{"id":2225,"date":"2012-07-24T15:09:56","date_gmt":"2012-07-24T15:09:56","guid":{"rendered":"http:\/\/imediata.org\/?p=2225"},"modified":"2012-07-24T15:09:56","modified_gmt":"2012-07-24T15:09:56","slug":"os-carreiristas-por-chris-hedges","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imediata.org\/?p=2225","title":{"rendered":">> Os carreiristas, por Chris Hedges"},"content":{"rendered":"<p><\/br><br \/>\n<strong>Os carreiristas<br \/>\n<\/br><br \/>\nPor: Chris Hedges<br \/>\nFonte: <a href=\"http:\/\/www.truthdig.com\/report\/item\/the_careerists_20120723\/\">truthdig<\/a> de 24 de julho de 2012<br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o: Mario S. Mieli<\/strong><br \/>\n<\/br><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/fish_DoomsdayMachine-320.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/fish_DoomsdayMachine-320.jpg\" alt=\"\" title=\"fish_DoomsdayMachine-320\" width=\"320\" height=\"312\" class=\"alignright size-full wp-image-2226\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/fish_DoomsdayMachine-320.jpg 320w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/fish_DoomsdayMachine-320-300x292.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 320px) 100vw, 320px\" \/><\/a><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>Os maiores crimes da hist\u00f3ria humana se tornaram poss\u00edveis gra\u00e7as aos mais ins\u00edpidos e p\u00e1lidos seres humanos. Esses seres s\u00e3o os carreiristas. Os burocratas. Os c\u00ednicos. Eles fazem os pequenos biscates que fazem dos vastos e complicados sistemas de explora\u00e7\u00e3o e morte uma realidade.<\/strong> Eles coletam e leem os dados pessoais colhidos junto a milh\u00f5es de pessoas como n\u00f3s, pelo estado de seguran\u00e7a e controle. Eles fazem a contabilidade da ExxonMobil, BP e Goldman Sachs. Eles constroem ou pilotam os drones \u2013 aeronaves teleguiadas sem tripula\u00e7\u00e3o. Eles trabalham em propaganda corporativa e rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. Eles emitem os formul\u00e1rios. Eles processam a papelada. Eles negam ajuda alimentar a alguns e benef\u00edcio desemprego ou cobertura m\u00e9dica a outros. Eles fazem cumprir as leis e os regulamentos. E eles n\u00e3o fazem perguntas.<br \/>\n<\/br><br \/>\nBem. Mal. Essas palavras n\u00e3o significam nada para eles. Eles est\u00e3o al\u00e9m da moralidade. Eles est\u00e3o l\u00e1 para fazer funcionar os sistemas corporativos. Se companhias de seguro abandonam dezenas de milh\u00f5es de doentes ao sofrimento e \u00e0 morte, ent\u00e3o que assim seja.  Se bancos e a pol\u00edcia despejam fam\u00edlias para fora de suas casas, ent\u00e3o que assim seja. Se o governo fecha escolas e bibliotecas, ent\u00e3o que assim seja. Se militares assassinam crian\u00e7as no Paquist\u00e3o ou no Afeganist\u00e3o, ent\u00e3o que assim seja. Se especuladores de mat\u00e9rias primas provocam aumento exorbitante do pre\u00e7o do arroz, do milho e do trigo, de forma que esses alimentos se tornem proibitivos para milh\u00f5es e milh\u00f5es de pobres em todo o planeta, ent\u00e3o que assim seja. Se o Congresso e os tribunais negam aos cidad\u00e3os seus direitos civis b\u00e1sicos, ent\u00e3o que assim seja. Se o setor de combust\u00edveis f\u00f3sseis transforma a terra numa assadeira de gases de efeito estufa que nos arru\u00edna o futuro, ent\u00e3o que assim seja. Eles servem o sistema. O bem do lucro e da explora\u00e7\u00e3o. A mais perigosa for\u00e7a no mundo industrializado n\u00e3o prov\u00e9m daqueles que ostentam credos radicais, seja o radicalismo isl\u00e2mico ou o fundamentalismo crist\u00e3o, mas de legi\u00f5es de burocratas sem rosto que rastejam sua ascens\u00e3o ao longo das camadas das m\u00e1quinas corporativas e governamentais. <strong>Eles servem qualquer sistema que satisfa\u00e7a sua pat\u00e9tica quota de necessidades.<\/strong><br \/>\n<\/br><br \/>\nOs gerentes desses sistemas n\u00e3o acreditam em nada. Eles n\u00e3o t\u00eam nenhuma lealdade. N\u00e3o t\u00eam nenhuma raiz. Eles n\u00e3o pensam al\u00e9m de seus m\u00ednimos, insignificantes pap\u00e9is. Eles s\u00e3o cegos e surdos. Eles s\u00e3o, pelo menos no que diz respeito \u00e0s grandes ideias e padr\u00f5es da hist\u00f3ria e civiliza\u00e7\u00e3o humanas, completamente analfabetos. E n\u00f3s os sacamos das universidades. Advogados. Tecnocratas. Graduados em Administra\u00e7\u00e3o de empresas. Gerentes financeiros. Especialistas em TI. Consultores. Engenheiros de petr\u00f3leo.  \u201c<a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Positive_psychology\">Psic\u00f3logos positivistas<\/a>\u201d. Graduados em Comunica\u00e7\u00f5es. Cadetes. Representantes de vendas. Programadores de computador. Homens e mulheres que n\u00e3o sabem nada de Hist\u00f3ria, n\u00e3o conhecem nenhuma ideia. <strong>Eles vivem e pensam num v\u00e1cuo intelectual, um mundo de rid\u00edcula e absurda min\u00facia. Eles s\u00e3o os \u201chomens ocos\u201d de T.S. Eliot, os \u201chomens estufados\u201d. \u201cConfigura\u00e7\u00e3o sem forma, sombra sem cor\u201d, o poeta escreveu. \u201cParalisada for\u00e7a, gesto sem movimento\u201d.<\/strong><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Foram os carreiristas que tornaram poss\u00edveis os genoc\u00eddios, do exterm\u00ednio dos nativos-americanos \u00e0 matan\u00e7a turca dos arm\u00eanios, ao holocausto nazista e \u00e0s liquida\u00e7\u00f5es de Stalin.  Eram eles que faziam funcionar os trens. Eles preenchiam os formul\u00e1rios e presidiam nos confiscos de propriedade. Eles racionavam a comida, enquanto as crian\u00e7as morriam de fome. Eles fabricavam as armas. Eles faziam funcionar as pris\u00f5es. Eles faziam cumprir as proibi\u00e7\u00f5es de viajar, confiscavam passaportes, bloqueavam contas de banco e executavam a segrega\u00e7\u00e3o. Eles aplicavam a lei. <strong>Eles faziam o seu trabalho. <\/strong><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Carreiristas pol\u00edticos e militares, patrocinados por aqueles que lucram com a guerra, nos levaram a guerras in\u00fateis, inclusive a Primeira Guerra Mundial, Vietn\u00e3, Iraque e Afeganist\u00e3o. E milh\u00f5es os seguiram. Dever. Honra. P\u00e1tria. Carnavais de morte. Eles nos sacrificam a todos. Nas f\u00fateis batalhas de Verdun e Somme durante a Primeira Guerra Mundial, 1,8 milh\u00f5es em ambos os lados foram mortos, feridos ou nunca encontrados. Em julho de 1917, o marechal de campo Douglas Haig, apesar dos oceanos de mortos, condenou outros mais ao p\u00e2ntano de Passchendaele. Em novembro, quando era claro que sua  estrat\u00e9gia em Passchendaele tinha fracassado, ele abandonou seu objetivo inicial \u2013 como fizemos no Iraque, quando se descobriu que eles n\u00e3o tinham armas de destrui\u00e7\u00e3o em massa e no Afeganist\u00e3o, quando a al-Qaida deixou o pa\u00eds \u2013 e optou por uma simples guerra de atrito. Haig \u201cvenceria\u201d se mais alem\u00e3es que tropas aliadas morressem. A morte como cart\u00e3o de pontua\u00e7\u00e3o. Passchendaele sacrificou mais 600.000 vidas, em ambos os lados da linha, antes de acabar. N\u00e3o \u00e9 mat\u00e9ria para not\u00edcias. Generais s\u00e3o quase sempre buf\u00f5es. Soldados seguiram John the Blind (Jo\u00e3o, O Cego), que tinha perdido a vista uma d\u00e9cada antes, numa derrota clamorosa na Batalha de Cr\u00e9cy em 1337, durante a Guerra dos Cem Anos. <strong>Descobrimos que l\u00edderes s\u00e3o mediocridades somente quando \u00e9 tarde demais. <\/strong><br \/>\n<\/br><br \/>\nDavid Lloyd George, que era o primeiro-ministro brit\u00e2nico durante a campanha de Passchendaele, escreveu em suas mem\u00f3rias: \u201c[Antes da batalha de Passchendaele] o Pessoal do Corpo de Tanques preparou mapas para mostrar como um bombardeio que obliteraria a drenagem levaria, inevitavelmente, a uma s\u00e9rie de po\u00e7as, e eles localizaram os lugares exatos onde as \u00e1guas se formariam. A \u00fanica resposta foi uma ordem perempt\u00f3ria de que eles \u201cN\u00e3o deveriam enviar mais desses rid\u00edculos mapas\u201d. <strong>Mapas devem se conformar aos planos e n\u00e3o os planos aos mapas. Fatos que interferiam com os planos eram \u201cimpertin\u00eancias\u201d.<\/strong><br \/>\n<\/br><br \/>\nEis aqui a explica\u00e7\u00e3o do porque as elites no poder n\u00e3o fazem nada sobre mudan\u00e7a clim\u00e1tica, recusando-se a responder racionalmente \u00e0 desintegra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, sendo incapazes de lidar com o colapso da globaliza\u00e7\u00e3o e do imp\u00e9rio. <strong>Essas s\u00e3o circunst\u00e2ncias que interferem com a pr\u00f3pria viabilidade e sustentabilidade do sistema. E burocratas s\u00f3 sabem como servir o sistema.<\/strong> Eles conhecem somente as capacidades gerenciais que ingeriram em West Point ou na Harvard Business School. <strong>Eles n\u00e3o podem pensar por si pr\u00f3prios. Eles n\u00e3o podem desafiar pressupostos ou estruturas. Eles n\u00e3o podem, intelectual ou emocionalmente reconhecer que o sistema pode implodir.<\/strong> Ent\u00e3o fazem o que Napole\u00e3o advertiu que era o pior erro que um general poderia cometer \u2013 criar um quadro imagin\u00e1rio de uma situa\u00e7\u00e3o e aceit\u00e1-la como real. Mas n\u00f3s alegremente ignoramos a realidade junto com eles. A mania de um final feliz nos cega. N\u00e3o queremos crer naquilo que vemos. \u00c9 muito deprimente. Ent\u00e3o nos recolhemos todos na auto-desilus\u00e3o coletiva.<br \/>\n<\/br><br \/>\nEm seu monumental filme document\u00e1rio \u201c\u201cShoah\u201d, sobre o holocausto, Claude Lanzmann entrevista Filip M\u00fcller, judeu tcheco que sobreviveu \u00e0s liquida\u00e7\u00f5es em Auschwitz como membro do \u201cdetalhe especial\u201d. M\u00fcller relata esta hist\u00f3ria:<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>\u201cCerto dia, em 1943, quando eu j\u00e1 me encontrava no Cremat\u00f3rio 5, chegou um trem de Bialystok. Um prisioneiro no \u2018detalhe especial\u201d viu uma mulher no \u2018quarto de se despir\u2019, era a esposa de um amigo seu. Ele saiu diretamente e disse a ela: \u2018Voc\u00ea vai ser exterminada. Em tr\u00eas horas, voc\u00ea ser\u00e1 cinzas\u2019. A mulher acreditou nele porque o conhecia. Ela correu por todo o lugar para avisar as outras mulheres. \u2018N\u00f3s seremos mortos. V\u00e3o nos acabar com g\u00e1s\u2019. M\u00e3es que carregavam seus filhos nas costas n\u00e3o queriam ouvir. E decidiram que a mulher era louca. A expulsaram do lugar. Ent\u00e3o a mulher foi ver os homens. Sem resultado. N\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o acreditavam nela. Tinham ouvido rumores no gueto de Bialystok, ou em Grodno, assim como em outros lugares. Mas quem queria ouvir isso? Quando ela viu que ningu\u00e9m queria ouvi-la, ela se arranhou o rosto todo. De desespero. E ela come\u00e7ou a gritar.\u201d<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Blaise Pascal escreveu em \u201cPens\u00e9es\u201d:  \u201c<strong>Corremos descuidadamente para o abismo depois de colocar algo em nossa frente que nos impe\u00e7a de v\u00ea-lo.<\/strong>\u201d<br \/>\nHannah Arendt, ao escrever \u201cEichmann em Jerusal\u00e9m,\u201d observou que Adolf Eichmann era motivado, principalmente, por uma \u201cextraordin\u00e1ria dilig\u00eancia em buscar seu avan\u00e7o pessoal\u201d. Ele se juntou ao Partido Nazista porque isso era algo bom para a sua carreira. \u201cO problema do Eichmann,\u201d escreve ela, \u201c<strong>era justamente que havia tantos como ele, e que esses tantos n\u00e3o eram nem pervertidos nem s\u00e1dicos, que eram e ainda s\u00e3o, terrivelmente e terrificamente normais<\/strong>\u201d.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>\u201cQuanto mais algu\u00e9m o ouvia, mais \u00f3bvio se tornava que sua incapacidade de falar era intimamente relacionada com uma incapacidade de pensar, isto \u00e9, de pensar do ponto de vista de outra pessoa\u201d, Arendt escreveu. \u201cNenhuma comunica\u00e7\u00e3o era poss\u00edvel com ele, n\u00e3o porque ele mentia, mas porque ele estava cercado pelas mais seguras de todas as salvaguardas contra as palavras e a presen\u00e7a dos outros e, portanto, contra a realidade como tal.\u201d<br \/>\n<\/br><br \/>\nGitta Sereny faz o mesmo ponto em seu livro \u201cInto That Darkness\u201d (Dentro Daquela Escurid\u00e3o), sobre Franz Stangl, o comandante de Treblinka. A designa\u00e7\u00e3o para SS foi uma promo\u00e7\u00e3o para o policial austr\u00edaco. Stangl n\u00e3o era um s\u00e1dico. Ele era de fala mansa e bem educado. Ele amava muito a sua esposa e seus filhos. Diferentemente da maioria dos oficias de campo nazistas, ele n\u00e3o tinha mulheres judias como concubinas. Ele era eficiente e muito organizado. Ele se orgulhava de ter recebido um elogio oficial como \u201co melhor comandante de campo na Pol\u00f4nia\u201d. Os prisioneiros eram simplesmente objetos. Mercadorias. \u201cEssa era a minha profiss\u00e3o\u201d, disse ele. \u201cEu gostava dela. Ela me realizava. E, sim , eu era ambicioso quanto a isso. N\u00e3o vou negar.\u201d Quando Sereny perguntou a Stangl como, sendo pai, podia matar crian\u00e7as, ele respondeu que ele \u201craramente as via como indiv\u00edduos. Era sempre uma massa imensa&#8230; Estavam nus, amassados juntos, correndo, sendo movidos a chicotes&#8230;.\u201d Posteriormente, disse a Sereny que quando leu sobre os lemingues, isso lhe fez lembrar Treblinka.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>A cole\u00e7\u00e3o de ensaios de Christopher Browning \u201cThe Path to Genocide\u201d (O Caminho ao Genoc\u00eddio) observa que <strong>eram os \u201cmoderados\u201d, os \u201cnormais\u201d burocratas, e n\u00e3o os fan\u00e1ticos, que fizeram o holocausto poss\u00edvel.<\/strong> Germaine Tillion assinalou \u201c<strong>a tr\u00e1gica facilidade [durante o Holocausto] com a qual pessoas \u2018decentes\u2019 podiam se tornar os mais insens\u00edveis carrascos, sem perceber, aparentemente,  o que estava acontecendo consigo pr\u00f3prias<\/strong>\u201d. O novelista russo Vasily Grossman, em seu livro \u201cForever Flowing\u201d (Fluindo para Sempre), observou que \u201co novo estado n\u00e3o requeria santos ap\u00f3stolos, fan\u00e1ticos, construtores inspirados, disc\u00edpulos fieis e devotos. O novo estado nem mesmo precisava de servos \u2013 <strong>s\u00f3 de funcion\u00e1rios<\/strong>\u201d.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>\u201cO mais nauseante tipos de S.S. eram, para mim, pessoalmente, os c\u00ednicos que n\u00e3o acreditavam mais genuinamente na pr\u00f3pria causa, mas que continuaram coletando a culpa do sangue como um fim em si mesmo\u201d, escreveu a Dr. Ella Lingens-Reiner em \u201cPrisoners of Fear\u201d (Prisioneiros do Medo) em sua escaldante mem\u00f3ria de Auschwitz. \u201cAqueles c\u00ednicos n\u00e3o eram sempre brutais com os prisioneiros, seu comportamento mudava conforme seu humor. Eles n\u00e3o levavam nada a s\u00e9rio \u2013 nem a si mesmos, nem a causa, nem n\u00f3s, nem a nossa situa\u00e7\u00e3o. Um dos piores entre eles era o Dr. Mengele, o M\u00e9dico do Campo que eu mencionei antes. Quando uma carga de judeus rec\u00e9m-chegados ia ser classificada, separando aqueles que iriam para o trabalho for\u00e7ado daqueles que seriam mortos,  ele costumava assobiar uma melodia e, ritmicamente, contrair o polegar sobre o seu ombro direito ou esquerdo \u2013 o que queria dizer \u2018g\u00e1s\u2019 ou \u2018trabalho for\u00e7ado\u2019. Ele achava que as condi\u00e7\u00f5es no campo eram podres, e fez at\u00e9 algumas coisas para melhor\u00e1-las mas, ao mesmo tempo, cometeu assassinatos indiferentemente, sem qualquer hesita\u00e7\u00e3o ou escr\u00fapulo\u201d.<br \/>\n<\/br> <\/p>\n<p><strong>Esses ex\u00e9rcitos de burocratas servem um sistema corporativo que vai literalmente nos matar. Eles s\u00e3o t\u00e3o frios e desconectados como Mengele. Eles efetuam pequenas tarefas. Eles s\u00e3o d\u00f3ceis. Agem segundo os conformes. Eles obedecem. Eles encontram seu valor pr\u00f3prio no prest\u00edgio e no poder da corpora\u00e7\u00e3o, no status de suas posi\u00e7\u00f5es e em suas promo\u00e7\u00f5es de carreira. Eles se garantem de sua pr\u00f3pria bondade atrav\u00e9s de seus atos privados como maridos, esposas, m\u00e3es e pais. Eles participam dos conselhos escolares. Eles v\u00e3o ao Rotary. Eles v\u00e3o para a igreja. \u00c9 esquizofrenia moral. Eles erigem muros para criar uma consci\u00eancia isolada. Eles tornam realidade os objetivos letais da ExxonMobil ou do Goldman Sachs ou da Raytheon, ou das companhias de seguros. Eles destroem o ecossistema, a economia e o corpo pol\u00edtico e tornam os trabalhadores e trabalhadoras meros servos empobrecidos. Eles n\u00e3o sentem nada. Ingenuidade metaf\u00edsica sempre acaba em assassinato. Ela fragmenta o mundo. Pequenos atos de bondade e caridade mascaram o monstruoso mal que eles instigam. E o sistema rola em frente. E o gelo das calotas polares derrete. E as secas devastam as terras cultiv\u00e1veis. E os drones entregam a morte a partir do c\u00e9u. O estado avan\u00e7a inexoravelmente no intento de acorrentar-nos. Os doentes morrem. As pris\u00f5es ficam repletas. E o\/a carreirista, arrastando-se para frente, simplesmente faz o seu trabalho.<\/strong> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os carreiristas Por: Chris Hedges Fonte: truthdig de 24 de julho de 2012 Tradu\u00e7\u00e3o: Mario S. Mieli Os maiores crimes da hist\u00f3ria humana se tornaram poss\u00edveis gra\u00e7as aos mais ins\u00edpidos e p\u00e1lidos seres humanos. Esses seres s\u00e3o os carreiristas. Os burocratas. Os c\u00ednicos. 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