Novidade McDonald's:

O McAfrika Burger (Não diga nada aos 12 milhões que estão morrendo de fome…)

 

 


Andrew Osborn
The Guardian

24 de agosto de 2002

Tradução Imediata

A McDonald's tem sido acusada de extrema insensibilidade depois do lançamento do novo sanduíche chamado "McAfrika", na Noruega, um dos países mais ricos do mundo, numa época em que 12 milhões de pessoas estão enfrentando a fome no sul da África.

O lançamento do novo hambúrguer deixou furiosos os membros noruegueses da organização que equivale à britânica Christian Aid (Socorro Cristão) e a Cruz Vermelha Norueguesa, além de ter gerado uma tempestade de publicidade negativa para a gigante da fast-food dos EUA.

Alega-se que o mexido de bife, queijo, tomates e salada, num sanduíche de pão tipo sírio baseia-se numa receita autêntica da cozinha africana, e é vendido aos consumidores noruegueses por cerca de 2,80 ($4,20 US).

Contudo, as organizações que tentam levantar fundos para deter a fome no sul da África afirmam que a época de lançamento da campanha de marketing do McAfrika é insensível, grosseira, e sem qualquer consideração, e exigiram uma ação reparadora da McDonald's.

"É inapropriado e de mau gosto lançar um hambúrguer chamado McAfrika quando grandes partes da África estão à beira da inanição", disse Linn Aas-Hansen, do Socorro da Igreja Norueguesa ao jornal Aftenposten.

Membros do grupo de socorro que protestam contra o lançamento têm doado aos clientes da cadeia de fast-food "os crackers da catástrofe" — biscoitos ricos em proteínas que são distribuídos às populações famintas da África — fora dos restaurantes da empresa, em Oslo.

"Doze milhões de pessoas estão sofrendo de inanição em países como o Malawi e o Zimbabwe; trata-se de um dos maiores desastres humanitários jamais vistos. Nós não temos nada contra a McDonald's, mas a época para este lançamento é lamentável", disse Gunstein Instesjord, um assessor político sênior do Socorro da Igreja Norueguesa.

"A McDonald's deve constatar que o lançamento não foi um sucesso."

Ciente de que tem nas mãos uma situação embaraçosa, a McDonald's Noruega foi rápida no lançamento de um exercício de limitação de danos, fazendo ruídos conciliatórios na mídia norueguesa.

Margaret Brusletto, uma das porta-vozes da empresa, disse que estava sentida que o nome do produto tivesse ofendido tantas pessoas.

"Não era a nossa intenção", disse ao Aftenposten. "Reconhecemos que escolhemos uma época infeliz para lançar esse novo produto."

Confrontada com a crescente onda de protestos contra o novo McAfrika, ela disse, inicialmente, que a empresa "consideraria" uma solicitação para compartilhar as receitas de suas vendas com as organizações de socorro, mas uma reunião com a Cruz Vermelha Norueguesa e outras organizações não produziu tal acordo.

Nem a McDonald's concordou em suspender a venda do produto ofensivo.

Mas a empresa ofereceu às organizações de socorro a permissão de colocarem caixas de coleta e cartazes para o levantamento de fundos em seus restaurantes na Noruega — mas somente naqueles estabelecimentos que vendem os búrguers McAfrika, e somente pelo prazo durante o qual "a promoção especial do búrguer " estiver sendo oferecida.

Em declaração ao jornal The Guardian, da sede da empresa no Reino Unido, em East Finchle, ontem, a McDonald's disse: "Todas as partes envolvidas estão contentes com a solução. Esperamos que isso coloque em destaque o importante trabalho que essas organizações estão fazendo, e a McDonald's Noruega está satisfeita de poder prestar ajuda a esta causa."

© Guardian Newspapers Limited 2002

 

Published on Saturday, August 24, 2002 in the Guardian of London

New From McDonald's:

The McAfrika Burger (Don't Tell the 12m Starving)

by Andrew Osborn

 

McDonald's has been accused of extreme insensitivity after releasing a new sandwich called the "McAfrika" in Norway, one of the world's richest countries, at a time when 12 million people are facing starvation in southern Africa.

 

This is the promotion that's left aid organizations in Norway seeing red... and McDonald's officials red-faced. (Photo: Knut Fjeldstad/Scanpix)

The launch of the new hamburger has infuriated the Norwegian equivalent of Christian Aid and the Norwegian Red Cross and generated a storm of bad publicity for the American fast-food giant.

The concoction of beef, cheese, tomatoes and salad in a pita-style sandwich is said to be based upon an authentic African recipe and is being sold to Norwegian consumers for about 2.80 ($4.20 US).

But aid agencies trying to raise funds to stave off a famine in southern Africa say that the timing of the McAfrika marketing campaign is insensitive, crass and ill-considered and have demanded remedial action from McDonald's.

"It's inappropriate and distasteful to launch a hamburger called McAfrika when large portions of southern Africa are on the verge of starvation," Linn Aas-Hansen of Norwegian Church Aid told the newspaper Aftenposten.

Protesting members of the aid group have been doling out "catastrophe crackers" - the protein-rich biscuits given to starving people in Africa - to fast-food lovers outside the firm's restaurants in Oslo.

"Twelve million people are suffering from starvation in countries such as Malawi and Zimbabwe; it is one of the biggest humanitarian disasters we have ever seen. We have nothing against McDonald's but the timing of this is insensitive," said Gunstein Instesjord, a senior policy advisor at Norwegian Church Aid.

"McDonald's must see that the launch has not been successful."

Aware that it has a public relations embarrassment on its hands, McDonald's Norway has been quick to launch a damage limitation exercise, making conciliatory noises in the Norwegian media.

Margaret Brusletto, a spokeswoman for the company, said she was sorry the name of the product had offended many.

"That wasn't our intention," she told Aftenposten. "We acknowledge that we have chosen an unfortunate time to launch this new product."

Faced with mounting protest about the new McAfrika, she initially said the company would "consider" a request to share proceeds from its sales with aid agencies but a meeting with the Norwegian Red Cross and others produced no such agreement.

Nor has McDonald's agreed to withdraw the offending product from sale.

But it has offered to allow aid agencies to leave collection boxes and fundraising posters in its Norwegian restaurants - but only in those selling McAfrika burgers and only for as long as the "special promotional burger" remains on sale.

In a statement issued to the Guardian from its UK head office in East Finchley yesterday, McDonald's said: "All of the involved parties are happy with this solution. We hope this will put a wider focus on the important job that these organizations are doing, and McDonald's in Norway is pleased to be able to support this."

© Guardian Newspapers Limited 2002

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