{"id":2014,"date":"2012-07-03T14:55:52","date_gmt":"2012-07-03T14:55:52","guid":{"rendered":"http:\/\/imediata.org\/?p=2014"},"modified":"2012-07-03T15:02:39","modified_gmt":"2012-07-03T15:02:39","slug":"ser-um-radical-por-guy-mcpherson","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imediata.org\/?p=2014","title":{"rendered":">> &#8220;Ser um Radical&#8221;, por Guy McPherson"},"content":{"rendered":"<p><\/br><br \/>\n<strong>&#8220;Ser um Radical&#8221;<br \/>\nPor: Guy McPherson<br \/>\nFonte: <a href=\"http:\/\/guymcpherson.com\/2012\/06\/on-being-a-radical\/\">guymcpherson.com<\/a><br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o: Mario S. Mieli<\/strong><br \/>\n<\/br><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/knotted-highway-hock-on-behance-network.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/knotted-highway-hock-on-behance-network.jpg\" alt=\"\" title=\"knotted-highway-hock-on-behance-network\" width=\"600\" height=\"407\" class=\"alignright size-full wp-image-2015\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/knotted-highway-hock-on-behance-network.jpg 600w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/knotted-highway-hock-on-behance-network-300x203.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><br \/>\n<\/br><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/Guy-McPherson-PhD.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/Guy-McPherson-PhD.jpg\" alt=\"\" title=\"Guy-McPherson-PhD\" width=\"183\" height=\"245\" class=\"alignright size-full wp-image-2016\" \/><\/a><br \/>\n<strong>Guy McPherson<\/strong><br \/>\n<\/br><br \/>\nVoc\u00eas provavelmente reconhecer\u00e3o este s\u00edmbolo, mesmo que, talvez, n\u00e3o saibam o seu nome: <a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/Unknown.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/Unknown.jpeg\" alt=\"\" title=\"Unknown\" width=\"83\" height=\"54\" class=\"alignright size-full wp-image-2026\" \/><\/a><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Quando escrevo este s\u00edmbolo na lousa e pe\u00e7o aos estudantes o que \u00e9, a resposta \u00e9 sempre a mesma: \u201cA raiz quadrada\u201d.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Respondo: \u201cSim, a sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 extrair a raiz, seja a quadrada ou qualquer outra. Mas como se chama?\u201d<br \/>\n<\/br><br \/>\nDepois de um sil\u00eancio prolongado, seguido de: \u201cO s\u00edmbolo da raiz quadrada\u201d.<br \/>\n<\/br><br \/>\nDou uma risada retumbante.<br \/>\n<\/br><br \/>\nVerdade? Ningu\u00e9m estudou matem\u00e1tica no primeiro grau?<br \/>\n<\/br><br \/>\nRisadas nervosas.<br \/>\n<\/br><br \/>\n\u201cBem, ofendi a todos aqui dentro, no primeiro minuto de nosso encontro\u201d, digo. \u201cAgora que me livrei dessa coisa, podemos continuar.\u201d<br \/>\n<\/br><br \/>\nLonga pausa antes da minha resposta: \u201cIsso se chama um radical\u201d.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Outra longa pausa antes que eu revele a resposta do exerc\u00edcio. \u201cChama-se um radical porque chega \u00e0 raiz. Essa, ali\u00e1s, \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o de radical: aquele que vai \u00e0 raiz ou \u00e0 origem.\u201d<br \/>\n<\/br><br \/>\nUso essa anedota para me apresentar \u00e0 classe. Sou um radical, assinalo. E embora essa cultura tenha convencido a maior parte das pessoas que um radical seja uma coisa ruim, parecida com a anarquia, na verdade n\u00e3o \u00e9 uma coisa ruim, e \u00e9 diferente daquilo que a maioria das pessoas acredita que \u00e9.<br \/>\n<\/br><br \/>\nQuanto a este argumento, ressoam em mim as palavras de H. L. Mencken: \u201cA no\u00e7\u00e3o de que um radical seja algu\u00e9m que odeia o seu pa\u00eds \u00e9 ing\u00eanua e bastante est\u00fapida. Um radical, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 algu\u00e9m que ama o seu pa\u00eds mais que os outros e, portanto, sofre mais que os outros quando v\u00ea o seu pa\u00eds no desastre. N\u00e3o \u00e9 um mau cidad\u00e3o que se volta ao crime; \u00e9 um bom cidad\u00e3o levado ao desespero\u201d.<br \/>\n<\/br><br \/>\nUm bom cidad\u00e3o levado ao desespero. Parece correto. Algumas cita\u00e7\u00f5es para demonstrar esse ponto:<br \/>\n<\/br><br \/>\n\u201c O perfeito papagaio era o estudante perfeito&#8230; Como os estudantes do colegial ou de outras escolas superiores, raramente question\u00e1vamos a verdade de qualquer afirma\u00e7\u00e3o. Em vez disso, nossa preocupa\u00e7\u00e3o era compreender exatamente cada frase proferida pelo professor ou escrita no livro did\u00e1tico&#8230; Imaginem o efeito produzido por anos desse tipo de treinamento na mente em forma\u00e7\u00e3o dos alunos. O h\u00e1bito do conformismo mental se torna quase inextirp\u00e1vel. Eu era parte de apenas uma entre v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es de v\u00edtimas. Quantos professores nos disseram que a ordem estabelecida n\u00e3o era a \u00fanica coisa que existia? Havia apenas vagas alus\u00f5es quanto \u00e0 possibilidade de mudan\u00e7a. N\u00e3o \u00e9ramos rebeldes. N\u00e3o \u00e9ramos pioneiros.  Nem mesmo \u00e9ramos plagiadores entusiasmados ou devotos. \u00c9ramos meros discos sobre os quais se gravava a linguagem de nossa gera\u00e7\u00e3o. Em alguns per\u00edodos, chamados de fase de exames, esperava-se que reproduzir\u00edamos essa linguagem, palavra por palavra e par\u00e1grafo por par\u00e1grafo.<br \/>\n<\/br><br \/>\nO \u201cAmerican Way\u201d n\u00e3o se baseava na \u201cvida, liberdade e busca da felicidade\u201d, mas na determina\u00e7\u00e3o de homens de neg\u00f3cios de achatar os sal\u00e1rios e aumentar os lucros. O American Way tinha sido concebido para tornar os ricos mais ricos e manter os pobres no lugar deles.<br \/>\n<\/br><br \/>\nEnquanto isso, os fabricantes de guerras, cuja profiss\u00e3o consiste na destrui\u00e7\u00e3o e nos assassinatos em massa, tinham tomado o controle dos Estados Unidos e de suas pol\u00edticas e escreviam as regras do jogo e puxavam o ponto&#8230; Os EUA da minha juventude estavam escorrendo embaixo dos meus p\u00e9s e desvaneciam de minha vista. O Mayflower Covenant, a carta do amor e das boas rela\u00e7\u00f5es humanas de William Penn, a Bill of Rights de Thomas Jefferson, a Constitui\u00e7\u00e3o de 1789 que, como bom aluno, tinha aprendido palavra por palavra. O Gettysburg Address de Lincoln e o  Second Inaugural tinham se tornado papel de rascunho&#8230; T\u00ednhamos come\u00e7ado a transformar nossos arados em espadas e nossas foices em lan\u00e7as, as ferramentas de trabalho em armas e t\u00e9cnicas de destrui\u00e7\u00e3o e massacre.<br \/>\n<\/br><br \/>\nA que turma eu pertencia? Como podia me classificar a mim mesmo? Seria eu um Dom Quixote, combatendo ineficazmente contra os moinhos de vento? Ser\u00e1 que era eu o louco, e os meus compatriotas cidad\u00e3os conservadores e imobilistas os s\u00e3os de mente? Ou eu o \u00fanico com mente sadia e todos eles doidos?<br \/>\n<\/br><br \/>\nN\u00e3o gostava nada do mundo que eu via. Era um mundo no qual as for\u00e7as destrutivas claramente estavam por cima. Tinham me ensinado a acreditar nas possibilidades do bem-estar para cada indiv\u00edduo e na probabilidade de melhoria social. Em vez disso, eu me encontrava num mundo totalmente voltado \u00e0 sua autodestrui\u00e7\u00e3o. <\/br><br \/>\nVivo nos Estados Unidos s\u00f3 porque trabalho aqui&#8230; Me envergonho de qualquer conex\u00e3o com a oligarquia que atualmente governa mal, explora, saqueia e corrompe os EUA e o mundo.<br \/>\n<\/br><br \/>\nComo indiv\u00edduo, continuo a fazer o que posso. Vou por a\u00ed, falo e escrevo para contrastar a ignor\u00e2ncia, a in\u00e9rcia, o escapismo. Acredito que h\u00e1 uma consci\u00eancia crescente da crise e da gravidade da amea\u00e7a que paira sobre a humanidade. H\u00e1 tamb\u00e9m uma consci\u00eancia crescente de que j\u00e1 tenha sido tomada a decis\u00e3o crucial e que o processo de vaporiza\u00e7\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental esteja adiantado no seu curso&#8230; A minha contribui\u00e7\u00e3o pessoal est\u00e1 cada vez mais assumindo a forma de um aux\u00edlio \u201cestrangeiro\u201d \u2013 voltado aos meus concidad\u00e3os que quase n\u00e3o reconhe\u00e7o mais.  <\/br><br \/>\nS\u00e3o pessoas sem hist\u00f3ria, enganadas, iludidas, inexperientes, perplexas. S\u00e3o pessoas que est\u00e3o cada vez mais se distanciando da raz\u00e3o, do instinto, da emo\u00e7\u00e3o, comprometidos pateticamente s\u00f3 com as tentativas de fugir de um destino nefasto que os est\u00e1 cercando aos poucos, como uma n\u00e9voa que envolve um navio no mar.<br \/>\n<\/br><br \/>\nCom uma maior consci\u00eancia da situa\u00e7\u00e3o real, crescia em mim a convic\u00e7\u00e3o de que eu deveria fazer alguma coisa. Tentei falar, escrever, discutir, conferenciar, e fui esnobado e ignorado pelos meus concidad\u00e3os americanos. Continuo fazendo o poss\u00edvel, em cada oportunidade, falando o que tinha para falar depois de refletir e aprofundar as quest\u00f5es. Continuo oferecendo minha ajuda aos concidad\u00e3os americanos como se oferece ajuda a um homem que est\u00e1 se afogando e que est\u00e1 sendo levado, cada segundo mais longe, por uma corrente irresist\u00edvel. Ofere\u00e7o esta ajuda de bom grado, esperan\u00e7osamente, ansiosamente.<br \/>\n<\/br><br \/>\nComo o Velho Marinheiro, digo aos transeuntes preocupados: voc\u00ea escolheu e est\u00e1 seguindo um caminho que leva \u00e0 sua destrui\u00e7\u00e3o e, provavelmente, \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o de centenas de milh\u00f5es de outras pessoas. Eu aconselhei, me opus, avisei, desacreditei, denunciei. Voc\u00ea insiste em percorrer o caminho que leva \u00e0 sua perdi\u00e7\u00e3o. Continua correndo e me ignorando. Eu continuo advertindo. Voc\u00ea n\u00e3o me v\u00ea e n\u00e3o me escuta. Voc\u00ea n\u00e3o enxerga as infinitamente ricas possibilidades que a vida lhe oferece, a\u00ed, aos seus p\u00e9s, inutilizadas. Voc\u00ea continua no seu caminho \u2013 caminho que milh\u00f5es de humanos percorreram antes de voc\u00ea, iludidos e corrompidos pelas continhas espelhadas e chitas estampadas que as sociedades civilizadas oferecem aos seus devotos.<br \/>\n<\/br><br \/>\nEu dei as costas para a Oligarquia Americana, o American Way of Life, o S\u00e9culo Americano, o Imp\u00e9rio Americano, a civiliza\u00e7\u00e3o ocidental. A inteira cadeia de civiliza\u00e7\u00f5es trouxe um pouco de luz, aprendizagem, alegria e esperan\u00e7a a muito poucos seres humanos, enquanto multid\u00f5es viveram e morreram na escurid\u00e3o, na ignor\u00e2ncia, na mis\u00e9ria, no desespero. Eu dei as costas para esta m\u00edope e oportunista aceita\u00e7\u00e3o daquilo que \u00e9, porque estou convencido de que poder\u00edamos alcan\u00e7ar, criar, tocar e colher uma vida melhor e faz\u00ea-la nossa, se somente consegu\u00edssemos fazer um esfor\u00e7o maior.<br \/>\n<\/br><br \/>\nQueimei a \u00faltima ponte que me conectava ao American Way of Life porque estou convencido de que as ideias, os dispositivos, as t\u00e9cnicas e institui\u00e7\u00f5es da civiliza\u00e7\u00e3o foram tentados vez ap\u00f3s outra e se revelaram ineficazes. S\u00e3o sup\u00e9rfluas e obsoletas porque j\u00e1 existem outros modos, dispon\u00edveis para quem dar as costas ao passado e encarar o futuro com esperan\u00e7a, confian\u00e7a, criatividade e consci\u00eancia da necessidade de uma a\u00e7\u00e3o combinada e radical. <\/br><br \/>\nDigo adeus \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o ocidental. Sem nenhuma sombra de pesar, tento extirp\u00e1-la de minha vida como tento extirpar qualquer mem\u00f3ria desagrad\u00e1vel ou dolorosa.<br \/>\n<\/br><br \/>\nA minha separa\u00e7\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental e de suas modalidades est\u00e1 quase t\u00e3o completa quanto a minha separa\u00e7\u00e3o das civiliza\u00e7\u00f5es de Roma e do Egito. Continuo a viver nos Estados Unidos, o centro de poder da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental, porque isso \u00e9 parte de minha tarefa, mas n\u00e3o tenho mais compaix\u00e3o ou preocupa\u00e7\u00e3o que um emiss\u00e1rio dos EUA quando enviado para alguma \u00e1rea pr\u00e9-capitalista da \u00c1frica equatorial ou da Am\u00e9rica do Sul. O emiss\u00e1rio vive no meio do atraso, mas n\u00e3o pertence a ele. \u00c9 exatamente assim que eu me sinto quanto \u00e0s minhas rela\u00e7\u00f5es com os EUA, onde devo viver por for\u00e7a.<br \/>\n<\/br><br \/>\nQuem podia imaginar, no come\u00e7o do s\u00e9culo, que depois de uma breve estadia no exterior, eu teria voltado para essas margens e encontrado grande parte de Los Angeles, Detroit e Washington em ruinas fumegantes, saqueadas e pilhadas? Quem podia prever o n\u00edvel atual de consumo de drogas da popula\u00e7\u00e3o, as ondas de criminalidade, os tumultos, a ferocidade policial? Cada vez me pergunto, incr\u00e9dulo: mas essa \u00e9 mesmo a minha casa?<br \/>\n<\/br><br \/>\nEsta na\u00e7\u00e3o afluente, drogada, debochada, corrompida, polu\u00edda, iludida \u00e9 um pa\u00eds que eu nunca poderia ter imaginado em minha juventude. \u00c9 uma terra estranha e hostil. Cada vez que retorno a ela, n\u00e3o posso dizer alegremente \u201cEstou voltando pra casa\u201d. Em vez disso, preciso preparar a mim mesmo para voltar a um ambiente estrangeiro e nada agrad\u00e1vel.<br \/>\n<\/br><br \/>\nNenhuma pessoa razo\u00e1vel pode encarar os fatos do presente sem se dar conta da urg\u00eancia da situa\u00e7\u00e3o. \u00c9 o despontar dessa consci\u00eancia a causa principal da onda de protestos, rupturas e destrui\u00e7\u00e3o que est\u00e1 assolando o planeta no presente. A rea\u00e7\u00e3o \u00e9 mais evidente entre os jovens. Eles t\u00eam a vida pela frente. Os pais, membros de uma gera\u00e7\u00e3o precedente, est\u00e3o mais acostumados com a situa\u00e7\u00e3o. Para a maioria deles, as coisas nunca foram melhores no passado.<br \/>\n<\/br><br \/>\nO homem perturba e destr\u00f3i o equil\u00edbrio da natureza. A natureza responde, reestabelecendo o equil\u00edbrio. Passamos a vida construindo represas e diques mas, antes que possamos perceber, a natureza j\u00e1 est\u00e1 ali, erodindo e rompendo. A \u00e1gua j\u00e1 come\u00e7a a escorrer. A natureza \u00e9 incans\u00e1vel, persistente, implac\u00e1vel.<br \/>\n<\/br><br \/>\nEnsinar \u00e9 minha profiss\u00e3o. Ensinar, no sentido mais amplo do termo, significa procurar a verdade, transmiti-la a todos os que est\u00e3o dispostos a ouvi-la e incorpor\u00e1-la na vida da comunidade. A verdade \u00e9, frequentemente, desagrad\u00e1vel, entediante e ins\u00edpida para aqueles que det\u00eam uma quantidade desproporcional de bens materiais, para aqueles que s\u00e3o famintos de poder e que defendem suas causas em detrimento da maioria. De modo que tentam evitar a verdade, encobert\u00e1-la, para se esquecerem dela. \u00c9 fun\u00e7\u00e3o dos profissionais de ensino, entre os quais sou um membro permanente, continuar a descobrir a verdade, lembrando os ricos e poderosos do car\u00e1ter e significado dessa verdade, leva-la \u00e0 aten\u00e7\u00e3o p\u00fablica e procurar torna-la a pedra miliar da vida p\u00fablica local, regional, nacional e planet\u00e1ria.<br \/>\n<\/br><br \/>\nTive o raro privil\u00e9gio de estar presente e, em parte, assistir ao processo de destrui\u00e7\u00e3o de um sistema social, e ao come\u00e7o do desenvolvimento de um padr\u00e3o alternativo de sociedade humana. Se essa tivesse sido, para mim, a \u00fanica coisa que a vida me tivesse dado, j\u00e1 teria valido a pena. Sou grato pela oportunidade que tive e espero que o povo possa persistir at\u00e9 a vit\u00f3ria nessa luta perigosa, tirando cada vez mais vantagem das infinitas possibilidades de experimentos criativos e melhorias duradouras.\u201d<br \/>\n<\/br><br \/>\nAs palavras precedentes, como aquelas de Mencken, ressoam em mim. Foram escritas por <strong>Scott Nearing<\/strong> e publicadas em 1972 em sua autobiografia, &#8220;The Making of a Radical&#8221;. Na \u00e9poca, ele tinha 89 anos. As refer\u00eancias \u00e0 sua juventude e ao come\u00e7o do s\u00e9culo oferecem sua perspectiva a partir do in\u00edcio do s\u00e9culo XX.<br \/>\n<\/br><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/nearing-autobiog.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/nearing-autobiog.jpg\" alt=\"\" title=\"nearing-autobiog\" width=\"200\" height=\"300\" class=\"alignright size-full wp-image-2017\" \/><\/a><br \/>\n<\/br><br \/>\nUm inteiro s\u00e9culo depois, uma forma similar de radicalismo me aflige, como aquela que afligiu Nearing. Sou ignorado ou denigrado quando denuncio as a\u00e7\u00f5es tomadas para escorar um imp\u00e9rio em decl\u00ednio, incluindo <a href=\"http:\/\/www.eurasiareview.com\/14062012-natos-libya-blitzkrieg-and-the-coming-colonial-wars-oped\/\">a\u00e7\u00f5es militares sem precedentes no Oriente M\u00e9dio e norte da \u00c1frica.<\/a><br \/>\n<\/br><br \/>\nDa mesma forma, sou ignorado ou denigrado quando aponto os \u00f3bvios sinais de rebeli\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o e os prov\u00e1veis resultados dessas rebeli\u00f5es, al\u00e9m das causas das mesmas. As chamadas aumentam em n\u00famero e tenacidade quando aponto a aparentemente \u00f3bvia necessidade de destruir a civiliza\u00e7\u00e3o industrial, o sistema que est\u00e1 levando \u00e0 extin\u00e7\u00e3o v\u00e1rios milhares de esp\u00e9cies todos os dias, e que nos adoece, nos leva \u00e0 insanidade e nos mata, enquanto dizimamos a popula\u00e7\u00e3o humana e nos espoliamos de nossa \u00fanica casa.<br \/>\n<\/br><br \/>\nImaginem este cen\u00e1rio: Voc\u00ea passa em frente de uma casa todos os dias. Nessa casa, um velho assassina 200 beb\u00eas enquanto voc\u00ea est\u00e1 passando. O que voc\u00ea deveria fazer? A resposta que costumo ouvir: Voc\u00ea passa em frente \u00e0 casa, tape os ouvidos para n\u00e3o ouvir os gritos e feche os olhos para n\u00e3o ver.<br \/>\n<\/br><br \/>\nN\u00e3o se trata de um cen\u00e1rio hipot\u00e9tico, e \u00e9 muito pior do que eu indiquei. N\u00e3o s\u00e3o somente 200 beb\u00eas que esta velha civiliza\u00e7\u00e3o assassina a cada dia. S\u00e3o 200 esp\u00e9cies. Em outras palavras, \u00e9 um genoc\u00eddio. A maioria das pessoas responde que prefere que esse sistema continue para sempre. Uma pequena minoria gostaria que esse sistema homicida terminasse, preservando, assim, um habitat para os seres humanos por mais alguns anos. Somente pouqu\u00edssimas pessoas est\u00e3o motivadas para o tipo de a\u00e7\u00e3o que poderia preservar a vida, inclusive o habitat para os seres humanos.<br \/>\n<\/br><br \/>\n<strong>Qu\u00e3o radical \u00e9 voc\u00ea? Voc\u00ea ama a vida? Est\u00e1 disposto a lutar por ela?<\/strong><br \/>\n<\/br><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/transition-voice.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/transition-voice.jpg\" alt=\"\" title=\"transition voice\" width=\"550\" height=\"367\" class=\"alignright size-full wp-image-2018\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/transition-voice.jpg 550w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/07\/transition-voice-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Guy McPherson \u00e9 professor em\u00e9rito em recursos naturais e meio-ambiente na Universidade do Arizona. Al\u00e9m de pesquisador, \u00e9 autor de mais de 100 artigos e dez livros, entre os quais \u201cWalking Away from Empire\u201d (Abandonando o Imp\u00e9rio), concentrando seu trabalho na conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade.  Seu site: <a href=\"http:\/\/guymcpherson.com\">guymcpherson.com<\/a>.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>Palestra de Guy McPherson sobre O Mito da Sustentabilidade (em ingl\u00eas)<br \/>\nMyth of Sustainability by Dr. McPherson<\/strong><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Myth of Sustainability by Dr. McPherson\" width=\"640\" height=\"480\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/SIP0O1NJVZA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Ser um Radical&#8221; Por: Guy McPherson Fonte: guymcpherson.com Tradu\u00e7\u00e3o: Mario S. Mieli Guy McPherson Voc\u00eas provavelmente reconhecer\u00e3o este s\u00edmbolo, mesmo que, talvez, n\u00e3o saibam o seu nome: Quando escrevo este s\u00edmbolo na lousa e pe\u00e7o aos estudantes o que \u00e9, a resposta \u00e9 sempre a mesma: \u201cA raiz quadrada\u201d. 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