{"id":1341,"date":"2012-04-10T04:39:13","date_gmt":"2012-04-10T04:39:13","guid":{"rendered":"http:\/\/imediata.org\/?p=1341"},"modified":"2012-04-10T04:51:48","modified_gmt":"2012-04-10T04:51:48","slug":"ivan-illich-para-que-servem-as-crises","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/imediata.org\/?p=1341","title":{"rendered":">> Ivan Illich: para que servem as crises?"},"content":{"rendered":"<p><strong>Ivan Illich: para que servem as crises?<\/strong><br \/>\n<\/br><br \/>\n<strong>Por: Paolo Cacciari<br \/>\nFonte: <a href=\"www.democraziakmzero.org\">www.democraziakmzero.org<\/a><br \/>\nTradu\u00e7\u00e3o: Mario S. Mieli<\/strong><br \/>\n<\/br><br \/>\n<a href=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/grece-privatisation11.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/grece-privatisation11.jpg\" alt=\"\" title=\"grece-privatisation1\" width=\"579\" height=\"386\" class=\"alignright size-full wp-image-1343\" srcset=\"https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/grece-privatisation11.jpg 579w, https:\/\/imediata.org\/wp-content\/uploads\/2012\/04\/grece-privatisation11-300x199.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 579px) 100vw, 579px\" \/><\/a><br \/>\n<\/br><br \/>\n<strong>Proponho uma releitura de Ivan Illich do long\u00ednquo 1978 (Desemprego criativo, reeditado pela Boroli, 2005): \u201cO voc\u00e1bulo crise \u2013 escrevia \u2013 indica hoje o momento em que m\u00e9dicos, diplomatas, banqueiros e t\u00e9cnicos sociais de v\u00e1rios tipos assumem o tim\u00e3o e ficam suspensas as liberdades. Como os doentes, os Pa\u00edses se tornam casos cr\u00edticos. Crise, palavra grega que em todas as l\u00ednguas modernas quis dizer \u2018escolha\u2019 ou \u2018ponto de transforma\u00e7\u00e3o\u2019, agora significa: \u2018Vai com tudo!\u2019. Ou seja, evoca uma amea\u00e7a sinistra, mas pass\u00edvel de ser contida mediante um  excedente de dinheiro, de m\u00e3o-de-obra ou de t\u00e9cnica gerencial\u201d.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Como n\u00e3o ver que \u00e9 mesmo assim? Criar uma emerg\u00eancia, provocar um perigo catastr\u00f3fico (a fal\u00eancia, o desemprego, a  Gr\u00e9cia) para anular os direitos,  reivindicar o dom\u00ednio da raz\u00e3o econ\u00f4mica da iniciativa e intensificar as formas de explora\u00e7\u00e3o, concentrar o poder econ\u00f4mico-financeiro. S\u00e3o justamente as mesmas pessoas que antes criaram a crise, a partir de seus postos de comando nas institui\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias privadas que agora s\u00e3o chamadas para \u201ccolocar em ordem\u201d as contas p\u00fablicas. O verdadeiro objetivo deles: apossarem-se tamb\u00e9m das caixas econ\u00f4micas dos estados, dos fluxos fiscais, do patrim\u00f4nio p\u00fablico.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Quando o mundo est\u00e1 dominado por uma montanha de d\u00edvidas periclitantes, aqueles que manobram o dinheiro se tornam sempre mais poderosos e temidos. Os tecnocratas \u00e0 guia do sistema financeiro podem jogar \u00e0 vontade, por meio de algum telefonema entre amigos, com os spreads, as taxas de juros, o c\u00e2mbio&#8230; subjugando antes um, e depois o outro governo. O objetivo \u00e9 garantir que, de todo jeito, os capitais sejam pagos suficientemente. Todo o resto &#8211; os n\u00edveis de emprego e dos sal\u00e1rios, o funcionamento dos servi\u00e7os p\u00fablicos e as pessoas \u2013 n\u00e3o interessa nada.  Os detentores dos t\u00edtulos de d\u00edvida s\u00e3o a nova classe que manda.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>Ainda Illich: \u201cA crise como necessidade de acelera\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 confere mais pot\u00eancia \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do condutor, e faz apertar ainda mais o cinto de seguran\u00e7a dos passageiros; mas justifica tamb\u00e9m o roubo do espa\u00e7o, do tempo e dos recursos\u201d.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>O crescimento \u00e9 o novo falso mito. Todos sabem em seu \u00e2mago que n\u00e3o poder\u00e1 mais haver (pelo menos nesta parte do mundo e nas medidas prometidas) mas funciona como fator social disciplinante: se voc\u00ea n\u00e3o trabalhar mais e mais barato e com menos tutelas voc\u00ea ser\u00e1 um inimigo do \u201cinteresse geral\u201d. O \u201ccrescimento\u201d \u00e9 o novo patriotismo que deveria mobilizar as massas na guerra competitiva entre as diversas \u00e1reas econ\u00f4micas do planeta globalizado pelo capital financeiro. Eles (os \u201cinvestidores\u201d, os possessores dos t\u00edtulos de cr\u00e9dito) podem se mover e fazer neg\u00f3cios onde acharem melhor, enquanto os trabalhadores territorializados s\u00e3o postos a competir entre si. Chamam-no \u201cmulticulturalismo\u201d, leia-se \u201c\u00e1reas especiais de desenvolvimento\u201d, acordos de livre com\u00e9rcio, pactos interbanc\u00e1rios, etc&#8230;<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>O \u201ccrescimento\u201d \u00e9 a nova falsa religi\u00e3o. O novo nome da velha ideologia hegem\u00f4nica do produtivismo e do desenvolvimentismo. N\u00e3o importa saber o que deveria crescer, quais produ\u00e7\u00f5es para responder a quais necessidades humanas. O importante \u00e9 constringir as pessoas, atrav\u00e9s da chantagem das demiss\u00f5es selvagens, a trabalhar sob quaisquer condi\u00e7\u00f5es.<br \/>\n<\/br><\/p>\n<p>\u201cEntendida assim, a crise sempre avantaja os administradores e comiss\u00e1rios (&#8230;) uma corrida \u00edngreme em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 \u201cescalada do controle\u201d, mas Illich tamb\u00e9m escrevia: \u201c\u2019Crise\u2019 pode tamb\u00e9m indicar o momento da escolha, aquele momento maravilhoso no qual as pessoas, de improviso, se d\u00e3o conta das jaulas em que se trancaram e das possibilidades de viver de uma maneira diferente\u201d.   <\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ivan Illich: para que servem as crises? Por: Paolo Cacciari Fonte: www.democraziakmzero.org Tradu\u00e7\u00e3o: Mario S. 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