{"id":139,"date":"2010-05-06T12:56:18","date_gmt":"2010-05-06T12:56:18","guid":{"rendered":"http:\/\/imediata.org\/?p=139"},"modified":"2010-05-07T19:37:03","modified_gmt":"2010-05-07T19:37:03","slug":"grecia-comeca-a-tragedia-europeia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imediata.org\/?p=139","title":{"rendered":">>Gr\u00e9cia, come\u00e7a a trag\u00e9dia europ\u00e9ia, por Franco Berardi &#8220;Bifo&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/imagens\/logos\/logolance.jpg\" alt=\"null\" \/><\/p>\n<p><strong>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.ilmanifesto.it\/archivi\/commento\/anno\/2010\/mese\/05\/articolo\/2710\/\">Il Manifesto<\/a>, 5\/5\/2010<\/strong><br \/>\n<strong>Tradu\u00e7\u00e3o: Ag\u00eancia Imediata<\/strong><\/p>\n<p>A trag\u00e9dia europ\u00e9ia come\u00e7ou. Tr\u00eas mortos em um banco de Atenas s\u00e3o o primeiro horr\u00edvel saldo de uma guerra que o capitalismo financeiro desencadeou contra a sociedade, e que a sociedade n\u00e3o sabe o que fazer para se poder livrar dele. A sociedade grega n\u00e3o pode suportar o despotismo das ag\u00eancias financeiras que a levaram ao abismo da crise, e que agora pretendem que sejam os trabalhadores a pagar o pre\u00e7o. Levada ao precip\u00edcio da mis\u00e9ria, da humilha\u00e7\u00e3o e da cat\u00e1strofe, a sociedade grega poderia reagir de uma maneira insensata. Pode ser o in\u00edcio de uma trag\u00e9dia que n\u00e3o se limitar\u00e1 \u00e0 Gr\u00e9cia. <\/p>\n<p>O que est\u00e1 acontecendo na Europa \u00e9 extraordin\u00e1rio e assustador. Extraordin\u00e1rio porque, pela primeira vez, a constru\u00e7\u00e3o europ\u00e9ia entra em uma crise que amea\u00e7a tornar-se definitiva, e porque essa poderia ser uma oportunidade para come\u00e7ar uma transforma\u00e7\u00e3o no sentido democr\u00e1tico e social de uma entidade que, at\u00e9 agora, n\u00e3o teve o perfil de uma democracia, mas sobretudo o de uma ditadura tecno-financeira. Assustador porque nunca como hoje nos damos conta do fato de que a intelig\u00eancia coletiva est\u00e1 dissolvida, a voz da cr\u00edtica social est\u00e1 muda, a democracia morta. Consequentemente, se n\u00e3o ocorrer alguma coisa no momento atual, coisa muito dif\u00edcil de se prever (o despertar de uma intelig\u00eancia coletiva capaz de discutir as bases da raz\u00e3o da exist\u00eancia da entidade europ\u00e9ia), o resultado dessa crise pode se tornar uma trag\u00e9dia destinada a destruir o que resta da civiliza\u00e7\u00e3o social moderna no continente europeu. <\/p>\n<p>Um n\u00famero da revista Loop de maio de 2009 se titulava Finis Europae, e se perguntava se a Europa poderia sobreviver ao colapso financeiro. A resposta era n\u00e3o, a Europa n\u00e3o pode sobreviver ao colapso se n\u00e3o se libertar da ditadura da classe financeira que tem nas m\u00e3os a corda com a qual a sociedade europ\u00e9ia est\u00e1 sendo lentamente estrangulada. Mas a intelectualidade europ\u00e9ia (ser\u00e1 que ainda esiste algo que mere\u00e7a esse nome?) tratou muito pouco desse problema. At\u00e9 o presente momento, a discuss\u00e3o nos jornais e nos debates pol\u00edticos oficiais, \u00e9 rid\u00edcula, vazia, incosistente. Parece que ningu\u00e9m consegue ver que a constru\u00e7\u00e3o europ\u00e9ia foi at\u00e9 o presente a causa (uma das causas) da piora sistem\u00e1tica das condi\u00e7\u00f5es de vida dos trabalhadores. Apesar das mentiras e das bobagens contadas pela esquerda, a pol\u00edtica fanaticamente monetarista da Uni\u00e3o produziu um apert\u00e3o da despesa p\u00fablica que piorou a qualidade de vida das popula\u00e7\u00f5es e, ao mesmo tempo, imp\u00f4s um verdadeiro arrocho salarial que foi acompanhado de um aumento sistem\u00e1tico do custo de vida. <\/p>\n<p>O fanatismo monetarista do Banco Central Europeu (verdadeiro \u00f3rg\u00e3o de comando da vida pol\u00edtica europ\u00e9ia) escolheu alguns alvos preferidos. O da aposentadoria \u00e9, talvez, o mais evidente. Prolongar o tempo de trabalho \u00e9 uma das obsess\u00f5es do Neoliberalismo, e se baseia num ac\u00famulo de mentiras puras e simples. Diz-se que o aumento da expectativa de vida coloca em risco a possibilidade de manter um equil\u00edbrio econ\u00f4mico, esquecendo que a produtividade m\u00e9dia social aumentou de cinco vezes nos \u00faltimos quarenta anos, de forma que n\u00e3o muda nada o fato de que o n\u00famero de trabalhadores possa diminuir ligeiramente. Diz-se que os velhos devem trabalhar por mais tempo em solidariedade aos jovens \u2013 n\u00e3o h\u00e1 mentira mais repugnante do que essa: o prolongamento do tempo de trabalho dos anci\u00e3os tem, de fato, como consequ\u00eancia um aumento do desemprego da juventude, e uma condi\u00e7\u00e3o de chantagem no mercado de trabalho que tornou poss\u00edvel um aumento desmedido da precariedade no trabalho. <\/p>\n<p>A pol\u00edtica do BCE est\u00e1 na origem da mis\u00e9ria europ\u00e9ia. Se a Uni\u00e3o \u00e9 isso, melhor que morra. Mas a morte da Uni\u00e3o, que a cada dia se faz mais prov\u00e1vel, seria o come\u00e7o de um inferno inimagin\u00e1vel. O desencadeamento de todos os dem\u00f4nios, que nos \u00faltimos anos foram mantidos sob controle, estaria bem pr\u00f3ximo. N\u00e3o s\u00f3 assinalaria o reemergir dos nacionalismos, mas tamb\u00e9m o precipitar da guerra civil inter-\u00e9tnica nos pa\u00edses mediterr\u00e2neos, levados ao precip\u00edcio de um perigoso e extremo empobrecimento. <\/p>\n<p>S\u00f3 um movimento do trabalho prec\u00e1rio e do trabalho cognitivo, um movimento que coloque no centro da discuss\u00e3o pol\u00edtica o sal\u00e1rio \u00fanico da cidadania pode salvar a Uni\u00e3o Europ\u00e9ia, modificando radicalmente sua forma e subst\u00e2ncia. Mas um movimento assim parece hoje bastante improv\u00e1vel, bastante distante dos comportamentos psicop\u00e1ticos e conformistas de uma gera\u00e7\u00e3o de desesperados, cujo futuro parece n\u00e3o ter v\u00e1lvulas de escape. Um futuro de precariedade, de escravagem, de mis\u00e9ria material e ps\u00edquica. Uma gera\u00e7\u00e3o da qual sobrar\u00e1 apenas o Facebook \u2013 tubo de respira\u00e7\u00e3o para a impot\u00eancia e o narcisismo \u2013 para ter a sensa\u00e7\u00e3o de poder falar livremente.<\/p>\n<p><strong>Grecia, inizia  la tragedia europea <\/p>\n<p> Franco Berardi &#8220;Bifo&#8221;<\/p>\n<p>Il Manifesto 5\/5\/2010<\/strong><\/p>\n<p>La tragedia europea \u00e8 iniziata. Tre morti in una banca di Atene sono il primo orribile bilancio di una guerra che il capitalismo finanziario ha scatenato contro la societ\u00e0, e da cui la societ\u00e0 non sa come liberarsi. La societ\u00e0 greca non pu\u00f2 sopportare il diktat delle agenzie finanziarie che l&#8217;hanno spinta nel baratro della crisi, e ora pretendono che a pagare il prezzo siano i lavoratori. Spinta contro il muro della miseria, dell&#8217;umiliazione e della catastrofe, la societ\u00e0 greca potrebbe reagire in maniera folle. Pu\u00f2 essere l&#8217;inizio di una tragedia che non sar\u00e0 limitata alla Grecia. <\/p>\n<p>Quello che sta succedendo in Europa \u00e8 straordinario e terrificante. Straordinario perch\u00e9 per la prima vol ta la costruzione europea entra in una crisi che minaccia di farsi definitiva, e perch\u00e9 questa potrebbe essere un&#8217;opportunit\u00e0 per iniziare una trasformazione in senso democratico e sociale di un&#8217;entit\u00e0 che finora non ha avuto i tratti della democrazia, ma piuttosto quelli di una dittatura tecno-finanziaria.<br \/>\nTerrificante perch\u00e9 mai come oggi ci rendiamo conto del fatto che l&#8217;intelligenza collettiva \u00e8 dissolta, la voce della critica sociale \u00e8 muta, la democrazia morta. Di conseguenza, se non accade qualcosa al momento attuale molto difficile da prevedere (il risveglio di una intelligenza collettiva capace di ridiscutere alla radice la ragion d&#8217;essere dell&#8217;entit\u00e0 europea), l&#8217;esito di questa crisi rischia di essere una tragedia destinata a distruggere quel che resta della civilt\u00e0 sociale moderna nel continente europeo. <\/p>\n<p>Un numero della rivista Loop del maggio 2009 si intitolava Finis Europae, e si chiedeva se l&#8217;Europa poteva sopravvivere al collasso finanziario. La risposta era che no, l&#8217;Europa non pu\u00f2 sopravvivere al collasso se non si libera dalla dittatura della classe finanziaria che tiene in mano la corda con cui la societ\u00e0 europea viene lentamente strangolata.<br \/>\nMa di questo tema ben poco si \u00e8 occupata finora l&#8217;intellettualit\u00e0 europea (ma esiste ancora qualcosa che meriti questo nome?) La discussione che si \u00e8 svolta fin a questo momento sui giornali e nelle assisi politiche ufficiali \u00e8 ridicola, vuota, inconsistente. Sembra che nessuno riesca a vedere che la costruzione europea \u00e8 stata fino a questo momento la causa (una delle cause) del peggioramento sistematico delle condizioni di vita dei lavoratori. Nonostante le bugie e le cazzate raccontate dalla sinistra, la politica fanaticamente monetarista dell&#8217;Unione ha prodotto una stretta della spesa pubblica che ha peggiorato la qualit\u00e0 della vita delle popolazioni, e contemporaneamente ha imposto un vero e proprio blocco salariale che si \u00e8 accompagnato con un aumento sistematico del costo della vita. <\/p>\n<p>Il fanatismo monetarista della Bce (vero organo di comando sulla vita politica europea) ha scelto alcuni bersagli preferiti. Quello delle pensioni \u00e8 forse il pi\u00f9 evidente. Allungare il tempo di lavoro-vita \u00e8 una delle ossessioni del Neoliberismo, e si fonda su un accumulo di menzogne pure e semplici. Si dice che l&#8217;aumento del tempo di vita media mette in pericolo la possibilit\u00e0 di mantenere un equilibrio economico, dimenticando che la produttivit\u00e0 media sociale \u00e8 aumentata di cinque volte negli ultimi quaranta anni, per cui non cambia niente il fatto che il numero dei produttori possa diminuire leggermente. Si dice che i vecchi debbono lavorare pi\u00f9 a lungo per solidariet\u00e0 nei confronti dei giovani, e non c&#8217;\u00e8 menzogna pi\u00f9 ripugnante di questa: il prolungamento del tempo di lavoro degli anziani ha infatti come conseguenza un aumento della disoccupazione giovanile, e una condizione di ricatto sul mercato del lavoro che ha reso possibile un aumento smisurato della precariet\u00e0 lavorativa. <\/p>\n<p>La politica della Bce \u00e8 all&#8217;origine della miseria europea. Se L&#8217;Unione \u00e8 questo, che muoia.<br \/>\nMa la morte dell&#8217;Unione, che ogni giorno si fa pi\u00f9 probabile, sarebbe l&#8217;inizio di un inferno inimmaginabile. Lo scatenamento di tutti i demoni che negli ultimi decenni si sono tenuti sotto controllo sarebbe dietro l&#8217;angolo. Non solo segnerebbe il riemergere dei nazionalismi, ma anche il precipitare della guerra civile interetnica, nei paesi mediterranei spinti nel baratro di un immiserimento pericoloso. <\/p>\n<p>Solo un movimento del lavoro precario e del lavoro cognitivo, un movimento che ponga al centro della discussione politica il salario unico di cittadinanza pu\u00f2 salvare l&#8217;Unione europea, modificandone radicalmente la forma e la sostanza. Ma un simile movimento sembra oggi quanto di pi\u00f9 improbabile, quanto di pi\u00f9 lontano dai comportamenti psicopatici e conformisti di una generazione di disperati il cui futuro sembra segnato senza vie d&#8217;uscita. Un futuro di precariet\u00e0, di schiavismo, di immiserimento materiale e psichico. Una generazione cui rimarr\u00e0 solo Facebook &#8211; sfiatatoio dell&#8217;impotenza e del narcisismo &#8211; per avere la sensazione di poter parlare liberamente. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fonte: Il Manifesto, 5\/5\/2010 Tradu\u00e7\u00e3o: Ag\u00eancia Imediata A trag\u00e9dia europ\u00e9ia come\u00e7ou. Tr\u00eas mortos em um banco de Atenas s\u00e3o o primeiro horr\u00edvel saldo de uma guerra que o capitalismo financeiro desencadeou contra a sociedade, e que a sociedade n\u00e3o sabe o que fazer para se poder livrar dele. A sociedade grega n\u00e3o pode suportar o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-139","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-lance-de-dados"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/139","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=139"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/139\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":181,"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/139\/revisions\/181"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=139"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=139"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/imediata.org\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=139"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}