{"id":276,"date":"2010-06-06T00:09:39","date_gmt":"2010-06-06T00:09:39","guid":{"rendered":"http:\/\/imediata.org\/?p=276"},"modified":"2010-06-06T00:10:10","modified_gmt":"2010-06-06T00:10:10","slug":"a-saudade-do-servo-na-velha-diplomacia-brasileira-por-leonardo-boff","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imediata.org\/?p=276","title":{"rendered":">>A saudade do servo na velha diplomacia brasileira, por Leonardo Boff"},"content":{"rendered":"<p><strong><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/imagens\/logos\/logolance.jpg\" alt=\"null\" \/><br \/>\nFonte: <a href=\"http:\/\/www.portaldomeioambiente.org.br\/\">Portal do Meio Ambiente<\/a><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p>O fil\u00f3sofo F. Hegel em sua Fenomenologia do Esp\u00edrito analisou detalhadamente a dial\u00e9tica do senhor e do servo. O senhor se torna tanto mais senhor quanto mais o servo internaliza em si o senhor, o que aprofunda ainda mais seu estado de servo. A mesma dial\u00e9tica identificou Paulo Freire na rela\u00e7\u00e3o oprimido-opressor em sua cl\u00e1ssica obra Pedagogia do oprimido. Com humor comentou Frei Betto: &#8220;em cada cabe\u00e7a de oprimido h\u00e1 uma placa virtual que diz: hospedaria de opressor&#8221;. Quer dizer, o opressor hospeda em si oprimido e \u00e9 exatamente isso que o faz oprimido. A liberta\u00e7\u00e3o se realiza quando o oprimido extrojeta o opressor e ai come\u00e7a ent\u00e3o uma nova hist\u00f3ria na qual  n\u00e3o haver\u00e1 mais oprimido e opressor mas o cidad\u00e3o livre.<\/p>\n<p>Escrevo isso a prop\u00f3sito de nossa imprensa comercial, os grandes jornais do Rio, de S\u00e3o Paulo e de Porto Alegre, com refer\u00eancia \u00e0 pol\u00edtica externa do governo Lula no seu af\u00e3 de mediar junto com o governo turco um acordo pac\u00edfico com o Ir\u00e3 a respeito do enriquecimento de ur\u00e2nio para fins n\u00e3o militares.  Ler as opini\u00f5es emitidas por estes jornais, seja em editoriais seja por seus articulistas, alguns deles, embaixadores da velha guarda, ref\u00e9ns do tempo da guerra-fria, na l\u00f3gica de amigo-inimigo \u00e9 simplesmente estarrecedor. O Globo fala em &#8220;suic\u00eddio diplom\u00e1tico&#8221;(24\/05) para referir apenas um t\u00edtulo at\u00e9 suave. Bem que poderiam colocar como sub-cabe\u00e7alho de seus jornais:&#8221;Sucursal do Imp\u00e9rio&#8221; pois sua voz \u00e9 mais eco da voz do senhor imperial do que a voz do jornalismo que objetivamente informa e honestamente opina. Outros, como o Jornal do Brasil, tem seguido uma linha de objetividade, fornecendo os dados principais para os leitores fazerem sua aprecia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>As opini\u00f5es revelam pessoas que t\u00eam saudades deste senhor imperial internalizado, de quem se comportam como s\u00facubos. N\u00e3o admitem que o Brasil de Lula ganhe relev\u00e2ncia mundial e se transforme num ator pol\u00edtico importante como o repetiu, h\u00e1 pouco, no Brasil, o Secret\u00e1rio Geral da ONU, Ban-Ki-moon. Querem v\u00ea-lo no lugar que lhe cabe:  na periferia colonial, alinhado ao patr\u00e3o imperial, qual c\u00e3o amestrado e vira-lata. Posso imaginar o quanto os donos desses jornais sofrem ao ter que aceitar que o Brasil nunca poder\u00e1 ser o que gostariam que fosse: um Estado-agregado como \u00e9  Hawai e Porto-Rico. Como n\u00e3o h\u00e1 jeito, a maneira ent\u00e3o de atender \u00e0 voz do senhor internalizado, \u00e9 difamar, ridicularizar e desqualificar, de forma at\u00e9 antipatri\u00f3tica, a iniciativa e a pessoa do Presidente. Este notoriamente \u00e9 reconhecido, mundo afora, como excepcional interlocutor, com grande habilidade nas negocia\u00e7\u00f5es e dotado de singular for\u00e7a de convencimento.<\/p>\n<p>O povo brasileiro abomina a subservi\u00eancia aos poderosos e aprecia, \u00e0s vezes ingenuamente, os estrangeiros e os outros povos. Sente-se orgulhoso de seu Presidente. Ele \u00e9 um deles, um sobrevivente da grande tribula\u00e7\u00e3o, que as elites, tidas por Darcy Ribeiro como das mais reacion\u00e1rias do mundo, nunca o aceitaram porque pensam que seu lugar n\u00e3o \u00e9 na Presid\u00eancia mas na f\u00e1brica produzindo para elas. Mas a hist\u00f3ria quis que fosse Presidente e que comparecesse como um personagem de grande carisma, unindo  em sua pessoa ternura para com os humildes e vigor com o qual sustenta suas posi\u00e7\u00f5es .<\/p>\n<p>O que estamos assistindo \u00e9 a contraposi\u00e7\u00e3o de dois paradigmas de fazer diplomacia: uma velha, imperial, intimidat\u00f3ria, do uso da trucul\u00eancia ideol\u00f3gica, econ\u00f4mica e eventualmente militar, diplomacia inimiga da paz e da vida, que nunca trouxe resultados duradouros. E outra, do s\u00e9culo XXI, que se d\u00e1 conta de que vivemos numa fase nova da hist\u00f3ria, a  hist\u00f3ria coletiva dos povos que se obrigam a conviver harmoniosamente num pequeno planeta, escasso de recursos e semi-devastado. Para esta nova situa\u00e7\u00e3o imp\u00f5e-se a diplomacia do di\u00e1logo incans\u00e1vel, da negocia\u00e7\u00e3o do ganha-ganha, dos acertos para al\u00e9m das diferen\u00e7as. Lula entendeu esta fase planet\u00e1ria. Fez-se protagonista do novo, daquela estrat\u00e9gia que pode efetivamente evitar a maior praga que jamais existiu: a guerra que s\u00f3 destr\u00f3i e mata. Agora, ou seguiremos esta nova diplomacia, ou nos entredevoraremos. Ou Hillary ou Lula.<\/p>\n<p>A nossa imprensa comercial \u00e9 obtusa face a essa nova emerg\u00eancia da hist\u00f3ria. Por isso abomina a diplomacia de Lula.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte: Portal do Meio Ambiente O fil\u00f3sofo F. Hegel em sua Fenomenologia do Esp\u00edrito analisou detalhadamente a dial\u00e9tica do senhor e do servo. O senhor se torna tanto mais senhor quanto mais o servo internaliza em si o senhor, o que aprofunda ainda mais seu estado de servo. 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