{"id":2595,"date":"2012-09-13T19:37:25","date_gmt":"2012-09-13T19:37:25","guid":{"rendered":"http:\/\/imediata.org\/?p=2595"},"modified":"2012-09-13T19:37:25","modified_gmt":"2012-09-13T19:37:25","slug":"guerra-humanitaria-uma-erupcao-subita-inesperada-e-violenta-de-bondade-por-marc-lafontan","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imediata.org\/?p=2595","title":{"rendered":">> Guerra humanit\u00e1ria: uma erup\u00e7\u00e3o s\u00fabita, inesperada e violenta de bondade? por Marc Lafontan"},"content":{"rendered":"<p><\/br><br \/>\nGuerra humanit\u00e1ria: uma erup\u00e7\u00e3o s\u00fabita, inesperada e violenta de bondade?<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Por: Marc Lafontan<br \/>\nFonte: <a href=\"http:\/\/www.centpapiers.com\/guerre-humanitaire-une-eruption-soudaine-inattendue-et-violente-de-bonte\/105932\">Centpapiers<\/a>  12\/9\/2012<br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o: Mario S. Mieli<br \/>\n<\/br><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/War4.gif\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/War4-262x300.gif\" alt=\"\" title=\"War4\" width=\"262\" height=\"300\" class=\"alignright size-medium wp-image-2596\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/War4-262x300.gif 262w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/War4-896x1024.gif 896w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/War4.gif 1165w\" sizes=\"auto, (max-width: 262px) 100vw, 262px\" \/><\/a><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Em todo conflito, \u00e9 sobretudo o agressor que recorre \u00e0 mentira. Por qu\u00ea? Porque o agressor quer a guerra e procurar\u00e1 motivos para faz\u00ea-la, ou ent\u00e3o invent\u00e1-los. Na realidade, o agressor \u00e9 praticamente obrigado a invent\u00e1-los. Por qu\u00ea? Porque as justificativas para uma guerra de agress\u00e3o \u2013 segundo o Tribunal de Nuremberg e conforme o direito internacional \u2013 t\u00eam n\u00fameros de apenas um d\u00edgito, muito muito pr\u00f3ximos de zero. E quando a lei n\u00e3o \u00e9  conveniente, n\u00e3o h\u00e1 trinta e seis solu\u00e7\u00f5es: \u00e9 preciso respeit\u00e1-la, modific\u00e1-la ou viol\u00e1-la. O Ocidente, em particular, \u00e9 um adepto da terceira.<br \/>\n<\/br><br \/>\nSim, eu sei: h\u00e1 a \u201cguerra humanit\u00e1ria\u201d. Estar\u00edamos fazendo guerras \u201chumanit\u00e1rias\u201d. Da mesma forma que outras pessoas praticariam a \u201ctortura terap\u00eautica\u201d? Ris\u00edvel, naturalmente, mas em nome da beleza do debate, admitamos por um instante esse conceito de \u201cguerra humanit\u00e1ria\u201d.<br \/>\n<\/br><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/podborka_57.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/podborka_57.jpg\" alt=\"\" title=\"podborka_57\" width=\"640\" height=\"439\" class=\"alignright size-full wp-image-2598\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/podborka_57.jpg 640w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/podborka_57-300x205.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Em consequ\u00eancia: existiria um espa\u00e7o-tempo (aqui e agora, aparentemente), onde os poderes pol\u00edticos seriam \u201cfor\u00e7ados\u201d pelos acontecimentos \u201cparticularmente tr\u00e1gicos\u201d a fazer uma guerra \u201cpor raz\u00f5es humanit\u00e1rias\u201d. A cavalaria ligeira voando em socorro da vi\u00fava e do \u00f3rf\u00e3o. A crian\u00e7a no fundo de mim gosta muito dessa ideia. J\u00e1 o adulto levanta uma sobrancelha esperando que os respons\u00e1veis pol\u00edticos atuais estejam prontos a cometer o \u201cmaior crime de todos os crimes\u201d (sempre segundo Nuremberg e o direito internacional) para vir ao socorro de uma popula\u00e7\u00e3o (\u201cestrangeira\u201d, ainda por cima), com qual, at\u00e9 o presente, n\u00e3o se importavam minimamente.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Estranha \u201cmudan\u00e7a emocional\u201d e \u201caplica\u00e7\u00e3o de princ\u00edpios\u201d por parte dos dirigentes pol\u00edticos que s\u00e3o, por outro lado, incapazes de tomar a menor medida \u201chumanit\u00e1ria\u201d, quando se trata de imigrantes ilegais, de palestinos, de idosos, de quem quer que seja. Ainda que essas pessoas estejam l\u00e1 ou bem perto, podendo ser vistos das janelas desses pol\u00edticos. Esses mesmos respons\u00e1veis pol\u00edticos que poderiam salvar, por  raz\u00f5es \u201chumanit\u00e1rias\u201d, as 10.000 crian\u00e7as que morrem de fome a cada dia, e por um pre\u00e7o inferior a um s\u00f3 m\u00edssil de cruzeiro. Ah, muito complicado. Melhor bombardear um pa\u00eds para mostrar toda a extens\u00e3o de nossa \u201cbondade\u201d.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Resumindo, os bastardos que nos governam teriam crises de humanitarismo t\u00e3o fortes que se os tornariam capazes de tudo, inclusive  cometer o irrepar\u00e1vel, para fazer o bem. Essa determina\u00e7\u00e3o \u00e9 muito estranha \u2013 t\u00e3o repentina, t\u00e3o inesperada, uma verdadeira revela\u00e7\u00e3o \u2013 que s\u00f3 aparece quando se trata de fazer a guerra, longe de prefer\u00eancia, numa rela\u00e7\u00e3o de for\u00e7as totalmente desequilibrada, de prefer\u00eancia (porque h\u00e1 limites da parte deles, o mesmo sendo para os princ\u00edpios), l\u00e1, onde ningu\u00e9m pode controlar verdadeiramente o que se passa, e onde nunca podem ser encontrados em tempos de paz&#8230; <\/br><\/p>\n<p>Sim, de repente, eis que encontramos os \u201cbons\u201d, e \u201catenciosos\u201d, e \u201cinflex\u00edveis\u201d, e \u201cpreocupados\u201d com uma popula\u00e7\u00e3o. T\u00e3o preocupados que se um membro da popula\u00e7\u00e3o aparece na fronteira em busca de um peda\u00e7o de p\u00e3o, eles o mandar\u00e3o de volta com essas palavras de encorajamento: \u201cVolte para sua terra que em breve enviaremos socorro\u201d. (pela goela).<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Sim, de repente, em todas as tribunas, as palavras \u201cintoler\u00e1veis\u201d e \u201cinadmiss\u00edveis\u201d saem de suas bocas, como pombos das mangas de um prestidigitador.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Sim, uma verdadeira metamorfose. Mas que n\u00e3o dura, infelizmente, al\u00e9m do per\u00edodo de uma guerra. E que desaparece, como que por encantamento, uma vez que a besta esteja saciada. Toda a postura deles sendo criada e mantida somente para a circunst\u00e2ncia.<br \/>\n<\/br><br \/>\nMeu Deus, que l\u00edngua a minha! <\/br><\/p>\n<p>Tudo por pessoas que explicar\u00e3o com o tom mais s\u00e9rio do mundo, e com a m\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o \u2013 de prefer\u00eancia durante um jantar, regado a um bom vinho \u2013 o quanto elas s\u00e3o contr\u00e1rias \u00e0 pena de morte, criticando os pa\u00edses que ainda a aplicam (at\u00e9 a\u00ed, tudo bem), mas que logo encadeiam a necessidade de fazer uma guerra, ou seja, aplicar a pena de morte em escala industrial, mas dessa vez sem processo, sem julgamentos, sem discrimina\u00e7\u00e3o, contra uma popula\u00e7\u00e3o majoritariamente inocente de qualquer crime.  <\/br><\/p>\n<p>Meu Deus, quanto sou pol\u00eamico!<br \/>\n<\/br><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/sarajevo_coke.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/sarajevo_coke.png\" alt=\"\" title=\"sarajevo_coke\" width=\"385\" height=\"264\" class=\"alignright size-full wp-image-2597\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/sarajevo_coke.png 385w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/09\/sarajevo_coke-300x205.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 385px) 100vw, 385px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Guerra humanit\u00e1ria: uma erup\u00e7\u00e3o s\u00fabita, inesperada e violenta de bondade? Por: Marc Lafontan Fonte: Centpapiers 12\/9\/2012 Tradu\u00e7\u00e3o: Mario S. Mieli Em todo conflito, \u00e9 sobretudo o agressor que recorre \u00e0 mentira. Por qu\u00ea? Porque o agressor quer a guerra e procurar\u00e1 motivos para faz\u00ea-la, ou ent\u00e3o invent\u00e1-los. 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