{"id":1799,"date":"2012-06-18T15:07:49","date_gmt":"2012-06-18T15:07:49","guid":{"rendered":"http:\/\/imediata.org\/?p=1799"},"modified":"2012-06-18T15:07:49","modified_gmt":"2012-06-18T15:07:49","slug":"lixocracia-e-urbanismo-do-descalabro-%e2%80%93-banco-colonizacao-das-cidades-tornar-zombies-os-cidadaos-cercando-os-de-bancos-por-todos-os-lados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imediata.org\/?p=1799","title":{"rendered":">> Lixocracia e Urbanismo do Descalabro \u2013 BANCO-COLONIZA\u00c7\u00c3O das cidades: tornar Zombies os Cidad\u00e3os, cercando-os de bancos por todos os lados"},"content":{"rendered":"<p><strong>Lixocracia e Urbanismo do Descalabro &#8211; BANCO-COLONIZA\u00c7\u00c3O das cidades: tornar Zombies os Cidad\u00e3os, cercando-os de bancos por todos os lados <\/strong><br \/>\n<\/br><br \/>\n<strong>Por: Mario S. Mieli<br \/>\n17 de junho de 2012<\/strong><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Afinal, privar e privatizar n\u00e3o seriam a mesma coisa?<br \/>\n<\/br><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/zombies-ate-my.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/zombies-ate-my-300x212.jpg\" alt=\"\" title=\"zombies-ate-my\" width=\"300\" height=\"212\" class=\"alignright size-medium wp-image-1800\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/zombies-ate-my-300x212.jpg 300w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/zombies-ate-my-1024x725.jpg 1024w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/zombies-ate-my.jpg 1061w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Algo que salta aos olhos quando percorremos as cidades do mundo atualmente \u00e9 a quantidade cada vez mais incr\u00edvel de ag\u00eancias banc\u00e1rias que proliferaram r\u00e1pida e assustadoramente, como fungos perniciosos ou r\u00e9pteis pe\u00e7onhentos, que passam a ocupar  espa\u00e7os antes destinados a uma variedade de diferentes estabelecimentos varejistas, provavelmente mais \u00fateis quando n\u00e3o indispens\u00e1veis \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Em outras palavras, estamos cercados de bancos por todos os lados. De S\u00e3o Paulo a Nova York, de Londres a Roma, de Los Angeles ao Rio.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Muito macabramente curioso. Numa era em que os bancos estimulam seus correntistas a fazer tudo eletronicamente a partir do pr\u00f3prio computador, laptop, celular&#8230; Numa era em que se incentivam ao absurdo os pagamentos atrav\u00e9s de cart\u00f5es de cr\u00e9dito ou d\u00e9bito, e que muitas empresas chegam at\u00e9 a recusar o pagamento em dinheiro ou com cheques&#8230; Numa \u00e9poca em que os cidad\u00e3os preferem n\u00e3o entrar em ag\u00eancias banc\u00e1rias, para evitar as intermin\u00e1veis filas resultantes do n\u00famero limitad\u00edssimo de funcion\u00e1rios trabalhando em cada ag\u00eancia, al\u00e9m de evitar os assaltos&#8230; Numa \u00e9poca de crise financeira em que a palavra \u201cliquidez\u201d faz sorrir amargamente grade parte das popula\u00e7\u00f5es por falta de dinheiro&#8230; N\u00e3o \u00e9 para acolher clientes desejosos de depositar seus recursos na poupan\u00e7a ou em outros investimentos que esses bancos abrem ag\u00eancias em cada canto. Em muitos casos, nem h\u00e1 popula\u00e7\u00e3o ou empresas nas redondezas que justifique sua presen\u00e7a. Os bancos abrem ag\u00eancias em cada rua, em cada pra\u00e7a, em cada esquina, em cada canto.<br \/>\n<\/br><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/bancos-espanha-050612-arend-van-dam-humor-politico-internacional-580x400.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/bancos-espanha-050612-arend-van-dam-humor-politico-internacional-580x400-300x206.jpg\" alt=\"\" title=\"bancos-espanha-050612-arend-van-dam-humor-politico-internacional-580x400\" width=\"300\" height=\"206\" class=\"alignright size-medium wp-image-1801\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/bancos-espanha-050612-arend-van-dam-humor-politico-internacional-580x400-300x206.jpg 300w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/bancos-espanha-050612-arend-van-dam-humor-politico-internacional-580x400.jpg 580w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/br><br \/>\nQuando um abre num canto, logo chegam os demais. Na frente, atr\u00e1s, de todos os lados, quando n\u00e3o em cima ou em baixo. Num perverso processo de retroalimenta\u00e7\u00e3o, eles s\u00e3o os \u00fanicos a poderem se permitir o pagamento de alugu\u00e9is exorbitantes ou a compra de pontos, a pre\u00e7os proibitivos para quem n\u00e3o \u00e9 banco. Dessa forma, outros tipos de varejo necess\u00e1rios \u00e0 popula\u00e7\u00e3o escasseiam ou somem, deixando ainda mais aos bancos todos os espa\u00e7os desej\u00e1veis ou convenientes. Ser\u00e1 justamente esse o objetivo? Promover a ocupa\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os para inflacion\u00e1-los e excluir ulteriormente o pequeno e o m\u00e9dio varejo, for\u00e7ando o cidad\u00e3o a dirigir-se aos centros de compra, \u00e0s grandes \u201ccadeias\u201d, aos shoppings, aos gigantes varejistas, \u201cwall\u201d-martirizando-os?<br \/>\n<\/br><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/images.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/images.jpeg\" alt=\"\" title=\"images\" width=\"225\" height=\"225\" class=\"alignright size-full wp-image-1802\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/images.jpeg 225w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/images-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><\/a><br \/>\n<\/br><br \/>\nIronicamente, muitas vezes os bancos s\u00e3o cotejados por farm\u00e1cias ou drogarias (haja antiespasm\u00f3dicos, antidepressivos, ansiol\u00edticos, anti\u00e1cidos&#8230;), outras vezes, s\u00e3o avizinhados por lojas de telefonia celular. Em algumas cidades, juntamente com os bancos, os pontos de telefonia celular e as drogarias, floresceu repentinamente outro tipo de \u201cvarejo\u201d. Em Nova York, por exemplo, tem sido o caso dos sal\u00f5es das manicures chinesas. Um em cada quarteir\u00e3o&#8230; tem para todos os tipos de cut\u00edcula&#8230; quando at\u00e9 20 anos atr\u00e1s, eram rar\u00edssimos.  Se cada centro urbano na Am\u00e9rica do Norte tinha sua Bank Street, hoje parece que todas as cidades viraram uma Bank City.  J\u00e1 nas grandes cidades do Brasil, em vez de manicures chinesas, s\u00e3o franquias de escusas seitas \u201cdo Senhor\u201d, denominadas \u201cevang\u00e9licas\u201d, que se apresentam no pareio por espa\u00e7o, junto aos bancos. Ai, meu bom Jesus do Matosinhos&#8230; que expulsaste os cambistas do templo do Senhor, quanto trabalho terias para desinfestar inteiras cidades deste iMundo&#8230;<br \/>\n<\/br><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Zombies.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Zombies-281x300.jpg\" alt=\"\" title=\"Zombies\" width=\"281\" height=\"300\" class=\"alignright size-medium wp-image-1803\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Zombies-281x300.jpg 281w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/Zombies.jpg 400w\" sizes=\"auto, (max-width: 281px) 100vw, 281px\" \/><\/a><br \/>\n<\/br><br \/>\nO que \u00e9 evidente \u00e9 que a grande maioria das \u201cocupa\u00e7\u00f5es\u201d dos pontos de varejo das cidades do mundo se deve aos bancos mesmo. Ag\u00eancias banc\u00e1rias que substituem quitandas, a\u00e7ougues, peixarias, confeitarias, sapatarias, padarias, lojas de g\u00eaneros alimentares, doceiras, barbearias, cabelereiros, chaveiros, cinemas, restaurantes, lojas de roupas, ferramentarias, lojas de m\u00f3veis, de discos, livrarias&#8230; alterando assim a paisagem, os h\u00e1bitos e o conte\u00fado urbanos, al\u00e9m de mudarem o pr\u00f3prio sentido e significado de cidade.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Ag\u00eancias modernas ou n\u00e3o, luxuosas ou n\u00e3o, situadas em locais estrat\u00e9gicos ou n\u00e3o, invasivas do tecido urbano ou n\u00e3o, mas todas impecavelmente dotadas de pouqu\u00edssimos funcion\u00e1rios para atender os atuais, potencias ou eventuais clientes. Todas marcando presen\u00e7a com sua arquitetura pr\u00e9-planejada e impessoal que transforma qualquer espa\u00e7o em \u201cn\u00e3o lugar\u201d (como diria Marc Aug\u00e9), qualquer tempo em \u201ctempo artificial\u201d, qualquer intera\u00e7\u00e3o em \u201cn\u00e3o relacionamento\u201d. Ocupa\u00e7\u00e3o pela ocupa\u00e7\u00e3o?, OU ocupa\u00e7\u00e3o engajada com motiva\u00e7\u00f5es pol\u00edticas para refletir e homologar a supremacia financeira e compuls\u00f3ria de todos os aspectos do indiv\u00edduo, da sociedade e da vida?, OU misto das duas coisas&#8230;<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>A \u00fanica coisa que podemos fazer, como cidad\u00e3os n\u00e3o banqueiros, \u00e9 imaginar como poder\u00edamos usar esses n\u00e3o-espa\u00e7os para voltar a dar \u00e0 cidade fun\u00e7\u00e3o, utilidade, dignidade, vida.<\/strong> E se essas ag\u00eancias fossem transformadas em bibliotecas, em centros de ensino e educa\u00e7\u00e3o, em centros de sa\u00fade, em minicentros culturais, em pontos de conv\u00edvio social, em saud\u00e1veis unidades mistas de pequeno varejo ou empreendimentos familiares, em centros de venda e distribui\u00e7\u00e3o de alimentos org\u00e2nicos? Seja qual for o destino \u00e9tico do uso desses espa\u00e7os, n\u00e3o minimizemos a repagina\u00e7\u00e3o e vivifica\u00e7\u00e3o est\u00e9tica pela qual eles precisariam passar.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p><strong>Visualizemos criativamente os outros usos que dar\u00edamos para essas antessalas cemiteriais em que se desenrola o grande abuso: o ininterrupto vel\u00f3rio de nossa imagina\u00e7\u00e3o, liberdade e vitalidade e onde funeralizamos em nada \u201csuaves\u201d presta\u00e7\u00f5es e com  \u201cescorchantes\u201d juros, os cada vez mais computados e taxados sopros  de nossas vidas, banc\u00e1ria, monstruosa e desumanamente vampirizados, ou seja, NOSSA TRANSFORMA\u00c7\u00c3O DE CIDAD\u00c3OS \u2013 HABITANTES DE CIDADES EM ZOMBIES VAGANTES DE UM N\u00c3O-LUGAR A OUTRO.<\/strong><br \/>\n<\/br><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/velorio_entrega_41.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/velorio_entrega_41.jpg\" alt=\"\" title=\"velorio_entrega_4\" width=\"500\" height=\"333\" class=\"alignright size-full wp-image-1805\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/velorio_entrega_41.jpg 500w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/06\/velorio_entrega_41-300x199.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><br \/>\n<strong>N\u00e3o-lugares: banco, centro de sa\u00fade ou sala de vel\u00f3rio?<\/strong><br \/>\n<\/br><br \/>\n<strong>Recomendamos tamb\u00e9m:<\/strong><br \/>\n<strong>>> Singelas PROFANA-a\u00e7\u00f5es 41 \u2013 Occupella -um protesto cantado- \u201cMe tira daqui dos big bancos!!!\u201d<\/strong><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/?p=1361\">http:\/\/imediata.org\/?p=1361<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lixocracia e Urbanismo do Descalabro &#8211; BANCO-COLONIZA\u00c7\u00c3O das cidades: tornar Zombies os Cidad\u00e3os, cercando-os de bancos por todos os lados Por: Mario S. 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