucion\u00e1rio. N\u00e3o foi um presente de governos ou empresas, mas a consequ\u00eancia de potentes lutas sociais que conseguiram negociar a reparti\u00e7\u00e3o da riqueza. Isso fica sintetizado na emerg\u00eancia de um Estado que institucionalizou a \u00e9tica da solidariedade. O individuo cedeu lugar ao cidad\u00e3o portador de direitos. No entanto, as gera\u00e7\u00f5es que cresceram sob o manto generoso da prote\u00e7\u00e3o social e do pleno emprego acabaram por naturalizar tais conquistas. As novas e pr\u00f3speras classes m\u00e9dias esqueceramque seus pais e av\u00f3s lutaram e morreram por isso. Um esquecimento que custa e custar\u00e1 muito caro \u00e0s gera\u00e7\u00f5es atuais e futuras. Caminhamos para um Estado de Mal Estar Social!<br \/>\n<\/br><br \/>\nEssa regress\u00e3o social come\u00e7ou quando come\u00e7amos a libertar a economia dos limites impostos pela sociedade, j\u00e1 no in\u00edcio dos anos 70. Sob o ide\u00e1rio liberal dos mercados, em nome da efici\u00eancia e da competi\u00e7\u00e3o, a \u00e9tica da solidariedade foi substitu\u00edda pela \u00e9tica da concorr\u00eancia ou do desempenho.<br \/>\n<\/br><br \/>\n\u00c9 o seu desempenho individual no mercado que define sua posi\u00e7\u00e3o na sociedade: vencedor ou perdedor. Ainda que a grande maioria das pessoas seja perdedora e n\u00e3o concorra em condi\u00e7\u00f5es de igualdade, n\u00e3o existem outras classifica\u00e7\u00f5es poss\u00edveis. N\u00e3o por acaso o principal slogan do movimento Occupy Wall Street \u00e9 \u201csomos os 99%\u201d. N\u00e3o por acaso, grande parte da popula\u00e7\u00e3o espanhola est\u00e1 indignada.<br \/>\n<\/br><br \/>\nMesmo em um pa\u00eds como o Brasil, a despeito dos importantes avan\u00e7os econ\u00f4micos e sociais recentes, a outrora chamada \u201cd\u00edvida social\u201d ainda \u00e9 enorme e se expressa na precariedade que assola todos os n\u00edveis da vida nacional. N\u00e3o se pode ignorar que esses caminhos tomados nos pa\u00edses centrais ter\u00e3o impactos sob essa jovem democracia que busca, ainda, universalizar os direitos de cidadania estabelecidos nos meados do s\u00e9culo passado nas na\u00e7\u00f5es desenvolvidas.<br \/>\n<\/br><br \/>\nComo ent\u00e3o acreditar que precisamos escolher entre o caos e austeridade fiscal dos Estados, se essa austeridade \u00e9 o pr\u00f3prio caos? Como aceitar que grande parte da carga tribut\u00e1ria seja diretamente direcionada para as m\u00e3os do 1% detentor de carteiras de t\u00edtulos financeiros? Por que a posse de tais pap\u00e9is que representam direitos \u00e0 apropria\u00e7\u00e3o da renda e da riqueza gerada pela totalidade da sociedade ganham preemin\u00eancia diante das necessidades da vida dos cidad\u00e3os? Por que os homens do s\u00e9culo XXI submetem aos ditames do ganho financeiro est\u00e9ril o direito ao conforto, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e \u00e0 cultura?As respostas para tais quest\u00f5es n\u00e3o ser\u00e3o encontradas nos meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa. Os espa\u00e7os de informa\u00e7\u00e3o e de forma\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia pol\u00edtica e coletiva foram ocupados por aparatos comprometidos com a for\u00e7a dos mais fortes e controlado pela hegemonia das banalidades. \u00c9 mais importante perguntar o que o sujeito comeu no caf\u00e9 da manh\u00e3 do que promover reflex\u00f5es sobre os rumos da humanidade.<br \/>\n<\/br><br \/>\nA civiliza\u00e7\u00e3o precisa ser defendida! As promessas da modernidade ainda n\u00e3o foram entregues. A autonomia do indiv\u00edduo significa a liberdade de se auto-realizar. Algo impens\u00e1vel para o homem que precisa preocupar-se cotidianamente com sua sobreviv\u00eancia f\u00edsica e material. Isso implica numa selvageria que deveria ficar restrita, por exemplo, a uma alcateia de lobos ferozes. Ao longo dos \u00faltimos de 200 anos de hist\u00f3ria do capitalismo, o homem controlou a natureza e criou um n\u00edvel de riqueza capaz de garantir a sobreviv\u00eancia e o bem estar de toda a popula\u00e7\u00e3o do planeta. Isso n\u00e3o pode ficar restrito para uma \u00ednfima parte. Mesmo porque, o bem estar de um s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel quando os demais \u00e0 sua volta encontram-se na mesma situa\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<\/br><br \/>\nCaso contr\u00e1rio, a rea\u00e7\u00e3o \u00e9 inevit\u00e1vel, violenta e incontrol\u00e1vel. A liberdade s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel com igualdade e respeito ao outro. \u00c9 preciso colocar novamente em movimento as engrenagens da civiliza\u00e7\u00e3o.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Os signat\u00e1rios<\/p>\n<p>Para assinar, aqui: <a href=\"http:\/\/www.peticaopublica.com.br\/?pi=P2012N30206\">http:\/\/www.peticaopublica.com.br\/?pi=P2012N30206<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Economistas da Unicamp lan\u00e7am Manifesto em Defesa da Civiliza\u00e7\u00e3o Diante do quadro de regress\u00e3o social que atinge os pa\u00edses ditos desenvolvidos, um grupo de economistas formados pela Unicamp decidiu elaborar um &#8220;Manifesto em Defesa da Civiliza\u00e7\u00e3o&#8221;. &#8220;Estamos, hoje, vivendo uma crise que nega os princ\u00edpios fundamentais que regem a vida civilizada e democr\u00e1tica? 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