{"id":2220,"date":"2012-07-24T04:25:55","date_gmt":"2012-07-24T04:25:55","guid":{"rendered":"http:\/\/imediata.org\/?p=2220"},"modified":"2012-07-24T04:25:55","modified_gmt":"2012-07-24T04:25:55","slug":"%e2%80%9co-caso-mateus%e2%80%9d-por-silvio-mieli","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imediata.org\/?p=2220","title":{"rendered":">> \u201cO caso Mateus\u201d , por S\u00edlvio Mieli"},"content":{"rendered":"<p><\/br><br \/>\n\u201cO caso Mateus\u201d , por S\u00edlvio Mieli<br \/>\n<\/br><br \/>\n<strong>Trailer do iOS\/Android de The Dark Knight Rises <\/strong><br \/>\nThe Dark Knight Rises &#8211; iOS\/Android &#8211; Launch Trailer<br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"The Dark Knight Rises - iOS\/Android - Launch Trailer\" width=\"640\" height=\"360\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4UruOvqtEh8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/br><br \/>\n<strong>Esperando \u201cBatman\u201d&#8230;<\/strong><br \/>\n<\/br><br \/>\nO \u201catirador\u201d do Batman, como James Holmes, de Aurora, Colorado, ficou conhecido, \u00e9 um en\u00e9simo caso de carnificina indiscriminada. Infelizmente, s\u00f3 mais um. Analisar as causas da viol\u00eancia, o impacto das imagens midi\u00e1ticas e dos games que propulsam a isso, ou contextualizar o que \u00e9 matar com uma espingarda comparado com matar com bombas despejadas de uma aeronave n\u00e3o tripulada por controle remoto s\u00e3o quest\u00f5es que se imp\u00f5em.<br \/>\nO fato de que o evento ocorreu numa cidade chamada Aurora e que o filme tem como t\u00edtulo \u201cO ascender, subir, levantar, aparecer&#8230;.  do cavaleiro escuro, sombrio, das trevas&#8230;\u201d s\u00f3 acirra a ironia do epis\u00f3dio.<br \/>\n<\/br><br \/>\nTalvez a pergunta b\u00e1sica a ser feita  seria que \u201crem\u00e9dios\u201d ou \u201cmedicamentos\u201d esses assassinos estavam tomando no per\u00edodo anterior ao crime. No caso do atirador do Batman \u201cJames\u201d, j\u00e1 h\u00e1 quem revele que o nome do f\u00e1rmaco \u00e9 Vicodin.<br \/>\n<\/br><br \/>\nCertamente, aqueles que acreditam que a viol\u00eancia nas telas n\u00e3o tem nada a ver com a viol\u00eancia na vida, desta vez tamb\u00e9m afirmar\u00e3o que as pragas farmac\u00eauticas n\u00e3o tem nada a ver com o ocorrido.<br \/>\n<\/br><br \/>\nDe todo jeito, \u201co caso James\u201d nos remete a outro epis\u00f3dio cruento, o \u201ccaso Mateus\u201d, quando, na noite de 3 de novembro de 1999, dentro da sala do Morumbi Shopping, em S\u00e3o Paulo, uma matan\u00e7a parecida teve lugar. Por isso vale a pena revisitar \u201cO caso Mateus\u201d, um texto de S\u00edlvio Mieli sobre o ocorrido em S\u00e3o Paulo. <strong>Engra\u00e7ado (ou tr\u00e1gico), basta substituir o nome \u201cMateus\u201d por \u201cJames\u201d<\/strong> o nome da cidade, do cinema e do filme, <strong>e a validade das reflex\u00f5es do artigo permanece a mesma.<\/strong><br \/>\n<\/br><br \/>\n<strong>O caso Mateus<\/strong><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>Por S\u00edlvio Mieli<br \/>\nou li\u00e7\u00f5es de como ir ao cinema e matar a fam\u00edlia.<\/strong><br \/>\n <\/br><\/p>\n<p><strong>Pecado \u00e9 o que machuca a alma<br \/>\nS\u00e3o Francisco de Assis<\/strong><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Mateus, o serial-killer com nome de ap\u00f3stolo, pode ser esquizofr\u00eanico. Seu &#8220;bom senso&#8221; teria sido afetado pelo uso de drogas. Falharam os dispositivos socialmente constru\u00eddos para &#8220;monitorar&#8221; seus atos \u2013 fam\u00edlia, escola, seguran\u00e7a p\u00fablica. Ainda que tudo isso fique comprovado, nada apagar\u00e1 a simbologia assustadora da sua trajet\u00f3ria. Ela reverbera e imp\u00f5em-se pelo conte\u00fado pedag\u00f3gico.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Mateus escolheu caminhos transversos, pass\u00edveis de serem recuperados a partir do roteiro que ele mesmo deixou. Ao inv\u00e9s de matar a fam\u00edlia e ir ao cinema, resolveu partir do filme para depois decretar senten\u00e7as de morte a muitas fam\u00edlias. Mateus saiu literalmente da tela do cinema. Ou, antes disso, atirou no espelho do banheiro, como que apagando a fronteira entre a ilus\u00e3o especular da sua pr\u00f3pria consci\u00eancia e a realidade dos espectadores do &#8220;Clube da Luta&#8221;. Na hora dos tiros ningu\u00e9m sabia se estava vivendo o enredo do filme ou participando dos planos de Mateus. Experi\u00eancia traum\u00e1tica, semelhante ao sono do soldado, sacudido abruptamente pela invas\u00e3o do inimigo que j\u00e1 irrompe atirando.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>&#8220;Nenhuma pesquisa comprovou a influ\u00eancia de imagens violentas no comportamento das pessoas a elas submetidas&#8221;, repetem com \u00eanfase os jornalistas e especialistas de plant\u00e3o. Fontes que se apressam em desvincular qualquer rela\u00e7\u00e3o entre os meios de comunica\u00e7\u00e3o e as atrocidades do mundo &#8220;real&#8221;. As frases se repetem, sempre as mesmas. &#8220;Ningu\u00e9m mata porque viu um filme violento&#8221;, alegam, ou &#8220;as motiva\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais profundas&#8221;, refletem; &#8220;a censura \u00e9 um perigo para a sociedade&#8221;, asseveram. H\u00e1 tamb\u00e9m as frases perversas, do tipo: &#8220;Por que algumas pessoas fazem isso, o que leva um ser humano aparentemente normal a cometer tal atrocidade ????&#8221;; &#8220;Por qu\u00ea????. Por qu\u00ea?????&#8221;Why????Why???<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Um cr\u00edtico teorizou que &#8220;desde a aurora do cinema discute-se regularmente a tese da catalisa\u00e7\u00e3o demon\u00edaca pelos filmes dos piores instintos humanos&#8221;. O mesmo acontecera antes com livros e pe\u00e7as de teatro, lembra Amir Labaki. &#8220;Fato \u00e9&#8221;, prossegue Labaki, &#8220;que as obras de arte espelham, muito antes do que pretensamente provocam, a selvageria que \u00e9 pr\u00f3pria do homem&#8221;. Depois arremata que &#8220;\u00e9 muito mais f\u00e1cil vociferar contra o que se passa nas telas do que combater a guerra concreta das ruas. Libertinagem com armas, n\u00e3o com filmes, \u00e9 o real problema&#8221;, conclui Labaki.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>O cr\u00edtico parece concordar com a publicidade da revista &#8220;Veja&#8221;, que amplia em outdoor o assunto da semana: &#8220;(Viol\u00eancia) Fora das telas n\u00e3o tem a menor gra\u00e7a&#8221;.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Ora, a diferen\u00e7a dos tempos dos livros e das pe\u00e7as de teatro \u00e9 que hoje vivemos muito mais na esfera audiovisual, na infosfera e no ciberespa\u00e7o (desde a hora em que acordamos at\u00e9 o nosso \u00faltimo bocejo), o que nos obriga, no m\u00ednimo, a repensar a nossa rela\u00e7\u00e3o com a t\u00e9cnica, particularmente a audiovisual, com a mesma profundidade com que nos debru\u00e7amos sobre os tr\u00e1fico de drogas e armas e a reprodu\u00e7\u00e3o dos serial-killers do &#8220;mundo real&#8221;. Esse &#8220;espelho que reflete a selvageria pr\u00f3pria do homem&#8221; come\u00e7ou a ser estilha\u00e7ado h\u00e1 muito tempo. O que faltava Mateus se encarregou de metralhar. Passamos para o outro lado do espelho, como fez Alice, s\u00f3 que descobrimos que nem tudo \u00e9 maravilhoso na outra margem do rio. Estamos vivendo parte de nossas vidas por entre as imagens que consumimos, criamos e projetamos. A bidimensionalidade da superf\u00edcie das telas confunde-se com a nossa primeira natureza multidimensional. N\u00e3o h\u00e1 mais uma fronteira n\u00edtida entre o dentro e o fora das telas.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a hist\u00f3ria de todas as tecnologias audiovisuais, da fotografia anal\u00f3gica at\u00e9 as imagens digitais, t\u00eam suas origens vinculadas \u00e0 a\u00e7\u00e3o b\u00e9lica. Como nos ensina Paul Virilio, \u201cancestral da c\u00e2mera dos irm\u00e3os Lumi\u00e8re, o fuzil cronotogr\u00e1fico de Marey, que permitia focalizar e fotografar objetos se deslocando no espa\u00e7o n\u00e3o descendia em linha direta da metralhadora a manivela do coronel Gatling e do colt a tambor patenteado em 1832 ?&#8221;<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Todas essas t\u00e9cnicas, nas quais empatamos a nossa alma e o nosso esp\u00edrito, enquanto o corpo fica im\u00f3vel, nasceram para ampliar capacidades perceptivas. Passamos a ver o invis\u00edvel, mas o invis\u00edvel tamb\u00e9m pode ser o inimigo num campo de batalha pouco fixo, o da guerra &#8220;real&#8221; ou aquele dos cen\u00e1rios em 3-D dos videogames. \u00c9 tamb\u00e9m o mesmo inimigo que Mateus aventa t\u00ea-lo perseguido. E aqui, tanto no filme &#8220;Clube da luta&#8221;, com sua viol\u00eancia &#8220;pseudo-branca&#8221;, quanto no roteiro proposto por Mateus, o objetivo \u00e9 eliminar o inimigo, seja ele quem for, como em todas as guerras.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Agressividade introjetada, interiorizada, cultivada a partir de v\u00e1rias etapas de adestramento audiovisual. Um recente mapeamento estat\u00edstico realizado pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas \u2014 ONU, em 6 emissoras de canal aberto brasileiras detectou 1.432 crimes em uma semana de desenhos animados. A TV Bandeirantes e TV Record lideram os homic\u00eddios em seus desenhos animados e a TV Globo vence em les\u00f5es corporais. A m\u00e9dia mais alta (32 crimes por hora) ficou com a TV Manchete (atual Rede TV!). Dos crimes cometidos, 34% eram inteiramente gratuitos. Em geral n\u00e3o h\u00e1 pol\u00edcia. Os crimes n\u00e3o geram consequ\u00eancias \u00e0 v\u00edtima e n\u00e3o existe intermedia\u00e7\u00e3o (algu\u00e9m para dirimir conflitos). 45% dos desenhos \u00e9 de origem norte-americana. H\u00e1 30% de homic\u00eddios e 41% das consequ\u00eancias f\u00edsicas resultam em morte. Em que pese a necessidade urgente da discuss\u00e3o de limites bem claros e definidos, principalmente em rela\u00e7\u00e3o ao acesso das crian\u00e7as aos sites de pornografia e aos jogos de guerra, o tipo de resist\u00eancia que este momento imp\u00f5e passa ao largo da censura que os jornalistas tanto temem \u2013 n\u00e3o por convic\u00e7\u00f5es democr\u00e1ticas, mas para n\u00e3o perder o fil\u00e3o explorat\u00f3rio da pr\u00f3pria viol\u00eancia.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>O caso Mateus, um quase m\u00e9dico, terminando seus estudos na Santa Casa de Miseric\u00f3rdia, e n\u00e3o um jovem fugitivo da Febem ou de um pres\u00eddio qualquer, revela, portanto, uma viol\u00eancia de outra natureza, alimentada num ambiente de classe-m\u00e9dia. Os recentes casos de serial killers mundo afora atestam que os jovens assassinos vem se voltando cada vez mais, como bem observou Contardo Caligaris, aos lugares onde s\u00e3o mal amados: a pr\u00f3pria casa, a escola, o trabalho e agora o bin\u00f4mio Shopping\/cinema. E neste \u00faltimo, a rea\u00e7\u00e3o de Mateus \u00e9 da mesma natureza das imagens que escolheu, n\u00e3o por acaso. O filme pode ser virtual e os tiros podem ser atuais, mas o tr\u00e1gico encontro dos dois nas circunst\u00e2ncias montadas por Mateus desmascara a dist\u00e2ncia que pens\u00e1vamos persistir entre realidade e virtualidade, entre normalidade e anormalidade, entre os &#8220;do bem&#8221; e os &#8220;do mal&#8221;, entre a seguran\u00e7a artificial e a inseguran\u00e7a latente.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Os Shopping Centers, inspirados num modelo estilizado de viol\u00eancia &#8220;multiplexificada&#8221;, ajudaram a implantar o design urbano segregacionista, baseado na transforma\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o em consumidor, assentado no empobrecimento das rela\u00e7\u00f5es interpessoais e na privatiza\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os p\u00fablicos. Exatamente o mesmo esquema que orienta projetos contempor\u00e2neos, como o New York City Center, que n\u00e3o fica na ilha de Manhattan, mas na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Numa reportagem que mais parecia um press release, o caderno de inform\u00e1tica do jornal &#8220;O Globo&#8221; saudava a nova modalidade de shopping da cidade, onde &#8220;Tecnologia \u00e9 passaporte para entretenimento&#8221;. Sob a foto que destacava em primeiro plano dois adolescentes se contorcendo durante um game, a legenda diz tudo: &#8220;No COMB\u00c1TICA, uma das atra\u00e7\u00f5es do GameWorks, os jogadores se envolvem numa luta virtual fazendo movimentos reproduzidos pelos personagens que aparecem no monitor&#8221;.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Nesse contexto, nem mesmo a televigil\u00e2ncia funciona mais, substitu\u00edda por uma mistura perversa de autovigil\u00e2ncia e auto-exposi\u00e7\u00e3o eficient\u00edssimas, concretizadas via internet, via telemarketing e via Hollywood. Sim, Hollywood, sempre ela, que no dizer de Virilio \u201cnunca deixou de celebrar a uni\u00e3o b\u00e1rbara entre a arma e a foto autom\u00e1tica. Como se n\u00e3o pudesse se livrar de sua inspira\u00e7\u00e3o assassina, a divisa do onipotente cinema americano continua a ser: &#8220;Quando ou\u00e7o a palavra cultura, saco o meu rev\u00f3lver&#8221;; esta \u00faltima frase atribu\u00edda a Joseph Goebbels, Ministro da propaganda e da informa\u00e7\u00e3o de Hitler.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Ser\u00e3o os meios de comunica\u00e7\u00e3o a aprofundar o debate da condi\u00e7\u00e3o na qual estamos metidos? \u00c9 mais f\u00e1cil investir na oposi\u00e7\u00e3o falsa entre mundo real e mundo virtual, insinuando que n\u00e3o h\u00e1 influ\u00eancias m\u00fatuas entre eles, ou exigindo laudos t\u00e9cnicos que as comprovem. Enquanto isso vendem-nos terrenos na Web, o Novo Mundo, a \u00faltima fronteira do capitalismo, para onde dever\u00edamos nos mudar de mala e cuia.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Diante desse cen\u00e1rio, o olhar de Mateus e o atordoamento de todos os que acompanharam o drama \u2013na sala 5 do cinema do shopping ou chorando seus mortos\u2013 denuncia que h\u00e1 imagens-a\u00e7\u00f5es, imagens-percep\u00e7\u00f5es e imagens-lembran\u00e7as mais devastadoras do que tiros. Uma quest\u00e3o de profundidade.<br \/>\n************************************<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cO caso Mateus\u201d , por S\u00edlvio Mieli Trailer do iOS\/Android de The Dark Knight Rises The Dark Knight Rises &#8211; iOS\/Android &#8211; Launch Trailer Esperando \u201cBatman\u201d&#8230; O \u201catirador\u201d do Batman, como James Holmes, de Aurora, Colorado, ficou conhecido, \u00e9 um en\u00e9simo caso de carnificina indiscriminada. Infelizmente, s\u00f3 mais um. 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