{"id":2308,"date":"2012-08-01T20:53:59","date_gmt":"2012-08-01T20:53:59","guid":{"rendered":"http:\/\/imediata.org\/?p=2308"},"modified":"2012-08-01T20:53:59","modified_gmt":"2012-08-01T20:53:59","slug":"uma-humanidade-sem-deus-e-submersa-pelo-nada-por-gianni-tirelli","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imediata.org\/?p=2308","title":{"rendered":">> Uma humanidade sem deus e submersa pelo nada, por Gianni Tirelli"},"content":{"rendered":"<p><\/br><br \/>\n<strong>Uma humanidade sem deus e submersa pelo nada<br \/>\n<\/br><br \/>\nPor: Gianni Tirelli<br \/>\nFonte: <a href=\"http:\/\/www.stampalibera.com\/?p=49550#more-49550\">stampalibera<\/a><br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o: Mario S. Mieli<\/strong><br \/>\n<\/br><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/instala\u00e7\u00e3o_SIM_realizada_com_grama_viva_2007.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/instala\u00e7\u00e3o_SIM_realizada_com_grama_viva_2007.jpg\" alt=\"\" title=\"instala\u00e7\u00e3o_SIM_realizada_com_grama_viva_2007\" width=\"750\" height=\"518\" class=\"alignright size-full wp-image-2309\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/instala\u00e7\u00e3o_SIM_realizada_com_grama_viva_2007.jpg 750w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/08\/instala\u00e7\u00e3o_SIM_realizada_com_grama_viva_2007-300x207.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/a><br \/>\n<strong>Instala\u00e7\u00e3o &#8220;SIM&#8221; de Regina Vater, parte da mostra &#8220;CULTIVARE&#8221;, Rio de Janeiro, 2007<\/strong><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>O homem que n\u00e3o possui terra, que n\u00e3o ara, n\u00e3o semeia e n\u00e3o recolhe os seus frutos benditos, n\u00e3o pode considerar-se tal, mas um elemento impr\u00f3prio de um desenho imperturb\u00e1vel e de um habitat no qual ele n\u00e3o se reconhece.<br \/>\n<\/br><br \/>\n<strong>Essa in\u00e9dita esp\u00e9cie humana \u00e9 como uma abelha sem flores, um peixe sem mar, uma \u00e1rvore sem ra\u00edzes, um p\u00e1ssaro sem c\u00e9u, uma religi\u00e3o sem Deus, um cora\u00e7\u00e3o sem paix\u00e3o e uma vela sem vento. <\/strong><br \/>\n<\/br><br \/>\nN\u00e3o somos mais que as engrenagens usadas e enferrujadas, cujos custos relativos \u00e0 sua manuten\u00e7\u00e3o e \u00e0 drenagem de todas as esc\u00f3rias t\u00f3xicas produzidas e dispersas no territ\u00f3rio superam de muito os benef\u00edcios trazidos para a comunidade (no sentido de qualidade de vida e felicidade), e os pr\u00f3prios ganhos.<br \/>\n<\/br><br \/>\n<strong>A capacidade de sonhar, de amar, de acreditar e de ter esperan\u00e7a, s\u00e3o todas produto daquela rela\u00e7\u00e3o simbi\u00f3tica (troca m\u00fatua) que, desde sempre, o ser humano teve e cultivou com a Terra, m\u00e3e indiscut\u00edvel do nosso destino. Uma Terra hoje inconsol\u00e1vel, vilipendiada, violentada e estuprada por uma horda de diabos com o colarinho branco e gravatas berrantes, que mercantilizaram com Satan\u00e1s o sangue e o futuro dos nossos filhos atrav\u00e9s de v\u00edcio e pervers\u00e3o. <\/strong><br \/>\n<\/br><br \/>\nAqueles que n\u00f3s definimos \u201cdist\u00farbios do sistema nervoso\u201d, em s\u00edntese, n\u00e3o s\u00e3o mais que os efeitos induzidos pelo dram\u00e1tico destacamento que a \u201cmodernidade\u201d produziu entre o homem e a natureza e, portanto, entre as v\u00e1rias e infinitas entidades espirituais.<br \/>\n<\/br><br \/>\nUma boa parte do velho mundo resistiu at\u00e9 60 ou 70 anos atr\u00e1s, depois de mil\u00eanios em que o ser humano (aquele verdadeiramente sapiens) extra\u00eda cada forma de sustento, verdadeira alegria e verdadeira dor da M\u00e3e Suprema, a TERRA.<br \/>\n<\/br><br \/>\nOs nossos medos mais perversos, produzidos pela \u201cmodernidade relativizante\u201d, invalidam as nossas escolhas e os comportamentos quotidianos \u2013 e s\u00e3o o l\u00f3gico resultado desse destacamento entre homem e natureza.<br \/>\n<\/br><br \/>\nAs tradi\u00e7\u00f5es, o rito m\u00e1gico, a inicia\u00e7\u00e3o, o folclore, o temor do incognosc\u00edvel eram as funda\u00e7\u00f5es \u00e9ticas de um viver consciente. Hoje estamos submersos pelo Nada e envolvidos numa dor pungente da qual n\u00e3o nos podemos libertar. E n\u00e3o adiantam f\u00e1rmacos, drogas e hist\u00e9rica alegria para acalmar a nossa dor existencial! Est\u00e1 na hora de nos pacificarmos com a natureza; abandonar as cidades para afundar nossas m\u00e3os na terra \u2013 escavar com a enxada, semear, colher e, enfim, esperar. Esse \u00e9 o \u00fanico conhecimento e medicamento e cura para todos os nossos males: reencontrar a nossa verdadeira ess\u00eancia, as emo\u00e7\u00f5es, as atmosferas, a magia, o sil\u00eancio e a F\u00e9, sem a qual nada tem sentido.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>No passado, o culto religioso, em todas as suas m\u00faltiplas e diversas formas, se exprimia como liturgia de agradecimento, com o fim de congra\u00e7ar-se na benevol\u00eancia do C\u00e9u porque n\u00e3o se interrompesse aquele estado de gra\u00e7a que a natureza dispensava aos homens, com magnanimidade e em abund\u00e2ncia.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>O ate\u00edsmo rampante nas sociedades ocidentais consumistas e relativistas (e que as representa em quanto tais) \u00e9 a l\u00f3gica resultante de um mal-estar f\u00edsico, ps\u00edquico e existencial de massa, frustrante, paranoico e vingativo, que se desassocia de cada conceito de bem comum e solidariedade. Uma atitude totalmente voltada para um est\u00e9ril oportunismo individual e fechamento para o exterior. Portanto, a felicidade, al\u00e9m de ser sin\u00f4nimo e pressuposto de f\u00e9 e de esperan\u00e7a, induz os \u00e2nimos \u00e0 benevol\u00eancia e os cora\u00e7\u00f5es \u00e0s paix\u00f5es, mitigando assim as suas penas passageiras e colocando a dor e a morte na esfera daquelas inevit\u00e1veis necessidades estruturais que, como a alegria e a sa\u00fade, exaltam e corroboram o mist\u00e9rio da vida. Consci\u00eancia, autoestima e sentimento de pacifica\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o, s\u00e3o estreitamente ligadas \u00e0quela condi\u00e7\u00e3o ideal que s\u00f3 a felicidade pode produzir.<br \/>\n<\/br><br \/>\nE os ritos propiciat\u00f3rios arcaicos (em alguns casos com o sacrif\u00edcio de animais e, mais raros, de vidas humanas), tinham o objetivo e o escopo de se tornarem mediadores para interceder na obten\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as, favores e perd\u00e3o. <strong>Nesta \u00e9poca moderna caracterizada por uma idolatria de baix\u00edssimo n\u00edvel, onde se mistificam as estrelas da m\u00fasica, os jogadores de futebol, pilotos, atores, pol\u00edticos an\u00f5es, prostitutas e empreendedores poluidores, o conceito de \u201cdivino\u201d foi para sempre cancelado de cada a\u00e7\u00e3o humana, sentimento e emo\u00e7\u00e3o. Uma por\u00e7\u00e3o de fogo deseducadora e mistificadora que o Sistema Besta colocou em a\u00e7\u00e3o para mercantilizar (sem mais nenhum obst\u00e1culo de natureza \u00e9tica e moral), a sua ef\u00eamera e imunda mercadoria. <\/strong><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>O mundo campon\u00eas do passado, que representava cerca de 99% da popula\u00e7\u00e3o, caracterizava-se pela autonomia e autossufici\u00eancia e, cada indiv\u00edduo ou grupo definia e determinava uma sua \u201craz\u00e3o de ser\u201d, sobre a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades prim\u00e1rias e essenciais, relativas ao e dependentes do territ\u00f3rio; \u00e0 sua capacidade de produzir bens e privil\u00e9gios (\u00e1gua, fertilidade, energia) e sobre o impulso propulsivo de consolidadas tradi\u00e7\u00f5es e at\u00e1vicas cren\u00e7as. Diferentemente de hoje e, em ant\u00edtese com as ing\u00eanuas teorias iluministas, cada raz\u00e3o era cumprida h\u00e1 tempo e, no individualismo prol\u00edfico era consagrado o valor da diversidade.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>Hoje a ci\u00eancia \u00e1rida e oportunista, massacrou cada valor e princ\u00edpio, mercantilizando-os em troca de ilus\u00e3o e v\u00e3s promessas, e relegando a humanidade ao crep\u00fasculo de um limbo gelatinoso, esvaziando os homens de cada objetiva e arbitr\u00e1ria responsabilidade e perspectiva. A for\u00e7a de vontade que, no passado, tinha a fun\u00e7\u00e3o, o objetivo e a pot\u00eancia de produzir diversidade e m\u00e9rito, falhou, para se transfigurar em homologa\u00e7\u00e3o e supina aceita\u00e7\u00e3o. <\/strong><br \/>\n<\/br><br \/>\nHoje n\u00e3o tem mais tripa para gatos? O trabalho n\u00e3o paga e, o que \u00e9 pior, ele nos embrutece e nos torna maus, tornando-nos refrat\u00e1rios \u00e0s necessidades dos outros e, sempre mais vulner\u00e1veis \u00e0 dor e \u00e0 doen\u00e7a. <strong>Melhor ficarmos trancados em casa, fechados, im\u00f3veis, na trepidante espera da grande implos\u00e3o do Sistema.<\/strong> Assim, n\u00e3o tem mais nada que comprar, que consumir, nada para investir, nada para dizer, em que acreditar e esperar. Que pol\u00edtica, que manobras, que bens ref\u00fagio! Desenvolvimento, crescimento, pesquisa, s\u00e3o as palavras vazias de um refr\u00e3o dissonante e cansativo que seus pr\u00f3prios autores n\u00e3o t\u00eam mais coragem de entoar.<br \/>\n<\/br><br \/>\nO Sistema, por outro lado, sobrevive justamente em virtude de tais aberrantes comportamentos, e sobre uma evidente estupidez das pessoas que, no tempo, se transfiguraram numa particular forma de escravid\u00e3o por necessidades virtuais, absolutamente ineficazes e seguramente devastadoras para a sa\u00fade.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Uma terceira causa do empobrecimento da sociedade \u00e9 devido \u00e0 perda daquela consci\u00eancia de base que, antes, era sin\u00f4nimo de autonomia e de autossufici\u00eancia onde o indiv\u00edduo era o \u00fanico art\u00edfice e respons\u00e1vel pela pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o. Portanto, o destacamento radical do homem com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Terra \u00e9 a \u00fanica e verdadeira causa da trag\u00e9dia humana, moral e de civiliza\u00e7\u00e3o que, em breve, explodir\u00e1 em toda a sua pot\u00eancia com todas as consequ\u00eancia do caso.<br \/>\n<\/br><br \/>\nLogo (em retrospectiva) t\u00ednhamos que ter investido em bens duradouros, essenciais e n\u00e3o sujeitos a falsifica\u00e7\u00e3o, imunes a toda poss\u00edvel interfer\u00eancia industrial que pudesse contaminar sua natureza. Esses dons sagrados que, desde o come\u00e7o dos tempos, determinaram a condi\u00e7\u00e3o humana e as suas imprescind\u00edveis e origin\u00e1rias raz\u00f5es, se atestam nos elementos de Terra, \u00c1gua, Ar e Fogo, em virtude de um quinto, fundador, criador e gerador de todas as coisas que, na F\u00e9, exprime toda a sua pot\u00eancia e natureza transcendente: Deus.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma humanidade sem deus e submersa pelo nada Por: Gianni Tirelli Fonte: stampalibera Tradu\u00e7\u00e3o: Mario S. Mieli Instala\u00e7\u00e3o &#8220;SIM&#8221; de Regina Vater, parte da mostra &#8220;CULTIVARE&#8221;, Rio de Janeiro, 2007 O homem que n\u00e3o possui terra, que n\u00e3o ara, n\u00e3o semeia e n\u00e3o recolhe os seus frutos benditos, n\u00e3o pode considerar-se tal, mas um elemento [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,9],"tags":[1310,1308,1307,1309,95,822],"class_list":["post-2308","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-biodiversidade-imediata","category-lance-de-dados","tag-cultivare","tag-deus-e-o-nada","tag-gianni-tirelli","tag-instalacao-sim","tag-mario-s-mieli","tag-regina-vater"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2308","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2308"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2308\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2310,"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2308\/revisions\/2310"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2308"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2308"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2308"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}