{"id":1350,"date":"2012-04-10T11:21:00","date_gmt":"2012-04-10T11:21:00","guid":{"rendered":"http:\/\/imediata.org\/?p=1350"},"modified":"2012-04-10T11:23:42","modified_gmt":"2012-04-10T11:23:42","slug":"despertarmos-do-capitalismo-comentario-sobre-marx-reloaded","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imediata.org\/?p=1350","title":{"rendered":">> Despertarmos do capitalismo? (coment\u00e1rio sobre Marx Reloaded)"},"content":{"rendered":"<p><strong>Despertarmos do capitalismo?<\/strong><br \/>\n<\/br><br \/>\n<strong>Por: Valerio Coladonato<br \/>\nFonte: <a href=\"http:\/\/www.alfabeta2.it\/2012\/04\/07\/svegliarsi-dal-capitalismo\/\">alfapi\u00f9, cinema, societ\u00e0 \u00b7 4<\/a><br \/>\nde 7 abril de 2012 \u00b7<br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o: Mario S. Mieli<\/strong><br \/>\n<\/br><br \/>\n<strong>Marx Reloaded Trailer<\/strong><br \/>\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Marx Reloaded Trailer\" width=\"640\" height=\"360\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/ybvsZ7YjBL0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><\/br><\/p>\n<p>Karl Marx n\u00e3o descansa em paz. O pensador que saia derrotado do s\u00e9culo passado foi arrastado com toda for\u00e7a para o novo mil\u00eanio. O mundo editorial anglo-sax\u00e3o parece ter percebido: em 2011, sa\u00edram, entre outros, \u201cHow to Change the World: Tales of Marx and Marxism\u201d de Eric Hobsbawm e \u201cWhy Marx Was Right\u201d, de Terry Eagleton. Por outro lado, \u00e9 refeita a saga de \u201cMatrix\u201d dos irm\u00e3os Wachowski, o document\u00e1rio dirigido por Jason Barker e produzido por Arte e ZDF, com o t\u00edtulo <a href=\"http:\/\/www.marxreloaded.com\/\">Marx Reloaded<\/a>. O fil\u00f3sofo alem\u00e3o assume o papel de Neo, e o capitalismo \u00e9 a matriz que envolve as vidas dos seres humanos.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Em menos de uma hora, \u00e9 contada a atualidade das ideias de Karl Marx no cen\u00e1rio da recente crise econ\u00f4mica. Embora permane\u00e7a engessado nos c\u00e2nones de document\u00e1rio informativo, o filme intercepta um fen\u00f4meno importante. As entrevistas com Michael Hardt, Toni Negri, Jacques Ranci\u00e8re, Slavoj \u017di\u017eek passam em resenha conceitos que nos reconduzem a Marx e fecundos ainda hoje, em formas revistas e atualizadas. No sistema atual, cujo motor \u00e9 a circula\u00e7\u00e3o de bens imateriais, o proletariado \u00e9 dificilmente identific\u00e1vel ou isol\u00e1vel, e as lutas se tornam bem mais compostas respeito aos esquemas de classe. A nova forma de desemprego generalizada derrubou de forma ir\u00f4nica o sentido de alguns conflitos sociais no mundo ocidental. Segundo \u017di\u017eek, aquilo que hoje com frequ\u00eancia se reivindica \u00e9 ter um trabalho para ser \u201cexplorado de maneira normal\u201d.<br \/>\n<\/br><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/Alexander-McQueen-Savage-Beauty.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/Alexander-McQueen-Savage-Beauty-300x225.jpg\" alt=\"\" title=\"Alexander-McQueen-Savage-Beauty\" width=\"300\" height=\"225\" class=\"alignright size-medium wp-image-1351\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/Alexander-McQueen-Savage-Beauty-300x225.jpg 300w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/Alexander-McQueen-Savage-Beauty.jpg 640w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Mas de onde vem, ent\u00e3o, a \u201cfor\u00e7a m\u00edstica\u201d que o sistema ainda exercita em quem dele faz parte? Retorna \u00e0 mente a reflex\u00e3o sobre o fetichismo da mercadoria, considerada uma das intui\u00e7\u00f5es mais brilhantes do pensamento marxista. Como j\u00e1 foi dito, os bens materiais em sua forma tradicional perderam sua centralidade: a quest\u00e3o do fetichismo parece ent\u00e3o investir n\u00e3o tanto em mercadorias, mas no funcionamento da ideologia. Esta n\u00e3o \u00e9 uma \u201cfalsa consci\u00eancia\u201d que impede o acesso a algo de mais verdadeiro: o engano tem ra\u00edzes profundas e dele n\u00e3o se pode escapar, pois estrutura a pr\u00f3pria \u201crealidade\u201d. \u00c9 aqui que a met\u00e1fora da matriz, utilizada pelo document\u00e1rio, mostra os seus limites. A ideologia, efetivamente, continua a operar mesmo na presen\u00e7a de um sujeito c\u00ednico. Um destacamento de montagem colhe bem essa rela\u00e7\u00e3o fetichista, segundo a f\u00f3rmula  \u2018je sais bien, mais quand m\u00eame\u2019. Antes, \u017di\u017eek afirma que a consci\u00eancia \u00e9 o bem anticapitalista por excel\u00eancia, dada a sua propens\u00e3o \u00e0 partilha; logo depois, \u00e9 enquadrado enquanto autografa os seus livros como uma celebridade: se trata de uma mercadoria, afinal.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Tamb\u00e9m emerge no filme o duplo olhar de Marx: aquele anal\u00edtico do \u201cdetetive\u201d e aquele a longo prazo do \u201clibertador\u201d, como o definiu Ernst Bloch. Contudo, observando a parte final de \u201cMarx Reloaded\u201d \u2013 um velho debate sobre as possibilidades de um comunismo hoje \u2013 o elegante exegeta parece mais atual que o agitador pol\u00edtico. De fato, Marx parece ter compreendido alguma coisa sobre o \u201cfuncionamento oculto do capitalismo\u201d que nem seus defensores entenderam, como sugere o t\u00edtulo de uma antologia de seus escritos publicada em 2007 \u2013 ano da crise dos subprimes. A fren\u00e9tica sucess\u00e3o de fal\u00eancias banc\u00e1rias, resgates, recess\u00f5es, reformas, v\u00e9rtices internacionais,    lembra o espet\u00e1culo de uma equipe m\u00e9dica que n\u00e3o sabe o que est\u00e1 afligindo o paciente e procede \u00e0s apalpadelas. O car\u00e1ter intrinsecamente irracional do capital do modo em que se reproduz foi focalizado por Marx bem antes do alcance t\u00e3o difuso das finan\u00e7as.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Parece cada vez mais claro que a crise n\u00e3o assinalar\u00e1 o come\u00e7o da fim, mas sobretudo uma ocasi\u00e3o para concentrar novamente o capital. O paradoxo \u00e9 que conseguimos imaginar mais facilmente o fim do mundo que o fim do capitalismo, lembra-nos Nina Power em \u201cMarx Reloaded\u201d. O legado de Marx, ent\u00e3o, n\u00e3o seria o espectro do comunismo que vagueia pela Europa, mas o fantasma do capitalismo. Ou seja, o fato de ter fornecido uma primeira, rudimentar mas influente descri\u00e7\u00e3o daquela fantasia que estrutura as trocas entre os sujeitos e seus desejos, daquele suporte fantasm\u00e1tico da ideologia sem a qual o mundo assim como o conhecemos perderia consist\u00eancia. Neo tem uma grande vantagem sobre Marx: n\u00e3o nos faz despertar do capitalismo.<br \/>\n<\/br><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/doubt6.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/doubt6-224x300.jpg\" alt=\"\" title=\"doubt6\" width=\"224\" height=\"300\" class=\"alignright size-medium wp-image-1352\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/doubt6-224x300.jpg 224w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/doubt6.jpg 302w\" sizes=\"auto, (max-width: 224px) 100vw, 224px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Despertarmos do capitalismo? 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