{"id":1359,"date":"2012-04-11T12:18:05","date_gmt":"2012-04-11T12:18:05","guid":{"rendered":"http:\/\/imediata.org\/?p=1359"},"modified":"2012-04-11T12:18:05","modified_gmt":"2012-04-11T12:18:05","slug":"cinco-minutos-pra-cazzi-vostri-vai-cuidar-da-sua-vida-porra-the-show-must-go-off","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imediata.org\/?p=1359","title":{"rendered":">> Cinco minutos pra &#8220;Cazzi vostri&#8221; &#8211; Vai cuidar da sua vida, porra! (The show must go off!)"},"content":{"rendered":"<p>>> Cinco minutos pra &#8220;Cazzi vostri&#8221; &#8211; Vai cuidar da sua vida, porra! (The show must go off!)<br \/>\n<\/br><br \/>\nde Ascanio Celestini, apresentado no programa da TV italiana:<br \/>\n<\/br><br \/>\n<strong>THE SHOW MUST GO OFF<br \/>\nDe 2 de abril de 2012<br \/>\nTranscri\u00e7\u00e3o traduzida: Mario S. Mieli<\/strong><br \/>\n<\/br><br \/>\n<strong>The show must go off Ascanio Celestini Cittadini so cazzi vostri<\/strong><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"The show must go off Ascanio Celestini Cittadini so cazzi vostri 2012 02 04.wmv\" width=\"640\" height=\"480\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_zFUQ49tBR4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Cidad\u00e3os! \u2013 permitam que eu os chame assim, embora todos saibamos que voc\u00eas s\u00e3o servos, escravos, s\u00faditos \u2013 por\u00e9m quero cham\u00e1-los cidad\u00e3os para n\u00e3o humilh\u00e1-los inutilmente. Portanto: cidad\u00e3os, n\u00f3s somos a classe patronal no governo e temos uma grave responsabilidade: devemos dizer-lhes que h\u00e1 uma grand\u00edssima crise \u2013 irrevers\u00edvel: n\u00e3o podemos dar-lhes esperan\u00e7as. Bem, enquanto isso n\u00f3s mand\u00e1vamos voc\u00eas trabalharem nas minas, ench\u00edamos seus pulm\u00f5es de bi\u00f3xido de sil\u00edcio; voc\u00eas estrebuchavam, mas suas esposas obtinham a reversibilidade da aposentadoria: mas, hoje, isso n\u00e3o lhes pertence mais. Cidad\u00e3os, antigamente n\u00f3s mand\u00e1vamos voc\u00eas pra f\u00e1brica: faz\u00edamos voc\u00eas trabalharem quatro, cinco, seis, sete, oito, at\u00e9 nove horas; sab\u00edamos que depois de quatro horas j\u00e1 teriam produzido o quanto bastava para fazer viver dignamente tanto voc\u00eas quanto n\u00f3s; mas n\u00f3s explor\u00e1vamos voc\u00eas na f\u00e1brica e utiliz\u00e1vamos o seu plus-trabalho para obter uma plus-valia que embols\u00e1vamos gozando de suas fu\u00e7as. <\/p>\n<p><\/br><\/p>\n<p>Mas lhes d\u00e1vamos o d\u00e9cimo-terceiro, n\u00e3o \u00e9 verdade? Com essa grana voc\u00eas compravam um televisor, com o qual depois n\u00f3s doutrin\u00e1vamos voc\u00eas e pod\u00edamos trapace\u00e1-los \u00e0 dist\u00e2ncia.  Mas a televis\u00e3o \u00e9 uma coisa bonita, assim como o d\u00e9cimo-terceiro. Bem, hoje voc\u00eas podem \u00e9 sonhar com o d\u00e9cimo-terceiro. Cidad\u00e3os, antigamente mand\u00e1vamos voc\u00eas \u00e0 guerra  para obter nossos lucros e voc\u00eas pra guerra iam e l\u00e1 morriam, e n\u00f3s lhes faz\u00edamos um funeral de estado.   Como \u00e9 lindo o funeral de Estado! Eu, quando vou aos funerais de Estado, vejo todas aquelas bandeiras, o hino \u2013 parece at\u00e9 que estou num jogo de futebol: passa o f\u00e9retro, o morto, e eu fico a\u00ed fazendo \u201cal\u00e9-oh\u00f2\u201d. Bem, hoje se voc\u00eas forem estiolar-se na guerra pra gente, n\u00e3o v\u00e3o conseguir nem um funeral. Cidad\u00e3os, antigamente n\u00f3s sufoc\u00e1vamos voc\u00eas, mas de vez em quando lhes permit\u00edamos retomas f\u00f4lego. Agora vamos estrangul\u00e1-los e pronto. Acabou.<br \/>\n<\/br><br \/>\nApesar disso, caros cidad\u00e3os, n\u00f3s que estamos no governo temos a responsabilidade e o dever de escutar os oper\u00e1rios: eles dizem que fazem parar suas empresas?, n\u00f3s as deslocalizamos para a China e eles perdem o trabalho, ou ficam na It\u00e1lia, por\u00e9m s\u00e3o eles que se achinesam e perdem todos os direitos.   E n\u00f3s, a esses oper\u00e1rios, devemos dizer uma coisa simples, clara, honesta, e vamos diz\u00ea-la. Diremos: oper\u00e1rio: Vai cuidar da sua vida, porra!  Isso mesmo, oper\u00e1rios: \u201ccazzi vostri\u201d. Sinceramente, honestamente. Mas eu quero falar tamb\u00e9m com os prec\u00e1rios, aqueles que vinte anos atr\u00e1s tinham vinte-oito, trinta anos, e estavam certos de que em alguns meses teriam encontrado um trabalho verdadeiro, mas n\u00e3o aconteceu: ficaram entalados naquele p\u00e2ntano que \u00e9 a precariedade; agora est\u00e3o com cinquenta  a s\u00e3o ainda trabalhadores prec\u00e1rios, e vamos dizer isso a eles. Diremos: prec\u00e1rio?  Vai cuidar da sua vida, porra! Voc\u00eas tamb\u00e9m. Sinceramente: \u201ccazzi vostri\u201d.<br \/>\n<\/br><br \/>\nMas quero falar tamb\u00e9m com os imigrantes, que s\u00e3o a viga mestra desse pa\u00eds; trabalham o triplo, ganham nada e s\u00e3o escravizados. Apesar do instituto de estat\u00edsticas dizer que daqui a cinquenta anos um cidad\u00e3o em cada quatro vir\u00e1 mesmo de uma hist\u00f3ria de imigra\u00e7\u00e3o. De modo que quero falar com voc\u00eas, imigrantes, e dizer a mesma coisa que digo aos demais cidad\u00e3os, porque voc\u00eas n\u00e3o s\u00e3o cidad\u00e3os de segunda categoria. Direi pra voc\u00eas tamb\u00e9m: emigrado, migrante? Vai cuidar de sua vida, porra! Sobretudo pra voc\u00eas. Algu\u00e9m poderia dizer: por que n\u00e3o fazemos como a Alemanha, a Gr\u00e3-Bretanha, que pactuaram com a Su\u00ed\u00e7a para taxar o dinheiro alem\u00e3o e ingl\u00eas que est\u00e1 nos bancos helv\u00e9ticos?  Claro, e de dinheiro italiano aqueles bancos est\u00e3o abarrotados. Sabem por que n\u00e3o o taxamos? Porque aquele dinheiro \u00e9 nosso, de n\u00f3s, patr\u00f5es. Est\u00e3o brincando comigo? E depois, em nosso meio, tem um monte de banqueiros. O que dir\u00edamos a eles?<br \/>\n<\/br><br \/>\nOu algu\u00e9m poderia dizer: por que insistir ainda com as grandes obras? Um trem-bala que vai devastar um vale inteiro, no Piemonte, quando a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 contra \u2013 at\u00e9 porque j\u00e1 tem um trem que passa ali e nem \u00e9 muito utilizado. Porque, aqui entre n\u00f3s, al\u00e9m dos banqueiros, tem tamb\u00e9m construtores, os donos do cimento, e tem muito lucro a ser feito assim, caros cidad\u00e3os.  A manobra \u00e9 \u201cVai cuidar da sua vida, porra!\u201d e n\u00e3o \u201co problema \u00e9 nosso\u201d. T\u00e1 brincando comigo? Ou algu\u00e9m vai nos perguntar simplesmente: F-35? Esse super ca\u00e7a-bombardeiro que nos custar\u00e1 13, 14, talvez 15 bilh\u00f5es: por qu\u00ea? E todos os outros gastos b\u00e9licos, que precisam ser adicionados a esse, num pa\u00eds cuja constitui\u00e7\u00e3o afirma repudiar a guerra? Sabem por que gastaremos todo esse dinheiro? Porque entre n\u00f3s tem tamb\u00e9m um monte de generais, al\u00e9m dos construtores, entenderam? Um deles tinha virado at\u00e9 ministro, ora&#8230;<br \/>\n<\/br><br \/>\nN\u00f3s somos os poderosos, caros cidad\u00e3os. E, por favor, n\u00e3o levantem a crista porque sen\u00e3o&#8230; ser\u00e1 que voc\u00eas est\u00e3o querendo que voltemos a botar as bombas nas pra\u00e7as, nos trens, nas esta\u00e7\u00f5es, nos bancos?  Ei, cidad\u00e3o, Vai cuidar de sua vida, porra! Temos nada a ver com isso. Vejam, cidad\u00e3os, eu tenho tanta certeza da honestidade de minhas palavras que propus ao governo de chamar essa nova manobra justamente de \u201cVai cuidar de sua vida, porra!\u201d, porque me parecia uma coisa expl\u00edcita, clara, que ter\u00edamos todos entendido, n\u00e3o? Mas a comunidade internacional nos pede para sermos muito mais filhos da puta, mas tamb\u00e9m um pouquinho mais elegantes, por isso a chamaremos com algo di tipo \u201cmanobra salva-pa\u00eds\u201d ou com um t\u00edtulo um pouco mais f\u00edlmico, cinematogr\u00e1fico, tipo \u201ccomo o pepino para o verdureiro\u201d . Voc\u00eas ver\u00e3o, cidad\u00e3os: o capitalismo \u00e9 certamente aquele guarda-chuv\u00e3o que enfiamos em suas bundas todos os dias. Mas n\u00e3o \u00e9 um guarda-chuva vagabundo, coisa de tr\u00eas ou quatro euros que algum marroquino vende quando come\u00e7a chover. \u00c9 um guarda-chuva caro, de grife, talvez de seda, com o cabo de marfim e a ponta de prata. Se voc\u00eas n\u00e3o entenderam, caros cidad\u00e3os, se voc\u00eas ainda acreditam que moram num pa\u00eds democr\u00e1tico, onde contam alguma coisa, nesse caso, caro cidad\u00e3o, Vai cuidar da sua vida, porra!<br \/>\n<\/br><br \/>\n(Ascanio Celestini, \u201cCazzi vostri\u201d; texto da apresenta\u00e7\u00e3o de Ascanio em 2 de abril de 2012 no programa da TV italiana \u201cThe show must go off\u201d no canal La7 e apresentado por Serena Dandini).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>>> Cinco minutos pra &#8220;Cazzi vostri&#8221; &#8211; Vai cuidar da sua vida, porra! (The show must go off!) de Ascanio Celestini, apresentado no programa da TV italiana: THE SHOW MUST GO OFF De 2 de abril de 2012 Transcri\u00e7\u00e3o traduzida: Mario S. Mieli The show must go off Ascanio Celestini Cittadini so cazzi vostri Cidad\u00e3os! 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